Padres católicos casados: isso não é novidade

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“Vaticano abre portas para padres casados e cria dilema”: essa é a manchete de uma matéria do site da BBC, que aborda a dispensa especial da obrigação ao celibato sacerdotal concedida aos sacerdotes anglicanos convertidos ao catolicismo. Muitos católicos ficaram confusos com a notícia.

Calma, povo! Não há nenhuma grande novidade: ao logo de toda a sua história, a Igreja Católica sempre ordenou e continua ordenando homens casados, ainda que de modo muito restrito. Não sabia? Vamos explicar tudinho. A matéria da BBC, no geral, está bastante correta, mas falha ao anunciar um “dilema” inexistente.

CELIBATO: IDEAL PERMANENTE PARA O SACERDÓCIO

O celibato é o modo de vida ideal para um sacerdote católico? Sim! Não é essencial, mas é o ideal. Essa doutrina é bíblica, conforme o ensinamento de São Paulo:

Penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma. (…) Pois quereria que todos fossem como eu; (…)

O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido.

Digo isto para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha.

– I Cor 7, 1; 7; 33-35

Sendo fiel ao ensinamento dos Apóstolos, a Igreja sempre buscou selecionar para o sacerdócio os homens de vida celibatária. Nos primeiros séculos, na falta de bons candidatos entre os celibatários, recorria-se a homens casados, mas estes eram obrigados a deixar de viver maritalmente com suas esposas, e não mais poderiam fazer sexo com elas. O sustento dessas famílias era assumido pela Igreja.

O Cânon 33 do Sínodo de Elvira, realizado no ano 304, deixa bem claro que os padres que voltassem a funfar com suas esposas deveriam ser afastados de suas funções clericais. E, no ano 385, na carta Directa, o Papa reafirma a obrigação dos padres (mesmo os casados) de renunciar à vida sexual após a sua ordenação; nessa mesma carta, o Papa afirma que essa é uma lei que tem origem no início da Igreja, ou seja, não se trata de uma disciplina “inventada” posteriormente.

A DISCIPLINA DIFERENCIADA DAS IGREJAS DO ORIENTE

Entre trancos e barrancos, a Igreja Católica conseguiu consolidar o celibato sacerdotal no Ocidente. Porém, nas igrejas do Oriente, a disciplina foi afrouxada. Já explicamos em outro post (veja aqui) que em virtude da distância e da precariedade dos meios de comunicação, os patriarcas das igrejas católicas do Oriente viviam quase que isoladamente, e a influência do Bispo de Roma sobre eles não era tão intensa.

A isso, somou-se o fato de que o clero oriental sempre foi muito mais propenso a deixar que o Imperador metesse o bedelho nas questões internas da Igreja, e essa interferência abusiva acabou resultando na aceitação de leis imperiais que anulavam a obrigação do celibato para o clero.

Para favorecer o restabelecimento da comunhão plena com as igrejas orientais cismáticas, o Papa permitiu que estas mantivessem seus costumes seculares. A doutrina e a sagrada Tradição são as mesmas, mas a tradição litúrgica e a disciplina são diferentes das praticada pelas igrejas do Rito Latino. É bom notar que essas igrejas são perfeitamente católicas e submissas ao Papa (saiba mais aqui).

Sendo assim, nas igrejas católicas orientais homens casados podem ser ordenados e continuar vivendo com suas esposas. Se ficarem viúvos, não poderão casar de novo. E os homens celibatários, uma vez ordenados, devem permanecer sempre solteiros.

Mesmo com a disciplina afrouxada, essas igrejas demonstram que, para se aproximar de modo mais perfeito do sacerdócio do próprio Cristo, um homem deve ser celibatário. A prova maior disto está no fato de que, nas igrejas católicas orientais, a plenitude do sacerdócio – a unção de bispo – só pode ser recebida por um homem celibatário.

A DISPENSA ESPECIAL DADA AOS PADRES ANGLICANOS

A foto abaixo, publicada pelo blog “Salvem a Liturgia!“, mostra a ordenação sacerdotal de três bispos, ex-anglicanos. É ou não é pra fazer bater mais forte o coração de qualquer católico?

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A situação dos sacerdotes ex-anglicanos é similar a esta dos padres das igrejas católicas orientais. Um sacerdote convertido precisa ser ordenado novamente na Igreja Católica (a ordenação dada na Igreja Anglicana é inválida) e caso possua esposa, pode continuar a viver com ela.

A Igreja Anglicana, pra quem não sabe, foi fundada em 1534 pelo o rei da Inglaterra, Henrique VIII. Como o sujeito não conseguiu convencer a Igreja Católica a lhe dar o divórcio, ele simplesmente fundou a própria igrejola, onde poderia casar e descasar quantas vezes quisesse (e ele fez isso cinco vezes, com direito a cabeças de esposas rolando).

Desde 2009, milhares de membros da Igreja Anglicana têm se convertido à verdadeira fé. Não só na Inglaterra, mas também nos EUA, paróquias inteiras estão vindo para o lado luminoso da força (Fonte: Estadão). Dois fatores principais estão motivando essas conversões em massa:

  1. A progressiva esculhambação e deterioração da doutrina pregada pela Igreja Anglicana, que vem gerando a insatisfação de muitos de seus membros, escandalizados especialmente com a ordenação de sacerdotisas e bispas, e com a ordenação de bispos que assumem publicamente suas uniões homossexuais.
  2.  A cartada de gênio do nosso papitcho emérito Bento XVI, que ofereceu aos anglicanos condições especiais para que eles entrem em comunhão plena com a Igreja Católica.

