Os muitos nomes e faces de uma só Mãe do Céu

francisco_fatimaDia desses Alexandre (O Catequista) e eu estávamos participando de um encontro do de jovens, o JOLEO, numa escola que fica aos pés da famosa Igreja de Nossa Senhora da Penha. Na abertura, um dos organizadores dedicou o evento a Nossa Senhora de Fátima. Ao ouvir isso, eu comentei com os amigos próximos:

– Como assim?! Nossa Senhora da Penha vai ficar chateada!

Eu estava de zoeira, é claro! Virgem “da Penha” e Virgem “de Fátima” são apenas modos diferentes de chamar a mesma Mãe de Deus.

E não é só com Maria de Nazaré que isso acontece: uma mesma pessoa pode ser conhecida por diversos nomes, que variam muito em função de cada um dos grupos com os quais ela se relaciona. Tais nomes, muitas vezes, surgiram de episódios marcantes da sua vida.

Vamos tomar o exemplo de uma pessoa comum, um sujeito fictício. Gustavo Larusso é o seu nome, porém…

…seus familiares o chamam de Kiko, pois seu sonho quando criança era ter uma bola quadrada;

…os colegas de trabalho o conhecem como Dr. Larusso;

…os companheiros de pelada o chamam de Tavinho Caolho (a pontaria dele não é das melhores);

…os ex-colegas da escola o chamam de Guga CDF, pois ele era os mais estudioso da turma.

Entenderam? Vejamos agora como surgiram alguns dos títulos de Nossa Senhora.

pieta_michelangelo

Episódios da vida de Maria

Para fazer memória de determinados acontecimentos da vida de Maria, o povo a chama por algum nome relacionado a esses acontecimentos. Exemplos:

Nossa Senhora da Imaculada Conceição – título que lembra que a Virgem foi preservada do pecado original desde o primeiro momento de sua existência (a sua “conceição”, ou concepção).

Nossa Senhora do Leite – lembra que a Mãe não só foi digna gestar, mas também de amamentar o Filho de Deus;

Nossa Senhora das Dores – lembra que a Virgem sofreu com a Paixão e Morte de seu Filho, conforme a profecia de Simeão;

Nossa Senhora da Piedade – lembra o momento de profunda dor da Mãe com Jesus morto em seus braços; a imagem mais famosa dessa devoção é a fabulosa escultura “Pietá”, de Michelângelo (foto acima).

Aparições marianas

Muitos títulos de Nossa Senhora tiveram origem em suas aparições milagrosas. Então, o seu nome faz referência à aparição da Virgem em determinado local, em determinado tempo e trazendo uma determinada mensagem. Exemplos:

Nossa Senhora de Lourdes, de Fátima, de Garabandal, de Kibeho, de Akita etc.

Imagens milagrosas

senhora_aparecidaAlguns ícones ou esculturas da Virgem Maria são especiais pelos eventos históricos ou milagrosos que a cercaram. É o caso de Nossa Senhora Aparecida: ao jogar as redes no Rio Paraíba, alguns pescadores encontraram a cabeça e, depois, o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. O povo passou a chamar a imagem que “apareceu” de Nossa Senhora da Imaculada Conceição… Aparecida!

Comentários de santos

Os escritos de santos sobre a Santa Virgem por vezes inspiraram o surgimento de títulos marianos. Esse é o caso da devoção a Nossa Senhora Desatadora dos Nós.

Em 1700, o artista alemão Johann Schmidtner se propôs a pintar uma imagem da Virgem. Resolveu tirar a sua inspiração de Apocalipse 12,1 – que cita a mulher com a lua embaixo de seus pés – e de um escrito de um padre da igreja primitiva, Santo Ireneu de Lyon:

 “O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé”.

A pintura de Schmidtner ficou tão bela, digna e inspiradora, que acabou por dar origem e popularizar o título de Maria “Desatadora dos Nós”. Muito afeiçoado a essa devoção mariana, o Papa Francisco falou sobre ela em 2013 (veja aqui).

Uma mãe de muitos nomes, e também de muitos rostos

Bem sabemos que a Jesus e Sua Mãe eram judeus. Sendo assim, seus traços físicos seguiam as características próprias desse povo.

Porém, quando os artesãos e artistas de todos e tempos e lugares produzem uma imagem de Jesus ou de Sua Mãe Santíssima, é natural que façam isso de acordo com a sua cultura. Assim, os artistas europeus produziram lindas Madonnas de pele e olhos claros; os povos orientais, por sua vez, pintaram Jesus e Maria de olhos puxados, com trajes típicos do Oriente; e até mesmo a imagem da Virgem de Guadalupe (que não foi feita por mãos humanas) nos mostra uma bela Senhora mestiça, com traços europeus e indígenas.

