Trabalhou pra Jesus e mandou a conta

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Já foi o tempo em que o trabalho dos agentes de pastoral era sempre entendido como uma oferta gratuita do tempo e dos dons. O que motivava o agir era a simples alegria de cumprir o dever de paroquiano, mas para muitos isso já não compensa: tenho observado a crescente tendência de se esperar algum tipo de recompensa material pelo serviço prestado.

Outro dia, durante um encontro muito importante de uma determinada pastoral, que reuniu representantes de todo o Brasil, foi apresentada uma proposta para que esses agentes passassem a ser remunerados pelo serviço que realizam nas paróquias. Ai, se a moda pega! As paróquias terão que reservar boa parte de sua arrecadação para pagar catequistas, membros do coral e músicos, coroinhas, agentes das obras de caridade… Quem sabe não sobra até um troco para os leitores nas missas e o para o pessoal que passa a cestinha?

Outro caso lamentável que fiquei sabendo por meio de um de nossos leitores foi o de uma paróquia que, durante o Advento, pede doações de brinquedos novos para distribuir no Natal para as crianças de comunidades pobres. Cada um dos membros da equipe de paroquianos responsável pela organização dos brinquedos, ao final da campanha, se dava ao direito de escolher um dos brinquedos para si. Canalhice em dose tripla! 1) Falta de respeito com o Menino Jesus, pois é no nome dEle que as doações são pedidas; 2) Crocodilagem com quem doou o brinquedo crente que este seria destinado a uma criança pobre, e não a um paroquiano joselito; 3) Passada de perna nas crianças pobres, a quem TODOS os brinquedos doados deveriam ser destinados.

É claro, certos tipos de serviço prestados às paróquias podem sim ser justamente remunerados. Projetos de arquitetura, manutenção, artes plásticas, design gráfico e assessoria jurídica, entre outros, são muitas vezes solicitados a paroquianos, e não há nenhum problema que eles recebam por isso. Mas notem que são serviços que poderiam obrigar o paroquiano a abrir mão de um trabalho remunerado para se dedicar ao trabalho gratuito, e isso comprometeria o seu sustento.

Bem diferente é quando os paroquianos oferecem seus dons à Cristo por meio do trabalho em uma das pastorais de sua paróquia, doando um tempo que não compromete a sua vida profissional. Eles não só não devem esperar receber presentinhos, dinheiro ou qualquer vantagem material pelo serviço que prestam, como devem estar dispostos a colocar a mão no bolso e custear certas atividades de sua pastoral quando necessário (os que puderem, é claro).

Conheci agentes da Pastoral da Saúde que, além de visitar doentes em hospitais todos os domingos, ainda faziam uma vaquinha para comprar terços e distribuir aos pacientes. Já cansei de ver catequistas e coordenadores de grupos jovens comprarem com seu próprio dinheiro retroprojetores, pagar fotocópia de materiais e custear o transporte de palestrantes visitantes. Testemunhei agentes da Pascom investindo em câmeras fotográficas e equipamentos mais avançados… Tudo isso com o sentimento humilde de quem faz a sua obrigação, buscando responder da melhor forma possível à responsabilidade voluntariamente assumida.

É bom notar que, em certos casos, é muito justo que o voluntário receba uma ajuda de custo (não é remuneração) para viabilizar o seu trabalho. Custos com materiais e transporte, por exemplo, muitas vezes pesam no bolso, e podem sim ser ressarcidos pela paróquia.

Lembremos sempre do que disse Jesus:

“Assim também vós: quando tiverdes cumprido tudo o que vos mandarem fazer, dizei: ‘Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer’.”

– Lucas 17,9-10

Essa deve ser a consciência dos agentes de pastoral: a paróquia não nos deve nada, os paroquianos não nos devem nada, Jesus não nos deve nada. Servir nossa paróquia é uma HONRA, uma alegria, um “orgulho” por receber um voto de confiança do pároco e da comunidade. Quem acha que isso é pouco, saiba que está caçando recompensas no lugar errado!

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43 comments to Trabalhou pra Jesus e mandou a conta

  • Antônio Prado

    Este último parágrafo sintetiza bem a questão, deixando claro que “o que de graça recebi, de graça agora dou” (Mateus 10, 8). Minha monografia para conclusão do curso de Direito foi exatamente sobre o trabalho prestado às igrejas, em que medida eles podem levar ao reconhecimento ou não ao vínculo empregatício, e, baseado na lei e, principalmente, na doutrina e jurisprudência pátria, posso afirmar categoricamente que o serviço prestado por agentes de pastorais não pode e nem deve ser remunerado, porque, antes de tudo, é VOLUNTÁRIO, e depois que se trata de uma vocação, do cumprimento de um chamado feito pela Igreja e, em consequência, pelo próprio Deus.

