Remédio medieval destrói superbactéria. Idade das Trevas, tem certeza?

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Uma bactéria assustadora estava quebrando a cabeça dos cientistas. Resistente aos antibióticos até então conhecidos, a MRSA gera infecções na pele e no sangue. A solução para combater esse terrível mal veio de uma fórmula obtida em um livro medicinal da Idade Média – sim, aquele período que a Tia Teteca te ensinou a chamar de “Idade das Trevas”.

A ideia de recriar um remédio do século X – que tem ingredientes como alho, cebola, vinho e bile de vaca – foi da Dra. Christina Lee, da Universidade de Nottingham. Os pesquisadores ingleses reproduziram a receita do manuscrito da forma mais fiel que puderam, e o resultado teve sucesso muito acima do esperado pela equipe: a fórmula exterminou até 90% de bactérias cultivadas em laboratório.

O livro medieval que continha a fórmula se chama Bald’s Leechbook. As conclusões da equipe de pesquisadores serão apresentadas na Conferência Anual da Sociedade de Microbiologia Geral, em Birmingham. (Fonte: BBC Brasil)

Ué… Mas na Idade Média a Igreja marvada mantinha as pessoas na miséria e ignorância intelectual, para melhor dominá-las, né mermo? Na Idade Média só tinha gente burra, né mermo? Ninguém ligava pra Ciência, e quem mexia com isso virava churrasco, né mermo? A Tia Teteca me garantiu…

pocao_medievalÉ, o fessô da “facul”, sem nunca apresentar nenhuma fonte que preste, também diz que o avanço da Medicina foi impedido durante a Idade Média, porque a Igreja proibia a dissecação de corpos humanos. Já derrubamos esse lenda negra em outro post (clique aqui).

Bem, além de papagaiar os clichês da Tia Teteca e do fessô da “facul”, podemos consultar historiadores sérios e internacionalmente reconhecidos, como Jacques Le Goff, que diz que a Idade Média foi uma época em que as pessoas eram apaixonadas pela busca da razão:

“Aqueles que falam de obscurantismo não entenderam nada. Isso é um equívoco, um legado do Iluminismo e dos românticos. A era moderna nasceu na Idade Média.”

O parecer de Le Goff é interessantíssimo, por se tratar de um estudioso anticlerical, um admirador da tenebrosa Revolução Francesa. É um cara que era afeito a ideias inimigas da Igreja, como o laicismo (para saber mais sobre o laicismo, clique aqui). Notem, portanto, que não estamos citando nenhum propagandista católico, muito pelo contrário.

De fato, há um período da Idade Média, começando no século V e se estendendo por cinco séculos, que foi um período bem sombrio. E isso se deve às INVASÕES BÁRBARAS, que causaram imenso dano cultural, moral e econômico a toda a Europa. Ou seja, colocaram toda o retrocesso gerado pelas devastações bárbaras na conta da Igreja.

Os bárbaros não eram como os invasores romanos: eles não preservavam o patrimônio e a cultura dos locais invadidos. Simplesmente pilhavam, queimavam, matavam, estupravam e saíam fora, depois que tudo virava escombros. Tamanhas desgraças só foram amenizadas pelo trabalho incansável da Igreja, que trouxe luz ao caos espalhado pelos bárbaros. Mas foi um esforço longo e penoso para tirar a civilização ocidental do lodo (quem quiser estudar mais este tema leia “A Igreja dos Tempos Bárbaros”, de Daniel-Rops).

Leiam a seguir alguns trechos de uma entrevista que Le Goff deu ao jornal argentino “La Nación“.

*****

le_goffVocê, grande anticlerical, nunca deixa de destacar o papel da Igreja nas maiores realizações da Idade Média.

– Mas você não precisa ser um crente fervoroso para falar bem da Igreja! (…)

Você escreveu que a partir do ano 1000 apareceu uma Europa cheia de sonhos e de potencial, em que o mundo monástico teria um papel social e cultural fundamental.

– Isso mesmo. Uma nova Europa cheia de promessas, com a entrada do mundo eslavo na cristandade e a recuperação da península espanhola, que estava nas mãos dos muçulmanos. Ao desenvolvimento econômico, fator de progresso, se uniu uma intensa energia coletiva, religiosa e psicológica, bem como um importante movimento de paz promovido pela Igreja.

De qualquer forma, para você, a Idade Média foi o oposto do obscurantismo.

– Aqueles que falam de obscurantismo não entenderam nada. Isso é um equívoco, um legado do Iluminismo e dos românticos. A era moderna nasceu na Idade Média. A batalha pelo secularismo do século XIX ajudou a legitimar a ideia de que a Idade Média, profundamente religiosa, era obscurantista. A verdade é que a Idade Média foi uma época de fé, apaixonada pela busca da razão. Devemos-lhe o Estado, a nação, a cidade, a universidade, os direitos individuais, a emancipação das mulheres, a consciência, a organização de guerra, o moinho, a máquina, a bússola, a marcação do tempo, o livro, o purgatório, a confissão, o garfo, as folhas de papel e até a Revolução Francesa.

Mas a Revolução Francesa foi em 1789. Não se considera que a Idade Média terminou com o advento do Renascimento, no século XV?

– Para compreender verdadeiramente o passado, é necessário considerar que os fatos são apenas a espuma da história. O que importa são os processos subjacentes. Para mim, o humanismo não esperou a chegada do Renascimento: já existia na Idade Média. Como havia também os princípios que levaram à Revolução Francesa. E também à Revolução Industrial. A verdade é que as nossas sociedades hiper-desenvolvidas permanecem profundamente influenciadas por estruturas nascidas na Idade Média.