Essa variação nos traços, cor da pele, cabelos e vestimenta é muito positiva, e faz parte do processo de inculturação da fé.

Seja qual for o título com o qual a chamemos, o importante é que façamos parte do povo que cumpre a PROFECIA BÍBLICA, registrada na oração do Magnificat: “me proclamarão bem-aventurada todas as gerações” (Lc 1, 48).

magnificat

A imagem acima é de autoria da página “The Catholic Clips“.

46 comments to Os muitos nomes e faces de uma só Mãe do Céu

  • Padre Orlando Henriques

    E mais: não é só Nossa Senhora que tem as mais diversas invocações! Vejam, por exemplo, Jesus Cristo:
    Nosso Senhor dos Milagres
    Nosso Senhor dos Aflitos
    Divino Senhor da Serra
    São Salvador (este é dos mais curiosos, pois parece que estamos a falar de um santo qualquer chamado Salvador)
    Cristo Redentor
    Cristo Rei
    Sagrado Coração de Jesus
    Santo Cristo
    Senhor da Saúde
    Etc., etc….
    E (pasmem!) até há alguns santos que também têm várias invocações! Por exemplo, Santo António tem, pelo menos duas invocações:
    Santo António de Lisboa
    e Santo António de Pádua
    São o mesmo! Os portugueses é que gostam de lhe chamar “de Lisboa” e os italianos “de Pádua”.
    O meu professor de História da Igreja, em Coimbra, dizia até que não era nada descabido se também lhe chamássemos “Santo António de Coimbra”, pois foi na nossa cidade que ele, por um lado, adquiriu a notável sabedoria intelectual que o caracterizava, quando era monge no mosteiro de Santa Cruz, e, por outro lado, teve o seu chamamento à vocação franciscana, que o lançou de Portugal para a Itália e sul de França. Mas isso talvez seja um pouco do nosso bairrismo a falar…

    • Ótima observação, Padre Orlando, obrigada!
      Aqui no Brasil, uma das invocações mais populares de Jesus é “Nosso Senhor do Bonfim” (Bom Fim).

      • Padre Orlando Henriques

        Ah, sim, cá também há “Nosso Senhor do Bom Fim”, especialmente conhecido na cidade de Setúbal, e até dá nome ao “Estádio do Bom Fim”, o estádio do Vitória de Setúbal, mesmo ao pé da igreja do Senhor do Bom Fim.
        Realmente, também Jesus, tal como Maria, tem tantas invocações que não nos lembramos logo de todas.

    • José Tomás

      Fui batizado lá, na Igreja da Penha. 🙂

      Além de “São Salvador”, outra designação curiosa é “Santa Sofia”, que muita gente acha que foi uma mulher santa chamada Sofia. 🙂

      • Padre Orlando Henriques

        Pois, a invocação da Catedral de Santa Sofia, em Istambul (na altura Constantinopla). Em grego, “sophia” significa “sabedoria”, por isso, a “Santa Sofia” é a Sabedoria divina, que nós sabemos que não é uma “sabedoria” no sentido abstrato mas é uma Pessoa: Jesus Cristo!
        Também em Coimbra há uma Rua da Sofia, que não se refere a Sofia nenhuma mas sim à “sabedoria”, pois é a rua onde se situava a maior parte dos colégios ligados à universidade.
        Desculpem estar sempre a falar de Coimbra, mas não consegui resistir… 🙂

  • Padre Orlando Henriques

    Fátima está nas origens da minha vocação.
    Quem está com Nossa Senhora, qualquer que seja o título que lhe dê, está sempre em boa companhia. Ela é a melhor protecção contra qualquer espécie de heresia:
    Ela é VIRGEM e MÃE, ao mesmo tempo, porque o seu Filho também é, ao mesmo tempo, DEUS e HOMEM.

  • Sidnei

    Gostaria que alguém, o Padre Orlando Henrique (vossa benção) ou o pessoal aqui do catequista, sabe deste ladainha dos nomes mistérios da Rainha do Céu http://www.oracoes.info/ladainhasvirgemmaria02.html

    Hajo esta ladainha meio esquisita, pois tem entre as invocações as seguintes menções:

    “Complemento da infalível e beatíssima Trindade, orai por nós. ”

    “Espelho Imaculado e perfeitíssimo da Divindade, orai por nós. ”

    “Esfera da Divina Onipotência, orai por nós. ”

    “Luzeiro do eterno sol e luz inacessível, orai por nós. ”

    “Mulher forte cuja glória vem da Divindade, orai por nós. ”

    “Velocino cheio da Divindade, orai por nós.”