    Existem situações e situações, como, por exemplo, de um sacristão de uma igreja maior, que viva profissionalmente de ser sacristão; os Tribunais do Trabalho brasileiros têm entendido que, nesses casos, ele merece o reconhecimento do vínculo empregatício caso não tenha tido sua CTPS anotada pela paróquia e esta não tenha feito os respectivos recolhimentos previdenciários, fiscais, etc. Mas o mais das vezes não é o caso, como, por exemplo, de um zelador ou representante de comunidade, ou do coroinha, ou do agente de pastoral, que, como você mesmo disse, dedicam seu tempo livre, concomitante a suas vidas de trabalho e família, à evangelização.

    Quem quer ser remunerado pelo serviço que presta a Deus e a seu povo mancha o seu próprio batismo! Eu, que sou acólito não-instituído em minha paróquia, jamais cogitaria mover uma ação trabalhista contra ela, porque se nada recebo financeiramente por isso, tanto mais me honra me colocar diante de Jesus e, sem pedir nada em troca, dizer: “Eis aqui o teu servo inútil para fazer nada mais do que Tu necessitardes dele!”. Ótima matéria, O Catequista! 🙂

  • Mas tá fácil mesmo, hein! Se já é difícil encontrar pessoas que façam um trabalho de qualidade sem receber ‘nada’, imagine pagando! Se recebessem, não tenho dúvida de que iria ter muito mais heresia rolando solta por aí. É horrível quando encontramos gente com cara de ‘to aqui por obrigação’ que parece que tá morrendo, e não anunciando o Cristo Ressuscitado.

    Eu já gastei muito dinheiro com coisas para meus trabalhos pastorais e não quero receber um centavo de volta.
    Mas confesso que paguei para um jovem do meu grupo fazer a escola da pastoral da juventude na época, e depois o cara virou uma sarna atrás de mim querendo me derrubar. Fazia reunião com outros da coordenação, com o Padre, e falava mal e tentava me tirar da coordenação. As outras duas jovens que fizeram a escola, a paróquia que pagou, mas a dele, eu acabei colocando pra fazer, mas eu pagava porque só combinamos dois alunos e o terceiro eu paguei porque quis. Se soubesse o que iria acontecer no futuro eu não teria pago. Mas mesmo assim, não quero meu dinheiro de volta. E o pior é que o que ele fez comigo, ele fez com as outras duas coordenações posteriores. É uma cobra! Mas fazer o que além de ter paciência e rezar por ele?

    O nosso pagamento, está nas mãos de Deus. E só vamos receber depois. Mas não trabalho pensando nisso. Trabalho porque TENHO que trabalhar para Deus. E isto me deixa MUITO honrado e feliz. Deus conta comigo! =D
    “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” I Cor 9,16
    Que alegria! \o/

  • Ronaldo

    O Catequista, vc tá zuando né? cara, não é possivel que em um encontro nacional de pastoral, alguem tenha a “cara de pau” de pedir remuneração para seu serviço!!!! não sei se dou risada ou se choro, por que se isto for verdade, este pessoal está parecendo com os ateus, que vendo as viagens que fazemos para participar de encontros e outras atividades da Igreja, nos questionam quanto estamos ganhando?

  • Rogério Borges Júnior

    “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade” (1 João 3,18). Aí está nossa grande recompensa no serviço voluntário, ainda mais se ele é entregue em nome da evangelização. Com certeza o tesouro estará sendo juntado nos céus. O amor que deixamos em nossas comunidades é materializado pela oferta do serviço em favor de filhos e filhas de Deus que serão alimentados com o Pão da Vida, Jesus. Que o Espírito Santo inspire sempre o coração de todos os paroquianos para que a graça da vida seja recompensada , no mínimo, pela doação do trabalho evangelizador e o pagamento do sorriso dos anjos pela obra realizada.
    Paz e Bem!

  • Beth L.

    é bem assim, e muitas vezes incentivados por padres!!
    Há tempos eu coordenava a Pascom, aprendi a mexer no Page Maker, varava madrugada montando jornalzinho “pastoral”, xerox, fotos…. eu fazia como doação e não me arrependo nem um pouco. Foi um trabalho gratificante e frutífero…
    Depois, chegou um novo Sr Padre que queria um jornal ‘coluna social’… pra encurtar: me pôs pra escanteio e começou a pagar uma pessoa ‘voluntária’, já que não era justo (???) que ela passasse tanto tempo fazendo o serviço – maldade! o jornal ficou bem mais feio, vazio, inútil…
    enfim…. até padre incentiva isso! e muitos cobram pra celebrar missa no lugar de outro… lamentável!