Vendo o circo pegar fogo nas quebradas anglicanas, Bento XVI não perdeu tempo: convidou os anglicanos a se converterem, ingressando em uma comunidade católica especial, em que poderiam manter muitas das tradições anglicanas (somente aquelas compatíveis com o catolicismo, obviamente).

Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus foi, então, publicada pela Santa Sé, regulamentando os “Ordinariatos Pessoais para Anglicanos” convertidos ao catolicismo. Naquele abençoado dia, no Céu, os pais de Ratzinger deveriam estar in-su-por-tá-veis, repetindo para cada anjo e santo que encontravam: “Aquele é o meu garoto!”. E o miguxo São João Paulo II mandou um salve…

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Quando ficou sabendo da novidade, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams (líder anglicano), ficou chorando as pitangas e lamentou o fato de Bento XVI não ter avisado nada disso a ele antes. Mas que tipo de aviso essa criatura queria?

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Tudo isso só vem confirmar a profecia de São Domingos Sávio sobre a Inglaterra: “Deus prepara um grande triunfo do catolicismo naquele reino” (falaremos mais sobre isso ainda nesta semana. Fiquem de olho!).

Como dissemos, não há dilema. A despeito de todas essas exceções, que existiram desde os primeiros séculos da Igreja, a disciplina do celibato obrigatório para os padres católicos segue firme e forte. A razão é simples e evidente: Cristo, sumo-sacerdote, veio para servir e para se sacrificar; também aqueles que se sentem chamados a participar desse sacerdócio devem seguir seu exemplo de sacrifício, e o maior sinal desta oferta plena de si é o celibato.

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Quem quiser estudar mais sobre a história e os fundamentos teológicos do celibato clerical católico, acesse aqui o site Presbíteros.

65 comments to Padres católicos casados: isso não é novidade

  • A norma que permite aos sacerdotes ex-anglicanos casados serem reordenados e se tornarem padres na Igreja é muito mais antiga do que a Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus de 2009.

    A comissão dos cardeais feitos pelo Papa Leão XIII que investigou a validade das ordens anglicanas já haviam decidido após o Apostolicae Curae (documento do Papa que declara nula e inválida as ordenações anglicanas) que os anglicanos convertidos deveriam ser reordenados. Mesmo aqueles que foram ordenados por bispos vétero-católicos.

    Os anglicanos tentaram contra-argumentar sobre a declaração de Leão XIII através da encíclica Saepius Officio, redigida pelo Arceleigo de Cantuária.

  • Raphaella

    Vcs me ajudam a catequizar!
    Obrigada pelos esclarecimentos e td sempre com muito bom humor!

  • Grasiele

    Gosto muito dos artigos de vocês, mas ainda fiquei com uma dúvida… Vamos lá.

    Se o “rapaix” era católico, se “converteu” a uma dessas Neo-pentecostais e virou pastor, se casou… E depois se “reconverteu” sinceramente ao catolicismo, a regra é a mesma?

    • Victor

      Não.Até porque, no caso dessas “igrejas”, não se pode nem falar em “tradição”.

    • Boa pergunta, Grasiele! Adoro leitores reflexivos!
      Não, a regra jamais poderia ser a mesma. A Igreja Anglicana tem muitos pontos de semelhança com a Igreja Católica. Eles, por exemplo, creem na Transubstanciação e são muito devotos da Virgem Maria. Também creem na intercessão dos santos. Portanto, os sacerdotes anglicanos (ainda que não-validamente ordenados) estão acostumados a celebrar uma liturgia muito similar à liturgia católica.

      Para que um homem se torne sacerdote anglicano, o nível de preparação e estudo é bastante similar ao dos padres católicos. Já nas seitas pentecostais… Vocês já sabem. Então, as diferenças entre um pastor evangélico e um padre anglicano são gritantes.

      • Walace Rodrigues

        Casos de pastores protestantes que se convertem ao catolicismo têm se multiplicado de uns tempos para cá. Muitos devem já conhecer o caso do pastor Scott Hahn ( https://www.youtube.com/watch?v=m96liFVYrFM ), cujos livros, ótimos livros, estão começando a ser traduzidos para o português. Outro caso bonito, que se encaixa exatamente na descrição apresentada pela Grasiele, é do pastor pentecostal Alex Jones ( https://www.youtube.com/watch?v=8MvfAJ7ap8s&index=1&list=PL8F4123528D130C73 ) – se vc tiver dificuldades com o inglês, use o Google Chrome e ative as legendas, com opcional tradução, o testemunho dele é muito interessante. Resumindo, pastores convertidos ao catolicismo que querem atuar na nossa igreja como ministros ordenados podem fazer um curso de teologia católica acelerado para se aprofundar na fé católica (acelerado se puderem aproveitar parte de sua formação), e então são normalmente ordenados diáconos permanentes, se já forem casados. Se não forem casados poderão ser ordenados padres.

      • Rodrigo Cezarin

        Bom dia, onde você diz “Também creem na intercessão dos santos.”, assisti entrevista do padre anglicano Aldo Quintão ao Jô Soares e ele disse que os anglicanos acreditam nos santos, mas não na intercessão.

  • Bruno de Oliveira

    A foto que mostra a ordenação de três bispos, ex-anglicanos, na verdade os mostra sendo ordenados diáconos, não?! Vê-se pelo uso da estola cruzada..

    • Para um homem receber a ordenação sacerdotal, antes, ele precisa ter recebido a ordenação diaconal. Portanto, os três diáconos da foto (ex-bispos anglicanos) estão sendo, naquele momento, ordenados sacerdotes.

  • Clara França

    Gente, se você, rapazola, quer casar e servir no altar, seja diácono permanente! Case-se, faça o curso e voy-lá!

