Diário de Bordo d’O Catequista na Terra Santa (IV) – Jerusalém e Belém

Paulo Ricardo, historiador membro da equipe do blog O Catequista, está publicando uma série de posts relatando as coisas mais interessantes de sua viagem a Israel.

gethsemane_oliveiras

Nosso dia hoje foi dedicado a caminhar por pontos onde Jesus esteve na mais santas da cidade. Santa para os judeus, santa para nós e, forçando uma barra incrível, “santa” – com muitas aspas – para os muçulmanos. Cabe aqui uma explicação histórica antes de continuar. Acontece que, segundo a tradição, Maomé foi arrebatado aos céus aqui. Só que não há nada que comprove isso, apenas a ideia de que o profeta veio nesta direção.

Começamos o dia indo à Igreja construída sobre a gruta onde nosso Salvador nos ensinou a rezar. Do alto do monte, descemos em direção à gruta. Passando por um lindo jardim em que pudemos ver mosaicos com o Pai Nosso escrito em mais de 140 línguas.

Dali, seguimos passeando pelo Monte das Oliveiras em direção ao Ghetsemâni (foto acima). Aqui há uma oliveira bimilenar, segundo a tradição, a última testemunha da agonia de Cristo vivente. Trata-se realmente de uma árvore muito idosa, de tronco retorcido, que se destaca entre as suas filhas. E ainda dá azeitonas.

A Igreja da Agonia, ao lado do Jardim, é belíssima, um lugar de contemplação perfeito para rezar os Mistérios Dolorosos. Aliás, tem outro lugar mais perfeito?

Partimos então para a velha Jerusalém, para visitar o túmulo de David e o Cenáculo.

Estamos no Rosh Hashaná, o ano novo judaico. Aqui, judeus de todos os cantos se reúnem para comemorar o ano novo rezando na sinagoga. Jerusalém Velha, a cidade dentro das muralhas, é muito diferente da cidade do lado de fora; aqui dentro é uma bomba relógio. É uma cidade medieval, de vielas tão antigas quanto o tempo. Uma parte é cristã, uma parte judaica e outra, a parte explosiva, muçulmana. A polícia de Israel é a verdadeira oitava maravilha do mundo (explicarei isso em algum dos próximos posts).

Após uma experiência cultural bem interessante com os judeus ortodoxos, que gentilmente se permitem que sejam fotografados e filmados durante o período que dedicam à oração (bem diferente da imagem de malucos que a imprensa internacional tenta vender deles), fomos para a sala onde o Espírito Santo, na forma de línguas de fogo, veio ter com os apóstolos e Nossa Mãe Maria: o Cenáculo. Aqui encontramos apenas uma sala vazia, destruída pelos árabes há muitos séculos, mas na qual resistiu um pilar em que se pode ver a figura de pelicanos, um dos símbolos mais antigos do cristianismo.

basilica_dormicao

Saímos do Cenáculo e fomos para a Basílica da Dormição de Nossa Senhora. Confesso que fiquei muito triste nessa bela igreja ao ver a imagem da Mãe, deitada como morta, à espera do Filho. Mas a mudança espiritual proporcionada pela peregrinação é feita de momentos como este.

Parada para o almoço, hora de cruzar a fronteira. Belém, a cidade onde nasceram Jesus e Davi, como vocês devem saber, encontra-se sobre autoridade Palestina. E os muçulmanos, aqui pelo menos, procuram cuidar das relíquias cristãs. Inclusive eles estão pagando (claro que não somente com a grana deles) a reforma total da Igreja da Natividade. Óbvio que não por bondade, mas porque sem ela Belém, que já é miserável, ficaria pior ainda.

Além de sua importância histórica, a Igreja da Natividade dá testemunho do diálogo interreligioso. É uma igreja dividida em três: uma parte ortodoxa russa, uma parte armênia e outra católica. Participamos da Santa Missa na sessão católica da igreja. A paz reina entre os clérigos das três religiões – ao menos na maior parte do ano. Qualquer suposta violação dos limites de jurisdição dentro da igreja pode desencadear uma briga, especialmente durante a limpeza anual para as celebrações do Natal ortodoxo (vídeo abaixo). Mas são como brigas em família: logo tudo volta ao normal, na santa Paz do Senhor.