  • Carmen Lucia Koppe

    Concordo com vocês, mas olha o meu caso, sou coordenadora Paroquial da Catequese, fico na Paróquia de quarta-feira a sábado direto atendendo pais, atendendo catequistas, atendendo crianças e fazendo todo o tipo de serviços, inclusive bilhetes para os pais trabalhos à catequistas que não sabem nada de computação. Problemas só na Paróquia (Centro) temos 580 catequizandos e eu sou sozinha já há seis anos. Vocês sabem que ninguém quer pegar um trabalho desses todos se esquivam, parecem bagres ensaboados, como vocês podem ver é praticamente um trabalho. E eu tenho uma “ajuda de custo” para permanecer aqui todo esse tempo. E depois isto está no Código Canônico que uma pessoa que passa diversas horas dentro da Paróquia trabalhando tem direito a uma remuneração. Recebo esta ajuda de custo sem drama de consciência e não acho errado que a Paróquia pague por serviços prestados.

    • Carmen,
      Pela sua descrição, o tipo de serviço que você presta à paróquia merece, sim, ser pago. Note que, no post, fizemos a devida ressalva sobre os tipos de trabalho na paróquia que deve ser justamente remunerados, o que inclui aqueles que “poderiam obrigar o paroquiano a abrir mão de um trabalho remunerado para se dedicar ao trabalho gratuito, e isso comprometeria o seu sustento”.

      Se você fica trabalhando várias horas de quarta a sábado, é justa a ajuda de custo.

    • Antônio Prado

      Carmen querida, você é voluntária e em vista de prestar o serviço durante todo esse tempo é razoável que a Igreja dispense a você uma ajuda de custo. No entanto, isso não te faz uma empregada, a não ser que a paróquia literalmente tenha te contratado para o serviço, até porque a Lei do Trabalho Voluntário prevê essa ajuda de custo, não caracterizando a mesma como salário e a relação de trabalho voluntário como emprego.

      Acredito eu que o artigo se refere mais àquelas pessoas que compõem as pastorais e que prestam seu serviço também voluntariamente, porém numa escala muito menor que a sua, o que é a grande maioria dos casos, até porque não é toda paróquia que tem uma só pessoa tendo que cuidar de quase seiscentos catequizandos (aliás, que paróquia abençoada essa a sua, hein?!). É o sujeito que ajuda nos batismos, ou então cuida dos coroinhas e das clarissas, é o coordenador de comunidade, entende? E esse é o caso da grande maioria das pessoas que ajudam a Igreja neste quesito, como você mesma, trabalhando em uma paróquia, deve observar.
      Ademais, o artigo 16 do Decreto Nº 7.107/10, a Concordata Brasil-Santa Sé, que promulgou o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, prevê em seu inciso II: “II – As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira”.

      Ou seja, a não ser que a Igreja tenha contratado literalmente o sujeito, via de regra, a sua atuação é voluntária. Faz jus à ajuda de custo? Sim, mas há casos e casos, até porque a lei fala que o prestador de serviço voluntário “poderá” ser ressarcido de suas atividades e não que obrigatoriamente será.
      No seu caso, no entanto, é justa essa ajuda de custo (se, como não falei, não se trate você de uma empregada propriamente dizendo). Nos outros casos, não.

  • Guilherme

    Cobrar pelos serviços pastorais, pelo exercício dos sons recebidos de Deus, seria uma forma de simonia moderna?

  • Rodrigo

    Cada vez me surpreendo mais com o egoísmo humano. Sacrilégio!!! Graças à Deus, como catequista ainda não encontrei uma figura dessas para puxar a orelha.

  • David A. Conceição

    Imagina só a situação hilária: Hereges sendo pagos para ensinar conteúdos contrários ao Catolicismo nas paróquias. Sendo que isso eles fazem gratuitamente com o maior prazer.

    Daqui a pouco os blogueiros irão reivindicar seus direitos financeiros também.

    E teremos apenas meros funcionários, não servos que dedicam seu trabalho por amor a Deus.

  • Camila

    Na minha comunidade, tem quem queira, não a recompensa material em si, mas quer o reconhecimento, o engrandecimento pessoal. Sabe, quando faz alguma coisa e sai falando pro mundo. Quando alguém diz: “Ah, tal coisa foi muito boa!” aí a pessoa: “Eu que fiz, nossa deu muito trabalho! Porque só eu faço tudo aqui!” Geeente, isso me dá nos nervos! Qualquer coisa que eu faça, faço na intenção de servir a Deus. Peço sempre a Deus que eu possa fazer transparecer sua palavra, e que todas as minhas ações sejam guiadas por Ele.

