Pecou e deu “replay”

pecou_replay

Uma criança perguntou ao Papa Bento XVI:

– Santo Padre (…), devo confessar-me (…) mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos.

– É verdade, geralmente os nossos pecados são sempre os mesmos – concordou o Papa –, mas fazemos a limpeza das nossas habitações e dos nossos quartos pelo menos uma vez por semana, embora a sujeira seja sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula.

(Encontro de Bento XVI com as crianças da 1ª Comunhão. 15/10/2005)

Alguém aí se identificou com essa criança? Pecou, se arrependeu de verdade, desejou não mais pecar, confessou e… deu “replay” no mesmo pecado. #Quemnunca?

Você vai à igreja se confessar, e quem você vê lá? Justamente o padre com o qual já confessou em outra ocasião aquele mesmo pecado! Aí, começa aquele esquema maroto… Você procura desesperadamente alguma moita para se esconder…

homer_simpson

O problema é que na igreja não há moitas! Então você disfarça e dá meia volta, retornando para se confessar somente no horário em que outro padre estiver disponível para ouvir suas faltas (para esse outro padre, é claro, a audição daquele pecado da sua parte será inédita, e você se livrará do vexame de confessar pela décima vez o mesmo pecado ao mesmo confessor).

disfarca

Até aí, você ainda caminha na graça de Deus. Segue tropeçando, talvez caminhe meio lerdo, mas certamente está caminhando com Jesus. A vitória do mal começa quando, ao se verem incapazes se superar certos vícios, muitos católicos simplesmente desistem de trilhar o caminho da santidade, jogam a toalha e se conformam em viver no pecado.

Pessoas nessa situação, em geral, se justificam dizendo que são fracas demais para conseguirem se libertar da prática de determinado pecado. Mas o problema maior, no fundo, não é a fraqueza, não é a incapacidade de resistir ao pecado: o problema é que elas creem que a situação de pecado lhes dá mais vantagens e felicidade do que viver em estado de graça. E este é um problema de CONHECIMENTO e de FÉ.

É um PROBLEMA DE CONHECIMENTO, pois a pessoa que não conhece a si mesmo se ilude mais facilmente sobre as coisas que podem nos trazer felicidade (e com certeza, mais cedo ou mais tarde, vai quebrar a cara).

E é um problema de FÉ, porque ao desistir de lutar contra o pecado, assumindo-o como um modo de vida, a pessoa mostra que desconfia de Jesus, pensando que, se fizer a Sua vontade, vai acabar frustrada.

É o que nos explica Bento XVI, falando sobre o Gênesis:

“Qual é o quadro que nesta página nos é apresentado? O homem não confia em Deus. Ele tentado pelas palavras da serpente, alimenta a suspeita de que Deus, em última análise, tira algo da sua vida, que Deus é um concorrente que limita a nossa liberdade e que nós só seremos plenamente seres humanos, quando O tivermos posto de lado; (…)

“Estimados irmãos e irmãs! Se refletirmos sinceramente sobre nós mesmos e sobre a nossa história, devemos dizer que com esta narração se descreve não só a história do princípio, mas a história de todos os tempos, e que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota do veneno daquele modo de pensar explicado nas imagens do Livro da Gênesis. A esta gota de veneno, chamamos pecado original (…). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.”

– Bento XVI. Homilia em 8/12/2005

Porém, o cristão autêntico é aquele que, mesmo sabendo que gastou toda a sua herança na vida de baixaria, odeia a sua imundície e renega a vida de pecado uma, duas, dez, vinte e cinco vezes, volta para casa e pede perdão ao Pai. Já o filho do demo é aquele que jamais volta, pois se convence de que a vida é melhor e mais livre longe de Deus.

“Contudo, quando olhamos para o mundo à nossa volta, podemos ver que não é assim, ou seja, que o mal envenena sempre, que não eleva o homem, mas o rebaixa e humilha, que não o enobrece, não o torna mais puro nem mais rico, mas o prejudica e faz com que se torne menor.”