    “Oculta vida que as almas ressuscitas, orai por nós.”

    “Pela Glória da Divindade que tens, livrai-me Senhora.”

    E outras invocações, que para mim soa estranho, pois fui questionado um dia por um protestantes a respeito desta ladainha, e não soube o que responder, a não ser que iria questionar algumas pessoas a respeito disto, e levei esta questão, por meio da internet aos Pe. Paulo Ricardo e ao Prof. Aquino se poderiam ajudar a responder esta questão, mas até hoje não obtive resposta alguma.

    Se puderem me ajudar, para compreender melhor esta ladainha, o qual, repito, há certas invocações que parecem estranhas, pois dá a entender que Maria possui algo de divino, algo que identificasse nela alguma coisa de divindade, agradeço.

    Que o Amor de JESUS e a proteção de Maria esteja com todos. Amém.

    • Christiane Vilhena

      Sidney, não achei estranho. Todas essas invocações exaltam a glória de Deus, perfeitamente refletidas em Maria.

      A primeira e a segunda falam da relação de Maria com a Trindade: Filha do Pai, Mãe do Filho e Esposa do Espírito, relação perfeitíssima e que exalta a magnificência da ação do Deus uno e trino em Maria, pela qual nos chegou a Salvação;

      Esfera da divina onipotência… nos remete a uma das atribuições dadas a Nossa Senhora: Onipotência Suplicante; sua intercessão junto a Jesus é sempre eficaz;

      Luzeiro eterno… Sempre dizemos que Maria é como a lua que brilha não por luz própria, mas por refletir de maneira perfeita a glória de Deus. É a aurora que precede o nascer do sol, e por aí vai.

      Mulher forte… a glória de Maria vem de Deus, pelos méritos da sua maternidade divida e pela sua perfeita obediência. Deus é glorificado em Maria.

      Oculta vida… que alma, ao se consagrar a Maria e viver seu silêncio, sua humildade e sua obediência, não ressuscita da vida de pecado e não se une mais perfeitamente a Deus? O Tratado de S. Luís Montfort fala perfeitamente sobre isso.

      E o último fala de modo admirável da Comunhão dos Santos, que nós ainda não compreendemos, mas que sabemos que de modo misterioso participamos da glória de Deus, muito mais ainda Maria, a Mãe de Jesus.

      Bom, espero ter te ajudado. Eu vi dessa forma, baseada nos conhecimentos que tenho e na minha devoção mariana. recomendo muitíssimo o livro do Pe. Joãozinho “Ladainha de Nossa Senhora: O significado de cada invocação” Maravilhoso!

      Grande abraço!

      • Sidnei

        Agradeço Christiane pela resposta, mas, mesmo assim ainda persistem algumas dúvidas, por exemplo, dizer:

        “Pela Glória da Divindade que tens, livrai-me Senhora.”

        Parece querer afirmar algo de divino em Maria, como se ela fosse uma pessoa divina. Pode ser que meu entendimento esteja errado, eu esteja interpretando errado, mas que a citação dá uma margem a isto, dá.

        Mas, mesmo assim agradeço Christiane, e espero mais colaboradores que possam ainda dirimir esta minha dúvida.

      • Sidnei

        Uma coisa que me chama atenção com respeito a este ladainha é que ela é pouca popular, não é como a Lauretana, que é a mais conhecida. Esta ladainha, dos nomes misteriosos da Rainha do Céu, para mim, é pouca conhecida, pois nunca a tinha rezado, e lido, nem sabia da existência dela, foi um protestante que um dia foi católico que indagou ela para mim, dizendo que sua família sempre a recitava, porém, cheguei até duvidar dele, acreditando que seria uma invenção dele, mas ao pesquisar pela internet, pude constatar que a ladainha existe mesmo, mas passei a desconfiar se era canônica ou não, se era apócrifa ou não, pois muitas de suas invocações parecem se chocar com que a Igreja ensina a respeito de Maria, parecendo em algumas invocações, querer colocar Maria em um patamar igual a de CRISTO, igual a SANTISSIMA TRINDADE. Por isto, minha dúvida ainda persiste e gostaria imensamente que alguns pudessem ajudar (A Christiane já prontificou em ajudar, e mais uma vez agradeço ela por isto), para dirimir de uma vez por todas esta minha dúvida.