  • Isso é uma questão bastante complicada e difícil de lidar…

    Há alguns anos, recebi o convite para atuar no Tribunal Eclesiástico Arquidiocesano daqui de Maceió (na verdade, é uma Câmara Eclesiástica), como Notário. Foi me passado, logo no início, que seria um trabalho pastoral, ou seja, que não haveria remuneração. Prontamente aceitei, pois gostaria de doar meu tempo e conhecimento jurídico à Igreja de Cristo.

    Todavia, com o passar do tempo, o serviço na Câmara Eclesiástica, que era apenas a tarde (o que dava para conciliar perfeitamente com o meu emprego), passou a ser pela manhã, três vezes por semana, chegando ao ponto de eu ter que faltar ao emprego algumas vezes para ir à Câmara Eclesiástica, ou então, ir apenas uma vez por semana na Câmara, o que prejudicava o andamento dos processos de Reconhecimento de Nulidade Matrimonial. Mas mesmo assim, me virava de todo jeito e seguiamos (aos trancos e barrancos) com o serviço jurídico…

    Num encontro que teve no Tribunal Eclesiástico do Recife, onde estavam presentes as Câmaras Eclesiásticas subordinadas ao Tribunal Nordeste II, os servidores das demais Câmaras ficaram impressionados (sim, esta foi a palavra utilizada) em saber que não recebíamos qualquer remuneração pelo trabalho na Câmara.

    Quando ouvi isto, de início, fiquei pensando: “Mas como pode?! Isto é um serviço pastoral!!! Fazemos isto por amor!” Mas, com o passar do tempo, vi que a remuneração, neste caso específico, não seria algo errado, mas sim, uma questão de justiça, pois o pessoal tem dedicação quase que exclusiva nas Câmaras… Tanto é que, devido à impossibilidade de conciliar os horários do meu trabalho com a Câmara, tive que deixar, com pesar, o serviço na mesma…

    E o grande problema é que tanto o Arcebispo, como o Vigário Judicial, não entendem desta forma… Pois para ambos, não deve haver remuneração para os funcionários da Câmara Eclesiástica. O que torna o serviço jurídico muito demorado, visto que quem trabalha lá também tem seus empregos, e o trabalho na Câmara Eclesiástica não deixa a dever em nada em comparação com um tribunal da Justiça comum (uma Vara, por exemplo).

    Situação complicada, não?!

    • Alex,
      Nesse caso que você relatou, a situação é invertida: as autoridades eclesiásticas estão entendendo como trabalho voluntário um trabalho que, pelas suas características, deve sim ser devidamente pago. Acho que não há complicação alguma. Como nós observamos no post, há serviços prestados à Igreja que devem sim ser remunerados, como aqueles que “poderiam obrigar o paroquiano a abrir mão de um trabalho remunerado para se dedicar ao trabalho gratuito, e isso comprometeria o seu sustento”. Está claro que o trabalho que vc citou se encaixa nesse critério. Além do mais, é um tipo de trabalho realizado fora do âmbito paroquial.

      Esse tipo de trabalho poderia até ser feito sem remuneração, desde que o número de voluntários para dividir o serviço fosse maior, evitando sobrecarregar qualquer pessoa.

      (p.s.: vc viu que o Diogo Linhares respondeu ao seu comentário no post sobre o parto da Virgem?)

      • Sim, Vivi… Com certeza, é uma situação invertida… O que quis dizer em relação a complicação é a situação de quem trabalha lá na Câmara e a visão do Exmo. Sr. Arcebispo e do Rev. Vigário Judicial. Como desempenhar bem a função nestas condições?!

        Quanto a uma maior quantidade de voluntários, não seria possível, visto que são funções que não podem ser divididas, como por exemplo, Notário, Defensor do Vínculo, Juiz Auditor… Entendeu a complexidade agora?!

        Mas sim, hoje entendo que tais funções devem ser remuneradas!!!

        Ah, e quanto ao pagamento para a realização de casamentos, batizados, tais pagamentos são denominados ESPÓRTULAS, os quais são regulamentados pelo Código de Direito Canônico desta forma:

        Cân. 945 – § 1. Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a missa é permitido receber a espórtula oferecida para que ele aplique a missa segundo determinada intenção.

        § 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma espórtula, celebrem a missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

        Cân. 946 Os fiéis que oferecem espórtula para que a missa seja aplicada segundo suas intenções concorrem, com essa oferta, para o bem da Igreja e participam de seu empenho no sustento de seus ministros e obras.