36 comments to Remédio medieval destrói superbactéria. Idade das Trevas, tem certeza?

  • Só pra dar uma alfinetada nos “cientistas” de plantão, febre pode ser curada com emplasto de barro, e para curar paratifo em animais, basta fazer uma xaropada de barro misturado com água e fazer o bicho engolir tudo, na terceira vez que for administrado isto, o animal já está basicamente curado (meu pai gastou o dinheiro de 2 animais para salvar 5 bezerros com paratifo, 3 morreram, os outros 2 foram salvos graças ao dito xarope exclusivo de barro). De onde foi tirado isto? Simples, de um livro que meus pais tinham comprado que falava sobre o uso do barro como remédio, e este já era usado faz muuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttoooooooooo tempo.
    Agora, as tias tetecas e os possossôs que falam de idade das trevas deveriam tentar fazer um garfo de metal, quem sabe eles aprenderiam que o conhecimento e as coisas são um processo que tem início e este início não é na idade moderna. Pois se antes da idade moderna não tinha conhecimento e não eram produzidos nada além de alienação, demência, analfabetismo nós é que estaríamos tentando descobrir como se faz para cozinhar com panela de ferro, aliás, estaríamos nós pensando igual os bárbaros: – minha gente, vamos saquear alguma vila, estuprar algumas mulheres e por fogo no que sobrar.
    – Chefe, oobbbaaa, achei que você tinha virado um débil mental e queria estudar e inventar alguma engenhoca. Porque aquela ideia sua de escola já estava dando dor de cabeça, estudar é para idiotas. Saque, saque, saque, isto sim é coisa de gente inteligente (se bem que, as pessoas estão se entregando para o faraó por causa de trigo e acham que é o trigo que salva a vida, igual no Gênesis, onde todos estão com fome e vendem-se a si mesmos a José por comida. Renegam a Deus e adotam o estado, bom, quem acha que é o pãozinho francês que salva, acaba escravo do próprio. O problema é que no nosso reino, só tem faraó e corrupto, não tem nenhum José para instituir 20% de imposto de tudo que é produzido. Por aqui os faraós já etão nos 40% e subindo. E tem gente que acha que o faraó na época foi um explorador do povo)

  • Sidnei

    Garanto que vai ter gente vindo aqui dizer que este remédio teve origem entre os árabes, e que os europeus cristãos copiaram deles. Tem um programa inglês chamado HORRIBLE HISTORIES, que alguns devem conhecer, é um programa divertido, que conta a história de maneira reverente, porém, como é um programa inglês que uma emissora profundamente anti-católica, a BBC, é claro que vai haver lances em que a Igreja é ridicularizada, sobre tudo, na Idade Média como neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=F2a3o1-FuvY, em que um médico árabe muçulmano é colocado como um sábio e que alivia a dor do paciente, com um remédio colocado no local da ferida, enquanto chega outro médico, europeu, e cristão, que amputa a perna do paciente, como que enaltecendo a figura dos árabes muçulmanos e ridicularizado a figura do europeu medievo cristão. Muitos ainda alegam que os cristãos europeus na idade média, desprezavam tudo que vinha dos árabes, o que é uma mentira deslavada, pois se assim fosse, então porque monges copistas em seus monastérios iriam traduzir diversas obras árabes para o latim para depois serem propagadas por toda a Europa?. Se os europeus medievos e cristãos faziam isto, então não haveria nenhum desprezo por parte deles com relação aos estudos desenvolvidos por outros povos, muito pelo contrário, se eles se davam o trabalho de realizar tais traduções, era porque a sede de saber deles era muito maior que a ignorância que muitos preconceituosamente sugerem nos dias de hoje.
    Outra coisa que me chamou atenção no post foi abordar o tema do atraso da Europa com relação ao conhecimento cientifico na Idade Média em contra partida ao conhecimento que os árabes e outros povos tinham naquela mesma época. A Matéria deixou bem claro, e isto também sempre tive em minha mente, é que deveria sempre verificar os acontecimentos que se seguiram na Europa e na Ásia, sobre tudo, na região do oriente médio. Enquanto na Europa, houve a queda do império romano, a invasão de bárbaros, brutos e ignorante, que até tinha algum conhecimento, mas não chagava perto do que havia os romanos e gregos, fora que houveram inúmeras sucessões de reinos que entre acertos e fracassos, tudo era muito complicado, aí se pergunta, como poderia haver desenvolvimento cientifico em um cenário deste?, ruina do império romano, povos que quase não tinha conhecimento de nada, e que não exitavam em matar, roubar, empilhar, estuprar, e realizar todo tipo de violência para sobrevivem, e não me venham dizer que os vikings, e demais bárbaros não era isto tudo, porque eram mesmo, podiam até ter conhecimentos de navegação e outras coisitas mais, porém, isto não abona que eles erma violentos sim, e somente forma apaziguados, quando a Igreja entrou em cena e forma evangelizado aqueles povos, e por meio disto, é que a Europa foi se organizando e quando estava tudo bem organizado é que então os europeus, como o auxílio da Igreja, puderam começar a respirar conhecimento cientifico. Caso contrário aconteceu com os Árabes, estes antes dos muçulmanos já havia conhecimento cientifico e matemático, quando surgiram os muçulmanos, estes conhecimentos, já estavam em curso, e naquelas regiões, não havia nenhum império romano para ser reorganizado, nenhum povo bárbaro, e então, tudo estava na mais sossegada paz, o que mesmo com o advento do islamismo, o conhecimento cientifico continuou a correr na mais absoluta tranquilidade. E além do mais, o avanço e o crescimento do islamismo ocorreu o contrário do cristianismo, enquanto o cristianismo foi perseguido, ficou quase 300 anos na clandestinidade, e depois que foi dada a liberdade de culto a eles, mesmo assim o crescimento ainda foi gradual e lento, embora o imperador Teodosio que instituiu o cristianismo como religião oficial do império, o qual isto foi mais prejudicial do que benéfico, haja vista, que muitos pagãos ainda, se converteram somente por agradar o imperador e não perderem seus empregos e status, então foi uma conversão em massa sem nenhum compromisso, e além disto, houveram as heresias que a Igreja tinha que radicalizar, e depois, a evangelização dos povos bárbaros, tudo isto foram empecilhos que hora fazia o cristianismo avançar, hora recuar. Enquanto do lado dos islamitas, o qual a religião deles surgiu quase 600 anos depois do cristianismo, eles quase não tiveram perseguição alguma, seu avanço se deu por meio de guerras santas, o qual se não impunham sua fé por meio da conversão forçada, mas, faziam por meios sutis, como a não declaração pública da fé cristã ou através dos impostos do infiéis que não era nem um pouco barato, fora que o islamismo não houve ondas de heresias como houve no seio da cristandade o qual teriam que radicalizar através de concílios e estudos patrísticos como houve no cristianismo. Ou seja, para o lado árabe muçulmano tudo foi muito tranquilo, enquanto para os cristãos europeus tudo foi muito conturbado e turbulento, então querer dizer que enquanto os europeus medievos cristãos eram todos estúpidos e ignorantes por causa da Igreja enquanto os árabes muçulmanos eram a luz daquela época de trevas, para mim demonstra falta de conhecimento, ignorância ou maldade mesmo. Se eles hajam que os árabes muçulmanos foram a luz daquela época e até mesmo de hoje, que vão se aliar ao ISIS então, já que acreditam que nos dias de hoje, nós cristãos continuamos burros e ignorantes, como na Idade média.

