Xô paganismo! Devoção sem vacilação

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Qual a devoção mais agradável que um católico pode prestar à Jesus, e  e a Maria e aos santos? É esta: de todo o coração, buscar imitar as Suas virtudes, dia após dia. E assim a graça de Deus muda, com o tempo, a forma como a pessoa vive as coisas mais banais do cotidiano (o trabalho, o estudo, o namoro, a relação com os amigos). Infelizmente, muitos preferem se apegar unicamente a práticas externas de devoção, sem no entanto deixar que estas devoções influenciem seu coração, o seu interior.

Recentemente, publicamos um post sobre algumas declarações do Pe. Fábio de Melo a respeito da devoção mariana (se não leu, leia aqui). O padre faz um alerta sobre o desvirtuamento dessa justa devoção, que, quando esvaziada de seu verdadeiro sentido – que é conduzir a Jesus – não traz benefício espiritual algum.

Mas de que modo a devoção mariana pode ser desvirtuada? O Padre Orlando Henriques responde a essa questão, apresentando alguns exemplos bem didáticos. Veja a seguir!

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Quando a superstição pagã apresenta roupagens cristãs

Por: Padre Orlando Henriques

Usar “medalhinhas”? Sim, mas não de forma supersticiosa ou desligada do resto da vida cristã. Acho que é claro que foi isto que o Padre Fábio de Melo quis dizer.

Não se devem desprezar as medalhas nem nada desses meios muito simples dos quais Deus se serve para chegar a nós, que somos tão pequenos! Afinal, o Reino dos céus é dos pequeninos e “se não vos tornardes como crianças não entrareis no Reino dos céus”. Quem desprezar estas coisas dizendo que são infantis ou para gente pouco esclarecida, corre o risco de ser ultrapassado pelos infantis e analfabetos no caminho para o Reino dos céus…

Mas também concordo que viver essas devoções desligadas do resto da vida cristã é quase tão mau como o paganismo, por que é, de facto, viver uma SUPERSTIÇÃO perfeitamente pagã com roupagens cristãs. Daí o alerta do Padre Fábio de Melo. Há que ser mais específico sobre quais são as devoções desviadas? Então cá vão alguns exemplos:

  • ir a Fátima a pé (ou a qualquer outro santuário mariano) todos os anos mas nunca se confessar nem ir à Missa ao Domingo;
  • pedir a Nossa Senhora as “graças” mais odiosas, como, por exemplo, a vingança contra o vizinho;
  • casar-se somente pelo civil e ir ter com um padre a pedir-lhe para benzer as alianças;
  • ir raramente à Missa e quase nunca rezar, mas fazer 300 km desde Lisboa até à sua terra natal só para pegar num andor;
  • viver amancebado (juntado), mas baptizar o filho para que ele deixe de chorar, ou só porque é tradição;
  • trazer um terço dependurado no retrovisor central do carro, mas nunca o rezar e nem ter vida sacramental nenhuma;
  • comprar uma imagem enorme de Nossa Senhora lá para casa, dizendo “eu não vou à Missa mas também sou religioso”;
  • mandar celebrar uma Missa (ao Santíssimo Sacramento, ou a N.ª Senhora, ou pelas almas, etc.) a mando da bruxa*, ou para obter uma desgraça para determinada pessoa…

Enfim, exemplos não faltam…

São pessoas que procuram a religião como se fosse uma magia, que querem Deus para lhes dar “sorte” ou para ver se se livram de alguma aflição, mas toda a sua vida é um consórcio com o diabo. Não percebem que essa aflição que Deus permitiu que eles estejam a passar deveria ser um meio de eles acordarem e voltarem-se para Deus, sim, mas abandonando a vida de pecado que levam.

Para além da medalha milagrosa e de uma medalha do Divino Senhor da Serra, trago também o terço sempre comigo: mas para me lembrar que tenho que o rezar, para lhe dar uso. Trazê-lo no retrovisor só para vista não sei se é bom ou mau… Talvez seja bom como sinal; mas… sinal de quê, se aquele objecto, embora religioso, não corresponde a nada do que é a vida da pessoa?

As aparições de Fátima têm pouco a ver com “oferecer uma vela da minha altura”: quando é que as pessoas perceberão que Fátima é oração e penitência? Oração, especialmente do terço, arrependimento e conversão, sacrifício de reparação pelos pecados, oração e sacrifício pela conversão dos pecadores, Missa dominical e confissão, viver em estado de graça para poder comungar e para nos salvarmos eternamente!

*Em Portugal, “bruxa” é como são chamadas as mulheres que praticam magia.

padre_orlandoO Padre Orlando Henriques é um jovem sacerdote da Diocese de Coimbra (Portugal). É pároco “in solido”, ao lado do Padre João Prior, das paróquias da Unidade Pastoral de Pampilhosa da Serra.