  • Marcos de Abreu

    Fui anglicano por 20 anos. Meu pároco foi ordenado condicionalmente na igreja católica depois de 25 anos de sacerdócio na Igreja da Inglaterra, até a mesma ordenar presbíteras. Foi ordenado condicionalmente porque mesmo na Igreja de Roma havia dúvidas, e não certezas, sobre a validade ou não validade das ordens anglicanas. Hoje ele parece estar feliz da vida na igreja romana, entretanto, ele era solteiro e podia fazer tal escolha mais facilmente. Muitos dos meus amigos não foram para a igreja católica porque eram casados. Tinham, depois de condicionalmente ordenados, que trabalhar como professores ou qualquer outra coisa para manter a subsistência familiar. Padre casado só poderia rezar missa e nunca tornar-se pároco.
    Hoje sou ortodoxo e com respeito à igreja oriental posso dizer que durante o primeiro milênio os orientais respeitavam o papa (bispo de Roma) como primeiro entre iguais, isto é bispo. Cada bispo é um pastor em sua própria diocese e o oriente cristão ortodoxo vê essa história de pastor universal como antibíblica e anti-tradição apostólica. Não nos vemos como cismáticos porque em nada mudamos a doutrina (tradição) apostólica e o culto antes, vemos a igreja católica romana como tendo se desviado daquilo que a Igreja sempre foi, Una, Santa, Católica e Apostólica. Até mesmo os católicos orientais não assumem a adição do filioque no Credo, não são muito pró-purgatório, imaculada conceição, sumo pontífice, etc. São ortodoxos que se submeteram à Roma muitas vezes através de perseguição dos católicos em países de maioria ortodoxa, outros porque, como muitos anglicanos, viam o papa de Roma como um mal necessário. A esses católicos orientais muitos ortodoxos chamam de uniatas (porque estão unidos administrativamente ao papa de Roma, e outros os chamam de traidores da verdadeira Fé.

    • “Tinham, depois de condicionalmente ordenados, que trabalhar como professores ou qualquer outra coisa para manter a subsistência familiar”. Ué, e que mal há nisso? Se quisessem servir integralmente a Deus, teriam seguido o conselho bíblico, teriam seguido o conselho de São Paulo e não teriam se casado. Né não?

      Muito melhor mesmo ele sustentar a esposa e filhos com o próprio dinheiro. Imagina, um dia chega lá na igreja a esposa dele com um terninho Channel, e os filhos vestidos de Tommy Hilfiger da cabeça aos pés; outro dia, nas férias, a família inteira viaja pra Europa. Óbvio que sempre vai ter alguém pra questionar – e muito justamente – se todo aquele luxo está sendo pago com o dízimo dos paroquianos. Muito tranquilamente, o padre casado poderá dizer que tem um emprego, como qualquer pai de família, e pode comprar pra sua esposa e filhos o que bem entender.

      “Padre casado só poderia rezar missa e nunca tornar-se pároco”. E daí? Desde quando sacerdote tem que ser carreirista, tem que almejar cargos?

      “Cada bispo é um pastor em sua própria diocese e o oriente cristão ortodoxo vê essa história de pastor universal como antibíblica e anti-tradição apostólica”. Marcos, esse seu papo é tão furado, que eu desmonto ele com um só peteleco. Vamos falar de Tradição Apostólica?

      Santo Ireneu de Lyon viveu entre o ano 130 e 202. Na obra Adversus Haereses, Ireneu descreve a linha de sucessão apostólica de São Pedro a Santo Eleutério, o Papa de sua época. Em seus escritos, fica claro que a Igreja primitiva possuía um pastor universal, o bispo de Roma. E da Igreja de Roma provinha o conteúdo de fé com o qual todos os cristãos deveriam concordar.

      3,2 – “Mas visto que seria coisa bastante longa elencar (…) as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos. (…)

      “Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.”

      3,3 – “Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele (…), coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. (…)

      “Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora.”

      Primeiro entre iguais? você quer dizer rainha da Inglaterra, né? Tipo, tem prestígio, mas não manda nada. De que serve isso? Título de embromação! Dizer que o sucessor de Pedro é pastor universal é antibíblico? Então diz aí para qual outro Apóstolo, além de Pedro, Jesus disse: “Apascenta as minhas ovelhas”?

      Meu Deus, as chaves do Céu foram entregues por Jesus a quem? A Tiago? Por favor…

      Quem foi o Apóstolo que teve o seu nome mudado por Jesus para “Pedra”? Quem foi aquele a Jesus disse: “…sobre esta Pedra (você) eu construirei a minha Igreja”?

      “Não nos vemos como cismáticos porque em nada mudamos a doutrina (tradição) apostólica e o culto antes…” Ah, não? E o matrimônio, que, para agradar aos poderosos (imperadores), vocês deram um jeitinho de tornar solúvel? Na teoria, dizem que é indissólúvel, na prática, acomodam e abençoam o divórcio e as novas uniões adúlteras. Isso é conforme a Tradição? Isso é bíblico?

      Tô achando que você precisa de uma boa dose de Daniel-Rops na veia. Recomendo os tomos 1 e 2, no mínimo, da Coleção da História ad Igreja, editora Quadrante.

      No mais, recomendo que você leia nossos posts:

      Pedro é o maior dos Apóstolos. Sabichão Irônico discorda.
      http://ocatequista.com.br/archives/10495

      A Igreja primitiva já era chamada de “Católica”. Durmam com essa!
      http://ocatequista.com.br/archives/10535

      • Rodrigo

        Muito bom HAHAHAHAHA Parabéns pelo artigo e pela resposta!