    • Exato Sidnei. Se por ventura ainda, são os muçulmanos tão desenvolvidos e a Igreja Católica um atraso, porque o ocidente nasceu dentro de uma Igreja e não no centro de uma mesquita?
      Se fosse assim, porque diachos os muçulmanos só tem grana porque tem petróleo? Porque se tirar deles o petróleo, não resta senão um povo pobre, nômane, que vive de atividades que nem os medievais europeus viviam, porque, a atividade entre os árabes em sua grande parte ainda é o velho pastoreio, caça e pesca, coisa que nossos índios já dão rizada de quem assim faz (e nossos índios a 500 anos atrás tiveram os melhores professores. Que adivinhem quem eram estes professores, aqueles que acusam nossa Igreja e a nós católicos de atrasados).
      Mais uma coisa, o mundo atual quer por que quer aliciar a nova missa entre o povo, missa esta organizada em pleno século XVII, o esporte, a academia de musculação, o clube de golf, ou seja a educação física como doutrina chefe, que ensina o narcisismo, o epicurismo a torto e a direito, mas que no fundo não converte nem convence ninguém, aliás, os maiores exemplos de sacerdotes são os jogadores de futebol, o Ronaldo não tendo mais o que fazer foi dar um rolezinho com 3 travecos, além de outros tantos que declaradamente e escancaradamente fazem uso de intorpecentes e alcool, e ainda dizem: “o esporte tira das droga, temo que investi em campo de futebol nas cumunidadi”, e ainda colocam o Ronaldo como embaixador da paz na ONU, grande embaixador, vamo puxá um cachimbinho da paix ai, tu trouxe um fuminho maneiro? Tô doido por um tapinha. Tira, tira sim, tira é de dentro das igrejas, tira das orações. E esta nhaca toda nasceu organizadamente, exatamente de dentro do iluminismo ateu, que lindo. Mas, quando deparados com um cavalheiro medieval para um duelo, levam uma surra em agilidade, resistência, velocidade e força. Grande século das luzes, grande século iluminado, grande século de tontos isto sim.

    • Rick

      Muita coisa que é atribuída aos muçulmanos, como o processo de destilação, a bússola e varias invenções no campo da matemática, foi criado ou descoberto pelos assirios (povos cristãos) que viviam na arabia antes dos muçulmanos chegarem, os assirios foram indiretamente responsáveis pelas navegações, muitos deles imigraram para a Europa quando os muçulmanos começaram a persegui-los e , com a reconquista, um bom grupo foi para a península ibérica para o onde levaram o alambique e a bússola, além de varias técnicas navais avançadas.

      • Olha ai mais uma coisa dos avançadíssimos muçulmanos. Só para acrescentar, os números arábicos e o conceito de zero também não são mérito dos muçulmanos, o conceito de zero vem da Índia e Pérsia.

  • Eu sinceramente queria lembrar da forma que minha professora de História (e outras matérias) falava da Igreja na minha época de estudante. =/

    Já ouvi falar e concordo: pra todas as doenças existe um remédio natural. Só que pela poluição, a composição das plantas e outras coisas acaba afetada, e as doenças que temos acabam ficando mais resistentes a isso também, e há problemas que surgiram que a natureza ainda encontra dificuldade para combater naturalmente. É uma pena, mas muita coisa só surgiu pela ganancia desenfreada do povo.