– Bento XVI. Homilia em 8/12/2005

Somos mesmo uns vacilões. Por mais que tenhamos boas intenções, não somos capazes de nos santificar a nós mesmos, e nos vemos na mesma situação de São Paulo: “…porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero” (Rom 7,18-19).

E assim, dizemos tantas vezes a Jesus: “Senhor, eu não consigo ser como me pedes!”. E Ele nos responde: “Credes que eu posso fazer isso?” (Mt 9,28). Nós não podemos nos santificar com nossas forças, mas a Deus nada é impossível. Cremos que Jesus pode fazer essa obra em nós? Temos fé?

T.S. Eliot, um dos maiores poetas dos últimos séculos, manda pra nós a real…

Coros de “A Rocha”

E adveio então, num instante predeterminado,
um momento no tempo e do tempo,
Um momento não fora do tempo, mas no tempo,
naquilo que chamamos historia: seccionando, dividindo
a esfera do tempo, um momento no tempo, mas não
como um momento do tempo,
Um momento no tempo, mas o tempo foi feito
através desse momento, pois sem significado não há
tempo, e aquele momento do tempo lhe deu o sentido.
Pareceu então que os homens deviam seguir
de luz em luz, na luz do Verbo,
Através do sacrifício e da paixão salvos e despeito
da negatividade que o ser de cada qual continha;
Bestiais como sempre, carnais, egoístas,
interesseiros e obtusos como sempre haviam sido
E ainda assim lutando, sempre reafirmando
e recomeçando a marcha num caminho que fora iluminado pela luz;
Tantas vezes parando, perdendo tempo, desviando-se,
atrasando-se e voltando, mas jamais seguindo outro caminho.

– T.S. Eliot

54 comments to Pecou e deu “replay”

  • Duddu Pontes

    Na mosca, Catequista! Como sempre!(Há tempos que não comento aqui) =(
    Tenho tido, as vezes, muita vontade de desistir pelo mesmo espinho na carne, em verdade, já irão fazer 3 anos sem confissão, por me achar um hipócrita de buscar o sacramento sabendo que logo cairei de novo!

    Mas Cristo não me abandona, seu amor me envolve e por isso, só pela graça, misericórdia e amor infinito do Cristo, ainda tento permanecer minimamente no caminho!

    Obrigado por nos ajudar a manter a fé!

    Abraços à toda a equipe!

    PS – Deixei, a alguns dias, um inbox no facebook da página! É com relação a se vocês teriam algum material que negasse aquela ‘bíblia’ achada no Irã, em 2012, que nega a crucificação de Jesus! Eu sei que é falsa, mas minha mulher me indagou sobre ela e gostaria de mostrar a ela, com argumentos e provas, a fralde islamita! Obrigado!

    • Duddu, como o Pai do Filho Pródigo olhando a estrada, Jesus te espera ansioso no confessionário! Ele colocará um anel no seu dedo, mandará matar um cabrito gordo e dará uma festa pelo seu retorno aos sacramentos!

    • Christiane Vilhena

      lembrei de uma musiquinha da banda Agnus Dei (antiga, dos meus tempos de adolescente, mas que aaamo!)

      “Estou voltando à casa de meu pai
      Pra receber a paz a paz que não de faz
      Quero pedir perdão porque errei
      não quero mais voltar nos caminhos onde andei
      Oh, como é bom ser perdoado
      Das coisas que eu fiz de errado
      O meu caminho agora é
      Seguir os passos de Jesus de Nazaré!”

    • Padre Orlando Henriques

      Caro Duddu Pontes,
      não desanime de lutar contra ao pecado, mesmo que ele pareça invencível e, acima de tudo, não deve deixar de se confessar por causa disso. Não é à toa que um dos preceitos da Santa Igreja é confessarmo-nos PELO MENOS uma vez por ano.

      Eu compreendo que pode parecer hipocrisia ir confessar sempre o mesmo pecado e sabendo que vamos voltar a cair nele, mas, acredite: isso é um truque que o Diabo usa para nos fazer desistir da confissão.

