Kardec e Chico Xavier dizem que Jesus NÃO é Deus

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Se você é daquele tipo de católico que no domingo vai à missa, mas quando tem algum problema corre pro centro espírita, este post é pra você. Se você acredita que Jesus Cristo é Deus, é impossível que, ao final deste texto, continue buscando o conselho de fantasminhas.

Se uma pessoa se declara cristã, qual palavra deve ter mais peso para ela? A palavra dos Apóstolos Pedro, João e Paulo, registrada na Bíblia, ou a palavra de Allan Kardec e Chico Xavier?

Essa pergunta é central, porque o que os Apóstolos dizem sobre Jesus conflita com o que os amigos de Gasparzinho dizem. São Pedro, São João Evangelista, São Tomé e São Paulo dizem com todas as letras que JESUS É DEUS. Já Kardec e Chico Xavier negam essa Revelação. São ensinamentos opostos, certo?

Então, de uma vez por todas, entenda: quando um espírita fala de Jesus, ele NÃO está falando do mesmo Jesus da Bíblia. Ele está falando do Jesus inventado pela crença espírita, que é um mero “espírito evoluído”. E, não sendo Deus, suas palavras não têm valor definitivo, podem ser relativizadas – e foi exatamente isso que Kardec fez em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

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QUEM PEDRO, JOÃO, TOMÉ E PAULO DIZIAM SER JESUS:

“…pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (II Pedro 1,1)

“…e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.” (João 1,1)

“Meu Senhor e meu Deus!” (João 20, 28)

“… nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tito 2,13)

QUEM KARDEC DIZIA SER JESUS:

“Se Jesus, ao morrer, entrega sua alma às mãos de Deus, é que ele tinha uma alma distinta de Deus, submissa a Deus. Logo, ele não era Deus”.

“…é que ele não é Deus, mas, apenas, seu enviado, seu messias e seu subordinado.”

– Obras Póstumas. Estudo sobre a natureza do Cristo, ponto III. Edição da FEB

QUEM CHICO XAVIER DIZIA SER JESUS:

“Do que posso pessoalmente compreender, dos ensinamentos dos espíritos amigos, consideramos Jesus Cristo como sendo espírito de evolução suprema, em confronto com a evolução dos chamados terrícolas que somos nós outros. Não o senhor do sistema solar, com todo o respeito que temos à personalidade sublime de Jesus, mas consideramo-lo como supremo orientador da evolução moral do planeta.”

“…um grande engenheiro, de mente quase divina (…). Mas não consideramos Jesus como criador, conquanto o respeito que lhe devemos.”

– Na Era do Espírito: 2º livro da série. Capítulo “Como consideramos Jesus”. Entrevista a J. Herculano Pires

xavier_jesusOs católicos adoram Jesus como o Senhor do Universo. Porém, Chico Xavier diz que Cristo não é nem mesmo senhor do sistema solar… quanto mais do Universo!

“Noffa, será que isso é verdade meismu? Naum pode sê…”. Amiguinhos, as fontes estão citadas. O Google tá aí, para quem quiser conferir os textos e seus contextos.

Recapitulando… Já provamos aqui que Chico Xavier, em dois de seus livros, demonizou o papado, difamou Santo Inácio de Loyola, desprezou a adoração eucarística e atacou a crença na Santíssima Trindade. Agora, mostramos que o sujeito também negava que Jesus é Deus.

Aí vem a pergunta: por que raios muitos católicos incensam esse cara como santo?

É simples. Os textos de Xavier que atacam frontalmente o catolicismo são jogados para debaixo do tapete pelas lideranças espíritas. A estratégia é evitar a indignação e a rejeição dos católicos. Isso explica a razão de até mesmo muitos frequentadores assíduos de centros espíritas desconhecerem esses conteúdos.

“Jesus, a porta. Kardec, a chave”, escreveu Chico Xavier (“Opinião espírita. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz”. Cap. 2, item 4). O médium de Uberaba via o cristianismo pela lente embaçada de Kardec, que não era cristão, mas apenas um gnóstico racista.

As cartas estão na mesa, amigo católico ectoplasmiano! Seja honesto intelectualmente, tenha coragem de sair de cima do muro! Faça a sua escolha. Ou você é filho da Igreja Católica, ou você é ovelhinha de alma desencarnada.

46 comments to Kardec e Chico Xavier dizem que Jesus NÃO é Deus

  • marcos

    Lá vem vocês com seu discurso de ódio (modo irônico)! Que venha o mimimi…

  • André Luiz

    Quanto mais eu fico sabendo da doutrina espírita, mais fico repugnado. Não troco a minha fé católica por nada nesse mundo.

  • Antonio Luiz

    No mundo politicamente correto de almas sensíveis, utilizar a ironia no bom tom, como a Catequista aplica de maneira sublime em seu trabalho evangelizador, torna-se sinônimo de “discurso de ódio” kkkkk……
    Catequista, parabéns mais uma vez pelo post, pelos esclarecimentos e pela forma como colocada a questão. Muito bom mesmo, principalmente para derrubar essa falácia de espiritismo e seus “doutrinadores” fantasminhas….

  • Lucas

    Acho importante esses esclarecimentos, só não concordo com a forma como o texto é escrito, pois dá margem para os espiritas debocharem e falarem de modo irônico da nossa crença católica, e como católicos não gostaríamos que nos tratassem assim.

  • Robson

    Simplesmente sensacional, parabéns pelo texto. Só um completo ignorante pra não perceber a completa incompatibilidade da fé cristã/católica com o espiritismo. Graças a Deus devido o amor pela verdade me fez enxergar a tão completa ideia e sem lógica que é o espiritismo.

  • Orcival

    Graças a Deus eu sou um católico de coração e digo com toda a minha fé Jesus é nosso Deus e salvador, senhor de todas as coisa que existe no universo. A Ele a honra a glória para sempre amém.

