Uma loira no mosteiro – a cerveja na história da Igreja

bencao_cerveja

CNS foto / Francois Lenoir, Reuters, 06 de setembro de 2013

Keep Calm and leia o post até o fim. SIM, esta é a foto de um sacerdote católico abençoando um barril de cerveja. Mas NÃO, isso não é nenhum sacrilégio. A bênção da cerveja sempre constou no Ritual das Bênçãos até ser retirada após o Vaticano II, quando foi “incorporada” pela bênção genérica para alimentos.

A verdade é que a bebida que hoje é quase sinônimo de pecado desempenhou um papel muito importante nos mosteiros da Idade Média. Era tão indispensável que tinha santa que transformava água em cerveja!!! Mas antes de encomendar aquele barrilzão de cerveja para o próximo jogo da Copa, vamos entender melhor tudo isso.

Na Idade Média, a cerveja era vista como um alimento saudável, nutritivo e básico para todos, e não como um produto associado a diversão e busca de prazeres, como é hoje em dia. Os monges medievais foram os pioneiros na pesquisa e desenvolvimento de técnicas de fabricação da cerveja. Eles não inventaram essa bebida, mas melhoraram muito o seu aspecto, aroma e sabor.

A prova de que a cerveja, para o homem medieval, não fazia a menor referência ao hedonismo e aos prazeres ilícitos é que eram comuns histórias de milagres de santos relacionados à essa bebida. A mais famosa delas é a de Santa Brígida da Irlanda, que teria transformado água em cerveja em diversas ocasiões; certa vez, ela teria distribuído cerveja aos pobres, em um volume tão grande que daria para encher 17 barris (todo esse volume brotara miraculosamente de um único barril).

Relatos como esse de Santa Brígida soam estranhíssimos para a sociedade atual. Causa-nos escândalo a ideia de um religioso com fama de santidade degustando um caneco de Stella Artois, ou se penitenciando com uma rodada de Itaipava. Isso se deve ao fato de que a mentalidade geral foi influenciada por uma ampla vertente do protestantismo (em especial os batistas e pentecostais) que estigmatizou a bebida alcoólica como uma coisa essencialmente má. Os protestantes europeus, porém, não costumam demonizar o consumo moderado de álcool.

monge_barrilA cerveja foi, durante muitos séculos, uma grande aliada da austeridade monástica. Afinal, durante a Quaresma e em outros períodos de penitência, os religiosos medievais seguiam uma dura rotina de jejum, e a cerveja os mantinha razoavelmente nutridos e os ajudava a suportar o frio. Para quem está se perguntando se eles não poderiam tomar suco em lugar de cerveja, a resposta é simplesmente não. Lembremos que a Europa não é muito pródiga em frutas (muito menos no inverno), e naquele tempo não havia suco em caixinha!

Para o povo em geral, a cerveja também era uma bênção, especialmente para os viajantes. Nem todas as hospedagens e tabernas medievais ficavam próximas a fontes de água corrente e fresca, e assim a água era retirada de poços, que não raramente estavam contaminados. Por isso, beber cerveja era muito mais seguro e saudável do que beber água.

Como bons anfitriãos e homens caridosos, os monges ofereciam cerveja aos viajantes e mendigos que lhes pediam ajuda. A bebida também servia como fonte renda para os monastérios, que vendiam a produção excedente, assim como queijos e outros produtos. Até hoje, a cerveja feita pelos monges trapistas belgas é considerada por muitos especialistas como a melhor do mundo.

Sendo a loiruda tão importante para os medievais, é natural que eles a considerassem digna de receber uma benção, como qualquer outro alimento. Assim, o Ritual Romano antigo da Igreja Católica possui uma benção própria para a cerveja (o novo Ritual não possui mais essa bênção). Antes de aspergir o barril ou tonel com água benta, o sacerdote profere a seguinte oração:

V. A nossa proteção está no nome do Senhor.
R. Que fez o céu e a terra.
V. O Senhor esteja conosco.
R. E contigo também.

Abençoai, Senhor, esta criatura, a cerveja, que da riqueza do grão vos dignastes produzir do melhor lúpulo, para que seja remédio saudável ao gênero humano. Concedei que, pela invocação do vosso santo Nome, todos o que dela beberem recebam a saúde do corpo e a firmeza da alma. Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Sim, assim seja! Queira Deus que os cristãos não-abstêmios possam realmente degustar a cerveja como um dom de Deus, em vez de fazer dela um instrumento para a sua degradação e embriaguez. Saúde!

santa_brigida

53 comments to Uma loira no mosteiro – a cerveja na história da Igreja

  • Christiane

    Que legal! Sempre falei para os que demonizam o álcool que o pecado, o mal, não está na bebida em si mas no exagero com que a consomem. Só bebo em raras ocasiões socialmente, gosto muito de um bom vinho acompanhando uma bela massa e nos dias muito quentes gosto de tomar um gole de cerveja estupidamente gelada.

    Claro que aqueles que não conseguem parar após o primeiro gole não podem nem sentir o cheiro de bebida, precisam tratá-la como o demônio, mesmo! Mas são exceções que fogem à regra, lógico.

    Parabéns mais uma vez pelo excelente texto, vocês são demais!

    P.S.: Alguma notícia do Harun Salman? Por onde ele anda? Nunca mais o vi por aqui…

    • Chistiane,
      O Harun partiu para junto de Deus. Pretendemos colocar uma nota em algum dos próximos posts.
      Ontem recebi por email uma mensagem de uma única frase, dizendo “dr. salman passed away last month. sorry bout delayi'”.

      Eu já tinha quase certeza de que ele havia morrido, só estava mesmo frustrada pela falta de notícias. Creio mesmo que ele está mais contente agora.

      Abraço!

      • Sidnei

        O Harun faleceu?!, que triste, ele vai fazer uma falta muito grande aqui no blog. Que DEUS o tenha nos céus ao lado de Santa Madre Tereza de Calcutá com quem ele conviveu um dia, melhor companhia ele não está, tando que este ao lado dela na terra, agora ele deve estar ao lado dela nos céus, contemplando DEUS e a JESUS face a face, e intercedendo por nós, e por este apostolado daqui do blod do catequista. E que o SENHOR console sua família e amigos, Amém.

      • Dáltoni

        Paz e bem, amados!
        Que pena q não teremos mais por aqui as palavras do sábio Harun.
        Que o bom Deus o acolha e de lá sempre interceda por nós. E suplique ao Senhor que nos ajude a crescer em estatura e graça, para um dia também sentarmo-nos à mesa do cordeiro, junto com tantos santos e santas conhecidos(as) e desconhecidos(as) desta imensa messe.
        Deus nos ajude.
        Salve Maria!

      • Que Deus o tenha na sua santa glória.

      • Christiane

        Ai, que meu coração até falhou uma batida quando li, Vivi! Já desconfiava, porque ele estava doente na última vez que postou aqui… Mas é festa no Céu, ganhamos com certeza um intercessor que já deve ter puxado conversa com Madre Teresa e com João Paulo II para que eles se juntem na intercessão por este site e por vocês!Quanto a nós… Ficamos aqui na saudade que este querido, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente, nos deixou. Um dia nos reencontraremos!

  • Adriano Matos

    Sou daqueles que bebe no máximo dois copos. Por muito tempo não tomava nem um gole, pois via as pessoas embriagadas e percebia que elas nunca assumiam que tinham problemas com o álcool, então eu temia ficar na mesma situação. Hoje essa questão amadureceu.

    Como catequista, advirto àqueles confiados a mim que sempre tenham a virtude da temperança, obedecer seus limites e assumir suas fraquezas. Assim conseguirão ter maior discernimento em relação a essa questão.
    Que Deus abençoe vcs e vos façam perseverar nesse carisma.

  • Edison

    Os tempos são outros. Hoje a coisa é diferente. Não precisa muita pesquisa pra entender que o álcool hoje é uma cultura de morte que vem dizimando vidas e famílias. Só não vê quem não quer…

    • Edison,
      Ontem, como hoje, havia pessoas que abusavam da bebida. Na Bíblia, vemos relatados vários casos de embriaguez. Nem por isso Jesus deixou de transformar a água em vinho, para que este fosse servido fartamente aos convidados das bodas de Caná.