      Além disso, caro Duddu, a confissão não é SÓ para nos perdoar os pecados: ela TAMBÉM confere uma graça própria, uma força especial (que nós não temos, mas que Deus nos concede, por isso é graça), uma força extra para nos ajudar a resistir ao pecado (ajudar! Claro que o nosso esforço continua ser necessário; os sacramentos não são magia).

      Se deixar de se confessar, acredite que será bem pior, pois sem essa ajuda “extra” da graça estará ainda mais vulnerável.

    • Duddu,

      Tenho que te dizer que vale a pena se confessar! Passei pela mesma situação, fiquei anos sem me confessar, nem sei direito quantos, mas acho que foram uns seis ou sete… Cara, você não imagina a felicidade de sair do confessionário devidamente perdoado! É bom demais! Vai nessa! 🙂

    • Leo Stenio

      Oi irmão Dudu. Realmente é difícil ir se confessar sabendo que poderá cair novamente. Mas lhe dou um conselho que dou a todos meus amigos. Como a prática leva a perfeição, a confissão frequente leva a renúncia de muitos pecados veniais. Sim, por experiencia própria digo isso. Assim como pagamos nossas contas todos meses, pus na minha cabeça que deveria limpar minha alma de seus pecados também todos os meses, e graças a Deus, descobri a força do sacramento da penitência. Também, como não conseguimos ficar um mês sem tomar banho, por que deixar a alma tanto tempo suja com seus pecados. O Sacramento da penitência é uma qualidade de olhar para dentro e ver o quanto precisamos da misericórdia de Deus, pois somos muito limitados. Já tenho amigos que pensam como eu e veem como é verdade isso que eu digo. E uma coisa que não se sente, ou se define, mas tem a certeza que não quer mais cometer esse pecado novamente.

      Recomendo não só você, mas todos nessa página a procurarem um sacerdote e confessarem, e façam uma boa confissão, ou seja, derramem todas as suas mazelas sem medo diante de Cristo por meio do sacerdote. Abraços a todos…

  • Christiane Vilhena

    Exceleeeeente matéria! Ah, que maravilha! Deus abençoe vocês!

  • Douglas Pereira

    Perfeito *-*
    O Senhor fala conosco de várias formas e hoje falou comigo através do post de vocês.. Obrigado, O Catequista!!

  • Padre Orlando Henriques

    Pois é, sempre a tentação de achar que os que estão em pecado são mais felizes do que os que estão em graça… Às vezes, mesmo quando alguém deixou a vida de pecado, parece que fica a olhar para trás e a “chorar as cebolas do Egipto”, em vez de olhar em frente e fazer caminho pelo deserto até à Terra Prometida.

    Isto fez-me lembrar o Evangelho do Domingo passado, a parábola dos trabalhadores da vinha, e como os trabalhadores que lá estiveram desde a 1ª hora do dia protestavam, invejosos dos que vieram ao meio-dia e à tarde e receberam o mesmo que eles. Assim somos nós se servimos a Deus por obrigação MAS sem amor. Santo Agostinho, que se converteu na meia-idade (dos tais que entraram na vinha do Senhor só pelo “meio-dia” da vida), não se ficou a rir por ter “aproveitado” a vida numa juventude com toda a espécie de pecado; pelo contrário, chorando o seu passado libertino, diz a Deus “TARDE Te amei, ó Beleza tão antiga e sempre nova”, como quem diz: quem me dera ter deixado mais cedo aquela vida miserável, ou nem sequer ter começado nela, quem me dera não ter desperdiçado metade da minha vida em pecado, pois estar com Deus é que é realmente bom!

  • Padre Orlando Henriques

    Ainda a propósito da parábola dos trabalhadores da vinha, e de como os que vieram desde manhã cedo ficaram invejosos dos que vieram depois, lembrei-me de um padre que dizia: “se um dia o celibato deixar de ser obrigatório, eu vou ter que ser indemnizado!”
    Talvez ele até cumprisse o celibato certinho, mas fazia-o só por obrigação, por frete, e não por amor. Podia até ser fiel, mas de certeza que não descobriu a beleza dessa fidelidade. E esse é o problema de qualquer cristão que olha com saudades para o pecado e sorri contente com as suas recordações. Podemos ser “certinhos” como os trabalhadores da 1ª hora, mas se ficamos com pena de o pecado nos ser proibido então ainda não entendemos nada. Só quando soubermos renunciar com alegria e amor (o que quer que seja que Deus nos chame a renunciar) é que estaremos prontos para caminhar para a santidade. Esse é que é o sentido de tomar a cruz para seguir Jesus (com alegria!).