  • Geraldo

    Assim como o budismo não original (o budismo daqueles ocidentais que optam por ele, por acharem-no muito charmoso, mas que carecem da naturalidade dos que nasceram na cultura budista), o espiritismo traz um certo orgulho disfarçado de humildade e complacência, um orgulho meio gnóstico.

    O budismo por crer demais no auto-domínio humano (nunca me esqueço de um depoimento de Dom Boaventura Klopemburg na Revista Communio, contando da estranheza sentida por ele e pelos fiéis, quando certos “católicos” chegavam para a missa com suas almofadas sobre as quais se sentavam em posição de lótus, muito cheios de si e olhavam os outros com certa complacência “superior”) e o espiritismo por ter criado uma explicação supostamente mais lógica, para os mistérios da vida e da fé.

    É mais desafiador – e portanto, mais libertador – relacionar-se com o mistério insondável, do que enquadrá-lo numa lógica que minha mente domina. Nem nos relacionamentos humanos conseguimos fazer isso, porque o outro é também mistério para mim, por mais que eu seja íntimo dele há anos. E é isso que faz crescer o amor entre o outro e eu, sempre há mais a descobrir e valorizar.

    Este é o aspecto do espiritismo que mais o tornou sem credibilidade para mim, desde o primeiro momento em que o conheci. Exatamente o aspecto que mais atraia meus amigos era o que me afastava: um deus lógico, que cabe na pequenez do meu limitado raciocínio. Eu não me prostro diante de um deus assim, pois ele seria uma criação da minha mente.

    Essa pretensão de dominar uma explicação convincente e lógica sobre os grandes e complexos mistérios da vida que, por exemplo, liquida com a existência do inferno, só porque “logicamente” ela não se encaixa com a existência de um Deus infinitamente bondoso e misericordioso, sempre me pareceu tacanha e limitada.

    O inferno como exata tradução da palavra liberdade (amar por escolha livre e consciente e não como um robô programado) tinha e tem, para mim, o realismo de não censurar a dimensão misteriosa e incompreensível do real, de não simplificar a vida de modo artificial, eliminando seus fatores constitutivos, como por exemplo, o mistério da liberdade humana.

    Eu poderia fabricar uma lógica artificial, positivista e simplista como “Deus é bondoso, logo o inferno não existe”.
    Mas isso jamais eliminaria o mistério da liberdade humana, da sua capacidade de fazer escolhas definitivas pelo mal. Eu prefiro mil vezes encarar a realidade, ficando perplexo diante dos seus insondáveis mistérios e paradoxos que minha mente não alcança, do que cair na ilusão de que tudo pode ser explicado em fórmulas simples e lógicas; lógicas, mas jamais racionais.

    A realidade é atraente, exatamente porque é paradoxal, complexa e rica, misteriosa! E por isso meu relacionamento com o real, pode ser dinâmico e criativo, uma vez que ele é uma fonte inesgotável. Minha razão não o esgota!

    Os dogmas católicos (inclusive os dos novíssimos: morte, juízo, inferno e paraíso) não eliminam o mistério da vida, antes aguçam-no ainda mais!

    São convites ao relacionamento vivo e dinâmico com o mistério, O Mistério! E é por isso que eles tem gerado, ao longo da história, uma tremenda riqueza e variedade de pensamento e reflexão filosófica e teológica e uma criatividade artística excepcional.

    Aqui, me lembro de Chesterton e sua inteligente metáfora do sujeito que correndo ao redor da boca do vulcão e se esforçando para não cair nele, vai criando – quase sem perceber – uma resistência e uma musculatura excepcionais; isso para dizer que, não obstante o fato de sermos atraídos à fé pela bondade divina, o temor do inferno (o temor de tornar nossa liberdade, uma escravidão) favorece enormemente o nosso crescimento espiritual.

    Me lembro também de C.S.Lewis e sua feliz metáfora da Misericórdia e da Justiça como uma realidade única que se encontram indissociáveis na pessoa de Nosso Senhor, gerando em nós, amor e temor a um só tempo. As irmãs Pevensie, diante do leão Aslan, nos conta o autor das Crônicas de Nárnia, sentiam uma enorme vontade de acariciar sua juba e ao mesmo tempo um temor reverencial de tocá-lo. É claro que a mais feliz imagem que alguém possa criar nunca dá conta da profundidade do mistério insondável. Mas essa imagem que C.S.Lewis nos comunica, é fruto de um relacionamento vivo que ele tinha com Cristo, e ele consegue nos mostrar o Senhor como alguém que anda com ele, come com ele à mesa sem que , contudo, se esgote a sua realidade misteriosa. Antes o mistério só aumenta, e aumentando, atrai ainda mais. Por isso os dogmas da nossa fé, ao contrário do que afirma o preconceito espalhado, não são portas fechadas, mas caminhos abertos, sementes de muita fecundidade, que nos levam sempre mais para adiante.

    Já o espiritismo, querendo reagir ao positivismo logicista do tempo de seu surgimento, acabou caindo nele, caindo nessa ilusão de tudo pretender explicar em fórmulas lógicas (porém não racionais, pois a lógica pode ser fabricada até em cima das premissas mais absurdas).