    ‘Mas você não precisa ser um crente fervoroso para falar bem da Igreja!’ Que frase linda! Pena que tanta gente fale mal sem nem conhecer…

  • Janes

    Muitíssimos parabéns pela bela postagem! Vocês “mataram a cobra e mostraram o pau”. Assim deve ser o cristão hoje: estudar muito, buscar os fundamentos racionais da nossa adesão ao Senhor e sua igreja e partilhar generosamente os frutos desse estudo.

    Cresci, ouvindo baboseiras nos bancos escolares, inclusive da boca de professores “católicos” (cheios de complexo de inferioridade) acerca da “inauguração da era da razão” pelos pensadores iluministas. Hoje sei que essa “razão” que queriam monopolizar era apenas um determinado (e muito raso) (pré) conceito acerca do que eles entendiam ser a “razão”.

    A RAZÃO, como capacidade positiva e ampla de relacionamento com o real, já estava em curso, séculos antes, no trabalho patrístico e escolástico. O que houve depois (na renascença, no iluminismo e no socialismo) foi na verdade uma enorme redução do conceito e do campo da razão, que emburreceu enormemente as pessoas até chegar ao ponto que chegamos hoje: é quase impossível tomar a razão como ponto de partida no debate politico e público. Haja vista os debates no congresso nacional acerca de temas eticamente sensíveis (aborto, ideologia de gênero). Ali a razão não tem vez nem voz, só o grito e a intimidação! A mera vontade vira lei, slogans e chavões berrados a quatro pulmões substituem o debate racional. E quem repete tais slogans se recusa a examinar a trajetória histórica que leva a eles (seja por desconhecimento seja por medo de desmascaramento) e é incapaz de traçar o caminho racional que o leva àquelas conclusões. Por isso o enorme trabalho nos bastidores, de cooptação, de jogadas desonestas, de chantagem, de ameaça, de terrorismo ideológico enfim. Haja vista a última reunião da OEA, onde todas as ONGs contrárias ao que se votava ali (ideologia de gênero e cia) com assento , registro e tudo, tiveram sua entrada simplesmente banida das reuniões, foram colocadas porta a fora.

    Nunca na história do mundo, vivemos uma ditadura totalitária tão perigosa, pois o comunismo explícito e o nazismo pelo menos diziam seus nomes e assim eram mais identificáveis. Agora , com o disfarce do politicamente correto, as ideologias autoritárias penetram desde a cúpula da ONU até às novelas e currículos escolares, através de insidiosos processos manipulatórios. Você é estuprado e não sabe dizer quem o violou. A não ser que estude muito e desvende as trajetórias da manipulação, como esse site (o catequista) tem feito tão bem. Parabéns!

    • “A RAZÃO, como capacidade positiva e ampla de relacionamento com o real…” Janes, onde vc aprendeu esse conceito? Acaso leu Dom Giussani?

      • Janes

        Sim! Giussani, Romano Guardini, Chesterton, Alfonso Lopes Quintás, Ortega y Gasset, C.S.Lewis, Rodrigo Gurgel, Tolkien, Hans Von Baltazar, Octavio Paz, Adelia Prado, Henri de Lubac, Paul Claudel, Charles Péguy, Olavo de Carvalho, Edith Stein….Essa gente toda, mesmo sem se conhecer e com estilos diversos (alguns são até ateus – não preconceituosos e fechados – e agnósticos) converge para o mesmo ponto: há um eixo vital de compreensão do real (Aquele que cria e sustenta a realidade) sem o qual a nossa inteligência fica claudicante e aleijada.

        O poeta agnóstico Octávio Paz mesmo sem conseguir professar a fé, contemplava as estrelas e dizia: Alguém me soletra ! Alguém, de dentro do infinito parece querer falar comigo!” E desde então sua obra artística teve outra qualidade. Mas é óbvio e lógico: se Deus de fato criou esse mundo, elaborou a dinâmica de funcionamento do real, ele jamais pode ser extirpado como fator crucial para entender o real!

        Daí que não tem jeito mesmo: o cristianismo jamais vai se fechar na sacristia (como quer o Padre Fábio de Melo)! Ele vai sempre partilhar – mesmo com os não crentes – a compreensão mais profunda do real que o criador-salvador do real vai lhe doando. E ele melhor que qualquer outro fator social, é que consegue encontrar a linguagem mais universal racional, mais consoante com o coração humano. Mesmo correndo o risco de soar arrogante a ouvidos laicizados-laicizantes, o cristianismo será sempre generoso ao partilhar as descobertas que a presença viva de Cristo ( o fundamento mesmo do real! Como o Fábio de Melo, consegue não perceber que ele está erodindo o alicerce mesmo da vida???!!!) o faz experimentar acerca dessa nossa realidade humana. Sua palavra sempre será algo valioso, não apenas para quem se dispõe a ser seguidor de Jesus, mas para todos os que querem compreender o sentido da realidade do mundo e da pessoa humana e viver em coerência com esse sentido. Só não proporemos isso, com base na força e na intimidação – e muito menos com base na manipulação mental – (como fazem os poderes deste mundo, sobretudo quando ideologicamente impulsionados) , ao contrário, nossa fortaleza no Espírito, nos faz dispostos a dar a vida, jamais a tira-la de ninguém!

        O valor cultural e social da igreja – mesmo para quem não compartilhe da fé – fica claro na sintética fala do ateu Diogo Mainardi, que com honestidade e limpidez afirma: “não creio em Deus, mas confio na igreja – pelos inúmeros frutos de civilização que usufruo – e por isso matriculo meus filhos em colégio católico (quão a salvo estão ai, do espirito contrário a fé, a depender desse colégio, é outra comprida história…, né?)!

