Porta Santa, Indulgências e outras histórias…

Oi Povo Católico!!!

Especial Misericordia

Você sabe a diferença entre Ano Jubilar e Ano Santo? Sabe qual a origem da Porta Santa? Sabe todos os passos para obter sua indulgência plenária? Aliás, você sabe exatamente o que é uma indulgência plenária? Descubra todas essas respostas no segundo episódio do nossos Especial Misericórdia!

Assiste aí embaixo…

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10 comments to Porta Santa, Indulgências e outras histórias…

  • João

    OLA catequista. Bom ter esses pequenos videos de explicacoes sobre temasda igreja. Quanto a quando nao se esta em estado de graça, o Senhor escuta as oracoes, os pedidos, acoes de graca, etc? Por exemplo, em pecado grave, um ser pede indulgencias( nao lembro se é plenaria ou parcial) concedidas por realizar a oracao do rosario e ofere para uma alma do purgatorio. Deus concede essa graça? E quando se oferece diariamente indulgencias por alguem do purgatorio, tem q especificar a pessoa ou pode falar varios nomes, ou apenas “pelas almas do purgatorio” e vai pra alguem sei la de onde?

  • Paulo Cesar

    Acho interessante que o tema sobre as indulgências plenárias tenha sido novamente lembrado a partir do Ano da Misericórdia.
    Lembro-me que minha mãe falava sobre as indulgências plenárias e parciais, mas, embora eu seja um católico praticante, não me recordo de ouvir qualquer padre, em qualquer missa ou reuniões de formação comentar sobre esse assunto.
    Antes de estudar o tema, não tinha consciência de que apesar do perdão dos pecados obtidos por meio da confissão,ainda haveria penas temporais a serem pagas nesta vida ou na próxima, no Purgatório. Para mim, até então, o perdão já limpava tudo e sempre imaginei que se uma pessoa morresse logo após ter se confessado iria direto para o Céu.
    Menos ainda no que diz respeito a poder-se obter indulgência plenária pelas almas dos fiéis defuntos. Tanto que somente cumpri as condições para obtê-la para meus pais depois de anos que eles já tinham falecido. Fiquei realmente muito chateado com isso.
    É importante que todos saibam e divulguem amplamente que há várias situações em que se pode obter a indulgência plenária para si próprio ou para a alma de um fiel defunto.
    Pode-se obter a indulgência plenária, uma vez ao dia (exceto em “artigo de morte”, quando pode-se obter a indulgência plenária mesmo se já tendo recebido uma no mesmo dia), nestas ocasiões:
    1)Adoração eucarística ao Santíssimo Sacramento por pelo menos meia hora;
    2)Rezando o terço na igreja, na família ou na comunidade
    3)Fazendo a leitura da Sagrada Escritura por pelo menos meia hora
    4)Visitando um cemitério entre o dia primeiro de novembro ao meio dia e o dia 2 de novembro à meia noite, pela intenção dos defuntos;
    5)Visitando um cemitério entre 1 e 8 de novembro rezando pelas intenções dos defuntos (pode-se ganhar 1 indulg6encia plenária em cada um dos 8 dias);
    6)Participando de uma missa solena de primeira comunhão, ou a 1a. missa de um sacerdote, ou de um jubileu sacerdotal de 25, 50 ou 60 anos;
    7)Renovando as promessas do batismo durante a Vigília Pascal no Sábado Santo;
    8)Adorando a Santa Cruz durante a cerimônia solena da Sexta-Feira Santa;
    9) Recebendo a benção do Papa, mesmo que pela televisão ou pelo rádio;
    10) Na hora da morte, o morimbundo pode ganhar a indulgência plenária, beijando a Cruz, contanto que tenha rezado alguma vez na sua vida;
    11) Ganha a indulgência plenária também o fiel que usa devotamente um objeto de piedade como um terço, um crucifixo, um escapulário, uma medalha etc, benzido por um padre ou diácono
    12)Se esse objeto de piedade for benzido pelo Papa ou por um bispo, também pode-se ganhar a indulgência plenária no dia da festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, acrescentando, porém, qualquer fórmula legítima como, por exemplo, o Credo.
    Tendo realizado qualquer uma dessas obras indulgenciadas, é necessário ainda cumprir as três seguintes condições:
    1) Confissão sacramental;
    2) Comunhão eucarística e
    3) Oração segundo as intenções do Santo Papa
    Além disso, é necessário que não exista qualquer apego por qualquer pecado, mesmo os veniais.
    Podem-se obter várias indulgências plenárias por uma só confissão, mas somente 1 para cada confissão sacramental e cada oração pelas intenções do Papa. Essas condições podem ser cumpridas vários dias antes ou depois de realizada a obra prescrita, no entanto, convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se realiza a obra. Se uma das condições não for cumprida, a indulgência que se obtém é parcial.
    A condição de rezar pelas intenções do Santo Padre fica plenamente atendida rezando-se 1 Pai Nosso e 1 Ave Maria, oo entanto, os fiéis podem rezar qualquer outra oração, segundo a devoção e piedade de cada um.
    Finalmente, é importante que se compreenda o porquê da existência das indulgências plenárias: a Igreja possui as chaves do tesouro dos méritos infinitos de Cristo e dos Santos e, portanto tem autoridade para aplicá-los para o bem de seus membros.
    Aprendi também a entregar a Nossa Senhora as indulgências plenárias obtidas para que Ela as aplique às almas mais necessitadas.