      • Sidnei

        “Fazei-me digno de que te adore, Virgem Santíssima. ”

        Esta mesmo é para encerrar a Ladainha com um jute no estomago e uma razão aos protestantes de nos acusar de idolatrar, haja visto que nós católicos cansamos de dizer que adoramos somente a DEUS em sua SANTISSIMA TRINDADE, e vem um ladainha dizer que também adoramos a Maria, aí é que o bicho pega.

        • Jotacê

          Sidnei,
          Desconheço totalmente, e confesso que ainda não pesquisei, a origem dessa ladainha. Mas, na minha opinião, se não estiver em um livro com “Imprimatur”, não vale muita coisa, pois muitos desses sites com orações católicas se valem de um “copia-e-cola” sem muito critério. Assim, o “adore” pode ser resultado de uma tradução mal-feita, sendo originalmente um “venere”.
          Mas é apenas minha opinião, é claro.

          • Sidnei

            Obrigado também Jotacê, espero mais e mais respostas. Quanto esta tradução do adores, talvez seja uma forma arcaica o qual o termo adorar no português antigo tivesse a mesma conotação de venerar, não que adorasse no sentido de reconhecer na pessoa a que se dirige tal ação como um ser divino, mas no sentido de prestar honra e reverência, já que no português uma palavra assume diversos sentidos, e este seria o caso de nessa ladainha aparecer algo como se ordenasse que devemos adorar a Maria. Mas esta é uma opinião minha, quem de fato conhece este assunto mais afundo é que poderia nos ajudar e lançar mais luzes com respeito a este minha dúvida.

        • Padre Orlando Henriques

          Caro Sidney
          Deus o abençoe!
          Também acho que, provavelmente, será uma tradução mal feita.
          Mas, em primeiro lugar, tenho que lhe dizer que também não conhecia esta ladainha e que também me pareceu um bocado estranha em algumas das invocações. O site que indicou garante que “foi composta por Soror Maria de Jesus de Agreda” e “enriquecida com indulgências pelo Sumo Pontífice” (não diz que indulgências, nem qual foi o Sumo Pontífice), mas também não sei se o site é de fiar ou não… Parece-me que não, e já explico porquê.
          Não devemos “deitar fora” uma oração por ela nos parecer estranha, porque louvores rebuscados, como também os há na ladainha lauretana: “Espelho da justiça, Sede da sabedoria, Vaso espiritual, Vaso honorífico, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de David, Torre de marfim, Casa de oiro, Arca da aliança, Estrela da manhã”… É que tudo isto se resume ao facto de Ela ser Mãe de Deus. Os louvores a Maria são uma maneira de exaltar a Deus, como disse a Christiane, e muito bem. Tudo o que dizemos da Virgem Santíssima, todos os louvores que lhe damos e todos os nomes que lhe chamamos, mais normais ou mais esquisitos, são, sempre e apenas, por causa de Ela ser Mãe de Deus, por causa de Deus Se ter feito homem através dEla. Por isso, exaltá-la a Ela é exaltar a obra da salvação, que Deus operou através dEla. Exaltá-la é (deve ser) sempre exaltar o facto de Jesus Cristo, Deus verdadeiro, Se ter feito também, verdadeiro homem, sem deixar de ser verdadeiro Deus. Exaltar uma obra de arte é exaltar o artista que a fez.
          Seguindo o que diz São Luís de Monfort no “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria”, exaltar Nossa Senhora nunca é de mais. Costumo dizer que a devoção a Nossa Senhora é a melhor “vacina” contra as heresias pois, sendo Ela Virgem e Mãe, garante-nos que o seu Filho é Deus e homem, o que constituiu o centro da verdadeira fé cristã.
          PORÉM, nada disso vai ao ponto de fazer dEla uma pessoa divina. Mesmo que chegue lá quase, mesmo quando é (e muito bem!) colocada acima dos Anjos, deusa é que nunca! Por isso, invocações que se possam prestar a esse equívoco (como “Pela Glória da Divindade que tens”) são perigosas e é melhor não as usar.
          Repare que o texto do site está cheio de erros tipográficos e até gramaticais. Dá ideia que aquilo foi ali chapado de qualquer maneira. Por isso, o mais certo é que a ladainha, mesmo que seja “canónica”, esteja, ali, deturpada, talvez com erros (muito graves!) de tradução, como bem observou o Jotacê.
          Na verdade, “Fazei-me digno de que te adore” é uma frase que “mata” tudo. Mas repare que até está gramaticalmente mal construída, pois junta na mesma frase o plural (Fazei) e singular (que te adore): devia ser ou “faz que te adore” ou “fazei que vos adore”. Além disso, está mal traduzida de certeza, ou então a ladainha é mesmo “apócrifa”. Também me faz confusão a invocação “Complemento da infalível e beatíssima Trindade”: não há nada mais completo do que a Santíssima Trindade! A não ser que entendamos esse “complemento” de uma maneira (digamos assim) “não absoluta”, um pouco à maneira de São Paulo que diz “completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo”: à Paixão de Cristo não falta nada, é obra acabada, perfeita, mas São Paulo associa-se, com a sua cruz, à Paixão de Cristo; a Paixão de Cristo continua nos Seus discípulos. Assim está bem, mas é preciso cuidado para não entender mal, como se Nossa Senhora fosse uma espécie de 4ª Pessoa da SS.ma Trindade…
          Enfim, esta ladainha tem muita coisa certa (embora nos possa soar estranho) mas, da maneira que está apresentada (e talvez seja apenas uma questão de tradução mal feita), é melhor não a rezar a não ser que encontre uma versão do texto de confiança e devidamente aprovada.
          Enfim, nem todos os sites têm a mesma qualidade que “O Catequista”. 🙂