        Um cristianismo que se refugia na sacristia e na vida privada, que não compartilha com o mundo, a ampliação de visão sobre o real que o Senhor lhe tem dado (encontrando a linguagem mais universal possível) não seria mais o caminho de Jesus que veio para que todos tenham vida em abundancia, e disse de si nada menos que “EU SOU O (e não um dos…) CAMINHO, A VERDADE E A VIDA!”

        E viva Giussani!!!

    • Juliano A.R.P

      Muito bem observado Janes, os escolásticos e patrísticos parecem não ter valor algum nas filosofias modernas. O Professor Antonio Donato, ressalta muito bem esta questão ao afirmar que o nível científico e de abstração presente em nossa era contemporânea não chega aos pés daquela que existia no tempo de Santo Tomás de Aquino. Hoje seria impossível para qualquer aluno de pós-doutorado elaborar uma tese que chegasse ao nível da uma Suma Teológica, que na época de São Tomás era requisito básico para que um aluno adquirisse o diploma de mestre em Teologia. É triste notar que cada vez mais o povo emburrece ao se afastar dos princípios educacionais vigentes na Idade Média.

      • Janes

        Sim Juliano, como disse o Pe.Paulo Ricardo em um recente hangout com Olavo de Carvalho (tá no youtube) o pecado emburrece, e isso é muito racional e lógico.
        Dias atrás vi uma gravação antiga (na rede) de uma entrevista com o Pe.Quevedo , feita por Marília Gabriela. Ela , de boca aberta, dizia ao padre, chocada: “Mas como pode o senhor querer conciliar razão com fé, propor uma fé racional?…Coisas tão opostas!!!”

        E eu pensei (como o velho Giussani): “Como pode ela, usar os dois termos- razão e fé – com tanta “desenvoltura”, se desconhece por completo o significado de ambos?!!”

        Que a razão (se usada em seu pleno potencial) leve à fé e que a fé amplie o poder da razão, não é apenas um conceito, um axioma e uma opinião filosófico-teológica. É um fato histórico! É a descrição exata da história dos dois últimos milênios (com destaque para o período patrístico-medieval, dado o seu caráter de alicerce sobre o qual ainda se mantem nossa ameaçada civilização).

        Que a fé leve a razão ao seu pleno potencial, é algo já ocorrido. E que a revolta contra o cerne da realidade (Deus) nos torna míopes na interpretação da realidade, também é fato ocorrendo agora mesmo debaixo dos nossos narizes. Não só nos torna míopes e ignorantes, mas também esquizofrênicos (ou seja: ideológicos, esquemáticos, redutores da complexidade do real), nos torna autoritários a ponto de querer torturar e matar quem não entrar na nossa esquizofrenia ideológica, no nosso mundo fantástico (é a recente história dos comunismos-fascimos-nazismos comprovando isso e agora mesmo o total domínio do politicamente correto, punindo gente indiscriminadamente pelo mundo afora, pelo mero “crime” de ousar ver com os próprios olhos, em vez de ver com os olhos do estado, da onu e dos “invisíveis” poderes econômicos que nela interferem).

        A inteligência é a apreensão do real. Ora, se a gente exclui o principal fator, Aquele que cria e mantém o real, como podemos ser inteligentes?? É óbvio que restarão em nossa cabeça, peças super soltas de um quebra cabeça desconexo…pois fica faltando o fio condutor, o cimento que dá cola e consistência à realidade. E essa é a história dos últimos 700/600 anos. A maior parte dos construtos culturais elaborados ao longo desse tempo (com honrosas exceções) são peças de astúcia, não de inteligência. Coisas muito sofisticadas e complicadas (não complexas, pois o complexo é articulado) mas cujo efeito é impedir a simplicidade do olhar sobre o dom do real. Padre Paulo Ricardo, nesse hangout recente a que me referi há pouco, diz do tremendo esforço feito pelos novatos estudantes de filosofia, para entender Kant, tentando desentranhar toda aquela linguagem artificiosa (“primeiro a gente faz análise literária dos caras, para então achar o que eles de fato quiseram dizer” diz Olavo de Carvalho no mesmo hangout – vale à pena ver – “tão diferente da limpidez escolástica!” ele continua) para no final descobrir pensamentos medíocres, enrolados, tacanhos, que apequenam a razão humana, que interditam a possibilidade de compreensão da realidade, que tentam enquadra-la dentro de esqueminhas que depois se transformam nas normas e regras que essa geração governante, filha de 68, quer nos enviar goela abaixo, contradizendo toda a abertura pela qual diziam lutar.

        Ninguém propõe uma volta à cultura patrístico-escolástica e tomista pura e simples (como tão maliciosamente Leonardo Bofe, “interpreta” Bento 16) mas propõe a valorização do eixo de experiência que moveu aquela cultura e que afinal continuou mover a vida cristã no mundo (a história não é só aquela que o poder tem escrito e divulgado) e nos move ainda agora. Homens e mulheres da igreja (inclusive clérigos) continuaram a fazer ciência, arte e cultura da idade média para cá e sustentados pelo mesmo eixo de experiência que fez os grandes cérebros patrístico-medievais. O melhor da nossa literatura, ainda traz muito dessa marca inapagável. Uma multidão de gente ainda fica encantada com o mistério presente nos filmes que levam às telas a visão de mundo e história de Tolkien e C.S.Lewis, que recolocam o Senhor no centro da realidade e a vida da inteligência começa na riqueza e beleza da imaginação.