        Cân. 947 Deve-se afastar completamente das espórtulas de missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.

        Cân. 948 Devem aplicar-se missas distintas na intenção de cada um daqueles pelos quais foi oferecida e aceita uma espórtula, mesmo diminuta.

        Cân. 949 Quem está obrigado a celebrar e aplicar a missa segundo a intenção de quem ofereceu a espórtula, continua com tal obrigação, mesmo que, sem culpa sua, se tenham perdido as espórtulas recebidas.

        E demais Cânones, até o Cân. 958.

  • as pessoas ficam falando que o Padre pede dinheiro para realizar casamentos e batismos….daí eu pergunto de volta : “vc vai lá limpar a paróquia depois do casamento, por acaso?” kkkkkkkkk

    • É preciso lembrar que todo e qualquer sacramento na Igreja é GRATUITO. Agora, como poucos católicos são fiéis ao dízimo, as paróquias se veem obrigadas a pedir uma doação quando realizam batismos (em geral é um valor nem pequeno). Mas se a pessoa não tiver como doar, batiza assim mesmo. Quanto aos casamentos, podem também ser feitos de forma gratuita no modo comunitário, mas como em geral as noivas querem certa pompa e a procura nas igreja mais bonitas é grande, é justo cobrar uma taxa pelo privilégio da utilização exclusiva do templo.

  • se vc trabalha no bispado no tribunal eclesiástico é obvio que deve ser pago, são coisas diferentes…

  • Lucas Farias

    É realmente muito triste, mas isso é algo que, infelizmente, já vem acontecendo.

    Numa paróquia muito, muito distante, em outro sistema solar, alguns ministros extraordinários da Eucaristia, Coroinhas e outros agentes de pastoral (isso mesmo, alguns escolhidos a dedo, não todos) recebiam ao fim de cada Missa ou atividade pastoral uma recompensa em dinheiro.

    A farra O pagamento pelos serviços prestados terminou com a chegada de um então diácono, hoje Padre. Este passou a repassar aos superiores o que ocorria. Foi amado por uns e odiado por outros, chegando a ser chamado de Judas. Tempos depois, os dois sacerdotes foram transferidos para outras paróquias.

    Quem me contou foi o Marty, presenciou tudo em uma de suas viagens…

  • Fabiana Von Abel

    Há dois anos atrás ouvi, durante uma formação, de D. Antônio Augusto duas frases que carrego comigo até hoje: “Somos contemplados com Dons para que os coloquemos a serviço”. E completou: “Isto se aplica à nossa vida financeira também, a prosperidade concedida a nós, fruto do nosso trabalho, é também um Dom para ser colocado à Serviço de Deus e do irmão…”
    Tudo que temos e somos deve ser para o PRIVILÉGIO de servir à Deus, começando na nossa família e estendendo-se à Igreja, ao trabalho e à Comunidade.

  • Luís Felipe

    Essa história toda complica por demais quando entra em jogo uma atividade pastoral que é, ao mesmo tempo, um ofício, como é o da música. Na história da Igreja era comum que os músicos fossem remunerados por seus trabalhos e o que adveio disso foi um imenso tesouro musical sacro feito pelos melhores artistas da História da humanidade. Hoje em dia, como a música é vista apenas em seu aspecto pastoral, lidamos constantemente com amadores, curiosos e pessoas que não tem o menor talento para realizar esse trabalho. Consequentemente temos pequenas tragédias auditivas em muitas celebrações eucarísticas. Como separar o aspecto pastoral do profissional num ramo tão híbrido que é o da música?

    • Leniéverson

      Luis Felipe, o que você disse, em termos, não funcionaria em muitas Igrejas que adotam o Rito Pós-Concilio Vaticano II, por um motivo muito óbvio: a estrutura financeira. Há muitas paróquias extremamente carentes, cujo orçamento mal consegue sustentar sua estruturafísica, despesas extras e pagamento de funcionários, como secretários paroquiais. Eu sou da diocese de Campos dos Goytacazes/RJ e, aqui, não raro vemos capelas com apenas uma pessoa cantando sozinha sem instrumento ou com um pandeirinho, um tecladinho, um violãozinho ou guitarrinha furrecas. Isso acontece não porque querem, mas é o que se tem a mão naqueles lugares. Nem sempre o ideal pode ser implementado, infelizmente. Isso que você, falou tende a ter mais aplicabilidade em Igrejas que adotam o Rito Extraordinário por terem, em geral, um fluxo financeiro maior.