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35 comments to Xô paganismo! Devoção sem vacilação

  • Sidnei

    Que bom a gente ter um padre a nos acompanhar de perto, esta tão raro hoje em dia os padres esta próximo ao povo. Nos tempos antigos os padres que faziam tudo dentro das igrejas, tinham tempo de visitar as famílias, os doentes, sepultar os mortos, enfim, faziam tudo e mais um pouco, em tempos que não haviam: celulares, internet, telefone, televisão, rádio, um monte de gente para ajudar: catequistas; gente para ajuda na distribuição da comunhão nas missas, enfim, eram tempos com poucos recursos, mas mesmo assim, os padres estavam lá, no lado das ovelhas. Nos dias de hoje aonde as coisas estão mais fáceis, para encontrar um padre que esta a disposição é uma dificuldade tremenda, estão toda via ocupados, e sempre me pergunto, ocupados em que, se vai procurar um padre para algum aconselhamento, estão ocupados, para fazer a exéquias de alguém, estão ocupados, para fazer a visita a um doente para dar extrema unção ou a uma família que estão passando por necessidade, estão ocupados, ou seja, aonde estão nossos padre, que em uma simples aproximação deles, eles correm que nem ratos fugindo dos gatos. Então somos privilegiados a termos um padre, e um jovem padre, a nos acompanhar aqui no blog, espero que o Padre Orlando nos acompanhe sempre, nos aconselhando, nos ensinando, nos puxando a orelha de vez em quanto, enfim, tudo o que um bom padre deve fazer para o bem das ovelha do rebanho de CRISTO.

    • Padre Orlando Henriques

      Bem haja, Sidnei, mas eu também não sou menos ocupado do que os outros padres… Eu e o Padre João temos, em conjunto, 9 paróquias, mas com distâncias muito grandes (uma das paróquias fica a 32 km) e por estradas de serra, cheias de curvas, com gelo no inverno e um nevoeiro no cimo de algumas serras às vezes tão espesso que só se vê pouco mais de um metro à frente do carro. Para além das paróquias (onde garantimos Missa dominical em todas, nem que seja vespertina), procuramos ir também, durante a semana, às capelas das pequenas povoações, por vezes distantes, e sempre acontece que alguém nos vem bater à porta de casa e nós não estamos… Mas também entendo que irmos às capelas é uma forma de irmos ao encontro das pessoas.

      Sim, por vezes há muitos funerais, outras vezes nem tanto… Mas o mais difícil é o mês de Agosto, em que, para além de, por cá, ser no pino do Verão, há festas por todo o lado e passamos os sábados, Domingos e, às vezes, outros dias da semana, ocupados com Missas, procissões, baptizados e casamentos desde manhã até à noite…
      Infelizmente, nem sempre somos muito solicitados para a Santa Unção… Mas, para este ano pastoral, temos o projecto de fazer uma sensibilização das pessoas para esse sacramento, até porque aqui na serra a população é muito envelhecida e as pessoas idosas, mesmo sem terem nenhuma doença em especial para além do seu estado de fragilidade próprio da idade, podem receber este sacramento uma vez por ano. Vamos apostar nisso.

      Quanto à minha participação aqui no blogue, desde de que descobri “O Catequista” que sempre o achei o máximo: fiel à Igreja, não é modernista nem é ultra-conservador, e dá doutrina aos internautas de uma forma divertida (um tipo de humor de que gosto, e às carradas) e, com boa disposição conseguem catequizar com segurança e defender a fé com muita garra. Por isso, comecei a participar, comentando, e a recomendar o blogue a outras pessoas. Vale mesmo a pena!
      Quanto a puxar as orelhas, bem… eu não quero magoar ninguém! Embora procurando sempre dar testemunho da verdade.
      Deus o abençoe sempre!

  • Christiane

    Padre, bom dia, a sua bênção!

    Texto excelente! Aqui no Brasil como é comum terço no retrovisor do carro… junto com pé-de-coelho, cordão de orixá, fitinha do Senhor do Bonfim.

    Sempre digo que lugar de terço não é no retrovisor, é na mão! Ele é arma de proteção para a nossa alma, não para o veículo e só funciona se for muito bem usado!

    Faltou mencionar como exemplo a Bíblia decorativa, eternamente aberta no salmo 90-91… como se apenas ter a Bíblia aberta na sala de casa protegesse de todo o mal.

    • Eu acho que pior que terço no retrovisor, é aquele usado como cordão! KKKKKKKKKKK.