  • Paulo Cesar

    ERRATA:Podem-se obter várias indulgências plenárias por uma só confissão, mas somente 1 para cada COMUNHÃO e cada oração pelas intenções do Papa.

  • Geraldo

    Indulgência, é claro, remete a Purgatório.

    Existe uma passagem breve, em certa carta de São Paulo Apóstolo, muito ilustrativa da antiguidade da fé cristã, tanto no Purgatório (evidentemente que sem o uso deste nome) quanto no sufrágio pelos mortos. Não saberia citar a passagem bíblica de memória, mas com certeza absoluta trata-se de uma referência a uma prática dos primeiros cristãos de se fazerem batizar pelos seus parentes e entes queridos, falecidos.
    A passagem é brevíssima, mas clara o bastante para dar a entender que eles se batizavam como quê em nome dos falecidos para que a graça da Salvação atingisse também a eles.
    Evidentemente que isso não significa que, embora gratuita, a graça da salvação seja automática e independente do nosso sim, mas a passagem não deixa de me fazer lembrar o mistério do Sábado Santo, quando o Senhor Jesus desce à “Mansão dos Mortos” para lhes anunciar a Boa Nova e, portanto, receber a boa obra da abertura de cada um a essa salvação gratuita e sem preço.

    Há muito tempo atrás, no ano santo da redenção promulgado por São João Paulo II (1983?) a diocese da cidade de Caratinga-Mg, publicou um livrinho para círculos bíblicos que trazia uma imagem muito valiosa para entender as indulgências:

    Eu posso lhe pedir um sincero perdão por ter quebrado seu vaso e você pode me perdoar com toda a generosidade do seu coração. Pronto: perdão pedido e perdão dado, ABSOLUTAMENTE de GRAÇA!

    Mas….

    Isso não conserta o vaso! Ele está lá, quebrado. Não houve uma satisfação, uma reparação da minha parte. Em outras palavras: o perdão que você me deu não se tornou uma graça ativa que liberta e transforma.

    E para ser mais preciso devo dizer que este vaso quebrado sou eu! O vaso que tu fizeste, boníssimo Senhor, eu quebrei com o meu pecado!
    “Rompe minha vida! Faz-me de novo, pois quero ser, Jesus Amado, tal como o barro nas mãos do oleiro, quero ser um VASO NOVO!”

    Ou seja: desejo que tua salvação aconteça de verdade em minha vida e quero me abrir e cooperar.

    E essa minha cooperação com tua gratuita salvação, dói, o fogo do teu Espírito Santo ao queimar meu egoísmo, meus apegos e covardias, ao mesmo tempo em que liberta , dói, e como toda crise, amadurece minha personalidade, conduz minha personalidade a uma identificação cada vez maior com teu rosto: fazei meu coração semelhante ao teu! Isso é purgatório.

    Se a morte me pega subitamente em meio a este processo de purificação, a este processo do acontecer da tua graça transformadora em mim (e creio que a maioria é surpreendida assim por tua chegada) é óbvio que não quero que o trabalho da tua graça em mim, se interrompa, mas continue!!

    Pode ser que neste momento decisivo e luminoso, falte pouco ou falte muito para que meus olhos se acostumem à luz do sol, ou seja, à visão de ti. Mas quero contemplar-te, meu divino irmão e Senhor, sem véus. E se ainda há manchas em meu olhar, que prossiga essa purificação e salvação “o tempo” que for necessário.