    O Mistério que se deixa abraçar e tocar, que se senta conosco à mesa, continuando mistério e por isso, nos atraindo sempre mais, é o que mais me atrai no cristianismo. Não vejo outra modalidade de relacionamento com o real, mais adequada e rica do que o cristianismo. A partir do relacionamento com Nosso Senhor Jesus Cristo, o real se torna uma fonte inesgotável de surpresas. Basta observar a trajetória do grão de mostarda da fé, desde o encontro com os quatro primeiros discípulos às margens do rio, passando por toda essa nossa história de dois mil anos, até hoje, para se dar conta disso. Artes, Ciência, Filosofia, Solidariedade Social, Senso ético-moral, Aperfeiçoamentos Jurídicos, etc, tudo isso teria tido outro destino (muito mais triste e fechado) não fosse aquele encontro às margens do rio e seus muitos desdobramentos históricos (dentro dos quais, por certo, encontramos também muitas traições e infidelidades) que renovaram a face da terra: BOA NOVA!

    • André Luiz

      Geraldo, gosto muito de ler seus longos comentários. Continue postando assim. Aprendo muito com a sua experiência e o seu conhecimento.

    • Demiana

      Já eu não entendi uma palavra que o sr falou graças a meu QI de ameba em coma mas aprecio vossa eloquência. Só não posso concordar com o espiritismo ser uma visão mais racional de nada pois apesar do meu QI de ameba em coma gosto muito de ler e te digo que se alguém conseguiu ler um livro do Xicoxavier até o fim sem ter seu sistema abdominal afetado por embrulhos peristálticos de uma pieguice digna de dar cólicas, ele é Highlander, Jedi e Templário de aço. Deve aguentar um ano de dor de cabeça sem fazer uso de paracetamol.

  • Gostei demais deste post! É muito comum vermos “católicos – espiritas”, católicos que são atraídos pelo espiritismo, pela necessidade de acreditarem numa explicação para suas “perdas” pessoais, pessoas queridas que volraram para Deus, num encontro divino e definitivo. Como podem dizer que acreditam em Jesus? Se para o espiritismo, Jesus não é Deus… Quanto a ironia do texto, acho que trata-se de uma forma encontrata pelo Catequista de desmoronar a hipocrisia e acordar os que estão dormindo…
    Fiquei curiosa com o comentário de Geraldo, é muito bem escrito! Qual será sua formação? É um sacerdote? Gostaria de saber.

  • Padre Orlando Henriques

    «…daquele tipo de católico que no domingo vai à missa, mas quando tem algum problema corre pro centro espírita…»

    Isto fez-me lembrar certas passagens nada meigas da Palavra de Deus:

    «Purificai-vos, homens de coração indeciso!» (Tg 4, 8)

    «Detesto os que não sabem o que querem,eu estou afeiçoado à vossa lei» (Sl 118)

  • Bem,acho que cerca de 90 por cento dos catolicos brasileiros ja frequentaram um centro espirita, uma casa de candomble, ou no minimo ja visitaram um ”benzedor”.Nao entendo por que isso e uma coisa tao generalizada.Eu fui evangelico , e ,eles podem ter todos os defeitos , mas se eu tivesse vizitado um ”benzedor” e
    eles descobrissem ,eu seria linchado para fora daquela igreja.

    • Emanuel, os evangélicos – e agora me refiro especialmente aos pentecostais e neopentecostais – realmente não costumam recorrer a centros espíritas, terreiros de umbanda, cartomantes, ciganas etc. Mas isso não se deve a uma virtude especial que suas comunidades promovem, como pode parecer à primeira vista. A razão é que dentro de seu próprio culto, os evangélicos encontram uma farta gama de rituais “mágicos” que prometem resolver seus problemas rapidamente, amuletos e adivinhações (que eles chamam de “profecias”, mas não passam de baratas tentativas de exercer a adivinhação).

      Então, toda essa aura de misticismo, profetadas, amuletos (as vassouras ungidas, óleo bento, fogueira santa etc.) supre a demanda de quem busca na religião um consolo materialista, e a solução rápida de suas necessidades mundanas.

      Isso sem falar na indução ao transe, que para as pessoas mais sentimentalistas dá a impressão de que houve uma forte experiência mística, só pelo fato de desmaiar ou perder o controle de seu corpo de alguma forma (tremendo, caindo, tendo espasmos etc.). Essa indução é feita com a ajuda de atabaques na Umbanda, e nas seitas pentecostais é feita por meio do grito dos pastores, músicas e giros.

      • Geraldo

        Menina, seu comentário me fez lembrar do meu ex-pároco e amigo (grande discípulo de Giussani) que sempre apoiou os grupos da RCC em nossa paróquia e elogiou seus aspectos mais cristãos.

        Mas que também era de uma franqueza enorme quando topava com algo que merecia crítica. Um dia ele me saiu com esta, em plena reunião do conselho paroquial:

        “Vocês carismáticos, espíritas e pentecostais, ficam se arranhando uns aos outros, porque são urubus em cima da mesma carniça: o sensacionalismo curandeiro e a masturbação espiritual, oferecidos (às vezes, vendida, no caso neo pentecostal) como se fossem a fé cristã!”

        É claro que ele reconhecia as boas vertentes da RCC interessadas mais na experiência de Deus do que no curandeirismo. Mas tinha esse jeito sintético e abrupto , sobretudo se provocado na hora, de dizer certas coisas que tendo oportunidade de explicitar, resultariam em grandes aulas e testemunhos de espiritualidade e fé.

        Porém, esse desvirtuamento da fé, que adultera a experiência religiosa fazendo dela mero conforto psicológico e resposta às necessidades mais imediatas (e é isso que responde pelo aumento exponencial do protestantismo de linha neo pentecostal no Brasil) é praticamente um neo-paganismo.

        Pois eram os pagãos que supunham (e ainda supõem) ser possível manipular a divindade, apaziguá-la com sacrifícios ou buscar seu beneplácito com oferendas.

        O que é muito diferente da serena e humilde confiança na providência divina e no poder daquele que disse: “Busquem primeiro o reino de Deus e o resto virá por acréscimo” e ainda “Se um pai não é capaz de dar pedra a um filho que lhe pede peixe, com maior razão o Pai do Céu dará o Espírito Santo a quem lho pedir!”