      • Padre Orlando Henriques

        Essa de “cada bispo é um pastor em sua própria diocese” fez-me lembrar um dito irónico que por aqui se diz: “cada padre é bispo na sua paróquia”.
        É uma ironia que nós, os padres, dizemos por aqui quando queremos referir-nos, com humor, àqueles padres que, em vez de estarem em comunhão com o seu Bispo (como deveria ser), resolvem fazer o que bem entendem e lhes apetece, como se a paróquia fosse o seu “feudo”, a sua “quintarola” onde fazem o que querem como se não tivessem que dar contas a ninguém e como se não fossem nomeados por um Bispo.

        Portanto, essa vossa maneira de estar, autocéfala, não é lá grande exemplo de eclesiologia…
        Isso é que é anti-bíblico. Isso é que é traição á verdadeira fé, e também à Tradição Apostólica, que você diz que preserva intacta.

      • Padre Orlando Henriques

        Sobre isso de ser padre casado e trabalhar noutra actividade, a verdade é que a Igreja não é rica, e até mesmo sustentar padres celibatários é complicado em alguns casos, e vai ser cada vez mais.
        A IGREJA NÃO É UMA FONTE DE RENDIMENTO.
        Pelo contrário, há colegas meus que, no caso de alguma das suas paróquias, em vez de receberem, já andaram, mas foi, a desembolsar do seu próprio dinheiro para colmatar necessidades da paróquia… Ah, pois!
        Há paróquias onde as esmolas mal dão para a manutenção da igreja.
        É como dizia São Paulo a Timóteo: a piedade é uma fonte de lucro… mas é para quem se contenta com o que tem!
        (cf. 1ª Tim. 6, 6)

    • Sidnei

      “São ortodoxos que se submeteram à Roma muitas vezes através de perseguição dos católicos em países de maioria ortodoxa, ”

      Cara, conta outra que esta não cola, se os ortodoxos de um determinado país se deixaram perseguir por uma minoria católica, eram então verdadeiros pamonhas, nunca vi que em um local o qual se a população é majoritariamente de uma determinada religião se submetida a outra religião, a não ser se for pela força e com apoio estatal, mas se olharmos os países os quais os ortodoxos são maioria, a Igreja Católica pouco ou quase nada teve de apoio estatal, portanto, esta sua colocação não faz sentido algum, a não ser que você traga provas concretas a respeito disto, caso contrário, ficará este seu comentário sem pé e nem cabeça.

    • Felipe Goes

      As igrejas ortodoxas sao cismaticas, nao so com a Igreja de Roma, mas entre elas mesmas. Nao ha comunhao nestas denominacoes, sao autocefalas, que se auto governam, baseadas em criterios etnicistas e nacionais, ou seja, totalmente anti biblico e anti cristao, pois Jesus quis uma so Igreja una, e ela e a Igreja Catolica Romana.

  • Rafael

    Hm…. Será que o Príncipe George vai se converter?Espero que sim.

  • Jotacê

    “[…] Naquele abençoado dia, no Céu, os pais de Ratzinger deveriam estar in-su-por-tá-veis, repetindo para cada anjo e santo que encontravam: “Aquele é o meu garoto!”. E o miguxo São João Paulo II mandou um salve…”

    Esse trecho do artigo ficou simplesmente FANTÁSTICO – aqueceu demais o meu coração e ainda me fez rir alto. Só vocês, mesmo! Deus os abençoe enormemente! 🙂

  • Padre Orlando Henriques

    Uma vez mais, fica provado que Bento XVI é um génio!
    Diálogo ecuménico? Pedir autorizações ao “arcebispo” de Cantuária? Qual quê: anglicanos descontentes, deixem-se de “igrejas” forjadas pelos interesses humanos e venham mas é para a verdadeira Igreja de Cristo, que nós cá vos acolhemos em festa no vosso regresso a casa!

    “Ah, e tal, ele é conservador”, disseram muitos, mas a verdade é que foi por estas e por outras que Bento XVI foi um grande Papa do ecumenismo (do verdadeiro ecumennismo! e não de frasas que nivelam as várias confissões cristãs como se valesse tudo o mesmo)

    Até a maneira sábia como ele classificou as “igrejas” protestantes, não como “igrejas” mas sim “comunidades eclesiais”… digam lá se em tudo isto não há um grande génio? Um génio que chama as coisas pelo nome certo e nos esclarece com toda a inteligência para não andarmos aqui iludidos.

    SEM PREJUÍZO da minha comunhão e afeição em relação ao Papa Francisco, não posso, porém, esconder que sou “fã” de Bento XVI. O aproveitamento genial que ele soube fazer dos descalabros do anglicanismo é mais uma razão para isso. É que ele soube aproveitar o momento histórico em que essa “igreja” está a mostrar, agora de forma mais clara, o que sempre foi: um relativismo acomodado aos interesses humanos, uma “igreja” que nasceu de interesses humanos (um rei que queria casar e descasar quando lhe apetecia) e que pelos interesses humanos há-de morrer.

  • Mais um excelente post d’O Catequista. Desde que conheci este blog, tomei um novo fôlego para estudar mais sobre a minha fé.

    Aguardo ansiosamente o post sobre a profecia de São Domingos Sávio!

  • Felipe Goes

    Padre catolico casado e licito, existe ha mais de 2000 anos na tradicao da Igreja. No Oriente, desde o Concilio in Trullo em 692 esta pratica de o varao casar antes da ordenacao e prevalente no clero secular. No rito latino era permitido tambem, mas em 1139 foi proibido, pelo II Concilio de Latrao. Casamento de padre nao e questao de fe, mas de disciplina eclesiastica da Igreja de Roma.

    • Felipe, só uma coisa é preciso notar: a Igreja sempre exigiu CONTINÊNCIA dos padres casados.