    E é aqui que entra o belo mistério das indulgências, da tua generosa indulgência, Senhor Jesus: Se tu queres, boníssimo e onipotente Senhor, apressar e abreviar essa purificação, mover ainda mais depressa o meu coração e a minha vontade para ti, eu quero me abrir à tua grande generosidade!

    Esta minha peregrinação, por exemplo, até um santuário da tua mãe santíssima, é sinal da minha prontidão e abertura. Não é uma troca Senhor, pois tua salvação é generosa e gratuita, mas são os passos esforçados do cego Bartimeu para chegar à Piscina de Siloé: QUERO VER!

    E aquele meu irmão, que morreu por esses dias, ofereço parte dessa indulgência também por ele, para que tu abrevies a purificação dele, ou seja: que o coração dele se apresse que tu venças com tua misericórdia infinita quaisquer resistências que ainda teimem em persistir dentro dele, impedindo que tua salvação alcance os cantos mais remotos de sua alma.
    Ele já disse sim à tua salvação aqui na terra e estava avançando em teu caminho, estava deixando que teu poder fosse transformando cada aspecto de sua personalidade, mas ainda faltava muita coisa para que tua obra fosse completa nele. Sei (ou ao menos espero com firme confiança) que ele não está condenado, pois jamais recusou, até onde sei, a tua salvação, mas tu o chamaste em pleno processo e sei que isso agora não tem mais volta, pois ele está salvo contigo. Completa, pois, Senhor, a purificação do olhar dele, até que ele esteja apto a ver o sol, ou seja: contemplar-te face à face.

    Seja indulgente com ele, Senhor! Abrevie a dor de seu amadurecimento para que ele chegue “à medida da tua completa estatura” (Efésios 4, 13)! Amém!

  • Paulo Cesar

    Boa noite Geraldo.
    Penso que o trecho da Bíblia a que você se refere seja o de 1ª Coríntios 15:29: “Se não fosse assim, que proveito teriam aqueles que se fazem batizar em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se fazem batizar em favor deles?”
    Quis comentar sobre esse ponto, pois os mórmons costumam apoiar-se nesse versículo para defender que os mortos podem receber o batismo no mundo dos espíritos, o qual é executado em benefício deles pelos membros de sua igreja. Essa é uma de suas doutrinas que os separa do Cristianismo histórico e Bíblico.
    Vale lembrar que o batismo dos Mórmons, juntamente com o dos Testemunhas de Jeová, não é considerado válido pela igreja católica, ao passo que os das denominações cristãs protestantes o são, pois são realizados em nome da Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os Mórmons dizem que também crêem na Santíssima Trindade, mas o fato é que não se trata da mesma Trindade que cremos. Para eles a trindade é formada por três deuses, não UM SÓ DEUS em TRÊS PESSOAS, como nós cremos.
    Na prática, as pessoas vão ao seu templo Mórmon, vestem-se apropriadamente para um batismo, adotando de forma representativa o nome da pessoa que morreu. Assim, o mórmon é batizado na água no lugar da pessoa falecida, que cumpre, desse modo, as exigências necessárias para a sua salvação no mundo após a morte e pode agora desfrutar dos benefícios espirituais.
    Contudo, os mórmons estão incorretos. Eles pegaram este texto e o utilizaram fora de contexto. Paulo estava citando o batismo dos mortos como exemplo de prática dos pagãos. O argumento de Paulo era simples: a ressurreição é uma realidade que acontecerá quando Jesus voltar e até mesmo os pagãos acreditam nela, do contrário, por que iriam se batizar pelos mortos?
    É muito interessante também ver a maneira como São João Crisóstomo aborda esse texto da 1ª Coríntios 15:29:
    “O que é, portanto, o que (o Apóstolo) diz aqui? Ou quereis que primeiro explique como adulteram esta frase os infeccionados com a heresia de Marcião? … Se Paulo dizia isso, por que ameaçou Deus ao não batizado? Pois não é possível que doravante alguém fique sem batismo, quando se pensa dessa forma. Aliás, não seria culpa do defunto, mas dos vivos. Cristo disse a alguns: “Se não comerdes a carne do filho do Homem e não beberdes o seu sangue não tereis a vida em vós” . Foi aos vivos ou aos mortos? Dize-me, por favor. E ainda: “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” . Se, portanto, isso se realiza, sem necessidade do consentimento do receptor, nem do assentimento daquele que está vivo, o que impede que gentios e judeus se tornem fiéis, quando após a morte deles, realizem-no outros em seu favor?… O que diz, portanto, Paulo? …És batizado porque acreditas na ressurreição do corpo morto, ou melhor, que não continua morto …Como? Através da água. Ser batizado, pois, mergulhar, em seguida emergir é sinal da descida às regiões inferiores e subida de lá. Por isso Paulo também chama o batismo de sepulcro, nesses termos: “Pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte” (Rm 6,4).”