        O milagre é uma realidade em toda a nossa história e ocorre ainda hoje (basta pensar na torrente de fatos sobrenaturais ocorridos na vida de São Pio de Pietrelcina), mas ele acontece na serenidade da fé e no absoluto mistério da liberdade e autoridade divina.

        Não tem hora e lugar marcados (“Hoje às 20h: corrente do poder divino!” “Amanhã: Missa do Milagre na Capela tal…”) e tem estreita correlação com o anúncio do Evangelho e com o crescimento da graça de Cristo em nossa vida.

        E ,sobretudo, não é um pronto socorro e muito menos a ação de um gênio da lâmpada, manipulável por nossas súplicas, quiçá interesseiras e egoístas.

        Uma pessoa lúcida e honesta, ao ouvir alguém “testemunhando” a sua “fé” em termos como “fiz a corrente tal e hoje tenho cinco carros e três apartamentos”, deveria se afastar logo de gente que tem tão mesquinha e grosseira noção de Deus.

        “Eis – me aqui Senhor, que queres que eu faça! Faça de mim o que lhe aprouver!” Esta é a oração cristã (que não impede o pedido de tudo o que for necessário à nossa vida, pois a condição humana é pedinte, por natureza), ela é a busca de um rosto para o qual somos feitos: ” A minha alma tem sede de Deus, pelo Deus vivo anseia com ardor! Quando irei ao teu encontro e verei tua face, Senhor?”(Salmo 42)

        Até o paganismo antigo – não obstante a sua pretensão de manipular o sagrado – tinha uma intuição do mistério, uma certa e vaga percepção do “deus desconhecido”, da “terra ignota”.

        Mas esse neopaganismo (que atinge até porções consideráveis do catolicismo, sobretudo no Brasil) que vemos agora, perde até o senso sagrado do mistério, o temor e a reverência. “Fale para o pastor Fulano orar por mim, que eu darei a metade da terra para a igreja, se eu conseguir comprar o terreno tal…” Foi o que ouvi um dia desses, numa rodoviária.

        A ideia de Deus (de deus!) tem se tornado vulgar e banal. Nem se fala mais em “roupa de ver Deus” (quem se lembra disso?) e muitos são os que não distinguem o templo de um clube qualquer.

        Quase toda paróquia tem sua banda ruidosa , cujo estridente barulho atrapalha nosso recolhimento e mata o senso do mistério sagrado, e a gente quase não ouve mais o canto uníssono do povo de Deus.

        Sensações. Vai-se à igreja em busca de sensações, masturbação emocional.

        É um espírito do nosso tempo (não tão espontâneo quanto parece, mas fabricado em grande parte e de modo desonesto, só que isto é outro longo assunto).

        Só que a igreja, que levou a presença de Cristo a tantos e diversos tempos, e desde o início,vem construindo (sob a guia do Espírito Santo) um precioso patrimônio, não pode se render assim tão facilmente a esse provincianismo temporal (expressão de Olavo de Carvalho).

        O povo de Deus tem direito ao que é dele, à sua história, ao melhor alimento, à prata da casa.Cada paróquia e diocese, precisa estar atenta a esses sinais de deterioração da experiência cristã, de paganização do catolicismo e não medir orações e esforços concretos para limpar essas crostas que vão se amontoando em cima do rosto do Senhor.

        E não se trata de nada sofisticado. Tanto o inteligentíssimo Tomás de Aquino, quanto o limitado (em relação aos instrumentos da cultura intelectual do seu tempo, mas inteligente em sua relação com o real) João Maria Vianey, beberam da mesma fonte e se nutriram plenamente do mesmo alimento.

        De modo que, devemos sim ser críticos e também alertar o povo de Deus, para a distorção do cristianismo que se faz no espiritismo, no protestantismo. Mas também devemos ser muito atentos, quando essa distorção ocorre em nosso meio. Inúmeros posts deste blog, mostram o especial cuidado e zelo que ele tem, nesse sentido.

    • Ricardo Cordeiro

      Ainda bem q os membros da igreja católica não “lincham” os pecadores, ou alguém q comete um erro. Esse seu comentário mostra o quão soberbo é um protestante, sendo capaz até de linchar pecadores, fazendo isso eles se mostram que estão em um nível tão alto, q podem julgar um outro irmão. Quanto ao post, parabéns, muito explicativo e temos q rezar a Jesus Cristo, Nosso Deus para q tenha misericórdia de nós.

  • Marcondes

    Conforme a Dete gostei muito da explanação feita pelo Geraldo, as palavras dele são de alguém que conhece profundamente a nossa querida Bíblia Sagrada.

    Os espíritas querem com as “lógicas” apresentadas dizer que a Santíssima Trindade não existe, que os milagres feitos por se fossem feitos seriam facilmente explicáveis, será mesmo que eles teriam explicação para as Bodas de Caná transformando água em vinho, a abertura do mar vermelho, a multiplicação dos pães e peixes e tantas outras outras, seria tudo isso “ilusão de ótica”. Querem encontrar lógica aonde existiu milagres.

    Respeito muito Chico Xavier, mas negar a Divindade de Cristo me ofende muito e quando fui mas fundo nestes temas dos livros espíritas para conhecer melhor, fiquei imensamente decepcionado, a nossa Igreja Católica tem mais de 2.000 anos e o espiristimo +ou- 156 anos, os espíritas tem lógica e nós Católicos temos “fé” e ela que me sustenta

    • Ricardo Cordeiro

      Interessante o seu comentário, mas eu levantaria algumas contradições: Como respeitar uma pessoa que tem como objetivo destruir a igreja verdadeira de Cristo. Levantando falsos e criando mentiras sem fundamento. Como respeitar uma pessoa q máscara uma doutrina (espiritismo não é religião, mas sim doutrina) utilizando de imagens de Santos católicos para enganar alguns leigos, a ponto de retira-los do verdadeiro caminho, tanto é q existem centros espíritas com nomes de Santos católicos, uma forma injusta de confundir o povo. E como vc diz q espíritas são lógicos, se do ponto de vista teológico, a redenção, do ponto de vista espírita, não tem lógica nem moral, pois vc paga por uma coisa q não se lembra e o ser humano não pode ser salvo, se não houver ajuda de Deus. Não respeito o seu Chico, apenas peço a Deus q tenha misericórdia dele.