      Colo aqui o comentário que o administrador da página “Orientale Lumen” fez em nossa fanpage:

      Está havendo uma confusão aqui referente a duas coisas distintas: uma é o celibato sacerdotal, sinônimo de o sacerdote não ser casado. Outra é a continência clerical histórica da Igreja latina, que exigia dos sacerdotes latinos casados abster-se de manter relações sexuais com suas esposas após a ordenação. No primeiro milênio, houve sim Papas, bispos e padres latinos casados. Quem o afirma é o Pe. Roman Cholij, um dos maiores estudiosos sobre o tema atualmente (a prova de que ele realmente é perito no tema está no fato de que o texto sobre o assunto no site do Vaticano é dele:

      http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cclergy/documents/rc_con_cclergy_doc_01011993_chisto_en.html

      O Papa São Hormisdas é um bom exemplo. Seu filho, Silvério, também foi Papa. Mas, a partir do subdiaconado, se fossem casados, não poderiam mais manter o uso do matrimônio (abster-se sexualmente). Portanto, os filhos foram anteriores à ordenação. Não necessariamente eram viúvos. Em alguns casos, as esposas iam para mosteiros serem monjas. S. Tomás de Aquino, por exemplo, narra a prática medieval de pessoas casadas irem para mosteiros abraçar a vida religiosa, e inclusive estabelece as condições em que isso poderia ser feito. O casamento permanece válido, embora as pessoas vivam separadas. Então não se deve confundir ser casado com manter vida sexual ativa. Do contrário, teríamos que dizer que a Virgem Ssma. e o glorioso S. José não eram verdadeiramente casados, o que seria um absurdo teológico.

  • Lucas Ribeiro

    Olá, primeiramente agradecer por todo esse acervo de bom conteúdo que disponibiliza para todos, e dizer que é muito valioso para todos que tem interesse ou duvidas sobre assuntos religiosos.
    Gostaria que se possível, publicasse algum artigo sobre o Caminho Neocatecumenal (no qual eu participo), que em partes é muito criticado por outras pessoas. Seria de grande importância para muitos que participam saber de coisas que nem sempre são lembradas por seus catequistas, e também seria uma palavra interessante para aqueles que não sabem nada sobre o itinerário e falam (bem ou mal) dele.

  • Marcio

    VANTAGEM EM PADRES CASADOS?
    FACILITARIAM MAIS “VOCAÇÕES” E CARREIRISTAS!
    Ao contrário, o celibato é uma graça especial e assinala para a Igreja toda, na vida consagrada mais ainda ao ministério sacerdotal, caso dos santos, na dimensão final em que Jesus Cristo, também ele celibatário nos introduz.

    Quanto aos protestantes, além de relativistas, vários deles fazem da igreja como fonte de rendimentos, não passando de mercenários do S Evangelho – mais casos de envolvimentos com adultérios e pedofilia que os atuais celibatários sacerdotes católicos – além de ser guiados pelo relativismo das 10 001 seitas divergentes entre si, sendo a quase totalidade pentecostalistas, terreiros espíritas, “cangerês” sob forma de seitas protestantismo!

    O celibato e a virgindade consagrados alargam o horizonte e o coração, quer para a paternidade pastoral dos sacerdotes, quer para a missão universal de maternidade da Igreja, sem estorvos, ao passo que o casado atrela-se a múltiplas situações que propiciam desvios na fé, ocupações temporais, maus exemplos familiares, bastando ver a imensa quantidade de pastores envolvidos em falcatruas financeiras e vários envolvimentos sentimentais fora do matrimonio, divórcios, novas uniões…

    Lembram-se dos muitos e seguidos casos de pastores cassados na Câmara e Senado por envolvimento em seguidas trapaças políticas com o deus-dinheiro e até alianças com comunistas?
    Já notou que os anti celibatários são esquerdistas, como da TL ou de tendências liberal-modernistas, compartilhando do sensualismo dominante da subcultura contemporânea?

    Eis o acima que o autêntico e tradicional cristianismo refuta, como dizia o Apóstolo das Gentes, “a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, há de dar a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda”: um amor indiviso, um amor final que, para ser infindo tem de ser sem afeições, distrações e apegos terrenos que o corrompem.

    “E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor. Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher. 1 Cor 7:32-33.

  • Padre Orlando Henriques

    Este tema… queria partilhar aqui o meu testemunho.

    Deixei-me dizer-vos que me sinto muitíssimo feliz por ser padre celibatário!

    Não estou a dizer que é fácil, mas estou a dizer que é uma felicidade. É Páscoa, com cruz e ressurreição incluídas, mas não é renúncia desumana. Não me sinto, em nada, “incompleto”.
    A graça é que nos sustenta (e não “compensações” ilusórias), desde que não desprezemos os meios que Deus nos dá para amarmos cada vez mais a nossa vocação.

    Ainda antes de ser padre, a promessa do celibato é feita já na ordenação diaconal. Quando vamos ser ordenados diáconos, há uma sensação de arrebatamento, quase parece que o mundo vai acabar, pois aproximamo-nos de uma realidade que, embora já a vivêssemos como seminaristas (a virgindade casta, juntamente com a oração e a obediência ao Bispo…), agora é como se fosse totalmente nova nas nossas vidas, pois assumimo-la de forma solene e para sempre (talvez quem se case sinta assim um pouco algo parecido também, este peso do “para sempre”)… é o “peso” sagrado que sentimos sobre nós, a solenidade do compromisso; mas, depois, ao levantarmo-nos do chão da Sé, já ordenados, damo-nos conta que, afinal, o mundo “não acabou” e que estamos mais felizes do que nunca!

    Não, não acabem com o celibato. Acabar com o celibato traria mais prejuízo do que vantagens à Igreja.