        Por isso a ideologia pode pintar e bordar à vontade, pode até dominar o mundo como tem feito (e até parte da igreja, como tristemente ocorre no Brasil) mas sempre haverá aquele pedaço de carne sadia enxertada na carne apodrecida do mundo, sempre haverá espaço de amplo respiro (para a inteligência, a nobreza de espírito, a bondade) para todos aqueles que se abrem ao convite que São Pedro fez no Pentecostes: “Salvai-vos do meio dessa geração perversa!”

        O Reino de Deus, onde sua igreja é levada a sério, sempre será um pedaço de mundo, onde palavras como INTELIGÊNCIA, RAZÃO, FELICIDADE, BONDADE, BELEZA, encontrarão seu pleno significado e concretude: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo!”

  • Thúlio bispo

    Parabéns pelo post.
    Altas risadas eu fiz ao ler, ao passo que ia aprendendo muita coisa!!!
    Deus o abençoe imensamente.

  • Eu tenho o livro São Francisco de Assis, de Jacques leGoff. Muito bom e recomendo a todos. Nele, o autor confirma o que disse na entrevista acima: ” Que São Francisco foi um santo moderno, é porque o seu tempo também era.” Fiquei até surpreso quando vi que ele é anticlerical, no livro se houve alguma crítica à Igreja, então passou despercebido por mim.

    • Janes

      É porque existem anti-clericais, ateus e agnósticos honestos e sinceros e outros (junto com teólogos “católicos”) que são maliciosos, astuciosos e manipuladores. A maior parte dos que combatem a presença pública da fé cristã (teólogos “católicos” aí incluídos, mais o Padre Fábio de Melo) pertencem à essa segunda categoria de anti-clericais.

  • Infelizmente o pensamento anticatólico, por considerar a Igreja o mal de todos os tempos, está alicerçado (em areia) na mente de professores, que movidos por uma raiz anticristã, apontam a Igreja como repressora, mas apenas repetem o que outros dizem, sem ao menos observar por um crivo o que é de fato. E por outro lado, é muito mais cômodo se permitir a tudo, do que ter que refletir suas ações. Sendo assim, para muitos é melhor então dizer que a Igreja foi aquela que limitou o ser humano, para não ter que se dobrar diante dela, do que fazer o contrário e reconhecer que toda esta patifaria contra a Igreja não passa de estorinha bem da larapia.

  • Janes

    E além desse comodismo da razão (que evita observar e refletir) e do orgulho que mora no fundo da gente, tem todo o planejamento quase que laboratorial dessas calúnias todas, pelos “intelectuais” iluministas, socialistas – ai inclusos os frankfurtianos, gramscistas e fabianos que hoje dominam a ONU – nihilistas, e todos aqueles que se batem hoje pela ditadura do politicamente correto.

    A coisa é milimetricamente planejada, e considera as pessoas e o povo, como meras peças de xadrez em um jogo marcado. Chega a ser engraçado (além de triste) ver um universitário ou um militante, levantando o pescocinho e inflando a voz cheio de indignação (gente tipo “Jean Wyllys” percebe?) como se estivesse demonstrando o máximo de independência intelectual, quando na realidade, o sujeito não passa de um resultado de mega-planejamentos de engenharia social e manipulação mental, elaborados desde os centros de poder!!!!
    Um mero boneco movido por cordas (como o Pinóquio no cirquinho de marionetes
    dos larápios!) cheio de auto-afirmação, sem perceber as cordas que o prendem e determinam seu movimento, gritando todo alegrinho: “SOU LIVRE! SOU LIVRE!!”

    É de dar pena…

  • Excelente! ^_^

    PS: Retomei hoje minha luta contra o emburrecimento, comprando um livro do Le Goff, o primeiro dele na minha estante, “Heróis e maravilhas da Idade Média”. 🙂

  • Gabriela

    catequistas,gosto muito do blog, pois já compreendi muita coisa que não entendia e tal…só que gostaria de fazer um pedido de um post ou pelos menos alguma explicação(se possível) sobre a Mesopotâmia e o que foi surgindo depois como algumas histórias semelhantes as da Bíblia, por exemplo:a história de Zaratustra (semelhante a de Jesus) a Epopeia de Gilgamesh(semelhante a história de Noé), Rómulo e Remo(que pela tradição,fundaram Roma,e se assemelha a Caim e Abel), não sei se existem outras, essas foram as que me apresentaram. Também sobre os Persa e sua religião (O deus do bem é Ormuz e o deus do mal Arimã, que foram os primeiros povos a ter essa distinção entre mal e bem em relação a religião, não sei se essa informação é correta)e se o Judaísmo nasceu antes dos Persas,então os judeus não acreditavam em Demônios(ou anjos do mal se é que tinham ideia de anjos), ou simplesmente acreditavam que deus era bom e mal ao mesmo tempo? E também sobre as mais de 600 leis escritas de onde foram tirada os 10 mandamentos(essas 10 eram tidos como “leis de viagem”)tenho essas 3 duvidas espero meu pedido seja atendido,pois minha intenção não é ir contra fé de ninguém até porque eu tenho, sou católica porem sem muita formação sobre catequese,e a história da Igreja meu desejo é de compreender e assim espero que essas duvidas possam ser tiradas… por favor e obrigado ^^

    • Gabriela,
      A história de Zaratrustra tem pouquíssimas semelhanças com a de Jesus. Na verdade, eu diria que não tem quase nada a ver. O único ponto que parece convergir é aquele em que Zaratrustra é tentado por um demônio no deserto. E só.