      Não negamos em nenhum momento que o álcool seja causa de desgraça para muitos. O que é preciso ficar claro é que as bebidas alcoolicas não são más em si, pois se fossem, a doutrina da Igreja deixaria isso expresso. Mais do que pela bebida, muitos se perdem pelo mau uso de sua sexualidade, e nem por isso o sexo é algo mau em si. Os católicos precisam compreender a questão moral de acordo com a doutrina católica, e não de acordo com a influência de certas vertentes protestantes, que demonizam coisas que, em si, são neutras.

    • Edison,

      Complementando e reforçando o que a Vivi disse, não é o álcool que “dizima vidas e famílias”, é a pessoa que faz uso abusivo dele. Eu passei 30 anos da minha vida sem beber e não virei alcoólatra por causa de uma long neck ou um cálice de licor que tomo de vez em quando.

      Seu raciocínio é o mesmo que diz que as armas devem ser proibidas pois são a causa de morte de não sei quantas pessoas, mas ignora que as armas não matam sozinhas! É preciso entender que quem comete um crime é o criminoso, e não a arma que ele usa.

      Sai dessa! 😉

      Paz e Bem!

  • Gêneto Eugenio

    Nem um aperto de mão, nem uma foto;poucas descrições dadas por ele mesmo de como era fisicamente.Já estava com saudade de ler suas SÁBIAS palavras, conselhos, testemunhos.E agora essa notícia…
    Harun homem de Deus. Uma vez disse ser motivado apenas por querer ser santo.Tenho pra mim que conseguiu.
    Rogai por nós que ainda trilhamos esse caminho de santidade.

  • patricia banhos

    PAZ E BEM A TODOS! CATEQUISTA SUSPEITAVA Q HARUM HAVIA PARTIDO…POIS FAZIA TEMPO Q NÃO COMENTAVA! QUE DEUS O TENHA!!! BELO POST VIVI…BJSS

  • É um texto fascinante, no entanto, creio que a parte na qual o texto informa que a cerveja seria uma substituta apropriada para a água seja falaciosa porque a primeira tem efeitos diuréticos, não objetivamente matando a sede, mas reforçando-a.

    • Rosa

      Oxe, mas se cerveja não mata sede..
      O problema é que naquela época a água era muito contaminada, era mais saudável tomar cerveja. Aliás como foi mencionado a cerveja é um alimento nutritivo.
      A cerveja naqueles tempos também era muito diferente das que tomamos hoje em dia.

    • Mateus

      Naquela época a cerveja tinha muito menos álcool e muito mais dos outros ingredientes como água, trigo, cevada e etc. justamente porque servia de substituta para a água quando essa não era de fácil acesso e de procedência não confiável.

      É até interessante porque cerveja e hidromel sempre tiveram essa função na Europa, mesmo antes do cristianismo, tanto que é perceptível como o europeu é muito mais tolerante ao álcool que asiáticos e pessoas das Américas devido à nossa mistura com outros povos que se valiam menos de bebidas alcólicas como índios e negros.

  • Alexandre

    Acho este aspecto cultural da Igreja muito belo, o que exalta a soberania frente às loucuras dos protês.

  • Tem muito atleta que toma cerveja depois de realizar alguma corrida ou prova, pois esta lhe garante reposição mais rápida de energia, principalmente cerveja preta, o que, além de tudo contem açúcar. Discutir se cerveja faz mal é como a alguns anos atras a discussão sobre gordura animal, ovo, carne de porco, carne vermelha, quem defendesse era quase que linchado em praça pública. Hoje em dia estes alimentos já não são mais taxados de assassinos malditos, mas necessário a alimentação humana. E olha que não tem coisa mais boa que comer um pão com banha de porco. Nem coisa mais boa que uma latinha de cerveja num dia de calor.
    Já eu, estou proibido de tomar mais que 10 latinhas de cerveja, se eu tomo esta quantia parece que dá uma tontura e ao mesmo tempo solta e trava a língua, e osxxx palllavrasxxx sxxxaim meiasxx exxtranhasxxx.