    O padre não é “um homem como os outros”: é especial! O padre, tal como todos os consagrados em geral, é um “homem de Deus”, escolhido e separado do resto do povo, mas em favor de todo o povo.
    Dizem os estudiosos que o Sagrado é, ao mesmo tempo, “tremendo e fascinante”. É por isso que o padre não é um homem como os outros. A figura do padre causa, ao mesmo tempo fascínio e repulsa porque ele é uma irrupção (escandalosa para alguns) do Sagrado no quotidiano. Por isso, tantos o tentam rotular como “um homem como os outros”, na ânsia desesperada de eliminar o seu carácter sagrado, de purificar e isolar a vida normal e quotidiana dessa “irrupção” do Sagrado, essa realidade simultaneamente “tremenda e fascinante” que vem perturbar a normalidade do dia-a-dia. Aliás, foi exactamente pelo mesmo motivo que o povo de Israel suplicou a Moisés que falasse ele directamente com Deus, pois eles, apavorados, não quiseram ouvir nunca mais a voz retumbante de Deus, como medo de morrerem (cf.: Dt 18, 15-16).

    Vocês não imaginam como pode ser grande, tanto para o padre como para o seminarista, a tentação de querer ser “um como os outros”. Não é só o celibato, é tudo o que a vida é. Para quem não está habituado, pode ser, por vezes, difícil lidar com o facto de uma escolha divina fazer de nós pessoas que, embora iguais às outras, são diferentes. É pensar “Porque é que eu hei-de ser diferente? Porque é que não hei-de ser como os outros? Porque é que os outros hão-de ter comigo e eu com eles um tipo de relação diferente do que com qualquer outra pessoa? Porque é que eu não hei-de ser normal?”. Um seminarista nos últimos anos, perto de ser ordenado, pode sentir-se constrangido por ser visto como uma pessoa diferente das outras. Ainda não está habituado a isso. Não está habituado, por exemplo, a que as pessoas mudem de conversa quando ele aparece, a que as pessoas sintam pudor de falar de certas coisas ou de determinada maneira à sua frente, por causa de já o verem como padre. Eu sei o que estou a dizer. Só quem já passou por isto é que sabe até que ponto isto pode incomodar-nos e dar-nos a volta à cabeça. No fundo, e estranhamente, talvez seja o medo de ser um “marginal”. Será isso?

    Pois eu comecei a ser feliz quando comecei a valorizar essa diferença, a encará-la não como algo assustador mas como algo de belo, quando comecei a perceber que o mundo precisa de mim como “homem sagrado”, e não como “um homem como os outros” (isso já os outros são); quando comecei a valorizar a minha vocação na diferença que ela tem das outras; quando comecei a viver a alegria de ser “separado” dos outros mas em favor dos outros. O padre é “posto à parte” como homem de Deus que é, mas nem por isso que é marginalizado, ou está longe das pessoas, das suas vidas, dos seus problemas; pelo contrário, é precisamente por ser diferente dos outros que pode levar algo de novo à vida deles.

    Não, não me quero casar! Sim, sou feliz assim, e só comecei a ser verdadeiramente feliz quando aprendi a valorizar a minha vocação, diferente da do comum das pessoas.
    Não, o padre não é “um homem como os outros”, não tem que ter uma vida igual à de todos os outros. Se o padre tiver uma vida como “todos os outros” ficamos todos mais pobres, até porque para ter uma vida como “todos os outros” já há… todos os outros! Isso não é ser sinal.

    O celibato feliz de muitos testemunha uma coisa que parece inacreditável a outros: que, afinal, há mais vida para além do sexo!
    Alguns podem dizer que não querem acabar com o celibato, mas apenas que ele deixe de ser obrigatório… Mas isso não é, praticamente, a mesma coisa que acabar com ele?

    Cristo está mesmo vivo, e haver alguém que deixa de se casar por causa d’Ele acordam-nos para essa verdade, e acorda o próprio também.

    No meu celibato, Cristo diz-me: “Tu amas-Me realmente? Sou, verdadeiramente, o teu Tudo, ou sou para ti apenas uma fantasia à qual entregas uma parte do teu tempo? Se Me amas mesmo entrega-te totalmente!”

    Ser celibatário de forma fiel e feliz é dizer a toda a gente, com a própria vida, que Cristo está vivo e que a fé não é uma lenda do passado e que a vida eterna não é mito.

    • Sua bênção, padre!
      Que Deus o abençoe e guarde sempre sob Sua proteção! Estarei a lembrar-me de ti, sua partilha me comoveu imensamente e me alegrou na mesma medida!
      Também me recomendo às suas orações!
      Grande abraço! Paz e bem!

    • Pe. Orlando, sua bênção!

      Que texto lindo, padre! Que testemunho! Deus lhe conserve e a Santíssima Virgem lhe ampare sempre!

      O senhor me autoriza a publicar esse testemunho em meu blog?

      Paz e Bem!
      Fabão

      • Padre Orlando Henriques

        Deus o abençoe, Fabão.!
        Desculpe só agora responder, mas as confissões, com funerais à mistura não têm dado grandes tréguas…
        Sim, se achar que pode ser útil publicar, esteja à vontade.

  • Jann pacheco

    Se deixar o padre casar, teríamos 3x mais padres. Porem, 3 padres casados juntos não fazem o que um celibatário faz.