      Da mesma forma, a história de Rômulo e Remo tem quase nada a ver com a de Caim e Abel. Rômulo e Remo eram gêmeos, Caim e Abel, não. Rómulo e Remo eram órfãos, Caim e Abel, não. Rômulo matou Remo por ira e divergências em tomadas de decisões, já Caim matou Abel por inveja do amor que ele recebia dos pais.

      Os judeus acreditavam em demônios, sim (isso é evidente, tanto no Antigo quanto do Novo Testamento) e de modo algum acreditavam que Deus era bom e mau ao mesmo tempo. Eles criam que Deus era infinitamente bom e misericordioso, e mesmo Sua ira era santa e justa. Está tudo claro na Bíblia.

      Sobre as chamadas “600 leis”, na verdade, se chama “Lei Mosaica”. A Lei Mosaica era, podemos dizer assim, o “catecismo” de Moisés, eram as orientações religiosas, higiênicas e morais que o profeta dava ao povo da época, e que foram abolidas com o advento da Nova Aliança. Os 10 Mandamentos não foram retirados dessas 600 leis.

      Abraço!

  • Viviane, boa noite. Pax et bonum.
    Só a título de informação, gostaria de sanar uma dúvida, por ventura tem como distinguir se os autores deste livro de medicina medieval eram médicos católicos? Ou se a Universidade em que estudaram era católica ou era pagã?
    É que tenho uma missão um pouco dura, tenho que dar nos dedos de uns professorezinhos de fundo de quintal por duas razões, primeira é defender a Igreja da acusação de obscurantista, a outra é da implementação nas escuras de uma cartilha gay, outra cartilha sexo drogas camisinha e rock and roll (uma católica de casa até no portão da escola, e ateia da escola para dentro, outro professor que é gay e fessô de estória, e o resto, um bando de bocós que não sabem de nada)

  • https://www.facebook.com/rvoxoficial/posts/633923496709657
    .
    CASSAÇÃO DE JAIR BOLSONARO
    .
    Estatizar a Rede Globo, que é concessão pública e abri-la para os movimentos sociais!
    .
    Estatizar todas as redes, TVs e rádios religiosas, de qualquer confissão.

  • Jacques Le Goff, apesar de suas convicções pessoais, é um excelente medievalista, além de intelectualmente honesto. Os livros dele são muito bons, e foi através de suas obras que todos os preconceitos que me foram impostos durante os tempos de escola caíram por terra.

    Mas vale lembrar que existem outros tão bons quanto ele: Régine Pernoud, Johan Huizinga e Marc Bloch escreveram excelentes coisas sobre a Idade Média e o importante papel que a Igreja Católica exerceu neste período fundamental para a formação da civilização ocidental.

    Todo católico deveria se interessar por estes autores. Eles nos dão a “munição” necessária para nos defendermos das mentiras anticatólicas com as quais nos deparamos desde a idade escolar.

  • Artes Literárias

    Uma pergunta. O que foi o “Index Librorum Prohibiturum”, não acho boas fontes para isso e gostaria de saber do que se tratava, como era utilizado, o porquê de haver sido abolido e que livros proibiu.

    Outra dúvida. Poderia informar-me sobre Erasmo de Roterdã e seu “Elogio da Loucura”, Thomas Hobbes e “Leviatã” e sobre Voltaire, é verdade que este após durante a morte converteu-se ao Catolicismo?

    • Artes Literárias

      Outra: É verdade que durante o feudalismo só quem doava terras poderia se tornar sacerdote, sendo assim impossível um servo se tornar padre e assim só haverem padres nobres?

      • Artes Literárias

        Quem foi Rousseau e o que é o Decamerão de Boccaccio?

        • Rousseau foi um filósofo vinculado ao iluminismo que começou a escrever após os 30. Seu trabalho principal chama-se “O Contrato Social”. É o criador do ideal do “Bom Selvagem”, um mimo de burrice filosófica.
          Já o Decamerão é um conjunto de contos de Giovanni Boccaccio, considerado um marco da literatura pela sua ruptura com a moral cristã. É antes um livro cínico que raivoso. O importante aqui é o contexto em que foi escrito. Foram os negros tempos da peste. Por conta disso, a desesperança e a maldade que brotam do decamerão sejam tão pungentes.

      • Uma mentira das mais absurdas. É óbvio que não. Simplesmente veja o caso de Santos mil. Alguns eram nobres deserdados, outros apenas camponeses (a maioria dos casos). Como por exemplo São Domingos. Muitos chegaram a Bispo, cardeal, etc. Essa deturpação nasceu no historicismo alemão para justificar a cobiça dos barões reformistas e seu saque às terras da Igreja como uma espécie de “reapropriação” e foi aceita também em tempo anterior pelos revolucionários jacobinos para culpar a Igreja das expropriações no Languedoc no tempo dos cátaros. Pura pilantragem e falta de caráter. A única forma de um camponês ser alguém era entrar para o clero, o único jeito de pobre estudar era entrar para uma escola paroquial. É puro ódio laico, reconhecimento tácito de sua incompetência ao assumir uma atribuição cristã católica que funcionava muito bem – e ainda funciona, visto que os melhores colégios aqui no Rio de Janeiro são todos católicos – associada a propagandismo assistencialista de intelectuais blassê e sem nenhum caráter.