    • Padre Orlando Henriques

      Deus a abençoe, Christiane! Esse exemplo do terço pendurado ao lado da pata de coelho diz tudo! Para mais um símbolo que, se não é satânico, anda por lá perto, pois está relacionado com mutilação de animais (até já ouvi dizer qualquer coisa que para a pata de coelho “dar sorte” tem que ser cortada num cemitério, de noite, no meio de um ritual meio estranho… o que, cá para mim, é bruxaria e/ satanismo). É o exemplo perfeito da contradição em que está que vive as devoções desvirtuadas e desligadas do resto da vida cristã. Será possível que eles não se apercebam que é incompatível? Mete impressão!
      Realmente, não me tinha lembrado desse exemplo de ter a Bíblia em exposição só por ter, embora a mim me pareça que as pessoas que o fazem não o fazem por superstição, nem para invocar nenhuma protecção divina, mas fazem-no apenas de forma decorativa. Mas, sim, é claro que, tal como o terço é para ser usado e não apenas para estar em exposição (seja no retrovisor seja ao pescoço) também a Bíblia é para ser lida e rezada, e não apenas para parecer bem.

  • Acho lindo a função do escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Fico ainda mais abismado quando pergunto às pessoas que usam o escapulário se sabem que o significado desta palavra é AVENTAL, e como todos sabem (ou devem saber) usar avental significa estar à serviço, ou seja, servir, lavar os pés dos irmãos como na belíssima passagem do lava-pés. Sem dúvida, o Padre falou tudo, não há como usar um objeto de devoção sem entender o seu real sentido. Me entristece ver protestantes chamando escapulários de “amuletos”, justamente pelo mau uso que alguns católicos fazem deste objeto tão sagrado. Inclusive estou preparando um post no meu blog sobre este assunto.

  • Que pena que quase nenhum padre fala sobre esse tema nas missas..

    E eu acho o fim do mundo por exemplo aqueles peões que usam imagem de N. Srª no chapéu e rezam no maltrato aos animais!

    • Heraldo,
      Eu não conheço a realidade dos rodeios. Mas essa questão do tratamento aos animais nos rodeios é uma coisa bastante polêmica…

    • Padre Orlando Henriques

      Ah, então aí também há uma polémica dessas? Por cá é com as touradas (de morte ou sem ser de morte). É verdade que, por cá, muitos forcados (homens que, a pé e em grupo, fazem ao touro a chamada “pega de caras”) se benzem ao entrar na arena… Mas isso não está directamente relacionado com a tourada (ou com o rodeio): é um mal transversal, que também encontramos, por exemplo, no futebol. Quanto ao mal do rodeio (ou tourada) em si mesmo, é outra questão, que como a Catequista diz, é polémica.

  • J. Everton

    To gostando de ver. Até que enfim esse aspecto (de que é supersticiosa determinada conduta travestida de cristã e piedosa, quando é focada só no exterior, sem a consciência e transformação interior) vem sendo abordado com mais frequência. Porém, nas igrejas, comunidades, entre os cristãos e principalmente os católicos, mesmo nas conversas do dia a dia, o enfoque deve ser maior e mais intenso ainda.

    A maioria não tem essa consciência, infelizmente. A maioria lida com as situações de forma supersticiosa mesmo, apenas travestida de cristã.

    Que Deus aja em nós e nós por Ele, em espírito e verdade, interiormente e exteriormente. Amém

  • Johnny Rottava

    No domingo de finados, por um milagre, acordei cedo e assistindo ao “globo rural” uma reportagem me chamou a atenção. Narrava os preparativos para o dia de finados de uma comunidade mineira. Dentre tantas entrevistas e narrativas do evento em si (que me parece é tradição desde o século XVI ou XVII) o repórter entrevistou uma senhora que o “benzeu” com diversos ícones e sobre a proteção de diversos “santos”. Mais interessante foi ela se dizer católica, espírita, candomblecista e umbandista. Nisto eu pensei: coitada! Não sabe nem pra quem rezar.

  • Flavia Lima

    Boa tarde! Gostaria que vocês fizessem um artigo sobre “aridez espiritual”

  • Sávio Breno

    Infelizmente isso é mesmo bastante comum. Eu refletia esses dias sobre as “tribos” de católicos que temos hoje em dia. Além dos “não-praticantes” nós temos os sempre lembrados rad trads, TLs, neocons, carismáticos, etc, etc. Mas há uma tribo por vezes esquecida e muito numerosa, os “devocioneiros”. É aquele pessoal que não perde uma novena das mãos ensanguentadas de Jesus, reza vinte tipos de terço diferentes, pede bênçãos a Deus pela intercessão do Divino Pai Eterno (huehuehue), faz corrente de oração, mas só vai à missa “quando se sente bem”, não conhece nem procura conhecer a moral e a doutrina católica. Tratam Deus como um orixá, simplesmente uma máquina de realizar desejos em troca de “oferendas”.