  • Amanda

    Vocês são show de bola!!!!!!!!

    hahahaha

    E amei esse .gif do Papa Santo João Paulo II <3

  • Billy

    Para se tornar Padre é preciso ser virgem, antes de entrar no Seminário? Mesmo que uma pessoa que sinta receber o chamado tenha pecado gravemente contra a castidade no passado, mas se converteu e se comprometeu verdadeira e fielmente com Cristo, não tornando a cometer esses pecados, não se pode tornar Padre porque não é mais virgem? A ordenação seria inválida? A confissão contrita desta falta a um sacerdote ainda continuaria a ser um impedimento para o contrito se tornar Padre? Ele estaria se condenando, prosseguindo com o suposto chamado?

    Essas perguntas são bastante intrigantes pra mim. Não consigo respondê-las com respaldo e nem com certeza.

    • Ainda que um homem tenha pecado contra a castidade e não seja mais virgem, se estiver realmente arrependido e disposto a viver de forma celibatária, ele pode ser admitido no seminário. Também os homens viúvos podem entrar no seminário e receber a ordenação sacerdotal.

    • Billy

      Só que eu li no livro “A Selva”, de Santo Anfonso de Ligório, que os sacerdotes devem ser virgens, e ele é radical ao afirmar isso, mostrando escritos de papas e da Tradição da Igreja. Por ele ser um dos Doutores da Igreja, isso está me intrigando, porque, segundo ele, neste livro, para ser sacerdote, o eleito nunca pode ter cometido no passado nenhum pecado de concupiscência da carne. Estou com sérias dúvidas nestas questões.

      • Billy, você interpretou mal o texto de Santo Afonso. Ele não diz que os sacerdotes devam ser necessariamente virgens, mas sim que eles devem ser obrigatoriamente CASTOS. Tanto isso é é verdade que Santo Agostinho, a quem Santo Afonso tanto cita nessa obra, não era virgem, e até mesmo teve um filho com uma concubina antes de se converter. Depois, tendo-se entregado a Cristo, jamais voltou a tocar em mulher alguma, ou seja, fez-se casto.

        Santo Afonso diz:

        Eis a razão por que a santa Igreja, em tantos concílios, em tantas leis e advertências, sempre se tem mostrado ciosa de conservar a castidade nos padres. Inocêncio III publicou o seguinte decreto: “Ninguém seja admitido a uma Ordem sacra, desde que não seja virgem ou duma castidade provada; (…) Outro decreto é de S. Gregório: “Se alguém se manchar com um pecado carnal, depois de receber alguma Ordem sacra, seja excluído das funções da sua Ordem, e não seja mais admitido a servir ao altar”.

        Ou seja, o candidato ao sacerdócio deve ser virgem OU – repare no OU – ter uma castidade provada. E devem ser afastados de suas funções sacerdotais aqueles que cometerem algum pecado da carne DEPOIS de serem ordenados, não no passado.

        Recomendo que você leia o post abaixo, que explica que mesmo uma pessoa que já não é mais virgem pode passar a ter uma vida casta.

        Castidade não é sinônimo de virgindade
        http://ocatequista.com.br/archives/9159

        • Billy

          Muito obrigado pelo esclarecimento! Esse blog é muitíssimo maravilhoso! Já tirei muitas dúvidas aqui lendo os artigos e os comentários. Sempre que puder, estarei divulgando-o para as pessoas acessarem-no e o acompanharem. Obrigado, mais uma vez!

  • Gostaria de tirar uma dúvida sobre outro assunto. Gostaria de saber se rezar o terço, vai contra a recomendação de Jesus, quando diz; quando for rezar não multipliquem as palavras, como fazem os pagãos, que acham que serão ouvidos a força de palavras. Tirem essa dúvida para mim por gentileza.

  • Elias Araujo

    Eu não consigo parar de ler os posts!
    Deus abençoe! 😀

  • Anne

    “Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.”
    Mt 19,12

  • Albari

    Independentemente de tudo, É bom ter sempre a clareza que Mt 16,19: “…o que tu ligares sobre a terra será ligado no Céu, e o que desligares sobre a terra será desligado no Céu”.“Ligar” e “desligar” eram termos técnicos usados pelos rabinos, que significavam “proibir” e “permitir” com referência à interpretação da Lei. Secundariamente significavam o poder de condenar ou absolver. Portanto, a São Pedro e a seus sucessores, os papas, foi dada a autoridade de estabelecer as leis para a doutrina e a vida, em virtude da Revelação e da assistência do Espírito Santo (Jo 16,13), e de receber a obediência da Igreja. “Ligar” e “desligar” representam os poderes judiciais e legislativos do papa e do bispos (Mt 18,17-18; Jo 20,23). São Pedro, no entanto, é o único Apóstolo que recebeu esses poderes individualmente, o que o põe em lugar de preeminência no Colégio Apostólico.

  • Mino Neto

    Sou a favor do celibato como uma opção ao ordenando. Por isso, acharia interessante se vocês publicassem uma matéria que tratasse sobre os padres do Oriente é sua relação com a família e a administração de suas paroquias; e se existe algum tipo de levantamento sobre crimes de pedofilia nessas comunidades religiosas do oriente.

  • Danilo R.

    Texto maaaassa, mas impagável mesmo é nosso Santo João Paulo II mandando um salve! 🙂

  • Moises Estacheski

    Sou fiel Católico Oriental, Da Igreja Greco Católica Ucraniana. Não digo que a disciplina oriental em relação ao celibato sacerdotal é “afrouxado”, como está escrito na publicação. Desde o começo foi assim. Se fosse lei mesmo, Paulo não daria conselhos a Timóteo(1Tm 3) sobre a escolha de “bispos e diáconos”, que fossem casados, para desempenhar as funções na Igreja. Outra coisa: existe o código de direto canônico das Igrejas Orientais e ele ratifica tal disciplina, assim como CVII atesta tal coisa e pede para que se conserve as tradições das Igrejas.