    • Christiane Vilhena

      Padre, essa parábola me fez lembrar uma crítica de um amigo ateu:

      Ah, então basta cometer uma vida de pecados e se arrepender no último minuto de vida que tá tudo bem, tá tudo certo. Então vou pecar a minha vida inteira e quando morrer vou me arrepender… Babaquice isso”

      Expliquei para ele que sim, a misericórdia de Deus é infinita, SE o arrependimento é sincero, mas não é passaporte direto para o Paraíso, nós iremos sim, entrar na amizade de Deus, mas vamos ter que pagar cada centavinho do que fizemos de errado aqui”

      Para eles é inadmissível não colher aqui na terra o que se plantou, porque eles não conseguem entender o mundo após a morte, já que para os ateus acaba tudo aqui. Não conseguem entender que Deus ama da mesma maneira tanto o que tem a vida inteira de santidade como aquele que O reconhece como Senhor e se arrepende de todas as suas iniquidades no ultimo minuto de vida.

      • Padre Orlando Henriques

        Pois é, esse pessoal é um bocado chato. Temos que ter paciência com eles, embora nem sempre seja muito fácil…
        Também alguns, mesmo sem serem propriamente ateus, mas que não conseguem compreender os sacramentos da Igreja, me dizem, a propósito da confissão: “então quer dizer que eu faço o que quiser e depois vou lá contar ao padre e ele diz-me que estou perdoado e pronto? isso não tem jeito nenhum!” Também não compreendem que é preciso o arrepedimento sincero (os sacramentos não são magia) e nem compreendem que é precisamos também de ter fé no amor de Deus e no Seu perdão (sem fé não acreditaríamos na promessa de Cristo, que prometeu perdoar-nos pelas mãos de um homem pecador como o Padre; ir confessar-se é aceitar ver para além das aparências).

      • Padre Orlando Henriques

        Depois há essa questão, de que falou muito bem, da necessidade que temos de reparar o mal que fizemos, ou nesta vida ou na outra. Por isso é que a doutrina sobre o purgatório faz todo o sentido.
        Uma vez mais, a Igreja Católica sempre teve razão!

  • Daniel Medeiros

    Tenho uma dúvida.
    Tenho uma namorada, a amo muito, vou me casar perante a Deus, através do sacramento do matrimonio. Vou constituir uma família com ela. Por que ter relações com ela antes do casamento é pecado?
    Não estou usando, não estou querendo satisfazer os prazeres da carne, estou fazendo único e exclusivamente por amor, por isso não consigo entender o pecado nessa situação.
    Será que a relação sexual não é uma manifestação de amor?

    • Christiane Vilhena

      Porque a relação sexual para os católicos não é simplesmente uma expressão de amor, mas algo sagrado, onde Deus está presente. E Deus só está presente se a relação sexual se reveste do sagrado, que é o sacramento do Matrimônio. Senão… é só uma relação sexual pautada pelo prazer. Se é amor mesmo que você sente, por que colocar o carro adiante dos bois e apressar as coisas? Por que não esperar as bênçãos de Deus? Vai fazer tanta diferença assim? se faz, é porque a carne está gritando sim, não se engane. Meu irmão, não cai nessa. Isso é o encardido dizendo: que diferença faz, vou casar, mesmo… só que nesse papo de sereia se esquece conveniente do 6º mandamento: não pecar contra a castidade. É o mesmo que dizem milhões de outros casais, com outras palavras: é amor e não vai ser um casamento que vai dizer se amo ou não amo. Veja bem, não importa se a relação sexual está revestida de sentimento, se não está revestida do sagrado ofende a Deus, porque relativiza Sua obra, seu projeto divino. É desregrado. É pecado. Mortal. mata a sua alma e leva para o inferno. E se você ou sua namorada, que Deus o livre, morrerem antes do casamento? Vai ter valido a pena não ter esperado?