      • Marcondes

        Oi Ricardo, quando falei em lógica é porque realmente não encontrei outra palavra tentar explicar a descrição que eles dão aos milagres de Jesus e a sua Divindade, que para eles não existe, e o respeito ao Chico Xavier falo apenas do ser humano e não da pessoa que divulga a doutrina espírita, mas o bate papo aqui é muito bom é assim que vamos aprimorando o nosso conhecimento religioso, fique com Deus..

      • Geraldo

        Olá Ricardo , eu também usei a palavra lógica para me referir ao espiritismo. Ocorre que você pode ser lógico em cima da coisa mais burra do mundo.

        Por exemplo:

        Todos os seres humanos tem caudas. Pedro é um ser humano. Portanto Pedro tem sua cauda.

        Perfeitamente lógico, mas totalmente irracional, não inteligente. Lógica é a coerência entre o pressuposto assumido e as consequências que você deriva dele.

        Muita gente compreende e usa a palavra lógica como sinônimo de razoável e/ou inteligente.

        Quando o espírita diz “Deus é infinitamente bom, logo o inferno não existe”, isso está de bom tamanho em termos lógicos, em termos de coerência com a premissa assumida. Mas não é razoável nem inteligente, pois é o pressuposto assumido que é falso.

        E este falso pressuposto, é que o inferno foi criado por Deus. Ou que, pelo menos, deveria necessariamente ser evitado por ele que é tão poderoso e bom.

        Só que além do inferno ser a suprema consequência da liberdade mal usada (o que não é sequer liberdade, mas escravidão escolhida), um poder (humano ou divino) que impedisse a livre escolha de quem quer que seja, não seria um poder (muito menos um amor) mas uma tirania absoluta.

        Escolher é apenas um aspecto – e nem é o mais importante – da liberdade. Amar e fazer o bem, é a dimensão maior da liberdade, pois só quem faz isso é de fato livre.

        Pretender um Deus que usasse seu poder, para impedir a sua criatura de criar o inferno (ou seja de optar pela ausência de Deus e pela escravidão de si) é o mesmo que pretender um rapaz maluco que criasse uma poção mágica que fizesse uma moça gostar dele automaticamente.

        Só uma mente muito infantil e doentia gostaria de ter uma namorada assim. Uma mente que ficaria sempre na dúvida: ela me amaria sem essa poção mágica que a obriga a agir mecanicamente? A metáfora é absurda. Tão absurda como a ideia de um amor nosso a Deus, programado por ele mesmo.

        “O espiritismo é uma filosofia e não uma religião”, alguns dos seus seguidores gostam de dizer isso. O que só aumenta o ridículo da coisa. Pois condição indispensável para a filosofia é o espanto diante da complexidade do real, o reconhecimento do nosso limite frente ao mistério inexplicável e a recusa decidida de encaixá-lo em fórmulas fáceis e simplistas.

        Porque alguns seres humanos fazem escolhas como as de Hitler? Por mais que eu elabore ou encontre teses razoáveis acerca disso, sempre ficará uma névoa cobrindo esse mistério da liberdade , esse mistério do mal. E é profundamente racional e inteligente dizer: a realidade é complexa e misteriosa, o que dela compreendo é uma ínfima parte.

        Na vida a gente carrega algumas poucas certezas e um mar imenso de dúvidas (e os dogmas católicos nunca quiseram mudar isso e por isso jamais são exaustivamente explicativos,mas modestos e discretos até nos seus enunciados).

        E isso nos torna vivos, vivamente interessados na realidade. A gente descobre várias coisas, mas olha adiante e o terreno do misterioso fica ainda maior diante de nós.

        Mas isso não é algo que nos exaspera, mas nos deixa boquiabertos, adorantes, contemplativos. O que é sinal de que estamos no caminho certo, na abordagem adequada ao real.

        E por isso o grande Hans Urs Von Balthasar falava da teologia de joelhos, contemplativa, boquiaberta.

        Por isso os monges, os eremitas, os místicos, preferiam mais o silêncio adorante do que a explicação exaustiva. E preferiam a teologia mais narrativa que especulativa. Gostavam de contar por onde o Mistério os levava, como Deus acontecia na vida deles.

        Isso, este senso do mistério, tem tido um resultado tanto prático como poético (poético como sinônimo de toda Arte e Beleza) tremendo.

        Pois se a realidade não é algo limitado e finito, que minha mente resolve e liquida, com fórmulas conclusivas e fechadas (até lógicas), mas guarda um mistério, um véu que ainda encobre a sua maior parte, ela continua a ser fascinante aos meus olhos, inesgotavelmente fascinante e cheia de surpresas, convidativa a um relacionamento que vai crescendo e se aprofundando, sem nunca se esgotar.

        Portanto, é um relacionamento que gera caminho e criatividade.O tédio aqui não tem lugar. A explicação dada , artificialmente “simples” e conclusiva, é tediosa.

        A dogmática católica jamais é tediosa, pois ela escancara a janela aberta sobre o mistério do mundo. Ela não passa da ponta de um iceberg infinito.