  • Daniel

    Alex, pelo que entendi do CDC é permitido ao sacerdote receber a esportula, não cobrá-la, correto? Entendo que o uso particular do templo deve ser remunerado, mas sejamos honestos: a Igreja vê nisso um grande negócio. Quando casei em 2006, a secretaria me cobrou uma fortuna só pra servir um bolo depois da cerimônia e tirar umas fotos.

    • Com certeza, Daniel. Tanto é que em Olinda/PE, se você deseja celebrar um casamento numa Igreja, o valor é R$ 200,00. Em outra, a 500 metros, passa para R$ 2.000,00. Comércio?!

  • Flávia Cabral

    Excelente post! Em minha paróquia já vi crianças surpresas ao saberem que seus catequistas não recebiam qualquer remuneração financeira. Essa é a lógica do mundo (entendo a questão daqueles que precisam dispor de maior tempo servindo a paróquia e que precisam também de remuneração).

  • Analisando mais especificamente meu caso, bem visto, no meu caso, pois não posso falar por mais ninguém, que me é agradável não receber por isto, além de que, como catequista não devo ganhar dinheiro. Um exemplo em minha comunidade: uma professora de história, diz rezar em casa, mas também não sei pra quem, pois suas aulas são bem ao estilo comunista, onde a Igreja Católica é a instituição preferida e predileta para falar mal, difamar e até mandar para o inferno, atreveu-se a ser catequista, lembro bem numa missa, ao final dela, foi dividido as turmas e qual catequista trabalharia que a dita cuja só faltou se jogar no chão e se rolar, falando que amava, pais eu aaaammmoooo todos vocês, eu aaaammmoooo os filhos de vocês, meus queridinhos eu aaammmoooo vocês, e eu sei que todos nós iremos nos dar mmmuuuuiiiitttttooooo bem, um beeeiiiijjjjooo no coração de cada um de vocês, pois será um prrraaazzzerrr trabalhar com vocês, lá na escola e aqui tam-bééé-mmm (importante os ifens, para ficar bem claro o bééé). Deu um ano de catequese e caiu fora, na escola deu a desculpa de que “não concordava com a atitude do grupelho que comanda aquela coisa, pois uma catequista que se separou foi impedida de continuar a dar catequese, esta é a igreja idiota que alguns merecem mesmo”. Bom, como a idiota da professora conhece tudo de história da Igreja, menos da Igreja, não mencionou que a catequista já era separada e acabara de se juntar com um novo companheiro, que aí sim não pode participar nem da comunhão. Já pensou se fosse paga para trabalhar com catequese? Esta desgraça ainda estaria lá, pior, provavelmente querendo se efetivar por concurso, formar sindicato dos catequistas diocesanos. A providência divina deu um jeito de mandar a dita cuja pastar. Que a minha diocese é teologia da libertação pura, não posso negar, mas a turma ainda não chegou ao estilo do monge beneditino Marcelo Barros. Certo que aqui precisaria de um padre como este, http://1.bp.blogspot.com/-GDCUNwDarRI/U8vCNr7RReI/AAAAAAAAFPQ/-X9hAur_Rps/s1600/Clemente%2BRojao.jpg

  • Camilla

    E eu sem nem receber repasse do dízimo para arcar com o material que utilizo para preparar a catequese. Tudo free, doação minha para o Senhor. Na verdade, considero como devolução também, além do meu dízimo. Encarar aquelas crianças com os olhos brilhando por Jesus vale muito mais do que qualquer dinheiro.

  • Carmen Lucia Koppe

    O Catequista: Percebi que me detonaram por que eu disse que recebo uma ajuda de custo para permanecer quatro dias da semana dentro da Paróquia. É muito fácil julgar os outros sem saber na realidade o que se passa… Pro exemplo: Eu sou coordenadora Paroquial e catequista… Eu sou dizimista… não tem uma missa que eu não coloque pelo menos R$ 5,00 no cofrinho, seja a missa onde for, aqui ou em qualquer outra cidade. Além disso sou cursilhista e sempre estou a disposição para ajudar na cozinha ou em qualquer outro serviço… até limpar banheiros e não cobro nada por isso. Eu sou a digitadora de slaides para os músicos nas missas e não cobro nada por isso. Está chegando os festejos do nosso Padroeiro na semana da festa eu trabalho ela todinha nas tarefas ex.: caixa, vendas, bingos e até mesmo limpeza e não cobro nada por isso. Agora se dentro da sua Paróquia você for apenas catequista aí sim seria sacrilégio e heresia cobrar por teus serviços. Há faço parte do Apostolado da Oração e de sair fazer missão. Se eu recebo por quatro dias que fico na Paróquia foi porque nosso Pároco que é humano quis pagar, agora eu não tenho culpa se os padres das Paróquias de vocês são……. Eu poderia estar trabalhando numa empresa, pois sou e sempre fui da Contabilidade e ganhar um bom salário por isso, mas prefiro receber apenas uma ajuda de custo e cuidar de crianças e adolescentes que me dá muito mais prazer e ainda estou de bem com Deus pois sou uma pessoa agraciada por Ele. Beijos povo de Deus.