    Link do ódigo de direto canônico das Igrejas Orientais (em latim): http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/la/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_19901018_index-codex-can-eccl-orient.html

  • João Pedro Strabelli

    Meu pai era padre casado. Já devo ter isso em algum lugar por aqui, mas vamos explicar de novo. Ele pediu dispensa e casou. As duas primeiras coisas que alguém pensa quando escuta isso é que só pensava naquilo e que abandonou a Igreja. Exatamente o contrário. Um número muito grande de religiosos como padres e freiras quando saem querem uma família em primeiro lugar. Acho que é uma espécie de solidão, falta algo em suas vidas que é a família. Há algum tempo li de uma freira em torno de 80 anos de idade que saiu para criar uma criança. Era isso que faltava em sua vida. O outro detalhe é que nunca abandonou a Igreja. Nunca mesmo! Era, inclusive, mais severo no cumprimento de preceitos do que a enorme maioria dos padres celibatários que conheci. Não, não estou puxando o saco, foi isso que o padre que fez a oração no cemitério quando ele morreu. Disse que ele era um exemplo para todos os padres da região.

    O que eu quero dizer com isso?

    Primeiro que posso falar com um pouco de propriedade do assunto. Então, primeiro, vamos lá: sim, ser celibatário é um grande dom de Deus para o sacerdote. Depois, não dá pra reduzir isso a dois pontos de vista meio simplificados, de um lado um dizendo que nunca ninguém viu padres fazendo passeata para poder casar e do outro dizendo que deveria liberar logo pra todo mundo que onde é que já se viu padre não ter família. E a última que é quer ser casado vai ser diácono não quer ser casado vai ser padre. A questão é muito mais séria e mais profunda que isso.

    Tirando alguns que não tem a menor firmeza na fé, muitos sentem falta de uma família e mais cedo ou mais tarde vão pedir dispensa e sair. Isso não é novidade. Quando Jesus Cristo disse que o homem deixará a casa de seus pais, com toda a carga de significado que isso tinha naquela tempo, e seu unirá a uma mulher a ambos serão uma só carne, mostrou o valor que o casamento tem. Não é uma espécie de prêmio de consolação para quem não consegue ficar celibatário. Também, logo a seguir, mostrou que quem permanecer celibatário por amor a Deus ganhará muito mais no céu. Para quem o fizer por amor a Deus, não para cumprir um norma, e é nisso que está a vocação.

    Em relação aos sacerdotes católicos, isso é estudado há muito tempo exatamente porque é muito complicado. Obviamente, quem tiver família não viver integralmente à disposição da Igreja. Isso só o celibatário pode. Então, por que não o diaconato? Um sacerdote por atender confissões e isso em caso de morte é uma diferença e tanto. Lembro que uma das coisas que meu pai podia fazer quando pediu dispensa era isso, confissão e extrema unção quando a pessoa estivesse em risco de morrer, algo que cumpriu zelosamente a qualquer hora do dia e da noite. Num lugarzinho que só tinha estrada de terra fazia a diferença. Uma vez vieram buscá-lo para atender um senhor que estava prestes a morrer e pediu que o chamassem. Depois de atender o doente, fizeram um café para ele. Era tarde da noite e estava chovendo muito. Quando foram ver o homem, ele tinha morrido. Fica parecendo que estava esperando aquela confissão para ir embora.

    Não é uma questão fácil de resolver. Mas é uma questão séria que tem que ser discutida a fundo. E com fé.

  • Dil

    Preciso que falem da Igreja Vetero Católica do Brasil. Ela tem sucessão Apostólica? Sou casado já e fui convidado a ser ordenado lá, já que fui seminarista católico romano.
    O que acham?

    • Padre Orlando Henriques

      O que acho?
      Não se meta nisso!
      Isto, é claro, se for pessoa sensata que não quer alinhar com uma Igreja cismática.

  • Mario

    Sinto-me edificado por todas essas argumentações. Parabéns!

  • Grasiele Souza

    Muito interessante o texto!
    Sempre pensei que a Igreja até determinado século, permitia o casamento de sacerdote (até porque Pedro era casado)e que em determinado momento, discerniram melhor o conselho de Paulo e a Igreja passou a exigir o celibato. Pensava que apenas os ortodoxos se casavam!!! Nunca imaginei que sacerdotes católicos também!!!

  • Rômulo Jesus

    E os Padres Veteros Catolicos que são casados, me orientem a respeito deles, os sacramentos são validos???

  • Gilberto

    Seria isso uma abertura à ordenação de padres casados?
    Porque não fazer como é no diaconato. Porque São Paulo também afirma que padres podem ser casados:

    1° Coríntios 7.9
    Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.

    (Aqui aquele que não tem o dom de ser celibatário, é melhor casar-se.)

    1° Coríntios 7.27-28
    Estás casado? Não procures desligar-te. Não estás casado? Não procures mulher.

    Mas, se queres casar-te, não pecas; assim como a jovem que se casa não peca. Todavia, padecerão a tribulação da carne; e eu quisera poupar-vos.

    (Me parece que ele não diz ser pecado casar, mas, terão uma tribulação, talvez, maior que o celibatário [Celibatário com o dom de ser]).

    E, aqui:
    1° Timóteo 3.2
    Porque o bispo tem o dever de ser irrepreensível, casado uma só vez, sóbrio, prudente, regrado no seu proceder, hospitaleiro, capaz de ensinar.

    (Não é possível que seja errado um homem que deseja ser padre ou bispo se casar.)

    Fonte bíblica: http://www.bibliacatolica.com.br/

    Não sou protestante. Estou na barca de Pedro: Igreja Católica Apostólica Romana

    Obs.: Textos bíblicos vem da tradição da Igreja Católica. (Escrita)

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