    • Geraldo

      Oi Paulo, obrigado por interagir com minha reflexão. Eu sempre busquei por comentários patrísticos sobre essa passagem (é essa mesma) e nunca encontrei. Bacana, pois, a citação de São João Crisóstomo que você traz. Vi seu comentário justamente quando ia escrever um adendo dizendo que, a bem da verdade, a passagem me parece muito mais apoiadora (indireta é claro) da realidade do sufrágio pelos mortos que da realidade do Purgatório em si, sendo que há passagens muito mais consistentes como a dos Macabeus.

      Como o trecho de João Crisóstomo que você traz é bem longo, não consegui perceber qual pedaço fundamentaria a afirmação de que eram os pagãos que se faziam batizar pelos mortos.

      Devo dizer que a dedução que faço (a passagem como indício ainda que indireto de certa fé e prática de sufragar os irmãos que morreram) é muito particular, pois jamais vi qualquer apologeta da tradição cristã sequer abordar o assunto.

      Mas voltei a olhar com mais cuidado para a bendita frase, de ponta a ponta e de trás para frente e não consegui perceber nela qualquer indicação (e nem no trecho de S.J.C que você traz) de que eram os pagãos que tinham a tal prática. Você poderia explicar isso melhor?

      Se bem que o pronome AQUELES, usado ali por São Paulo, indica pelo menos que a coisa não era, digamos, oficial ou sequer oficiosa, não era uma prática de todos os cristãos. Se não Paulo teria usado NÓS, né? Mas daí a dizer que eram os pagãos que faziam isso…Me pareceu que pelo menos alguns (cristãos) o faziam. Pois se fossem os pagãos, porque diabos eles iriam querer o batismo e porque São Paulo não falaria disso sem alguma mínima reprovação do ato?
      Talvez saber o que era precisamente a heresia marcionita (ou o tópico específico dela) que São João Crisóstomo refuta nesse trecho, ajude a entender o que ele quis dizer. Pode ser que para refutar – e com razão – quem esteja propondo isso (se fazer batizar por quem já morreu) São João atribua a prática aos pagãos…
      É fato que Paulo cite a coisa, em favor da ressurreição final dos mortos. Mas tinham os pagãos, esperança em tal ressurreição? Tinham sequer ideia dela?

      Salvo maior aprofundamento depois (quiçá com sua ajuda) os dados que tenho até agora, incluindo os que você traz agora, me levam à essa interpretação (muito subjetiva é verdade):

      Nas comunidades cristãs primtivas, pelo menos alguns grupos se faziam batizar “em nome dos mortos” crendo que isso atingiria de algum modo a eles. Dogmaticamente falando é claro que a prática é absurda e sem fundamento e tinha mesmo que desaparecer, pois o mistério do Sábado Santo é bastante para entender como os mortos que desconheceram/ignoraram (invencivelmente) o Cristo em vida se relacionam com o convite da salvação. De algum modo o Senhor providencia que se posicionem diante dele, Aquele sem o qual não teriam feito o bem que fizeram (e pelo qual serão julgados) já que nEle “nos movemos, existimos e somos.”

      Mas sigamos nesse bom diálogo. Tenho certeza que vou aprender bastante!

  • Geraldo

    Mas tenho uma dúvida, catequistas. Talvez Paulo Ricardo ajude a clarificar, a partir da história.
    Parece que muita gente antigamente encarava as penas temporais, o purgatório em si, em termos cronológicos. Mas para o Senhor tudo é eterno presente, o tempo é uma realidade para nós, por isso o “hoje mesmo você estará comigo no paraíso” dito a São Dimas, ainda que isso possa incluir a purificação dele. Parece que isso é ponto pacífico para a doutrina cristã e a teologia, hoje, tanto que não se fala mais em 300 , 400 dias de indulgência , mas em indulgência parcial ou plenária, salvo engano meu.