    • Ao contrário do que muita gente pensa, o Index não é uma criação dos tempos medievais. Aliás, muitas das barbáries associadas à Idade Média na verdade são originárias dos tempos modernos, como o Index. Foi Paulo IV que instituiu-o.
      Ao contrário do que muita gente pensa, o Index não era uma condenação “in limine” e os escritores dos livros ali inscritos seriam presos e queimados. Isso é propagandismo laico de historiadorzinho ateu. Eram livros que foram considerados CONTRÁRIOS À SÃ DOUTRINA, nada mais. Como tais, deveriam ser evitados pelos católicos, sob risco de, confirmada a influência das ideias ali expressas na vida do leitor, este ser excomungado. Para os sábios e defensores da “liberdade” de plantão, eu aí pergunto: qual o problema disso? Quer seguir ideias satânicas? Siga e vá dançar feliz com o diabo, problema teu. Nalgumas sociedades daqueles tempos, solapadas pelo protestantismo nascente (para o qual o Index foi umas das respostas), realmente o Index serviu como motivador para queima de livros e perseguições aos possuidores. Sinal dos tempos. Não devemos nunca, jamais, de maneira nenhuma, julgar valores aos quais não temos a menor condição mental de entender senão através de muito estudo, através de nossa hipócrita moral pós-iluminista, uma das piores doenças auto imunes produzidas pela humanidade. Index é isso e apenas isso: uma lista de livros que são contrários à Sã Doutrina e que bons católicos não deveriam ler. Foi instituído a fim de evitar a expansão protestante e acabou, como as cruzadas, a Inquisição e as eleições no Vasco usado como prova cabal de que a Igreja é malvada e nós laicos, maçons e bons camaradas ateus é que somos bonzinhos. Nada surpreendente.
      Rapaz, tem muita coisa que eu poderia falar de Erasmo de Roterdã e do seu “Elogio a Loucura” mas eu já tenho a boa e velha tendência à prolixia. Vou te dizer, Erasmo era um malandro, vivia em cima do muro, teve o saco puxado por Lutero e dedicou seu livro mais famoso, o dito “Elogio”, a São Thomas Morus e foi amigo de São João Fisher. Isso só é pra ter uma ideia. Elogio a Loucura não é romance, como muita gente pensa, é um ensaio. Vai do satírico ao sombrio e foi, por conta de sua própria estrutura crítica, um livro deveras utilizado pelo Sr. Lutero e seus seguidores demoninhos.
      Sobre Hobbes: era um covarde e um sem vergonha. Esse cretino inventou uma teologia maluca com a mesma lógica que Lewis Caroll utilizou na escrita de “Alice no País das Maravilhas”, só que escreveu de uma maneira erudita e um monte de despreparados acreditou e aceitou o que ele dizia. “O Leviatã” é a maior monstruosidade filosófica que eu já vi. Essa coisa é a maior babada de ovo aos benefícios que o Estado pode trazer à vida humana. Stalin e Hitler agradecem viu seu Hobbes. Para maiores detalhes sobre Hobbes procure ler o livro “Darwinismo Moral – Quando nos tornamos hedonistas” de Benjamim Winker.
      Por fim, no que tange a Voltaire, até onde eu sei, o que lhe ocorreu foi o caso mais simples e clássico de cagaço.
      Voltaire passou toda sua vida esculhambando a Igreja, mas era deísta e maçom. Quando tinha pra mais de 80 ficou doente e sentiu a coleira do diabo no pescoço. Um padre piedoso achava que podia convertê-lo, Voltaire recebeu-o e melhorou. Depois, o que ele fez? Foi na maçonaria. Depois de uns tempos (meses, anos, não me lembro) Voltaire ficou doente de novo, o mesmo padre foi encontrá-lo, só que dessa vez o encontrou catatônico. Converte-se? Voltaire? Acho pouco provável. O conteúdo da confissão é sigiloso, o padre, claro, nunca o disse, somente afirmou o seu desejo pessoal que ele realmente tivesse aceito a Jesus Cristo.

  • Artes Literárias

    Mas é verdade que Shakespeare, Copérnico e partes do Dom Quixote entraram para o Index?

    • Sim. Mas vale a explicação que dei antes. Eram livros considerados nocivos a formação do católico. Muitos foram retirados e outros continuam. Não faz muita diferença não é mesmo? Na verdade, nunca fez, afinal, essas obras sobreviveram e fazem parte da literatura universal. Cabe aqui a pergunta: era tão grave assim fazer parte do Index? Eram tempos difíceis e a paranoia e o medo dos protestantes era muito viva.

  • Artes Literárias

    Descartes, Francis Bacon, Alexandre Dumas e os já citados Shakespeare e Copérnico, sem contar partes do Dom Quixote entraram para o Index? Se não poderia fazer uma curta lista de quais livros e autores foram parar no Index e o motivo de tal colocação, ou mesmo um post para haver mais esclarecimento.

  • gostei…realmente precisamos estar atento a situações e relações das ovelhas do rebanho católico, porem uma intelectualidade religiosa deve estar em harmonia com a devoção católica… nem demais e nem de menos… mas sejamos um servo com coração humilde e nao cheio de rancor pela condição em que se encontra( resignação)

  • BALDUINO IV REI DE JERUSALÉM

    LEMBRANDO QUE OS MUÇULMANOS APENAS TRADUZIRAM OBRAS
    DE AUTORES GREGOS,INDIANOS,CRISTÃOS E JUDEUS.NA VERDADE
    ELES USURPARAM AS COISAS DOS OUTROS E DEPOIS TRADUZIU
    PRA ÁRABE,QUANDO ELES SE APOSSARAM DOS TERRITÓRIOS
    CRISTÃOS.A BBC (ANTICATÓLICA) LANÇOU O LIVRO MENTIROSO
    CHAMADO: MIL E UMA INVENÇÕES DO ISLÃ,PRA ENALTECER O
    ISLÃ,KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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