        Quando ela me diz “Ressuscitou dentre os mortos”, ela me dá uma certeza básica sem entrar em detalhes, deixando uma infinidade de perguntas borbulhando na minha inteligência e fecundando a minha imaginação.

        Inventariar o que esse dogma (e outros) gerou de construtividade criativa no mundo é trabalho de fôlego: começou com a esperança da vida eterna e feliz no céu também para quem era tido como lixo nesta terra, passou pelo apelo fraterno de São Paulo a Filêmon em favor do escravo Onésimo, pela venda de cálices sagrados de ouro para adquirir a alforria de quem era irmão na fé e de quem não era, até chegar a completo sumiço da escravatura na Europa toda. As consequências sociais da fé voltaram a atuar na luta dos cristãos ingleses pela abolição da escravidão negra, pela luta abolicionista da Princesa Isabel (urgida pelo papa Leão XIII) e seu empenho pela indenização dos negros (que os republicanos combateram) .

        Isso para dizer , de apenas um dos desdobramentos de um dos fatos que sintetizamos em dogmas.

        Fato que se mostra realmente a nós, que experimentamos, mas que ainda esconde a sua maior parte, que continua profundamente misterioso e por isso fortemente estimulador de uma caminhada.

        Já uma explicação toda formatada, que me criasse a ilusão lógica, de que a realidade é perfeitamente compreensível, de que não há tanto mistério e paradoxo assim na vida (tentando fazer da razão algo tacanho) não teria consequências tão tremendas. O tédio do já explicado, não cria nada de novo.

        Será por isso que os conselhos dados pelos ‘espíritos” no famoso Livro dos Espíritos”, ou o “Evangelho segundo o Espiritismo” (crido como ditado pelos espíritos) são tão decepcionantemente triviais, monótonos e até piegas? Até a “literatura” de auto-ajuda consegue ser melhor.

        Sem falar nos “romances” psicografados tão repetitivos e melosos. Então essa gente toda foi para “camadas superiores”, para nos enviar mensagens tão bobinhas, tremendamente inferiores se comparadas com as melhores obras dos nossos vivos?

        O mistério é pai da criatividade e o dogma cristão acena para o mistério, mas não tira o seu véu. A realidade continua fascinante e complexa e o mistério cada vez mais atraente e desconcertante.

        Só que em termos cristãos, o mistério não é a escuridão total, mas é uma PESSOA. Uma pessoa que nos é íntima, por certo, mas também desconhecida.

        C.S.Lewis expressou isso de modo muito feliz no finalzinho do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa. Depois de coroados, os irmãos Pevensie estavam brincando na praia em Cair Paravel. A pequena Lúcia avista por um momento o grande Leão e depois, de repente, o perde de vista. Decepcionada, pergunta ao castor:

        _ E Aslan?
        _ Não se preocupem. Ele sempre há de ir e de vir – responde o castor.

        A maior parte do rosto de Cristo, ainda misteriosa, não desvelada de todo, plantou em seus seguidores como virtude teologal e portanto, infusa (dada) a ESPERANÇA (certeza de uma realidade futura, embora desconhecida, por causa de um acontecimento já vivenciado por nós, já presente: a FÉ!) .

        E por isso, desde então, o mundo conheceu uma explosão de criatividade jamais vista antes (da qual essa obra literária que cito é apenas um pequeno exemplo), da qual brotaram a ciência moderna, a solidariedade numa dimensão jamais vista antes (alcançando quem era descartado como lixo: os doentes, paralíticos, as crianças já geradas em fase intra-uterina, os mais pobres, os escravos, etc.), o aperfeiçoamento jurídico, a maior presença da Beleza no campo da Arte (a maior parte da nossa música erudita é fruto da fé cristã!) etc.

        Uma imensa e bem planejada propaganda (protestante, iluminista e socialista) tem colocado – já fazem quatro séculos – enormes holofotes (e várias distorções) sobre as traições terríveis ao dom de Cristo, que certamente ocorreram e muito, entre nós, desde o inicio; e tem censurado, propositalmente ,os melhores frutos que este dom tem gerado no mundo. E até teólogos nossos acabam assumindo essa leitura da história, que pisa no dom de Deus.

        Mas o sol jamais deixará de existir e de brilhar e dar sua força à terra, só porque alguém nega sua existência.

        • Geraldo

          Mas olha, tem algo positivo no espiritismo, pelo menos cá no Brasil. Entre as virtudes que cultivam, está a defesa da vida da criança já gerada, em sua fase intra-uterina. Justiça seja feita.

  • Antonio Luiz

    Realmente os comentários do Geraldo São memoráveis. Esse último foi de grande profundidade e conhecimento além de ter analisado o cristianismo sob um aspecto interessante: o do mistério de Deus e de Sua Revelação. De fato trata-se de pessoa preparada e especial pela forma que comenta os assuntos. Aprendo muito com Geraldo e gosto muito também das participações do Pe. Orlando. Verdadeiros soldados de Cristo!!!

  • Nathalia

    Ninguém explica Deus .

  • Tá cheio de católico que frequenta centro espírita,lê livro espírita, acredita/segue os ensinamentos do Espiritismo mas se diz católico. Sem contar nos que frequentam a Umbanda, fazem simpatia, oferendam Iemanjá e se dizem católicos praticantes. Não apenas católicos, evangélicos tb. Não sou ninguém pra julgar, mas me parece que essas pessoas ou estão confusas ou não ‘botam fé’ no que sua religião prega.