Chegar na Palestina é fácil, já sair é muito chato. Todos os veículos são revistados por guardas israelenses armados até os dentes. Mas ele têm razão. Se tem uma coisa que é valorizada em Israel é a segurança nacional.

Amanhã, um mergulho nas terras de Judá, Massada, Quram e o tradicional banho no Mar Morto.

15 comments to Diário de Bordo d’O Catequista na Terra Santa (IV) – Jerusalém e Belém

  • Paulo Eduardo

    Tenho grande desejo de ir para a “Terra Santa” e sinto uma “santa inveja” dessa viagem, rs. Contudo, externo aqui uma questão particular: ao contrário de você, não tenho muita simpatia por “israelenses”… E entendo a luta do povo palestino por recuperar o que lhes foi arrebatado pela força, inclusive com desrespeito ao estabelecido pela ONU.

    No mais, Deus o abençoe e lhe conceda uma feliz viagem!

    • Então você é a favor da dita “devolução” das “terras palestinas” aos seus “legítimos donos”? Interessante que quando Jurusalém e cercanias eram um pedaço de terra seca que nada produzia, ninguém tinha esse amor patriótico todo pela Terra Ancestral. Agora que é um polo de desenvolvimento tecnológico, um produtor e exportador de alimentos que nenhum vizinho árabe – incompetente até a medula – consegue se igualar e, por fim, um dos países de indústria de transformação mais fina e elegante que há; isso tudo sem uma gota de petróleo; recurso do qual os papa-quibes estão cheios; a terra tem que ser ” devolvida”?
      Faça-me um favor… Devolve a Palestina para eles pra tu ver se vai haver visita a Santo Sepulcro, sequer se vai haver Santo Sepulcro. A distância mais segura de um árabe é no mínimo dois mil quilômetro. Apoiar qualquer ação pro árabe contra os judeus é esquecer três coisas: primeiro, aqueles judeus lá lutam não só por eles, mas são a única coisa que impede a metástase total desse câncer chamado islamismo. Segundo, esses palhaços são marqueteiros fantásticos além de mentirosos contumazes, como é bem típico dos monstrengos apoiados pela esquerdalha brasileira e mundial; ser otário é amar seu estuprador é o esporte ocidental preferido, essa é a posição do Ocidente com relação aos “palestinos”. Terceiro, a autoridade Palestina é corrupta, dominado por terroristas e uma entidade nojenta.
      Só pra constar, Jesus era judeu, nunca negou isso e amava aquele povo, como o amava também o Pai.

    • E a ONU não merece mais respeito do que mãe de político. É outro aborto humano desnecessário.

      • Sidnei

        Concordo. A ONU quer se meter em tudo, até nos assuntos da Igreja, quem não se lembrar que algum tempo atrás ela quis argumentar que para combater a pedofilia dentro da Igreja Católica, a Igreja teria que liberar: o abroto; o casamento gay e a ordenação das mulheres, o que uma coisa tem haver com a outra?. Por isto, eu me arrepio os cabelos até da alma, quando vejo um papa ir discursar na ONU, qualquer papa deveria ficar longe daquele antro dos infernos.

  • Sidnei

    Só espero que nesta guerra de vassouradas, não se encontram algum padre da Igreja Católica, aí, é para rachar a cara de vergonha.

  • O cisma é uma vergonha para todos os cristãos, “ortodoxos” do cisma de 1054 contra ortodoxos nestorianos, isso lembra os protestantes arminianos contra protestantes calvinistas.

  • Paulo Eduardo

    Bem, é uma questão de interpretação. Pra mim, não foi bem assim… Com o término da Segunda Guerra e a criação do Estado de Israel (que nada tem a ver com o “Israel messiânico” que é a Santa Igreja, bom lembrar) houve a divisão e a delimitação das terras palestinas, mas desrespeitando os acordos feitos, os israelenses invadiram as terras que não lhes pertenciam, pelo que fora acordado, e passaram sim a massacrar os palestinos (entre os quais, existem muitos cristãos).