      Abraço fraterno.

      • Padre Orlando Henriques

        É isso tudo, Christiane!
        E, além disso, se a continência não for treinada antes do casamento serão ambos mais vulneráveis ao perigo de serem infiéis ou de não se respeitarem quando um deles não quiser ou não puder ter relações. Porque a castidade não é só para os que não são casados, nem é só abster-se de realções sexuais, mas também é respieto pela outra pessoa. Os casados também a têm que viver a castidade, da maneira dos que são casados.

      • Daniel Medeiros

        nunca me falaram, sobre essa visão. Sempre me falaram de sexo como uma necessidade humana, e como se trata de uma necessidade humana você utiliza outra pessoa para satisfazer sua necessidade, sendo assim vc desvaloriza o outro, você trata o outro como objeto, e por isso o sexo como prazer da carne é um pecado. Mas se dentro nós sabemos que não estamos utilizando o outro como objeto, eu não via pecado.
        Nunca me falaram como algo sagrado, como algo em que Deus está presente. Sempre vi como uma manifestaçao de amor, de um com outro.
        ultimamente, tanto eu como ela temos ouvido muitas palestras e pregações a respeito disso, que tem nos feitos pensar, refletir.
        Ja pecamos contra a castidade(não tenho vergonha de assumir, nem ela). Estamos com a confissão agendada para essa semana. Mas desde que começamos a ouvir sobre isso, parece que palestras e pregações sobre esse assunto está martelando em nossas cabeças. Onde a gente vai alguém fala sobre isso.
        Mas ate então não tinha entendido dessa forma.
        Obrigado pelo esclarecimento.

        • Dáltoni

          Bom dia, Daniel!
          A paz de Jesus!
          Sobre este assunto certa vez ouvi o Nilton Jr, da comunidade Pantokrator, dando um exemplo maravilhoso.
          Imagine um seminarista, ele já fez os 8 anos de formação, Filosofia e Teologia, já está com a data da ordenação marcada para o próximo domingo. Eu posso ir me confessar com ele no sábado?!
          Afinal já é certeza que ele vai se ordenar! É só questão de tempo… Pois é… Não posso! Porque ele ainda não recebeu o sacramento do Ordem.
          Da mesma forma no matrimônio. A relação sexual é a consumação do sacramento do Matrimônio. A cama é o altar do casal (“Vós todos considerai o matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado” Hb13,4) é onde ele celebra o sacramento do Matrimônio. Portanto não cabe a relação sexual fora (antes ou com outra pessoa que não a esposa(o)) do Matrimônio.

          😉
          PAX!

        • Patricia

          Daniel não sei se você já assistiu, mas há palestras no youtube, algumas legendadas, do Jason Evert sobre castidade que são bem esclarecedoras.

    • Padre Orlando Henriques

      Paulo VI disse: “não há matrimónio à experiência”. O amor não é um sentimento “fofinho”, mas é uma entrega radical e definitiva para a vida. Por isso, há que esperar que o fruto amadureça; depois vão ter o resto da vida para o saborear…
      Qual é o medo?

  • Bem comentado!
    Esta semana esta escrevendo justamente sobre isto e me lembre do último filma da saga Crepúsculo, quando a mocinha é transformada em vampira rs rs.
    Ela simplesmente dá as costas a dois alpinistas que estavam em sua mira, para não ter que mata-los.
    Como ela, dei exemplo a alguns catequistas daqui, que temos que dar as cotas ao pecado e termos coragem de ser santos, como você bem mencionou.
    Parabéns mais uma vez.
    Deus nos guarde.

  • João Batista

    A palavra desistir esta duplicada no texto.

  • Flavia Lima

    Boa tarde!

    Por favor, escrevam um artigo falando sobre o amadurecimento na fé. Confesso que me faltam a coragem e a paciência, de vez em quando fico com as emoções a mil e isto tem atrapalhado até meu psicológico. Busco melhorar minha vida de oração, vou me confessar mas eu errei ao achar que a conversão é uma coisa que ocorre de imediato, quando na verdade se trata de um caminho de altos e baixos…

  • José Tomás

    Show! Excelente post!

