Diário de Bordo d’O Catequista na Terra Santa (V) – Hoje é dia de História: Massada e Quram

Paulo Ricardo, historiador membro da equipe do blog O Catequista, está publicando uma série de posts relatando as coisas mais interessantes de sua viagem a Israel.

massada

Bom dia, meu povo.

Minha presença n’O Catequista deve-se ao fato de que Deus proveu-me de um amor gigantesco pela História. Por conta disso, nosso program de hoje é um deleite para quem ama a História.

Primeiro fomos a Massada. Grito de liberdade, história e orgulho dos judeus. O palco armado pelo famigerado Herodes em sua paranoia, que foi utilizado pelos 70 zelotes e suas famílias para mostrar aos romanos que um povo livre não aceita tão facilmente a subjugação. Os zelotes são ainda hoje o exemplo maior e a principal força motivadora do exército israelense.

Vou usar Massada para ilustrar e tentar – junto ao público deste blog ao menos – derrubar uma das maiores balelas construída pelos nossos amantíssimos professores comunas sobre a origem da democracia. Sempre te enganaram dizendo que o modelo democrático ocidental é grego. É mesmo? Por favor, alguém se habilita a justificar o fato de a origem da democracia ser sempre localizada pela choldra de pseudo-intelectuais numa SOCIEDADE ESCRAVOCRATA? Nunca foi.

Em Atenas, para ser considerado um cidadão – e, assim, ter direito ao voto – o sujeito tinha que ser:

  • homem;
  • nascido livre (não escravo);
  • descendente de atenienses.

grecia_democracia

A democracia nasceu de fato em meio a uma sociedade de pastores do deserto da arábia, oriundos da Caldeia. A única sociedade do mundo antigo em que um Rei (Davi) ouvia calado a admoestação de um profeta de Deus. A democracia vem de Deus, do temor e amor daqueles pastores que a criaram em nome do Deus único. Quem achar o contrário, que me mostre onde Dracon ou Sólon baixaram a cabeça ante um profeta.

Esse sentimento de liberdade que vem de Deus sempre acompanhou os judeus. Por conta dele, nunca se curvaram ao poderio romano completamente. A destruição de seu precioso templo no ano 70 d.C. – o segundo templo, pois o primeiro fora destruído pelos babilônios – não foi o suficiente (repare que todo judeu praticante anda de preto – é o luto pela destruição do templo). Os zelotes fugiram de Jerusalém para Massada, e fizeram dessa fortaleza o seu último refúgio contra os romanos.

As tropas romanas construíram uma enorme rampa para ter acesso ao platô, e destruíram a muralha. Ao preferir o suicídio à captura e escravidão dos democratas romanos, os zelotes de Massada deixaram um lema para os novos israelenses: nunca mais haverá outra Massada.

Os jovens israelenses, ao terminar o serviço militar, vão ali, num pequeno morro aos pés das ruínas do antigo forte de Herodes entregar suas armas e jurar que não haverá outra Massada. Aqui, todos são obrigados ao serviço militar. O exército é o povo, a segurança é completa e a lei severa. Vai encarar? Direitos humanos aqui é para humanos direitos.

Partimos para Quram, às margens do Mar Morto, lar de uma comunidade de judeus, provavelmente essênios. Que são a prova mais do que cabal de que a transcrição do Antigo Testamento vem de muito antes do tempo de Jesus. Ali há exibição de um pequeno filme contando a história da descoberta desses manuscritos e também podemos explorar as cavernas onde viveram os essênios. Uma visita para alimentar o Indiana Jones em cada um de nós. Vale a pena uma conferida.

No próximo post, a Via Sacra nas ruas de Jerusalém, e o dia em que eu mais precisei de um padre para me confessar.

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