A nada mole vida dos Santos casados

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Ainda neste ano, os pais de Santa Teresa de Lisieux, os beatos Louis Martin e Marie Zélie Guerin, serão canonizados pelo Papa Francisco. Tal acontecimento leva muitos católicos a comentar: “Até que enfim! Há tão poucos santos casados em nossos altares…”. Não são tão poucos assim, mas, de fato, os casados são canonizados em bem menor número do que os cristãos celibatários.

Por que isso ocorre? É o que explicaremos neste post!

Quanto aos pais de Santa Teresinha, o Vaticano reconheceu o segundo milagre realizado por meio da intercessão do casal: a cura de um bebê que nasceu com uma hemorragia ventricular de quarto grau. Já explicamos aqui, em outro post, que “A Igreja não faz santos, apenas os reconhece”.

Em primeiro lugar, o que deve ficar claro é que alcançar a santidade é possível para uma pessoa casada. Se não fosse, Deus não teria ordenado: “Crescei e multiplicai-vos”. Uma pessoa casada tem tanta obrigação de buscar fazer a vontade de Cristo quanto uma pessoa celibatária.

Em segundo lugar, também deve-se dizer que a vida celibatária é melhor e mais favorável ao caminho de santidade, pois segue o próprio modo de vida de Jesus. Por isso, São Paulo aconselhou aos solteiros permaneçam assim, sem contrair casamento (I Cor 7,1).

Sem o celibato, não haveria São Francisco de Assis – ao menos não o Francisco pobrezinho e completamente desapegado. Certa vez, desejando formar uma família, Francisco moldou com neve uma esposa e dois filhos, e pôs-se a imaginar como seria a sua vida de esposo e pai. Logo se deu conta que teria que buscar conforto e bens materiais, pois era impossível submeter a mulher e as crianças às privações de um mendigo de Deus.

Portanto, não precisa ser nenhum gênio para concluir que o celibato deixa a pessoa mais livre para se desapegar das coisas do mundo e se dedicar às coisas de Deus. Esse ensinamento está claro na Bíblia, na Tradição e nos documentos do Sagrado Magistério.

Comentando um texto de São Paulo, São Jerônimo (século IV) diz:

“Mas aquela que é casada está preocupada com as coisas do mundo, do modo como agradará a seu marido”. Julga você que não há diferença entre uma que gasta seu tempo em oração e jejuns daquela que se sente impelida, ao aproximar-se seu marido, a arranjar sua aparência, andar com passos afetados, e demonstrar atos de carinho? (…)

…o desempenho do dono da casa, a educação das crianças, as necessidades do marido, a correção dos servos, não falham em afastar a mente do pensamento de Deus.

– Carta de São Jerônimo a Helvídio, a respeito da Virgindade Perpétua da Virgem Maria. Cap 22 (Para ler o capítulo na íntegra, clique aqui).

No século XVI, o concílio de Trento, combatendo as heresias protestantes, declarou a excomunhão de todos aqueles que insistissem em negar que o estado de virgindade e celibato é melhor e mais beato do que contrair matrimônio (Sessão XXIV – Cânones sobre o sacramento do Matrimonio, cân. 10). Essa condenação é definitiva no Magistério, pois é parte integrante dos dogmas.

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Os pais de Sta. Teresinha

Ao mesmo tempo que proclama a nobreza superior do estado celibatário, a Igreja sempre relembra que a perfeição cristã deve ser buscada POR TODOS, seja qual for o seu estado. Tal ensinamento foi heroicamente obedecido por uma multidão de homens e mulheres casados, como, por exemplo os incontáveis mártires abatidos por Roma pagã, pelo Islã, pelas ditaduras comunistas e durante a Cristiada mexicana.

Sabemos que há muitos santos anônimos, seja casados ou celibatários. Sobre os santos casados elevados aos altares, podemos citar uma ampla lista de nomes, que você pode conferir clicando aqui (não inserimos os nomes dos beatos, apenas dos santos).

Repare que boa parte dos santos citados nessa lista, ao se tornarem viúvos, ao perderem seus filhos ou terminar de educá-los e criá-los, passaram a viver como celibatários.

A Igreja não canoniza um maior número de santos casados porque, além do motivo principal que já expomos (a vida celibatária é mais favorável à santidade), os celibatários, em geral, fazem parte de ordens religiosas, que têm maior capacidade de mobilização para levar adiante um processo de canonização do que um grupo de leigos.