    Faz um bocado de tempo que estou convencido que a heresia mais persistente da história e mais impregnada das fibras da nossa sociedade e cultura é o Pelagianismo e suas variantes.

    Eu me salvo pelo meu esforço. Meu sucesso depende do meu esforço.

    Esse neopelagianismo está em tudo que é canto. Dentro e fora da Igreja. Na “esquerda” e na “direita”.

    Quer ver?

    Neopelagianismo secular de direita (sua variante mais conhecida é o “Espírito do Capitalismo” tal qual descrito por Max Weber na “Ética Protestante”): Pobre é pobre porque é vagabundo. Sou rico porque dei duro. Meu sucesso veio do meu trabalho duro. Portanto, pobre (ou qualquer outro tipo de “loser”) tem mais é que se f%$#@er. Meu esforço me salvou. Se alguém se deu mal na vida, é culpa exclusivamente dele.

    Neopelagianismo secular de esquerda: mais óbvio ainda: a “salvação” (ou “sucesso”) vem de “se engajar nas lutas” do “progressismo”. Ativismos todos (pobrismo, feminismo, ecologismo, gaysismo, issoismo, aquiloismo, longo etcétera.). Sucesso é “contribuir para um mundo melhor e mais justo” bla bla bla. Meu esforço me salva.

    Neopelagianismo “cristão” de esquerda: indistinguível de sua versão secular. “Teologias” da Libertação, Feminista etc. etc. Ser “verdadeiro cristão” é, mais uma vez, “se esforçar” para “implantar o Reino de Deus na terra”.

    Neopelagianismo “cristão” de direita: esse é o mais sutil. Muito comum em radtrads e em alguns movimentos “conservadores” da Igreja (dois deles, muito conhecidos e controversos, me vêm à cabeça). Engraçado que o Papa Francisco tenha reservado a alcunha de Pelagianos justamente a esse grupo. Belíssimo insight do Papa, que muita gente não entendeu e causou apoplexia em muito radtrad. Olhando por alto, parece que não é o caso, pois da boca pra fora, esse tipo de pelagiano vive falando “vamos rezar”, “com a Graça de Deus etc.”, mas a gente “capta” o pelagianismo em frase tipo “vamos rezar mais”. É um tipo de pelagianismo como outro qualquer, salvação pelas obras, sendo que a “obra” nesse caso são as práticas de piedade. Queremos “forçar a Mão de Deus” através desse tipo particular de obras. É o tipo de gente que desanima depois de rezar mil novenas por alguma boa intenção e não ver “resultados”. Porque, no fim, todo pelagianismo não passa disso, “resultados” (que vêm do meu “esforço”).

    Todos somos mais ou menos pelagianos, e isso é uma desgraça para nosso progresso espiritual. Uma causa cultural disso é justamente um certo “Espírito de Trento” (para plagiar o “Espírito do Vaticano II”). Para combater o Protestantismo (que fala o tempo todo de “Salvação só pela Fé”, mas que é, na prática, um movimento pelagiano até a raiz dos cabelos), os Católicos se posicionaram exageradamente na “Salvação pelas Obras”. Claro que isso não aparece no Magistério Infalível, mas foi o que “vazou” para o “Espírito Católico” dos últimos 500 anos. Nossas mães nos ensinaram, quando criancinhas, que “se você for bom vai pro Céu”. Claro que nossas pobres mães não sabiam, mas estavam propagando o pelagianismo. Isso está tão impregnado na nossa cultura que até ateu fala “fulano é um crápula, vai pro inferno!”

    E a gente acaba na desgraça de achar que vencer defeitos, superar pecados recorrentes e progredir a vida espiritual depende de nosso esforço. Uma lástima. É só para Deus que nada é impossível. Quanto mais cedo cair nossa ficha de que não podemos nada sem a Graça de Deus, melhor pra todos nós. Todos os grandes Santos falam isso, mas a gente instintivamente acha que é “só humildade” deles. Não é, é a pura verdade! Pior, isso é de Fide, mas é provavelmente uma das Verdades de Fé que a maioria de nós, na prática, não acredita! Não confiamos na Graça de Deus!