  • Lucia

    Gosto muito quando alguém esclarece de forma objetiva as coisas. Somos católicos e precisamos nos preocupar com nossa fé e crescimento espiritual conforme a Igreja nos orienta. E temos que tratar nossas falhas como qualquer família. Não podemos ficar cheios de dedos para não parecer aos outros que somos imperfeitos. Parabéns pelo post.

  • É engraçado este tema, pois esta semana mesmo tive uma reunião com os catequistas da paróquia que participo. A mãe de uma criança da catequese foi questionar o padre sobre uma catequista que, na rua se veste como uma qualquer (palavras da mãe), o short era tão curto que ela se incomodou. No dia da reunião, essa mesma catequista, estava com o terço pendurado na mão, mas no entanto estava com uma blusa que mostrava todo o sutiã.
    Somos cobrados, pelo testemunho do dia a dia.
    Deus nos guarde.

  • Juliano Fleith

    Isso tudo acaba por criar uma fé extremamente complexa. Dificulta, ao invés de ajudar. No Brasil, o grande problema é o sincretismo religioso, que acaba por transformar “católicos” em pagãos e idólatras. Esse é o grande problema, é justamente aí que as outras crenças nos atacam. Como o católico médio pouco sabe se defender, acaba por não ter respostas, pois ele mesmo tem uma fé confusa. O que fazer para mudar isso? É o que eu pergunto-me sempre!! Na minha opinião, é ir à Missa todos os domingos, rezar o terço e ler a bíblia todos os dias, dessa forma, acabamos por tornar-nos testemunhos vivos da Fé da Igreja.

    • Sidnei

      Juliano, além destas formas de um católico se informar melhor na sua fé, todas elas imprescindíveis, eu incluiria, compra de bons livros que esclareçam mais ainda nossa fé, sobre tudo do catecismo e frequentar blogs como este do catequista, ou de apologéticas como o veritatis esplendor ou o apalogistas ccatólicos (que por sinal os dois são ótimos veículos de aprendizado na fé católica. Dou meu testemunho que quando na minha faze juvenil, o qual tinha sido muito influenciado por ideias protestantes, uma luz me direcionou ao antigo livro de catecismo da minha 1º comunhão, e ao reler todas aquelas páginas e os apontamento que e faziam da Bíblia Sagrada e ao constatar que nossa fé se baseava e muito no que estava escrito, parti para compra de outro livros instrutivos de nossa fé, e lá comprei uns 5 a 10 livros, que tenho guardado até hoje em minha estante, e sito tudo antes da edição do catecismo da Igreja Católica em 1992 e o advento da internet, quando nem se podia imaginar que haveria internet, isto pelo final dos anos 80 e inicio dos anos 90, a mais de 25 anos atrás, e hoje que temos acesso a internet e tudo e podemos comprar bons livros, sem que todos também podem questionar aqueles que entende, tudo, muito ou pouco de nossa fé, haja vista, que pelos questionamentos, também aprendemos muito, desde que estejamos abertos para entender sobre a nossa fé católica, pois se vier com a mente fechada, sem se abrir a graça de se conhecer a fé católica, as questões que serão apresentadas serão somente para aporrinhar e não para aprender.

      • Juliano Fleith

        Tens razão, bons livros e blogues ajudam muito. Eu mesmo aprendi demais desde quando comecei a ler O Catequista, entre outros. O problema é que as pessoas não tem lá muito interesse, elas apenas contestam e não vão atrás da solução das dúvidas, preferem ouvir de algum “sabichão” a resposta.Eu também estou com esse projeto de reforçar a biblioteca de bons livros católicos.

  • Fiz um adesivo para uma geladeira essa semana, que na frente a cliente pediu uma Nossa Senhora Aparecida e nas laterais imagens da Sagrada Família. Ficou linda a geladeira toda envelopada. O problema é que em uma das imagens da Sagrada Família, ela pediu pra tirar ‘esse bonequinho e o passarinho’. E quem eram esses dois? DEUS E O ESPÍRITO SANTO! Infelizmente, não teve argumentos e ela quis que deixasse só Jesus, Maria e José mesmo num fundo de cachoeira. Ficou bonito o trabalho, mas vazio do verdadeiro espírito de cristandade que a imagem trazia. É triste quando fazemos trabalhos assim.

  • Jair Victor

    Círio de nazaré em Belém ta ficando desse jeito aí, igual aos exemplos que o padre citou!

  • João Paulo Ribeiro

    Minha mãe vive em união estável com meu pai. Nunca se casaram, nem no civil nem no seio da religião. Razões diversas – quiseram postergar, minha mãe foi viúva com 25 anos e dependia de pensão para viver, não sentiram a necessidade. Estão em pecado, conscientemente, e um pecado fácil de ser sanado – basta que busquem o sacramento da confissão e se casem (o que meu pai é um pouco contra ainda, infelizmente). Não comungam, não tomam parte da vida eclesial porque são vistos como parte da Igreja a ser extirpada.