          • Sidnei

            Agradeço imensamente Padre Henrique, a senhor, ao Jotacê a Christiane, que lançaram luzes para dirimir minhas duvidas. Que DEUS abençoe a todos.

          • Jotacê

            Obrigado, Sidnei! Que Deus e Nossa Senhora lhe abençoem abundantemente!
            Um grande abraço! 😉

          • Jotacê

            Padre, a sua benção.
            O senhor deu uma aula neste espaço. Foi um privilégio ler essas informações!
            Muito obrigado! 🙂

          • Padre Orlando Henriques

            Obrigado, Jotacê, mas não é preciso exagerar. Confesso que fiquei até com receio de estar a afastar as pessoas de uma devoção que até pode ser boa. Vou pesquisar mais sobre esta ladainha e ver se encontro outras versões texto.
            Deus o abençoe sempre!

          • Christiane Vilhena

            Padre, muito obrigada pelo esclarecimento!

            Na verdade, quem tem um aprofundamento na fé e na doutrina pode até encontrar explicações para a maioria das invocações, mas para os que são rasos na fé pode ser muito perigoso!

            Realmente, essa última “Fazei que te adore”… é de doer. Como o padre disse, ou é tradução inocentemente mal feita ou é deliberadamente mal feita para levar o piedoso ao erro doutrinário. É necessário muito discernimento que, diga-se de passagem, a maioria não tem.

        • Christiane Vilhena

          Caramba, tem isso nessa ladainha? Então invalidou-a. Não serve para oração, de jeito nenhum…

      • Parabéns pela resposta Cristiane, excelente.

  • Realmente é belíssimo ver e reconhecer Maria como mãe de Jesus e como nossa também. Não dá pra confiar muito em quem ama Jesus mas renega e se arrepia ao ouvir o nome da Virgem Mãe.
    Os protestantes são tão cheios de adotar para si mesmos tantas coisas que Jesus disse, mas na hora de receber a Mãe de Jesus como sua, eles simplesmente negam isso.
    ‘Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: MULHER, EIS AÍ TEU FILHO.
    Depois disse ao discípulo: EIS AÍ A TUA MÃE. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.’ (João 19, 26-27)
    Por que negam? Por que não aceitam? É tão duro assim receber como sua, a mãe de Jesus? Jesus não disse muitas coisas na Cruz, mas entre elas temos esta entrega (Ele não ofereceu, Ele entregou!) e como não acolher de coração aberto tão grande honra?

    Ó Maria concebida sem pecado! Rogai por nós que recorremos a vós!

  • Maurício Spínola

    Uma vez me pergutaram porque eu tenho imagem de Nossa Senhora de Fátima, Desatadora, da Saúde e das Graças e não tenho da Aparecida. Respondi que todas são a mesma pessoa, porém apenas tenho mais identidade com esses outros títulos Dela. Sou muito grato a nossa querida Mãe.

  • Mário

    O que mais me entristece é ver crianças ensinadas por pais evangélicos a não reconhecer Maria como Mãe e a não tê-la como intercessora nossa junto a Deus.

    É de doer o coração.

    Não enxergam e não deixam os filhos enxergarem.

  • Jotacê

    Doce Senhora, a quem nunca suficientemente reverenciaremos, tenha misericórdia de mim, imundo e miserável, e me faça amá-la e ao Seu Divino Filho cada vez mais. Limpe meu coração das heresias e das maldades que o povoam. Amém.