  • José Carlos

    Cristão que vivem essa “eclesia Religiosa” um fenômeno muito comum…(pessoas que nunca estão satisfeitas, realizadas, ouvem o padre mas têm uma caidinha pelo sermão do pastor fulano, acham que não é errado visitar aquela igreja evangélica ali…)
    -Pessoas que procuram nossa igreja católica apostólica romana para serem felizes não demoram muito a ir embora ou viver essa eclesia de galho em galho. Mas as que veem para fazerem os outros felizes e não ficam procurando defeitos são verdadeiramente as realizadas e não se abalam com que disse Xavierzinho ou kaderquinho etc…

  • Eu já debati tanto sobre isso com um amigo, que tenho inclusive as diversas citações bíblicas (embora não seja necessário) que referendam a doutrina de que Jesus é Deus. Ademais, há o vídeo do Padre Paulo: “Como provar que Jesus é Deus?”

  • Raphael

    Muito bom o post, não podia ser melhor. A opinião aqui são de Católicos Apostólico Romano, sim cremos na natureza divina e humana de Jesus Cristo, não em um espirito evoluído, doa quem doer, aceita quem quiser. A igreja católica tem dois mil anos fundada por Cristo e testemunhada pelos Santos Apóstolos cujo foi dada a missão de continuar ensinando o que viram e viveram, passamos por tantas coisas e estamos de pé depois de dois mil anos pois somos conduzidos pelo Espirito Santo. Acredito piamente que não da para misturar as denominações pois não cremos nas mesmas coisas e não adianta expor ideias bonitas.

    Devemos amar o próximo ? Devemos, mas não somos obrigado a concordar com o que achamos errado, assim como uma mãe ama o filho que usa a droga mas detesta o erro (droga).

    Sinto que o “ecumenismo” também nos atrapalha um pouco em certos momentos pois nos faz esconder nossa identidade para o “bem” comum, que é a Santa Eucaristia CRISTO sacramentado; corpo, sangue, alma e divindade, assim como Maria, Santos e outros tesouros da nossa fé.

    O engraçado é que as demais religiões nos criticam, mas quando nós nos pronunciamos caem em cima, mas as perseguições sempre farão partes.

    O site é católico com ponto de vista católico, Jesus Cristo plenamente Deus e Homem e por mais que queiram não podemos nos unir com espiritismo pois não cremos nas mesmas coisas. Minha opinião !!

    Para os católicos “genuínos”, no site do Padre Paulo Ricardo (mito) tem bastante postagem explicando a diferença entre as religiões, fica a sugestão para quem quer aprender mais sobre isso.

  • Sidnei

    Esta matéria foi parar no Aleteia, gostaria de saber se é o pessoal aqui do catequista que aloca para lá, ou é alguém de lá ou um terceiro que faz isto?

  • Celso

    Se o espírita acredita que Cristo não é Deus e que exista reencarnação há algo de errado com ele. Se Cristo não é Deus e existe reencarnação a Bíblia está errada. Jesus seria louco ou mentiroso. E se assim fosse não poderia dizer nem que era um espírito evoluído. Algumas religiões e segmentos do Cristianismo tem a mania de ler e acreditar na Bíblia de forma seletiva. Não “presto atenção no que eles dizem”. Eles não dizem nada. Viva minha fé e minha Igreja. A única Igreja de Cristo!

  • Filêmon

    Bastante engraçado e instrutivo o post, novamente, Catequistas! Acredito que a maioria de nós católicos nem teve, ou tem vontade de afrontar os princípios da fé… Só que a maioria é grandemente seduzida pela TV, pelo que os artistas e celebridades pensam, seus comportamentos e gostos… daí é batata: relegam a fé e seus princípios sacrossantos para embarcar no próximo modismo reluzente. E o espiritismo, qualquer de suas formas, está sempre em evidência. Neste caso das doutrinas de Kardec e de Chico Xavier não vejo como poderiam ser modismos propriamente ditos; é mais seguro considerar essas doutrinas como elementos de reengenharia social ligados a interesses escusos dos poderosos e que volta e meia são requentados para atrair de novo a atenção de quem está sedento de novidades. Nosso Senhor Jesus Cristo sofre muito com isso.

    É muito difícil desculpar a TV por toda a confusão instaurada atualmente, em que tudo foi nivelado por baixo, incluindo nossa amada Igreja Católica. O opinacionismo virou o critério máximo, exarado do politicamente correto do marxismo, que tem campo aberto nos corações e mentes de tantos batizados que se tornaram tão melindrosos e acuados que é difícil, muitas vezes, distinguir verdadeiros católicos neles. Como o espiritismo é uma doutrina que medrou formidavelmente no Brasil, ímpar nesse acolhimento como nenhum outro lugar do mundo, é preciso olhar, para efeito de conversão não só da maioria, mas de todos nós, para a parte ruim do que é ser brasileiro.

    Daí pergunto a quem lê esta seção de comentários e já viajou para o exterior, há outro povo mais sedento de novidades, mais carente afetivo, mais tendente a cair no respeito humano, a fazer média, a desconsiderar o papel das ideias na determinação de comportamentos e gostos, do que o brasileiro? Me parece que não. Por aqui, quando alguém quer ser tido como sabido e culto, recorre a fórmulas e referências caricaturais de saber e de cultura, porque não tem empenho em estudar para valer – essa falta de empenho vem de se dedicar demais a fazer média com os outros, em obsessiva e curiosa política de boa vizinhança, e a se deixar levar pelo entretenimento. Por isso, não é estranho que, por estas bandas, formas de “consciência” caricaturais, assim como de racionalidade caricatural, tenham dominado o meio católico, com a Teologia da Libertação.