Porém, em nosso tempo, em que a família parece desmoronar – mesmo as famílias cristãs, muitas delas feridas pelo adultério e pelo divórcio – à Igreja, mais do que nunca, interessa elevar aos altares pais e mães de família. É fundamental mostrar ao mundo que não só padres e freiras devem buscar a perfeição cristã, mas também as pessoas casadas.

Quer saber como um cristão deve viver o casamento? Leia o nosso post: “Matrimônio – O que o Shrek e o Papa Francisco têm a nos ensinar“.

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efeta

18 comments to A nada mole vida dos Santos casados

  • André

    Excelente post, sou casado, e essa é uma dúvida recorrente, como desapegar dos bens materiais, sem submeter a família a uma privação que pode ser traumática perante a sociedade. A simulação de São Francisco é verdadeira. Oração em família, ver e estudar a vida dos Santos, está ajudando na evangelização da minha família. Espero que desperte em todos o mesmo desejo de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus.

    Parabéns, mais um post que nos faz refletir sobre os desafios da vida Cristã.

    Obrigado,

    Abraço

  • arlindo.

    Sem querer amedrontar ninguém, mas muitos padres em seu celibato são mais felizes que muitos casados.

  • Sarah Néry

    Adorei Vivi! Obrigada pelo post. Adorei a lista! Aguardo ansiosa a canonização dos pais de Santa Teresinha, rsrs.

  • Saudações, povo Católico!

    Bom, falo por experiência própria… Sou casado, tenho uma filhinha linda, procuramos, sim, viver a santidade no (e do) Matrimônio, mas, garanto aos solteiros, não é fácil.

    Não quero com isto dizer que não estou feliz no estado em que estou. Não é isto! É como a Vivi bem escreveu no post, é mais “complicado” que na via da vida religiosa, mas, graças a Deus, não é impossível.

    Claro que para um homem (ou mulher) casado e com filhos é mais difícil passar um tempo a mais em oração, se comparado a um padre (ou freira), por exemplo, mas ainda assim, procuro manter uma rotina de encontro diário com Deus. E uma grande arma que tenho no caminho da santidade matrimonial tem sido o rosário. Rezá-lo sozinho, no caminho para o trabalho, é ótimo, mas nada se compara quando eu e minha esposa, ao final do dia, nos sentamos e rezamos juntos aquelas “ave-marias”!!!

    Tem uma passagem que levo sempre comigo: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.” (Efésio 5, 25)

    Temos ainda um enoooorme caminho a percorrer, se queremos chegar ao menos perto de casais como os pais de Santa Teresinha, mas pedimos a Deus que, mesmo diante das contrariedades de cada dia, nos dê os meios necessários para tal.

    Creio que a palavra-chave para os casais que buscam a santidade juntos é AMOR!! Amor a Deus, à Sagrada Família (como um espelho, um modelo), aos estudos da Igreja, à Eucaristia… Enfim, o amor “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Cor 13, 7)!!!

  • Lívia

    Que texto maravilhoso!!! Amo os seus posts! Parabéns! Incrível a lista de Santos que foram casados.

  • Carlos

    Ótima publicação! O pe Fábio de Melo ficou cheio de dedos ao falar sobre isso na entrevista à Gabi… Poderia ser simples e direto como este artigo. Parabéns!

  • Gustavo

    Não precisa postar…
    Errinhos que percebi rs
    – O link para os corpos incorruptos não está ativo no pdf
    – Saiu um “home” no pdf tbm

    Gostei muito do artigo e da lista. Mas não teríamos que ter São José e Maria Santíssima?

    Parabéns pelo grande trabalho!!!

  • Fernanda Gomes Alves

    Excelente post! Namoro e busco viver a vontade de Deus, sei que é possível ser santa no matrimônio com a graça e o auxílio do Pai. A uns dois anos venho acompanhando o site e é sempre edificante me aprofundar nos ensinamentos da Santa Mãe Igreja, a cada dia sou catequizada através de vocês.

    Deus abençoe toda equipe do blog O Catequista!