    Não houve um dia em que a minha mãe me recomendasse não viver como ela vive. Não houve um dia, ainda, que eu me deitasse sem notar que os dois rezavam, juntos ou ao momento em que cada um fosse dormir (normalmente ela dorme antes dele), ou que eu fosse acordar meu pai e ele não me pedisse para aguardar o momento em que ele finalizasse suas orações da manhã para iniciar o dia. Foi minha mãe quem me ensinou a rezar o pai nosso, a ave maria, o credo, a rezar o terço, a não ir à missa para bater papo, os princípios da vida cristã de maneira geral. Hoje penso buscar alguma informação a mais do que ela buscou, mas se eu me limitasse a seguir o que ela me ensinou, penso que estaria no caminho da salvação.

    E dentre todas as pessoas na Igreja, ela foi o alvo de fofoca. Ela não pôde me batizar. Ela se viu constrangida ao ponto de não mais frequentar a Igreja todos os domingos. E não tenho medo em dizer que a fé dela é maior que a fé de muitos que estão lá todos os domingos, que vão estar lá daqui a pouco, quando eu chegar lá.

    É ela que a gente está cada vez mais afastando, é ela que está sendo acolhida por gente de outra fé. É meu pai que não estamos atingindo, é meu pai que pensa que isso tudo é uma bobalhada, que não vê razão para casar. Estamos instruindo os irmãos, mas o saudoso papa Francisco está pensando em gente como ela ao se referir, cada vez mais, aos “excluídos”. Não acho acertado o que o Padre Fábio de Melo falou, infelizmente. Admiro muito ele enquanto clérigo, mas não penso que ele foi feliz na fala dele. São Luíz Maria já alertava quanto aos perigos dos devotos escrupulosos, que temem ofender ao pai por uma maior devoção à mãe. Não sejamos nós esse povo. Antes alguém que não teme carregar o terço no carro, como símbolo de devoção, do que alguém que não carrega o terço por enxergá-lo como símbolo do demônio. Não estamos sabendo chegar nos primeiros, e a forma como o texto do site está posta, infelizmente, torna-os em pessoas como esses últimos.

    Que Deus abençoe a Igreja em sua eterna missão de re-evangelizar os povos catequizados.

    • Padre Orlando Henriques

      Caríssimo João Paulo

      Não estamos a falar de casais que, embora numa situação irregular, tenham a preocupação de dar educação cristã aos filhos. Sim, eles estão a viver uma situação errada, mas não é disso que estamos a falar. Estamos a falar de casais que, para além desse mal de não estarem casados, não rezam nem ensinam nada da fé aos filhos.
      Aquilo de que estamos a falar é da atitude de quem (casado ou não casado) vive as devoções desligadas do resto da vida cristã.

      A sua mãe, apesar de não estar casada deu-lhe uma boa educação cristã? Então ainda bem! Mas sabemos que isso nem sempre é assim: a maioria das pessoas que estão em situação matrimonial irregular PODIA CASAR PELA IGREJA, mas não casa porque NÃO QUER, porque Deus e a Igreja NÃO SÃO assim tão importantes para eles, e a prova disso é que vêm baptizar os filhos mas depois nem sempre têm a preocupação de rezar com eles em casa nem de os levar à Igreja: baptizam os filhos apenas por superstição ou “porque é costume”.

      Quando alguém nessas condições aparece para baptizar um filho, eu convido-os a aproveitar para se casarem também na mesma ocasião, porque, digo-lhes eu, “é uma questão de coerência: se pedem os sacramentos para o vosso filho faz sentido que os assumam também no estado de vida que vos é próprio; e até por uma questão de exemplo cristão para o vosso filho”. Eles quase nunca aceitam e lá se desculpam: “Sabe… achamos que ainda é um bocado cedo…”. “Um bocado cedo? – devolvo eu – Mas vocês são pais de um filho! Qual é a dúvida?”.

      Portanto, estamos a falar de pessoas que vivem em pecado permanente por opção e que buscam APENAS UMA PARTE daquilo que é a fé, completamente DESLIGADA DA VIDA real que vivem.

      Sim, eu falei de casais que vivem amancebados e que baptizam os filhos por razões SUPERSTICIOSAS (“para que deixe de chorar”) ou, simplesmente, por ser tradição social. Mas NÃO FALEI de casais amancebados que, apesar de tudo, se esforçam por dar uma educação cristã aos filhos (embora não devamos esquecer que a sua situação irregular pode reverter em prejuízo para essa educação cristã que procuram dar, pois o exemplo é o mais valioso, mesmo que muito se diga “não faças como eu”).