  • Lara

    Esse ano se inicia a Quinta Campanha Nacional da Consagração à Nossa Senhora pelo método de São Luís Grignon de Montfort. É muito importante conhêce-la, Papa João Paulo II a recomendou muitíssimo, junto com vários santos. Vocês poderiam fazer um post sobre?

  • Ana Luz

    Já li sobre muitas aparições da Virgem Maria e a ultima foi a de Guadalupe. Acho que de todas as aparições foi a que no minimo deixa o maior cético em duvida, já que ela deixou uma prova de sua aparição, que foi um manto com sua figura estampada. A figura já foi analisada até pela NASA e eles não sabem explicar como foi pintado a imagem, é fascinante.

  • Geneto Eugenio

    Mais uma vez muito bom o post…

    É tão lindo, tão simples…
    No discurso do Papa dá pra sentir uma docilidade…
    Valeu mesmo!!!

  • Erika Alcântara

    Louvada seja a bem-aventurada sempre Virgem Maria!
    Fiquei curiosa sobre a imagem da Virgem de Guadalupe, como assim ela não foi pintada por mãos humanas? Ficaria muito agradecida se tivesse alguma matéria falando sobre isso. 🙂

    Paz e bem.

  • Daniel

    Não dá pra não amar a todos quando conhece a história por trás de cada um…

  • Lara

    Que post belo!!
    Vcs poderiam falar tbm sobre o que dizem sobre o vaticano financiar a maior indústria bélica do mundo? Imagino que seja falácia, mas não tenho argumentos =/

  • Flavio Garcia

    Olá catequista, e a respeito das devoções marianas não reconhecidas pela Santa Sé, como é o caso de Medugourje, como fica a situação dos fiéis e peregrinos e da Igreja local, afinal em 1991 a Conferência dos Bispos da Iugoslavia determinou que não havia nada de sobrenatural nestas ocorrências. Não sou estudioso das aparições de Medugorje, porém a prudência sempre é bem vinda, ou seja, esperar um parecer definitivo de Roma sobre a questão me parece o melhor a fazer.

  • Kelly Bastos Binhote

    Belo post, é como canta aquela música do Roberto Carlos:

    Quando eu me sinto aflito, Nossa Senhora da paz
    Me dá sua mão, me acalma, tranqüilidade me traz
    Se uma lágrima me rola e o pranto eu não contenha
    Choro nas escadarias de Nossa Senhora da penha
    Nossa Senhora de Fátima peço que a alegria venha

    Se o perigo me preocupa eu tenho fé não me alarmo
    Tenho meu escapulário, Nossa Senhora do carmo
    Senhora dos navegantes, da boa viagem me guia
    Pelos ares, terra e mares, me ampara, me auxilia
    Me livra das tempestades, Nossa Senhora da guia

    Minha mãe, Nossa Senhora, somos todos filhos seus
    Todas as nossas senhoras são a mesma mãe de Deus

    Sou romeiro e no seu dia, na multidão mãe querida
    Me ajoelho e rezo, Nossa Senhora aparecida
    Nossa Senhora da glória, de lourdes, de nazaré
    Virgem santa da saúde, da boa nova e da fé
    Minha mãe tanta bondade hoje eu sei bem o que é

    Nossa Senhora das graças, da confiança e da luz
    Senhora da lampadosa, rogai por nós a Jesus
    Virgem esposa imaculada do espírito santo adorável
    Mãe rainha e vencedora, três vezes admirável
    Nossa Senhora do brasil, do seu corpo inseparável.

    Senhora da rosa mística, das dores, da conceição
    De guadalupe, medjugore e do nosso coração

    Minha mãe, Nossa Senhora, somos todos filhos seus
    Todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus.

  • Gilene de Paula

    Conhecendo hoje o blog, encantada! Explicações claras e objetivas!

  • Maria Santíssima, entre todas as criaturas visíveis e invisíveis, a Vossa beleza majestosa é de extrema imparidade. Bendita sois entre as mulheres e entre todas as criaturas, oh Kekaritomene!!!!!!!!!

  • Roberta

    Falar da Mãe Santíssima é sempre bom! Sou eternamente grata a Ela por me manter no caminho certo e por me levar diretamente ao seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo! Como ouvi de Padre Paulo Ricardo: Deus é o sol, sua majestade é inigualável, grandiosa, sem igual, de tal forma que não podemos olhá-lo por muito tempo sem ferir os olhos. Mas podemos olhar a lua à noite toda, que é bela e suave justamente por refletir a luz solar – seu mérito é esse. Nossa Senhora é como a lua.
    Eu tenho um carinho enorme pelo título de Nossa Senhora de Guadalupe! Rogai por nós, ò Mãe de Deus, para que sejamos dignos da promessa de Cristo!