    Ocorre que o professor Olavo de Carvalho (embora ele não seja teólogo nem catequista, muitas vezes tem uma compreensão mais profunda da fé que muitos padres e até bispos) disse algo um dia desses, e o disse como se fosse informação histórica, que me pareceu inexato.Vejam abaixo,a partir dos dois minutos e 40. Ele – afirmando repetir o que disse Éric Voeglin – usa o termo “penalidades temporais”, me parece, como sinônimo de penalidades jurídicas aplicadas pela igreja nesta terra e não (como me parece ser o caso) como perdão das penalidades “temporais” do Purgatório (os tais 300, 400 dias que até pouco tempo atrás,antes do Concílio, se usava falar, como podemos ver nesses devocionários antigos).

    Eu fiquei confuso com essa fala dele. O que ele de fato, quis dizer. Pois me parece, que não apenas no tempo de Lutero, mas até pouco antes do concílio, se usava falar em “300, 400, ..dias de indulgência” a serem como que “descontados” do “tempo” a ser passado no Purgatório. Ainda que esses dias possam ser simbólicos dada à enorme desproporção entre o tempo como nós o vivenciamos e o eterno presente das realidades divinas, creio que era isso que a igreja sempre quis dizer quando falava das “penas (ou penalidades) temporais” – como um fato do Purgatório – a serem diminuídas com a concessão das indulgências.

    De resto, a fala total de Odec, é muito rica e sugestiva. Apenas este ponto, me deixou meio confuso.

    https://www.youtube.com/watch?v=uDgxkbAf6MM

  • Paulo Cesar

    Olá Geraldo,
    De fato o versículo não explicita que essa prática era dos pagãos. No entanto, como você disse, Paulo referiu-se a AQUELES e DELES e não a NÓS, o que faz crer que não eram da mesma comunidade de cristãos a que ele pertencia.
    O que tenho de informação a esse respeito é que ao norte de Corinto havia uma cidade chamada Eleusis, onde havia o culto a Deméter, cujos seguidores praticavam o batismo no mar a fim de garantir uma boa vida após a morte. Não me aprofundei no estudo a ponto de confirmar as práticas desse culto. De qualquer forma, sabia-se que os coríntios eram fortemente influenciados por outros costumes. Afinal, eles estavam numa área economicamente próspera frequentada por muitas pessoas diferentes e, portanto, é possível que eles estivessem sendo influenciados pelas práticas religiosas encontradas em Eleusis.

    • Geraldo

      Parece uma hipótese razoável que estimulará mais pesquisas

      Que continuemos firmes nessa irmandade que Jesus cria entre nós, as três porções do povo santo, militante, padecente e triunfante até que Cristo seja tudo em todos! Pois nem a morte rompe o que Ele fez por nós, mas até fortalece mais. Agora por exemplo, que faz alguns anos da morte de meus pais, eu tenho uma serena certeza de que um pouco de barreira que possa ter havido entre nós, rompeu-se todo, especialmente deles em relação a mim. Qualquer sensação de não ser compreendido nisso ou naquilo, sumiu, pois sei que agora (e desde sempre) o Senhor bom e onipotente me conhece mais a fundo que eu próprio e é, no olhar dele, que meus pais me veem e entendem tanta coisa que não podiam perceber na terra. Assim, sinto-me mais cuidado e querido do que antes.

      Claro que isso são intuições do afeto, a forma de conhecimento mais decisiva, crucial e determinante para a vida, mais que qualquer certeza de tipo cientifica, pois sei que quanto aos novíssimos (morte, juízo, paraíso e inferno , com o purgatório implicado ai com o segundo e terceiro) nenhum de nós lá esteve (exceptuando certos relatos místicos) e tudo o que conseguimos é tentar imaginar, sabendo com Sao Paulo que ouvido e olho algum ouviu e contemplou o que Deus nos tem preparado. O que não impede de ver seus ótimos resultados bem concretos cá nessa vida presente, pois como diz Chesterton, viver correndo ao redor de um imenso buraco ,se equilibrando para nunca cair nele (ei, só agora noto que essa imagem nos coloca em dianteira vantagem comparada com aquela do cão raivoso que vive a nos rodear latindo bobagens em “nossos ouvidos”) minimamente nos dará força, resistência e musculatura e alguma intuição e experiencia. Ora do ponto de vista espiritual isso não é vantagem para a outra vida apenas, mas faz enorme diferença já nesta vida terrestre, e traz frutos de justiça, bondade, e toda sorte de coisa boa para quem assim se exercita e para quem convive com esse atleta da fé.