    Daí a necessidade dos Sacramentos.

    Graças a Deus, aos poucos estamos superando essa mentalidade. Um fruto do Vaticano II? Não sei, mas pode ser que sim.

  • Rafael

    Muito bom o post.
    Além de me identificar com aquela situação bem embaraçosa de confessar várias vezes o mesmo pecado ao mesmo confessor, já cheguei também a pensar em adiar a confissão porque pensava que se eu continuava pecando, o arrependimento não era verdadeiro. O problema é que isso é perigoso, principalmente se o tal pecado for grave e impede de receber a Sagrada Comunhão, uma vez que na luta contra o pecado, sem a graça de Deus não somos nada.

  • Almir César

    É como aquela frase: “Santo não é aquele que nunca erra, mas é aquele que quando cai sempre se levanta”.

  • Daniel

    Deixo aqui meu testemunho:
    Namoro já há 6 anos, e antes de eu e minha namorada entrarmos pra Igreja, nós já tínhamos tido relações sexuais. Após tomar conhecimento que estávamos vivendo em pecado, nós começamos a lutar contra isso. Sim, começamos, porque a luta é diária. Antes, as relações eram frequentes e hoje passamos meses sem cair. E nesse período todo, muitas vezes ficava com vergonha de me confessar, achava que estava sendo hipócrita e diversas vezes pensei em desistir dessa luta. Mas Deus sempre foi me dando a força para persistir na Confissão e não entregar os pontos.

    Vale lembrar que o sacramento da Confissão também tem o poder de libertação.
    Então, hoje, pela graça de Deus, eu e minha namorada estamos trilhando esse caminho de busca de santidade, e sempre que há uma queda, nos levantamos e corremos para confissão. Sei que o que o demônio mais quer é que entreguemos os pontos, mas havemos sempre de confiar na graça e na misericórdia de Deus.

    Não desistam, irmãos, o Céu é logo ali.

  • Leo

    OBRIIIIIGAAAAAADOOOOO!! Vocês verdadeiramente são um grande instrumento na mão de Deus! OBRIGADOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Como falei no comentário do Duddu, passei muitos anos sem confessar-me, mas hoje, Graças a Deus, é uma prática, no mínimo, mensal.
    Hoje a minha dificuldade já não é confessar-me, mas reconhecer outros pecados. O meu “espinho na carne” é tão presente que não vejo outras coisas para confessar. Aí o cão (o tinhoso, o fi-de-chocadeira…) aproveita para me encher os pacovás com aquela conversa mole de que é o mesmo padre, que já falei 90 vezes a mesma coisa, que já me arrependi e posso comungar…
    Claro que é possível, pela Graça de Deus, que esse seja meu único pecado, mas em se tratando de mim, acho que não, hein. Não sou nenhuma Teresa D’Ávila. 😛

  • Marcos

    Obrigado Catequista por esse Post abençoado. É difícil se libertar do hábito de certos pecados e vem a desistência pois nos falta impulso pra levantar. São uma graça de Deus para nós. Que Deus abençoe muito vocês, e a todos os leitores.

  • Ingrid

    Como sempre, muito formativo e muito divertido! Gosto muito de ler O Catequista! Deus seja louvado pela vida dos que escrevem e também porque alcança muitas pessoas.