  • Elton

    Os falsários protestantes são anticelibatarios, grandes adeptos que os sacerdotes se casem ou que ninguém fique solteiro, para acabar com a concupiscência sexual que existe em cada um, segundo eles!
    Muito bom, “fiotes de “seu” Lutero”, a proposta teórica é muito boa; entretanto, na prática, os pastores protestantes, por ex., são muito mais incidentes em casos de pedofilia que os sacerdotes celibatarios, dando mais de 3 x 1!
    Os protestantes deveriam ser o exemplo acabado disso e “lavar” a cara da Igreja e ainda terem força para contestarem S Paulo, com toda razão afirmando que o estado celibatário é superior ao casado, pois existe seria divisão e, no estado marital, a pessoa vive infinitamente mais absorto em problemas materiais que o contrario, não podendo dedicar-se de todo a Deus!
    E correndo muito mais riscos de perdição da alma os casados, por apenas cuidarem muito mais do materialismo, por descuido da educação familiar, poderem se enfiar em trapaças financeiras e/ou envolvimentos passionais, separações, re-uniões em adulterio…
    No caso atual, com o diluvio de imoralidade à vista de todos e em todos os lugares, inclusive dentro da Casa de Deus!
    Assim, quanta perdição à volta dos casados para cuidarem: temos a mulherada quase toda cada mais relativizada, educada dentro do bordel das novelas e similares dentro do lar, mais alienada à fé cristã. As gerações mais novas quase desnudas publicamente e desinibidas, mais ousadas que prostitutas às portas de motéis; a tentação da carne em casados é muito acirrada, sem contar com a boemia em seu lar via novelas, videos e modelos exibicionistas que a diabólica maçonaria preparou e mantém para subverter as mentes, como sistema de dominação, alienação e descristianização!

  • Lindo post. Ainda mais se tratando da união entre homem e mulher que é tão atacada em nossos dias, aliás, ontem conseguimos derrubar na câmara e na Assembléia Legislativa da Ideologia de Gênero nos Planos educacionais. Foi uma luta intensa, os ativistas tiveram a coragem de baixar a bandeira do Brasil no mastro externo da Assembléia e erguer a do arco-íris (símbolo deles).
    Vivi, na lista (salvo engano) faltou um santo importantíssimo que foi também um casto marido, São José esposo da Virgem Mãe. Tenho muita devoção e inspiração por ele. Deus os abençoe

  • Janes

    Ô gente, não vamos nos esquecer do principal casal santo: São José e Maria Santíssima, que inúmeros papas propuseram como modelo de casal, a despeito de sua excepcional situação de virgindade consagrada. Consagração essa que longe de os tornarem modelos distantes, irrealistas e inatingíveis pelos casais cristãos, torna-se na verdade grande impulso e estímulo para que os casais finquem os pés na densidade do real que é Cristo: único fator que valoriza todos os vínculos afetivos e sem cuja presença eles correm o risco de se tornarem mera idolatria.

    E tanto não são um modelo distante que todos os santos casais citados na vossa lista, se inspiraram nas mesmas pegadas deixadas por José e Maria.

    E também como modelo de esposo , temos o primeiro papa , São Pedro , cuja sogra o Senhor curou ( e cuja esposa , companheira nas suas viagens missionárias, é mencionada por uma das cartas de Paulo). É provável que tenham vivido em casta continência, já que a bi-milenar experiência dos padres casados, porém celibatários a partir da admissão ao sacerdócio, é de origem apostólica.

    E temos ainda Santa Emélia, mãe de Santa Macrina Velha (também casada e avó de Santa Macrina jovem, essa célibe).
    E a Santa Helena, mãe do Imperador Constantino.

    Com a crise que assola a família hoje, desde João Paulo II a igreja vem prestando muita atenção aos processos de beatificação de leigos casados e estimulando a divulgação de testemunhos de casais e famílias santas e certamente no futuro , teremos bem mais canonizações de leigos casados.

  • christopher

    gostaria de pedir que a equipe do site o catequista falassem algo a respeito do pastor protestante william schoebelen

  • Fabio Nascimento

    Além de São José e Nossa Senhora, lembrados pelo irmão mais acima, São Pedro tbm não era casado ou viúvo?
    Não teriam outros apóstolos casados?

    Que o Senhor Esteja Conosco.

    • Acredita-se que São Pedro era viúvo, pois quando a sua sogra foi curada por Jesus, ela se levantou imediatamente para lhe servir algo de comer. Numa situação dessas, seria mais natural que a esposa de Pedro servisse os homens. Mas são suposições…

      Quanto aos demais Apóstolos, o fato é que a Escritura não cita suas esposas ou filhos. Nem os escritos dos Primeiros Padres citam isso. Suposição minha: alguns eram casados, entretanto, deixaram suas esposas para seguir Jesus, e passaram a viver como celibatários. Tal costume, presente na primeira célula da Igreja, teria fundamentado a prática da Igreja de exigir que os homens casados, ao serem ordenados, se abstivessem de conviver maritalmente com suas esposas.

  • Leticia

    Olá, muito bom post!
    Faltou Santa Joana de Lestonnac na lista de santas mães 🙂

  • André Fillipe

    Santa Isabel da Hungria na lista também faltou.Parabéns pelo post!

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