  • Geraldo

    Agora a gente tem um desafio grande, evangelizador, catequético e pastoral: incorporar essas realidades sobrenaturais no nosso cotidiano.

    O Don Giussani, usava duas palavras/expressões que me marcaram muito: DISTRAÇÃO e DENSIDADE DO INSTANTE.
    Não esquecer a densidade do instante! Não se distrair, esquecendo-se daquilo de que é feito o real.

    Quando rezamos pelos irmãos padecentes no Purgatório também educamos nossa sensibilidade para fincar o pé no chão do real. Nunca me esqueço daquela misteriosa personagem do tomo A Cadeira de Prata (das Crônicas de Nárnia). Depois que o príncipe libertou-se do feitiço da cadeira, ela ainda deu um jeito de pegar o bandolim e tocando uma sedutora melodia ia tentando dissuadir o príncipe e seus amigos (Eustáquio, Jill e o Paulama) da existência do real, até mesmo do sol.
    Isso é uma metáfora tremenda do nosso cotidiano, do mundo que Paulo afirma que “jaz sob o maligno”.
    O mundo criado bom, a queda que o tem devastado sem tirar nossa liberdade de acolher a salvação, a realidade da salvação que nos devolveu ao núcleo da realidade onde nos damos conta do drama do bem e do mal, do demônio que tendo sido o primeiro a cair move guerra violenta contra o reino de Cristo cuja vitória, entretanto, já o derrotou e o que ele arrota são estertores de agonia, os irmãos que o venceram em Cristo e só burilam seu olhar no Purgatório, a multidão dos santos que fazem imensa torcida (e trabalho) por nós no céu junto com os anjos e capitaneados pela Santíssima Virgem, incluindo aquele que pessoalmente nos guarda.

    “Nossa conversação está nos céus!” Lembrava o apóstolo e precisamos mergulhar mais nessa atmosfera do divino, que é o cerne mesmo da realidade, da qual nem o amor aos pobres pode nos afastar sob pena de roubarmos dos pobres aquilo que lhes é mais precioso : exatamente este sentido do sobrenatural sem a qual a realidade é uma casa sobre a areia que a chuva leva.

    O papa Francisco acaba de fazer este alerta à uma congregação muito ativa no trabalho social:
    https://pt.zenit.org/articles/papa-francisco-ha-muita-necessidade-de-sacerdotes-e-religiosos-que-nao-se-detenham-somente-nas-instituicoes-de-caridade/

    Sem deixar de estimular este amor concreto aos pobres, ele lembra que sem o sabor do céu, tudo isso pode ser pura ilusão.
    O mesmo faz o Padre Paulo Ricardo, abaixo, ao recordar a vida do Bem Aventurado Miguel Pro, de incansável labor social pelos Direitos Humanos dos mais pobres. Num tempo e numa igreja que – acompanhando a cultura estatal e estatizante que nasce lá em Rosseau – endeusa o empenho social, Padre Paulo recorda a FONTE SECRETA do compromisso social de Miguel Pro: a realidade sobrenatural, A DENSIDADE DO INSTANTE.

    https://padrepauloricardo.org/episodios/beato-miguel-pro-sacerdote-e-martir

    E este é o belo e realista paradoxo do Cristianismo: um monte de gente com a cabeça no céu, foi o fator que mais construiu o bem (até material) na terra. E no entanto as ideologias que se pretenderam realistas e criticavam esse “andar com a cabeça no céu” como algo alienante (ópio do povo) foram as que mais destruíram o bem e construíram o mal nessa terra.

    Nossa conversação está nos céus e por isso temos os pés fincados no chão da realidade, como a árvore que se enraiza bem, mas cuja copa busca o firmamento, as estrelas (imagem chestertoniana).

    Não sei bem o que o Gilberto Gil quis dizer com aquela canção (Amarra o teu arado a uma estrela) pois o final soa meio ambíguo. Mas costumo canta-la pensando nisso tudo que acabei de dizer: a fé não é um opio , mas é a estrela que puxa o arado e anima a nossa ação criativa no mundo.

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