      Embora seja claro para todos nós que é pecado viver maritalmente sem estar casado pela Igreja, não é isso que aqui estamos a analisar: aquilo de que estamos a falar é de viver as devoções desligadas da vida cristã. Estamos a falar de pessoas que só querem uma “metade” da fé, só uma parte. E REPARE SE NÃO É ISSO QUE SE PASSA COM MUITOS CASAIS EM SITUAÇÃO IRREGULAR: se uma noiva se casa pelo Registo Civil, porque é que vai pedir a um padre para benzer as alianças? Eles ESCOLHERAM um casamento SEM DEUS: então, sejam coerentes com a (triste) escolha que fizeram! O problema é que acham que a bênção do padre vai “DAR SORTE”. Se queriam, realmente, a bênção, porque é que não se casaram pela Igreja? E, se podiam casar-se pela Igreja, porque é que dizem que a Igreja os excluiu, se escolheram casar fora da Igreja?

      Quanto a terços (no retrovisor, ao pescoço, etc.), penso que aqui ninguém está contra isso, simplesmente achamos que só vale se for sinal de fé: se for uma devoção deturpada e vazia então não está a ser sinal de coisa nenhuma.
      Aliás, A Catequista disse acima: “No Nordeste, muitas senhoras usam o terço no pescoço, e também o rezam com fidelidade. Então, tudo bem! O PROBLEMA É QUE TEM MUITA GENTE USANDO O TERÇO COMO ACESSÓRIO DA MODA, aí é mesmo nada a ver…”

      Volto a dizer:
      Trazer o terço no retrovisor será bom ou mau?… Será bom como sinal; mas é sinal de quê, se o dono do carro não for pessoa de oração? esse terço, lá pendurado é sinal de quê, se aquele objecto, embora religioso, não corresponde a nada do que é a vida da pessoa?
      Então, É AÍ QUE O TERÇO SE TORNA UM AMULETO: sim, muitas pessoas põem-no lá PARA DAR SORTE. É disso que estamos aqui a falar.
      E se o terço for à mistura com símbolos supersticiosos, então é claríssimo que se trata de uma devoção deturpada.

      Não temos NADA CONTRA OS TERÇOS nos retrovisores, a questão é que as pessoas precisam de ser cristãs coerentes, em vez de andarem a viver sincretismos pagãos.

  • Luiz Antônio Pereira

    Eu discordo da maneira como o padre Fábio de Melo proferiu essas palavras na pregação. Não ficou claro a correção fraterna, antes, pareceu mais esvaziar o sentido da devoção popular. Ainda que alguns católicos cometam erros em suas devoções, não é colocando as devoções como algo banal, que se estará fazendo serviço à Igreja.

    Acho que esta questão é muito delicada, podemos cometer calúnia. As pessoas que colocam terço pendurado no retrovisor, podem rezá-lo diariamente. Quem garante que não? Generalizações fatalmente insurgem em injustiças, pois sempre jogam todos no mesmo balaio. Quem garante que a pessoa que faz uma longa caminhada em romaria/peregrinação, não falte nenhum domingo às Missas?

    A devoção é algo muito pessoal, e só quem realmente vai entender o valor é Deus! Polêmicas quanto a isso acho totalmente desnecessárias.

    Eu estou persuadido a crer que todo católico que teve catequese (por mais simplória que seja) sabe a diferença entre Deus e Nossa Senhora, entre os Sacramentos e os sacramentais, então a expressão pessoal de sua devoção é da pessoa com Deus. Não cabe a vulgarização da devoção alheia, afinal somos deuses que podemos sondar os coração do próximo e ditar como deve se portar em sua devoção? Certos comentários parecem resgatar posicionamentos farisaicos:o orgulho, a prepotência, a arrogância. Só Deus sonda os corações, só Ele sabe o amor e a piedade que há em cada gesto de devoção.

    • Sidnei

      Luiz Antônio, não podemos tapar o sol com a peneira, de fato, somente DEUS pode saber o que se passa na mente e nos corações de todos, sobre tudo, daqueles que guardam tal e tais devoções e são católicos de fato, porém, a Igreja e nós que pertencemos a Igreja temos que chamar a atenção de todos e para aqueles que a carapuça servir, então que a use, para que não fiquem somente com suas devoções, mas aprofundem também no conhecimento de sua fé, se não fizermos isto, então haverá sempre e cada vez mais católicos devocionistas e muito pouco os de fato, e estes mesmos católicos devocionistas são aqueles que depois quando vem um paxtô de uma igreja protestante com a Bília na mão em Exôdo cap. 20 dizendo que DEUS proíbe a confecções de imagens, estes mesmo dirão: “OH!, ninguém nenhum padre, catequista ou alguém da Igreja me disseram isto. maguei!, vou virar evangélico”, e lá vai uma anta que se ajava “católicos”, mas era um “caótico”, para uma igrejola protestante, só porque acredita ser católico por segui sua devoção, mas nunca teve a pachorra de ir atrás do que realmente ensina a Igreja Católica.