  • Tem muito atleta que toma cerveja depois de realizar alguma corrida ou prova, pois esta lhe garante reposição mais rápida de energia, principalmente cerveja preta, o que, além de tudo contem açúcar. Discutir se cerveja faz mal é como a alguns anos atras a discussão sobre gordura animal, ovo, carne de porco, carne vermelha, quem defendesse era quase que linchado em praça pública. Hoje em dia estes alimentos já não são mais taxados de assassinos malditos, mas necessário a alimentação humana. E olha que não tem coisa mais boa que comer um pão com banha de porco. Nem coisa mais boa que uma latinha de cerveja num dia de calor.
    Já eu, estou proibido de tomar mais que 10 latinhas de cerveja, se eu tomo esta quantia parece que dá uma tontura e ao mesmo tempo solta e trava a língua, e osxxx palllavrasxxx sxxxaim meiasxx exxtranhasxxx.

  • César Carriço Júnior

    Se penitenciando com uma rodada de Itaipava foi ótimo kkkkk.

    Vocês poderiam criar um texto falando mais sobre a influência do puritanismo protestante, em específico o calvinista,que tem feito a cabeça de muitos católicos atualmente. A origem dele e o seu real motivo.

    Sou fã incondicional do blog. Abraços!!!

  • Lenieverson

    Que Deus tenha a alma do Harum em um bom lugar.

  • Jotacê

    O Harun vai fazer falta. Muita falta.

    Convivi (convivemos) com ele por pouco tempo, mas dava para notar, pelos comentários espirituais (e espirituosos) dele, que nosso amigo exalava santidade. Creio que o câncer, que é uma doença triste, tristíssima, ainda mais quando sofrida em solidão, foi a preparação de Deus para ter o Harun ao Seu lado mais rapidamente. Algo do tipo “Nada de purgatório, meu filho; quero você em minha presença já”.

    Sem querer ser piegas ou melodramático, nunca vou esquecer desse cara. Descanse em paz, meu irmão. No Céu, com a graça de Deus, a gente se encontra. Você já fez sua parte, e está lá. Rogue a Deus por nós, para que Ele nos dê forças para fazer a nossa.

  • Jotacê

    Sobre a cerveja, minha relação com ela é estranha. Sempre quis gostar de cerveja, provei umas dez marcas, vários tipos, mas não adianta, não consigo gostar do sabor. Então, quando vejo algum comercial da citada “Stella Artois”, eu penso “Mas que cambada de FDP! Tá todo mundo degustando e saboreando essa joça, menos eu!” 😀

    E nada é mais chato e estúpido do que esse papo de que álcool dizima famílias, álcool é uma porta de entrada para “outras drogas”… Álcool consumido com moderação não faz mal, pô! E essas são falácias utilizadas por esquerdistas maconheiros que exigem a liberação da “erva maldita” (essa sim, uma droga de verdade). Quem repete esses “argumentos” anti-álcool não passa de um papagaio, e está sendo feito de otário por tipos como Marcelo D2. Vão cair nessa?

  • Daniel

    Acho que nós, católicos, sabemos, ou deveríamos saber, que o problema não está no consumo do alcool, mas nos excessos. O problema é a questão que São Paulo aborda ao tratar do tema das carnes sacrificadas ao ídolos. Diz ele:”Se alguém te vir, a ti que és instruído, sentado à mesa no templo dos ídolos, não se sentirá, por fraqueza de consciência, também autorizado a comer do sacrifício aos ídolos?
    E assim por tua ciência vai se perder quem é fraco, um irmão, pelo qual Cristo morreu!”(1COR 8,10-11).

    Fico em dúvida como tratar essa questão. Eu e minha esposa somos tios de círculo do EAC e nos sentimos incomodados quando vemos outros tios postando em redes sociais fotos de cervejas ou outras bebidas alcoolicas. Acho que isso pode sim ser uma perdição para os mais jovens, afinal se é muito difícil para nós a virtude da temperança, quanto mais para os jovens.