  • marcos

    galera do blog,
    Vale bem um post sobre a Virgem de Guadalupe, não?
    é fantástica, na minha opinião uma das mais maravilhosas manifestações da Mãe de Deus.
    Abraços

  • Faaala, povo abençoado!

    Ótimo post!!!

    Teremos algum especial amanhã sobre Nossa Senhora de Fátima?

  • Ailton César

    Olá O Catequista (ou equipe do site). Eu venho acompanhando o seu site, a bastante tempo e sinceramente, tenho aprendido muito sobre a doutrina católica e sobre todo o peso teológico que ela vem acumulando ao longo dos séculos. Confesso que antes de conhecer o seu site, a minha ignorância quando ao catolicismo era muito grande; Afinal apesar de crermos no mesmo Cristo estamos separados por algumas definições de dogmas e doutrinas. Vivo o protestantismo cristão, coisa que certamente a Igreja não aprova. Todavia, tendo em visto a capacidade humana do diálogo e as consequências benéficas que ele pode trazer, tomo aqui a liberdade, de levantar uma questão a respeito da compreensão que a Igreja tem com relação a etimologia das palavras, quando são empregados títulos a Maria.
    A minha dúvida com relação a isso, se deve ao fato de que certos títulos como ”Mãe de Deus” carregam em si, conotação que transcendem aquilo que se pode imaginar como realidade (ao menos para mim).
    Obviamente, a mãe é superior ao filho em questão de poder e autoridade. Sabemos disso, por que temos mãe e sabemos como funciona. Certamente minha mãe tem sobre a minha vida, toda autoridade e relevância. O que ela diz, pra mim não soa como um pedido simplesmente, mas como ordem. Como entender, que o título ”Mãe de Deus” não carrega essa ideia de que também Maria é autoridade sobre o Cristo, como uma mãe é sobre o seu filho? O termo ”Mãe” é utilizado apenas pra designar que ela gerou Jesus e nada além?
    Questões como essa se estendem a praticamente todos os títulos do dogma Mariano.
    Como entender, que Maria é Rainha dos Céus? Uma Rainha consorte seria ela, como nos tempos áureos das monarquias europeias?
    Visto que o título de Rainha carrega consigo, grande peso de paridade em autoridade similar ao Rei.
    Como entender, etimologicamente, o título de ”Esposa do Espírito Santo”?
    Sabemos como se dá uma relação matrimonial,visto que São Paulo Apóstolo deixa claro como ela funciona.

    Os termos, funcionam em sua base literal de significado, ou apenas são termos que usando de sua fonte primária de compreensão pra designar algo?

    Com sinceridade e verdade, abraços de um irmão que apenas deseja conhecer mais sobre a fé daqueles que vieram bem antes de dele. Forte abraço.

    • Ailton, que bom dialogar com um irmão que apresenta boas questões.

      Sabemos que ninguém pode ter autoridade maior que Deus. Isso seria ilógico, absurdo. Ao mesmo tempo, temos que orar para conciliar este fato com a informação que a Bíblia nos dá, de que Jesus era submisso a Santa Maria e a São José (Lucas 2,51), criaturas santas, mas muitíssimo inferiores a ele.

      Jesus nasceu de uma mãe. Poderia ter descido das nuvens, já aos 30 anos, mas não: quis nascer do ventre de Maria. Como filho, e sendo o primeiro a dar o exemplo em tudo, não ignorou o mandamento que obriga os filhos a honrar e a obedecer seus pais. Assim, temos diante de nós o testemunho de um Deus tão infinitamente humilde que se fez submisso a uma criatura nobilíssima – Sua Mãe, Maria -, mas que não seria nada sem Cristo.

      Deus não precisa de Maria, mas ELE QUIS PRECISAR. Como diz São Luis Maria Grignion de Montfort, em seu “Tratado”:

      “Com toda a Igreja confesso que Maria, não sendo mais que uma simples criatura saída das mãos do Altíssimo, é menor que um átomo, ou antes, não é nada em comparação com a sua majestade infinita, visto que só Deus é “Aquele que é” (Ex 3,14). Por conseguinte, este grande Senhor, sempre independente e bastando-se a si mesmo, não teve nem tem absoluta necessidade da Santíssima Virgem para o cumprimento dos Seus desígnios e para a manifestação da sua glória. Basta-lhe querer para tudo fazer.”