    • Padre Orlando Henriques

      Caríssimo Luís Antônio

      Não, mesmo que tenham tido catequese, muitos católicos não são assim tão instruídos, acredite. Já vi senhoras piedosas, que rezam o terço todos os dias, e que acreditam na reencarnação, por exemplo, ou que frequentam as bruxas.

      Ora, isso é uma prática claramente errada: não é preciso “usurpar” a omnisciência de Deus para ver que isso está errado. Aqui ninguém está a colocar-se no lugar de Deus, único que sonda os corações: estamos apenas a analisar uma realidade com espírito crítico. Usar símbolos devocionais e, ao mesmo tempo, recorrer à magia, ou faltar à Missa dominical é uma vivência claramente errada: e abster-se de ter uma opinião acerca de uma realidade tão clara é “colocar a cabeça na areia”, fechar os olhos para fazer de conta que não vemos, o que não é nada próprio do cristão.

      Acha que não temos capacidade para avaliar o valor da devoção de quem traz, por exemplo, um terço no retrovisor? Então e se, para além do terço, esse alguém também trouxer no carro uma fita vermelha contra o mau olhado? Ou a tal pata de coelho?
      NÃO SOU CONTRA os terços nos retrovisores (nem eu nem ninguém aqui, parece-me), mas sim contra os SINCRETISMOS PAGÃOS.

      Se nós não podemos fazer uma avaliação crítica das devoções mal vividas, então como é que você pode dizer que alguns comentários aqui foram posicionamentos farisaicos, orgulho, prepotência e arrogância?

      Sim, há mesmo vivências erradas das devoções! Não estamos a cometer injustiças nem calúnias.
      E, depois, acontece como diz o Sidnei: viram para os protestantes ou para as testemunhas de Jeová e “descobrem a pólvora”, como se nunca ninguém na Igreja Católica lhes tivesse falado das coisas. Enquanto foram católicos desperdiçaram todas as oportunidades de formação e só viveram práticas “devocionais” estéreis (estéreis por não terem ligação com o resto da vida cristã, e não por serem devoções, que são boas em si mesmas); mas, quando vão para a seita, aí já têm todo o empenho em ir a cursos, e palestras e até em andar de porta em porta a envenenar outros.

      Tanto o texto como os comentários são claros: aqui ninguém está contra devoção nenhuma, mas sim contra a vivência das devoções desligadas do resto da vida cristã ou conjugadas com práticas anti-cristãs de superstição e magia.

      • Luiz Antônio Pereira

        Padre Orlando, sua benção!

        Não usurpando a onisciência divina, não creio que a maioria faça esse sincretismo. O que pode acontecer é pegar casos isolados e projetar sobre a massa, isso é um erro muito corriqueiro ao se colocar em posição de julgamento social.

        Sou contra sincretismo, claro que sou, e em verdade nenhuma das religiões e seitas que sofrem esse mal são a favor.

        Não acho correto uma pregação como a de padre Fábio de Melo; não acho correto lamúrias e zombarias em blogs. Acho eficaz a catequese para isso. Simples!

        Acho sim que ninguém aqui tem capacidade para avaliar a devoção de quem traz um terço pendurado ao retrovisor (tão somente, como está mencionado no texto). Lógico que se junto estão crenças pagãs, está errado, mas sinceramente nunca vi isso, mas vejo muitos terços, somente terços em retrovisores de carros. Eu não posso presumir se a pessoa reza ou não o terço em casa, quem o pode?

        Avaliação crítica como nos comentários, acho sim um ego a maneira dos fariseus. Diferentemente é a correção fraterna, que raramente vi nos comentários.

      • Luiz Antônio Pereira

        Padre Orlando, peço desculpas se me excedi. Há problemas em certos casos de devoções pessoais, sim. É lamentável, e espero que tudo em pouco tempo se endireite para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Colocarei seu sacerdócio em minhas orações diárias e peço que reze por mim também. Sua benção!

  • Luiz Antônio Pereira

    Sidnei. Não me oponho ao trabalho de alertar os católicos sobre a maneira como proceder em suas devoções, apenas acho a maneira utilizada pelo padre Fábio de Melo errada, assim como a maioria dos que aqui postaram comentários, com ar de superioridade, zombarias, ironias. Isso é catolicismo? Não me refiro a você.

    Para corrigir não precisa esvaziar todo o sentido de algo, dando ênfase numa suposta banalidade àquilo que é objeto da crítica.

    Muitas vezes são pessoas simples que utilizam mal dos sacramentais, então repreensão desacompanhada de caridade não surte o efeito desejado, outrossim, pode fazer rebelar e apagar a chama que ainda fumega.