    À mesma época, surgia a Renovação Carismática (embora tenha demorado a ganhar terreno), em que uma ênfase no êxtase pela fé não esconde uma infantil rendição à irracionalidade…. Há que se estudar com afinco porque tendemos tanto a cair em extremos tão jocosos. Experimente chegar em sua rodinha de amigos que saem aos finais de semana para espairecer do trabalho, e informe a eles que você ficará ausente por algumas semanas ou meses porque lerá a Suma Teológica, ou Moby Dick, por exemplo. Os amigos perguntarão: “Vai virar professor, por acaso? É pra conseguir uma renda extra?”. Daí você sinceramente responde: “Não, não tem a ver com dinheiro, nem com profissão. Apenas quero conhecer essa obra, para me tornar um católico melhor, ou para adquirir cultura literária, para ampliar meu horizonte pessoal. Eu sou muito limitado nessa parte, e quero melhorar, e terei de sacrificar a cervejinha, os petiscos e os encontros por um tempo”… A ridicularização empreendida pelos amigos será tão cerrada, que o mais provável é que o sujeito desista. Se seguir em frente, será colocado em um ostracismo tão cruel e persistente que os tais amigos lhe virarão as costas, lhe retirarão a amizade. Por aqui é assim.

    Em vista disso, não é nada estranho que uma pseudo-doutrina, como o espiritismo, tenha aceitação e simpatizantes tão incríveis. Salvo engano, somos o povo menos merecedor de ser católico, por esses defeitos tão gritantes, mas no meio do qual mais abunda o chamado à fé (não por deferência de Nosso Senhor, da Virgem Santíssima, dos Anjos nem dos Santos), mas por compaixão do Céu, e por extrema preocupação por nossa salvação, que por nossas condições marcantes está sempre na berlinda, ainda mais nestes tempos em que a mentalidade comum chegou a um ponto de penetração socialista (o espiritismo, se pensarmos bem, é o socialismo em termos espirituais) que só uma conversão mediante muita oração, penitência, mortificação e estudo pode debelar. Eu não estranharia se, chegando um brasileiro no Céu, e este perguntasse (com o proverbial ufanismo que ostentamos) a São Pedro como deve ser batido para ele deparar com brasileiros adentrando o Reino de Deus, ouvisse do Apóstolo que ele está enganado. E ficasse sabendo que, ao contrário, são poucos os brasileiros que transpõem o limiar da Vida Eterna para privar com o Rei dos Reis, e isso desde o começo da nação. Nosso conterrâneo ficaria estupefato, e São Pedro, talvez, respondesse algo como: “Você acha normal que irmãos ditos católicos passem o mais de sua vida tentando parecer algo do que efetivamente sê-lo? E isso por subserviência a uma paz que não é do Reino, e sim uma paz imediatista, que lhes facilite a obtenção de dinheiro e condições para ostentar à face uns dos outros… E que são tão dinheiristas a ponto de abraçar sem maior resistência teses de igualitarismo e distribuição de recursos, e que tais, e jamais matam em si a cobiça, ao ponto de se locupletarem tão logo se dê ocasião, e de não medirem esforços para esconder o ilícito, para que não seja divulgado e não percam a reputação ante amigos e rivais… Isso é muito difundido entre vocês brasileiros, e não é só na elite que existe isso. O Senhor, ao longo da história do Brasil, permitiu que as lideranças fossem motivo de escândalo, para que os pequeninos resistissem bravamente com a fé, a Eucaristia, a piedade, junto à Igreja que tão solicitamente Ele criou, só que a contaminação chegou à base. Vocês são grandemente galardoados pelo Senhor, porque de todos os povos, as gerações se sucedem, e vocês permanecem com o coração pequeno e a cabeça avoada, da forma mais obstinada.

    Só assim para que tipos como Allan Kardec e Chico Xavier ditassem a tantos erradamente o que é a fé, o amor, a caridade, tão discordantes do Evangelho esses dois, pecadores endurecidos, cheios de astúcia e sutileza… Aviso não faltou, o que sempre sobrou na vida de vocês foi a televisão… Bastaria mais joelho no chão e Terço na mão dos brasileiros – isso os afastaria de tantos perigos, de tantos enganos, de tantas coisas tacanhas que vocês nutrem entre vocês… Quem dera se o Brasil chegasse maciçamente aqui em cima…” Se puderem, leiam o “O Pequeno Número Daqueles que São Salvos”, de S. Leonardo de Porto-Maurício, é fácil de achar e agrega muito valor à nossa formação católica quanto aos temas do pecado e da salvação. E é um escrito curto. Ah, uma outra coisa: um tal de João, aqui nos comentários, acusou certos católicos de buscarem a pureza doutrinal, e os tachou de gnósticos por isso, o que é uma calúnia. Os gnósticos buscavam a purificação com uma ascese insana,uma mortificação que beirava o letal, para se desprenderem da matéria, vista por eles como diabólica, e voltarem o quanto antes para Deus. Eles não buscavam uma doutrina pura, eles buscavam a pureza em si mesmos do modo errado. A busca da pureza doutrinal é urgente e necessária, em especial pelos católicos, para o serem de fato e honrarem os Sacramentos que receberam.

    “Lex orandi, lex credendi”, diz a lição. Oramos de acordo com o que cremos. Se não sabemos ao certo no que cremos, não oraremos como se deve, e com isso não se estará louvando e cultuando a Deus Uno e Trino como Ele estabeleceu através da Igreja, e sim prestando culto e louvor às próprias concepções pessoais e reduzindo nossa capacidade de acolher a Graça Divina. Não se trata de uma preocupação vazia, e sim, como se vê, de uma necessidade, de humildade, de obediência, e de realmente colocar Nosso Senhor Jesus Cristo como Rei de nossas vidas amarrotadas. Em uma nação que desconfia que algum de seus filhos possa realmente se acercar do estudo de forma intemerata e desinteressada, não porque crê que será salvo por um conhecimento, mas sim para exercer melhor a devoção e a piedade, e se unir à Cruz de Jesus Salvador, soa presunçoso e soberbo, embora não seja. Dai-nos, Virgem Pura, Fé, Pureza e Bravura!

  • RENAN

    “amigo católico ectoplasmiano” ai, ai, eu ri disso.

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