      Tal submissão de Jesus a Maria, pelo visto, não findou na infância, mas permaneceu na fase adulta. Nas Bodas de Caná, vemos que Jesus não parece muito interessado no problema dois noivos – a falta de bebida. Ainda assim, cede ao apelo da mãe , ou seja, a obedece, e faz seu primeiro milagre público. Ainda não era chegada a sua hora, mas tal hora foi antecipada, porque a Mãe quis e pediu. Que grande mistério! Confesso que não consigo entender, mas sei que é assim.

      A Mãe de Deus é também filha de Seu filho, como explicou são Bernardo. Por que Seu Filho existe desde sempre, desde muito tempo antes dela. E ele a escolheu para ser Sua Mãe. Deus gerado por uma simples criatura (devidamente preparada, mas ainda assim criatura). É de dar voltas na mente! Mas foi assim que aconteceu.

      Ao mesmo tempo em que o Filho se fez submisso à Mãe, tão grande era a humildade desta Mãe que nenhum desejo dela poderia estar em desacordo com o Filho. Jamais a Virgem Maria pediria que Seu Filho fizesse algo que não fosse bom, ou que contrariasse a vontade soberana de Deus. Maria é toda santa, e assim jamais desejou nada que não fosse puramente bom, verdadeiro e justo.

      Cheia do Espírito Santo, Santa Isabel saudou Maria dizendo: “Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo”? (Lc 1,43) E Mãe de meu Senhor, neste caso, quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus.

      Tal doutrina está de acordo com o que ensinava a Igreja primitiva. Isso está provado nos escritos dos primeiros Padres, como você pode ver neste artigo:
      http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/617-pais-da-igreja-pre-efeso-e-o-titulo-maria-mae-de-deus

      Maria gerou Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Foi fecundada pelo Espírito Santo, sem jamais ter tido, antes ou depois do parto, homem algum. Sendo assim, é “Esposa do Espírito Santo”, por vontade de Deus Pai Criador. O Divino Esposo amou a Virgem das Virgens, Maria, com um amor superior ao dedicado a todas as demais criaturas, e a favoreceu como a nenhuma outra criatura (quem mais carregou o Menino Deus em seu seio, o amamentou e criou?). Nossa Senhora foi santa desde o começo de sua concepção, por isso sua união sobrenatural com o Espírito Santo é perfeita e incomparável com a presença do Espírito Santo nas demais criaturas.

      Maria é Rainha dos Céus, porque Deus quis glorificar nos Céus aquela que, aqui na Terra, passou discretamente, e não apareceu muito mais do que o pó. Maria, aqui na Terra, foi somente uma simples e silenciosa dona-de-casa. Sendo Mãe do Deus Encarnado, jamais disso se envaideceu – bem diferente de Lúcifer, que se encheu de orgulho pelos dons que Deus lhe deu, e quis se elevar acima do Filho. Por sua humildade, Maria recebeu nos Céus a coroa da glória, muito poder – que não é dela, mas vem todo de Deus – e grande autoridade.

      Testemunha disso são as mais de 30 mil pessoas que, em 1917, viram o Milagre do Sol, em Fátima. O sol mudou de cor, andou pelo céu em zigue-zaque e ameaçou cair sobre as pessoas. Tudo isso foi relatado não só pelos milhares de fiéis, mas também por céticos jornalistas, que registraram o fato em jornais seculares da época.

      Se quiser estudar mais a fundo a verdadeira devoção católica a Maria, recomendo a vc o melhor dos livros, que foi aprovado por muitos Papas: o Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Maria, de São Luis Maria Grignion de Montfort. Vc pode baixar o pdf aqui:
      http://www.perfeitadevocao.org/download/TratadoDaVerdadeiraDevocao.pdf

      Se tiver mais dúvidas, volte a nos escrever.
      Abraço!

  • Mário

    Aílton César, reflita:

    Nós católicos usamos muito a expressão: “Rainha da Paz, rogai por nós!”

    Veja bem, a igreja a chama de Rainha dos céu, mais segue pedindo a ela que rogue a Deus por nós, ou seja, se a pedimos para rogar por nós, logicamente só seria rogar a alguém infinitamente superior a ela: JESUS CRISTO.

    Conselho: Não se apega apenas a nomenclaturas, mais vá a fundo saber a origem e o porquê dessas nomenclatura a luz da santa igreja católica. Não dê corda aqueles que denigrem a igreja de Jesus até por esses meios.

    Deus deu apenas a sua igreja a autoridade de interpretação pelo seu magistério, evidenciado no catolicismo e de que o que essa igrreja ligasse na terra, ele ligaria no céu e o que essa igreja desligasse na terra, ele desligaria no céu. É bíblico, só não enserga quem não quer.

    Paz e bem!

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>