    Também não sou a favor de ficar alisando defeitos, passando a mão, mimando. Sou a favor de dureza nas correções, porém, há lugar para isso, e jogar isso para milhares de lares (ateus e protestantes também) só faz a coisa piorar, como aconteceu justamente nessa polêmica e em outras advindas de padre Fábio de Melo.

    É preciso tato, acuidade para lidar da forma correta com essas coisas, de forma que os intentos sejam alcançados. A Igreja não precisa de burburinho e polêmicas, pois não é teatro e programa do ratinho.

    A correção fraterna é salutar, mas não percebi isso na pregação de Fábio de Melo, e muito menos nos comentários deste tópico.

  • Padre Orlando Henriques

    Luís Antônio
    Deus o abençoe!
    Não há problema nenhum, estamos na paz e, acima de tudo, estamos no mesmo barco (a Barca de São Pedro!).
    Ah, já compreendi, o problema será uma generalização de casos isolados. Bem, mas o texto não generaliza casos isolados, mas LIMITA-SE A RECONHECER QUE ESSES CASOS EXISTEM (e a avaliá-los como exemplo de devoção desviada). No texto eu referia-me àqueles que trazem o terço no retrovisor E NÃO o rezam; NÃO estava a dizer que TODOS os que o trazem no retrovisor não o rezam.

    Aliás, trazer o terço assim à vista pode ser um bom sinal. Só é preciso que esse sinal corresponda à vida da pessoa, mas não digo que não corresponda, só digo que EM ALGUNS CASOS isso não acontece. A ideia era dar exemplos.

    É claro que se eu vejo um terço num retrovisor eu não sei se a pessoa o reza ou não. Mas sabemos que há ALGUMAS pessoas que trazem o terço no retrovisor e não o rezam, da mesma forma que sabemos que muitos o trazem ao pescoço por moda, embora também haja quem, trazendo ao pescoço, o reze também. Eu não disse que são todos, só disse que há quem faça assim e que quem faz assim faz mal.

    Sim admito que, ao analisar e debater estes temas (que são temas bem “quentes”, pelo menos a mim parece-me que são) poderemos às vezes “transbordar” para formas menos correctas de avaliar as coisas (quando falo em “fazer um juízo crítico” quero dizer exactamente isso, avaliar, e não necessariamente condenar, sendo que, quando avaliamos, emitimos uma opinião positiva ou negativa (ou, às vezes, ambas, pois muitas vezes nem tudo é mau ou nem tudo em bom)). De qualquer forma, a ideia não é generalizar.
    Rezo também por si!
    Tenha um Ano Novo abençoado!
    Padre Orlando

  • Luiz Antônio Pereira

    Obrigado padre Orlando!
    Que Deus tenha misericórdia de nós e nos guarde de nos distanciar da sã doutrina.
    Feliz ano novo para o senhor também.

  • Paulo

    Ótimo, Pe Orlando: as devocionices como apresentou mais cheirando a sincretismo religioso quando mescladas a crendices e superstições, como também conheço, muito comuns aqui no Brasil, como frequentar o candomblé, umbanda e afins e não perder as festas de N Senhora do Rosario; mesmo não faltar à S Missa, mas procurar “ajuda” em centros espíritas ou seitas etc.; achar-se católico, mas crer nas teorias das reencarnações, ajudar na igreja e pertencer à satanista maçonaria, esse último sendo muito comum etc., são evidentes demonstrações de falta de fé nas pessoas e poderes de Jesus e de N Senhora de nos proverem de tudo que necessitamos, além de que, em geral, esses só andam à cata de bens materiais, tipo ganhar isso ou aquilo.
    Poucos se preocupariam em lutar para melhorar na piedade, conversão pessoal, extirpar vícios e crescer na verdadeira caridade-amor de Deus; no entanto, sempre procurando coisas.
    Se os católicos brasileiros o fossem de fato os comunistas do PT não estariam no poder entrando para 13 anos e impondo suas iniquas leis na maior tranquilidade, perseguindo na cara dura a Igreja e seus símbolos, a maioria quase absoluta silente, mesmo do clero poucos reagem, e esses silentes e conformados não passam de uns omissos, frouxos, por pouco uns apóstatas – todos temos o dever de evangelizar – e se enquadrariam em: “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono”. Is 56,10.

  • Natália

    Boa tarde!
    Comprei um frasquinho de óleo na basílica no ano passado e eu tenho um tercinho pequenininho que coloquei em volta do frasco, e deixo na minha mesa do escritório ao lado de uma imagem de Nossa Senhora.
    Nunca tive nenhuma intenção supersticiosa em fazer isso, somente achei conveniente.
    Mas a minha dúvida é se isso que eu fiz (tercinho em volta do óleo) é algum tipo de superstição (e eu não estou sabendo, rs).
    Obrigada!

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