    • Antônio Prado

      Carmen, pelo menos da minha parte não houve qualquer tipo de “detonação”. O que eu disse é que existem casos e casos e que, pela situação narrada por você, inclusive pela situação de quase exclusividade com que trabalha junto às pastorais, é justo que a Igreja te dispense a ajuda de custa, conforme você mesmo se refere. Não se sinta atacada, de forma alguma! Isso falo por mim, que te compreendi muito bem. 🙂

    • Carmem, no seu caso está mais do que certo receber sim, fique tranquila, imagina, fazer tudo o que você faz não é para qualquer um não.

    • Christiane

      Carmen, não percebi detonação, muito pelo contrário, todos os que responderam seu comentário foram favoráveis à sua situação. Apenas foi colocado que juridicamente você não foi contratada de carteira assinada, por isso só recebe a ajuda de custo.

  • Leniéverson

    Caríssimos, vejamos o que diz a bíblia sobre o assunto: “Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem prata, nem vestes. Vós mesmos sabeis: estas mãos promoveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. Em tudo vos tenho mostrado que, assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade em dar que em receber” (At 20,32-35). Aqui fala, creio eu que todos nós devemos ser pessoas abnegadas, ou seja, negar a nós mesmos para servir os mais fracos. Ser imitadores de Cristo.

    O versículo 35, do capítulo 20 de Atos dos Apóstolos, adaptado para “Há mais alegria em dar do que receber”, é um dos lemas de São Francisco de Assis,da Fraternidade ‘Toca de Assis’ e outras missões franciscanas. E São Francisco como se sabe era alguém que tinha disposição de partilhar a vida em prol dos mais pobres. Avancemos.

    Em Efésios 4, 28, diz “O que furtava não furte, mas trabalhe com as próprias mãos, realizando o que é bom, para que tenha o PARTILHAR com o que tiver necessidade”. Poderia aqui citar outras passagens, mas essas são o suficiente para atestar que trabalhar para Deus, salvo as exceções expressas na postagem, tem de ser algo gratuito, porque é algo que, de Deus, recebemos de graça.

    Agora no trecho da postagemda Viviane diz: ”Outro dia, durante um encontro muito importante de uma determinada pastoral, que reuniu representantes de todo o Brasil, foi apresentada uma proposta para que esses agentes passassem a ser remunerados pelo serviço que realizam nas paróquias” Meu “sentido de aranha” tilintou e eu pensei: estão usando a Sola Scriptura dentro da Igreja Católica, ou seja, estão fazendo uma interpretação errada de textos bíblicos. Em que baseio meu argumento?

    No texto de Lucas 10, 1-7, que fala da missão dos 72 discípulos. Há parte, localizada no versículo 7, que diz: ‘O operário [missionário] é digno do seu salário”. No trecho de Lucas fala que os missionários, divididos dois em dois são incumbidos de percorrer cidades sob algumas condições a fim de levar a palavra de Deus.
    Será que essa passagem pode ser usada para justificar a decisão dos tais “representantes de pastoral”? Eu creio que não. O artigo 2122 do Catecismo da Igreja Católica fala que o texto diz que esta remuneração tem mais a ver com os ministros ordenados, como padres, do que outra coisa.

    Se for ou não, esses representantes de pastoral podem criar precedentes – jurisprudência – em outras pastorais. O que criará duas situações inusitadas. A primeira é que servo deixará de sê-lo para virar empregado e o padre ‘deixará’ de sê-lo para virar empregador. A segunda é a ideia de que por causa dessa “relação trabalhista”, aquele que um dia foi um servo poderá colocar o padre na justiça do trabalho. Ele ou ela falará mais ou menos assim: “trabalho todos os dias sendo leitor ou atuando como ministro da eucaristia na missa e esse padre está me devendo 4 meses de salário”. Pode parecer engraçado, mas não é. Até que ponto chega esse absurdo.

    Os ateus, por exemplo, costumam fazer paralelos entre igreja e empresa, dizendo que a primeira é um grande negócio. A Igreja Católica, mesmo nesse caso, não pode ser confundida com aquelas que são adeptas da teologia da prosperidade, como a igreja Universal do Reino de Deus.