    • Dáltoni

      Bom dia Daniel!
      A paz de Jesus!
      Assim como o Jotacê, já provei algumas “brejas” mas nenhuma me apeteceu a ponto de tomar com gosto um segundo copo..rs
      Quem sabe alguma belga?rs
      Mas sou da mesma opinião que o colega Daniel. Inclusive em nossa festa de casamento não servimos bebida alcoólica. E muitos que foram sentiram falta (inclusive meu irmão ficou mto bravo…rs), porém foi também uma forma de dizer e comprovar (o pessoal curtiu muito!), é possível divertir-se e alegrar-se sem o tal do álcool movendo passos na pista e nas conversas…
      Shalom!

  • Robson

    Gostaria de saber, qual a base de garantia para afirmar que a água que Jesus transformou em vinho era de fato alcoólico? Pois as escrituras diversas vzs mencionam o vinho fermentado e o não fermentado? Desde já, grato. Muito dinâmico e claro o artigo, parabéns!

    • Oi, Robson!
      Na passagem das Bodas em João 2, 10 está escrito:

      “e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.”

      Então, aí fica claro que o vinho que Jesus serviu era alcoólico, pois, conforme disse o mestre de cerimônias, é o vinho que deveria ter sido servido primeiro, até que os convidados fiquem quase embriagados.

  • Momento testemunho…

    Até os 30 anos eu não gostava de cerveja. Nunca tinha provado nenhuma que me apetecesse, e isso valia para todas as bebidas alcoólicas. Sem purismos com o álcool, eu só não gostava mesmo. Aliás, no meu casamento, minha esposa e eu brindamos com guaraná, em copos de acrílico, daqueles que tem luzes no fundo que ficam piscando… ^_^

    Até que, um belo dia, um dos meus irmãos estava tomando uma cerveja que eu nunca tinha visto (Stella Artois) e eu pedi para experimentar e gostei. Pedi uma long neck para mim e a foto que minha esposa tirou virou hit entre os meus amigos no facebook.

    Hoje sou apreciador de uma boa cerveja! E acabei me tornando mais tolerante com outras bebidas alcoólicas. Só que continuo não gostando de vinho e acho uísque sem graça. 😛

    Catequistas, quando eu for ao Rio (ou vocês vierem a Brasília) vamos no boteco tomar uma? 😉

    PS: Que Maria Santíssima e Madre Teresa acolham o Harun no céu e o levem para o colo de Jesus! Vai fazer falta, mas olhará por nós.

  • “Se penitenciando com uma rodada de Itaipava” – hehe, muito bem apontado.

    Ah! E sim, as belgas são dignas de nota. Bebi só uma ainda, mas memorável.

  • Rogério Borges Júnior

    Ótimo texto! Parabéns! Aliás, já fiz alguns brindes à Santa Brígida, em homenagem à boa confraternização entre irmãos e com a devida moderação!

  • Camila Cristina da Silva

    Momento testemunho também:
    Sou formada em Economia e durante a faculdade tive a oportunidade de estagiar em uma empresa de Pesquisa de Mercado e advinhem com que produto trabalhava? Com cerveja!!! Logo de cara pensei comigo: Meu Deus pq isso? Pq ajudar o marketing dessas empresas do “cão”! rs
    Depois de um ano terminou meu contrato e eu fiquei 6 meses desempregada, para enfim conseguir um emprego onde? NUMA MALTARIA! Ajudando agora as cervejarias com sua principal matéria-prima, o malte! E me veio a culpa novamente!
    Eis que no meu primeiro dia de trabalho tenho o privilegio de ler esse post! FOI UMA ALEGRIA SÓ!!!!
    Não quero fazer as pessoas sofrerem com meu trabalho e muitos menos ajudá-las a irem pro inferno!
    Deus mais uma VEZ agindo na minha vida! Glória a Ti Senhor!
    Termino dizendo:
    A diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem!
    Paz e Bem

    • Camila,
      Ficamos muito contentes em saber que, de alguma forma, o serviço que prestamos para o Senhor lhe foi útil. Sim, glória a Deus! Obrigada por ter nos contado seu testemunho.
      Paz e Bem!

  • Thiago

    Como na produção cervejeira a água é aquecida, as bactérias são mortas; se não todas, boa parte. Daí o consumo de cerveja naquela época ser, em muitos casos, mais seguro que o da água.