    Achei muito engraçado o comecinho do texto; é bem verdade essa vergonha que nos dá do padre “perder a paciência” com os nossos repetidos pecados. Mas bom mesmo é saber que Jesus não se cansa de nós, mesmo com as nossas misérias =)

    Uma vez quando, antes da confissão, eu estava super preocupada com os meus pecados, achando que o Senhor já não teria mais paciência comigo, uma amiga me fez contou a seguinte história: sabe quando nós éramos criancinhas e o nosso pai dizia “não faça isso, não vá por aí, pois se me desobedecer você irá se machucar”, e aí nós íamos só por pirraça, caíamos e ralávamos todo o joelho e os braços? Daí voltávamos pra casa chorando, com o coração cheio de desgosto, mas também querendo um abraço do pai… Alguma vez o nosso pai nos mandou ir embora? Nos rejeitou? Ou, ainda que sujos e machucados, nos acolheu, limpou as nossas feridas e nos deu uma roupa nova? A segunda opção, né? Dessa forma acontece também Jesus! =) E ainda melhor, pois o Seu Amor é o melhor de todos! Gosto muito dessa história e lembro dela sempre, pois me converte muito! Deus abençoe a todos =*

  • Edelir Borges

    Catequista, o que houve com o Harun Salman? Lembro de um comentário de vcs dizendo que ele tinha morrido, e que postaria algo a respeito. Gostava muito dos comentários dele.
    Grata.

    • Edelir, antes de o Harun morrer, eu havia pedido a ele que desse a alguém a tarefa de me avisar quando ele partisse (eu sabia que ele estava bem doente, e ele era sozinho no mundo). De fato, eu recebi um email lacônico, e mais nada. Respondi pedindo que me dissessem onde ele foi enterrado (acredito que tenha sido na Inglaterra), para quem sabe um dia eu poder visitar o túmulo… Não recebi resposta.

      A minha ideia era postar uma nota carinhosa com a foto do Harun, mas não recebi mais qualquer informação. Infelizmente, é só isso que sei. 🙁

      • Christiane Vilhena

        Saudades imensas desse homem de Deus que nunca conheci pessoalmente, mas que tocou profundamente a minha alma com sua alegria de viver mesmo no sofrimento e com seus testemunhos fortíssimos.

        Com certeza está na presença do Senhor, com Nossa Senhora e sua querida amiga madre Teresa, intercedendo por vocês do blog e por todos nós que estamos nessa caminhada rumo ao Paraíso!

    • O que? Como assim, gente? Quando foi isso?
      Agora fiquei chateado…
      Que Deus o acolha em seu Reino.

  • Duddu Pontes

    Queridos irmãos,
    agradeço de coração a cada um que gastou seu tempo pra digitar palavras de força e encorajamento com relação ao meu comentário! Saibam que vocês me ajudaram e me impulsionaram a querer buscar mais ainda a confissão. É isso que nos difere, cristãos. Esse desejo, essa vontade, esse ‘se importar’ com o outro. Obrigado, meus irmãos.

    Padre Orlando, sua benção.

    Um forte abraço em todos! Louvado seja N.S. Jesus Cristo!

  • Uma Confissão bem feita é tão boa para a alma… Preciso de uma. E de uma verdadeira conversão também. As vezes me sinto tão afastado de Deus, mesmo rezando todos os dias…

  • José Tomás

    OFF TOPIC (pode?)

    Dia do Padre Pio, hoje.

    (fonte: http://saopio.wordpress.com/oracoes-de-padre-pio/)

    Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar.

    Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.

    Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.

    Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.

    Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade.

    Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga.

    Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.

    Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel.

    Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.

    Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.

    Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.

    Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti.

    Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.

    Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.

    Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!

    Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais.

    Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.

  • Sidney Santos

    Onde é que a gente consegue ler esta homilia do Papa Bento XVI na íntegra e outras homilias dele?

    • As homilias que citamos neste post estão todas linkadas com a fonte, que é o site do Vaticano. Passe o mouse sobre as datas das homilias em nosso texto, e vc verá o link.

      Todas as demais homilias dele estão disponíveis no site do Vaticano. É só ir para a “home”, clicar em “sumos pontífices” (na parte de baixo, à esquerda) e clicar em Bento XVI. Lembre de colocar o site em português.

  • Jecilene

    Muito bom! Parabéns! Precisava ler isto!

    Deus abençoe, e multiplique teu “sim” todo dia! Paz e bem!

  • Sobre o tema deste post, o leitor João Marcos, na fanpage, nos recomendou dois livros, que parecem ser bem interessntes:

    “A Arte de Aproveitar-se das Próprias Faltas” do padre Tissot;
    “A Confissão” Monsenhor de Segur.

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>