  • Nossa que coincidência! Justamente esta semana, onde houve uma reunião com pais de catequizandos, onde um pais perguntou: “QUANDO VOCÊS GANHAM PARA SEREM CATEQUISTAS?” Nossa!!! Foi engraçado. Acreditem, tem gente que pensa que o nosso serviço é remunerado.
    Eu respondi que recebíamos sim, as Graças de Deus.

    Agraços!

  • Thiago

    Sou músico, participo de um grupo de oração e estamos gravando CD e no final do ano será gravado um DVD. Fazemos missão de evangelização através da música e tentamos diferenciar missão de show. Shows são cobrados (e casos que sabemos que o local não tem muita verba cobramos apenas os custos). Nossos CDs e DVDs serão distribuídos de graça, pois assim a palavra chegará mais longe e para todos.

    Em Corintios 9, São Paulo diz sobre os direitos do missionário, e diz em seguida que abriu mão desses direitos, aí eu pergunto, é lícito ou não ser sustentado pela missão?

    • Oi, Thiago!
      Me parece muito justa a diferenciação que vocês fazem entre missão e show. Conheço alguns músicos católicos que cobram para tocar em cerimônias de casamento etc., mas não deixam de tocar gratuitamente em asilos, em retiros etc, às vezes cobrando somente o custo, como vc citou. Isso é justo.

      Você pergunta: “é lícito ou não ser sustentado pela missão?”. DEPENDE. É lícito conforme o que ensinou São Paulo. Mas note bem: os missionários aos quais São Paulo estava se referindo eram andarilhos, eram cristãos que iam de comunidade em comunidade pregando o Evangelho. Sendo assim, eles não tinham como ter um trabalho fixo, se dedicavam de modo INTEGRAL ao Reino. Então, era justo que a comunidade lhes providenciasse comida e teto, os caras não podiam passar fome, certo? Portanto, fique atento a esse critério: o meu serviço missionário me absorve de tal forma o tempo que não me deixa meios de conseguir meu sustento com outro trabalho? Se sim, é justo receber pela missão. Se não, é injusto, é como trabalhar pra Jesus e passar a conta.

      Por exemplo, eu trabalho como catequista na minha paróquia. Isso me toma umas três horas por semana. Obviamente tal atividade não me impede de obter meu sustento no mercado de trabalho. Desta forma, se eu recebesse dinheiro da paróquia para esse serviço pastoral, seria realmente ridículo.

      Espero ter esclarecido. Abraço!

  • Dalto

    Por isso que a Igreja Católica está cheia de velhinhos aposentados (pelo menos na minha cidade).
    Eu por exemplo, percorro 50 km duas vezes por mês para tocar a missa no santuário de N S das Lágrimas. Se não fosse a singela ajuda de custo de R$ 50 que a comunidade me dispõe, eu não teria condições de fazer este trajeto sendo as estradas do jeito que são, o tempo dispendido dois domingos por mês, gasolina, pneus, etc.
    A Igreja deveria sim ter um projeto para ressarcir pelo menos o custo que temos para fazer a missão, ou então vamos cortar o salário dos padres, dos bispos, dos secretários, contadores e todos mais que trabalham para a Igreja.

    • Dalto,
      A ajuda de custo que você recebe é muito justa, e nada tem a ver com trabalhar para Jesus e mandar a conta. Você não está lucrando por tocar dois domingos por mês na igreja. Não falamos no post de ajuda de custo, mas sim de remuneração ou presentes, como recompensa pelo trabalho prestado.

      Vamos fazer a devida ressalva no post, para que a questão fique clara.

  • Ana Cláudia Marques

    Giovanni Guareschi, autor da famosa série de livros de Dom Camilo, também alertou para esse tipo de coisa. Num capítulo de “Dom Camilo e os Cabeludos” ele recebe como coroinha um menino muito pobre, que dizia “ver os anjos e conversar com eles”. O garoto era exemplar, cantava bem no coro e cumpria muito bem todos os serviços. Até que um dia depois da missa ele chegou para o padre com a bandeja da coleta dizendo que era “hora da falar da comissão”. Dom Camilo ficou sem entender e Marcelino – o garoto – explicou que tinha direito a uma comissão pela coleta, acrescentando que teria “direito a 50%” mas que aceitaria 45%.
    Perguntado se isso fora sugerido pelos anjos, o menino respondeu que não, pois com os anjos ele falava de outros assuntos.
    E Dom Camilo pagou-lhe a comissão: colocou-o pra fora com um belo chute nos fundilhos.

  • Natália

    Gostaria de saber se há alguma restrição para que mulheres participem do altar como coroinhas (meninas) ou na liturgia (canto do salmo, leituras das celebrações).
    Obrigada!

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