    Sou suspeito: nunca entendi porque tantos cristãos (principalmente protestantes; mas vejo que atualmente muitos católicos também) defendem tanto os israelenses, um governo também corrupto, de orientação ateia e socialista e que, tenham certeza, pouca simpatia tem por nós, católicos; eles só nos “toleram”.

    Defendo a criação do Estado Palestino (reconhecido inclusive pela Santa Sé) e a internacionalização de Jerusalém, que não deveria ser uma cidade israelense, mas mundial.

    • Juliano

      Pedir a internacionalização de Jerusalém é o mesmo que pedir isso para a Amazônia. O que não fariam com ela? Jerusalém é uma cidade judaica na sua origem. Eu também apoiava o Estado Palestino, mas é fato, eles não querem, em si, conviver em paz com Israel. Querem a sua destruição. Veja, Israel é o único país democrático naquela região. O povo islâmico de lá não sabe viver em democracias; ou vivem debaixo de algum tirano (Hussein, Assad, Mubarack…), ou, então, se esfacela debaixo de absurdos como o Talibã e o ISIS. Veja, por exemplo, a falácia que foi a Primavera Árabe. Uma palhaçada bancada pelo Ocidente, sob a égide da busca pela “democracia”. A Palestina, me desculpe, Paulo, é só mais um estado artificial criado naquela região para amedrontar Israel. Os árabes “palestinos” poderiam viver muito bem em Israel, como cidadãos de lá, assim como os cristão vivem naquela região, em paz. Lembre-se que o povo judeu sempre foi perseguido por todos os demais. Sinceramente, nesta questão do Vaticano apoiar a criação do Estado Palestino, não vejo com bons olhos.

      • Sidnei

        Juliano, só lembrando, que a internacionalização de Jerusalém, até o Papa João Paulo II também defendia. Quanto a criação do estado palestino, eu também apoio, assim como a manutenção do estado de Israel, pois os judeus também tem direito daquela região. Tudo poderia acabar em paz, com os judeus com seu Estado e os palestinos com seu estado, mas como você mesmo colocou, infelizmente, o estado palestino naquela região esta sendo colocado, não para abrigar um povo sem pátria, mas, para amedrontar Israel. As vezes eu pego o mapa daquela região e me questiono, porque o Egito não sede um pouco do seu território naquela região para ampliar o território da Palestina e os países árabes que são podres de ricos (Arábia Saudita; Emirados Árabes; Kuwait; Omã; Barém; Catar), auxiliariam este novo país enviando recursos, ara desenvolver a lavoura, os estudos para desenvolver um polo tecnológico, como Israel fez e conseguiu, mas não, ao invés disto, ninguém sede nada, ninguém se interessa para enviar auxílio para desenvolver nada, se enviam, é só para aquele povo não morrer de fome, e se manter ativos apenas para infernizar os estado de Israel. Tudo poderia ser resolvido de forma pacifica e ordenada, se o lado árabe palestino tivesse interesse para a paz, porém, o único que tem interesse pela paz é Israel, mas como a vontade do outro lado é pouca, não tem como Israel ter que se proteger até os dentes, de possíveis ataques terroristas vindo do outro lado do muro que separar Israel da faixa de Gaza.

  • Professor Paulo Ricardo Costa voce escreveu tudo o que eu nao seria capaz de escrever. Parabens pela sua lucidez e inteligencia ao reponder ao pro canalhastino, se tivessemos dez professores como voce em cada universidade desse pais, esse pais ja seria bem melhor.

  • Sou totalmente contra uma criaçao de um pais arabe dentro de Israel, primeiro de tudo e que eles nao sao um povo indigena de Israel, segundo lugar sera apenas mais um estado terrorista e sanguinario como todos os outros paises muçulmanos.Que os arabes criem consciencia de que apenas sao usados por seus lideres tiranos e desejem apenas a cidadania israelense, e se nao quiserem que voltem para os seus paises arabes de origem.

    • Paulo Eduardo

      A questão é que criaram “Israel” dentro de um território que até 1948 era totalmente palestino.

      Onde estavam os israelenses até essa data?

  • Paulo Eduardo

    Nunca haverá verdadeira paz naquela região se cada um dos lados não abrir mão de algumas “coisas”; do contrário, o massacre continuará, gerando consequências imprevisíveis.

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