    Uma curiosidade: tanto é que a cerveja ajudava na nutrição dos jejuantes (e dos pobres), que o estilo Weizenbock, a base de malte de trigo, ficou conhecido como pão líquido.

    Enfim, matéria muito interessante. Parabéns.

  • Tchimbaya

    Catequista, eu Sou de Angola e tenho acompanhado quase sempre os vossos post, É bem fixe e me ajuda bwé. Sou um dos poucos católico na minha cidade que defende a igreja verdadeira com unhas e dentes (rs rs rs ). Os vossos posts têm me ajudado mto, que até mtos perguntam pra mim se estudei no seminário.

    Às vezes tenho me deparado com protestante que diabolisão mto o álcool, tenho sido firme nas minhas intervenções mais quero saber mais sobre o a posição da igreja sobre o assunto… vcs têm me ajudado mto se poder postão algo sobre o assunto. Abraços

    • Oi, Tchimbaya!
      Ficamos contentes em receber seu comentário.

      A posição da Igreja sobre o consumo de bebida alcoolica está clara no Catecismo: “A virtude da temperança manda evitar toda espécie de exceção, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos.” (CIC, 2290). Ou seja, o pecado está NO ABUSO do consumo da comida, álcool, medicamentos etc., pois nenhuma dessas coisas é má em si.

      Por exemplo, os calmantes e antidepressivos são medicamentos muito importantes. Porém, há pessoas que usam de forma tão abusiva esses medicamentos, que eles acabam se tornando drogas maléficas. Com a bebida alcoolica ocorre o mesmo: seu consumo pode até mesmo ser benéfico, mas o abuso de seu uso pode ser terrível.Atenção: o abuso é problema, e não a bebida em si.

      Sobre esse tema, falamos mais neste post:
      Birita: a minha religião permite. E a sua?
      http://ocatequista.com.br/archives/2120

      Abraço!

  • VH Ferreira

    Podem me passar as fontes dessas informações?
    Desde já lhes agradeço ! =)

  • João Pedro Strabelli

    Acabei de virar devoto de Santa Brígida (brincadeirinha… mais ou menos).

    Acho que poderíamos acrescentar mais algumas coisas. A cerveja, ou as bebidas alcoólicas em geral, tem uma espécie poder socializador. Não dá pra imaginar uns caras batendo papo em volta de drogas, mas de cerveja, sim.

    Nem todo mundo que bebe faz besteiras. Com meus amigos, quase sempre que tomamos uma(s) falamos de religião. Sempre que consigo voltar à minha cidadezinha e tocar na missa (meu irmão faz parte do grupo de canto até hoje), terminamos a noite com uma ou duas, se eu não for dirigir, e ficamos conversando sobre as músicas sacras.

    A bebida alcoólica em si não é um mal. Inclusive, em doses moderadas, faz a pessoa viver mais. Acho que vale repetir o “doses moderados” em alto e bom som mas em pequenas e comedidas doses.

    Em relação à ocasião de pecado, que é o que eu mais ouço, a resposta seria sim e não. Conheço gente que não bebe mas fuma e cheira e faz um monte de besteiras. A bebida aí pode ser uma das causas, mas se não tiver ela, procura-se outras.

    Aí alguém deve estar pensado: “Que alcoólatra! Nunca falou tanto aqui” Em boa parte das festas que vou evito tomar qualquer coisa. É de opinião. Gosto de cerveja sim, mas no dia em que ela mandar em mim eu paro na hora. Parando de vez em quando, especialmente naquela fim de tarde de uma sexta-feira estupidamente quente pedindo uma cerveja estupidamente gelada, eu prova que mando nela.

  • PAC

    Prezados,

    Como não encontrei nenhuma postagem aqui específica sobre o jejum, e como acho as postagens deste site muito coerentes e corretas, gostaria de perguntar:

    1 – Me sinto ainda em processo de conversão, buscado a oração frequente, confissão e eucaristia, mas tenho caído facilmente em meus “vícios”, principalmente da líbido e da cerveja (em excesso algumas vezes). Já estou num momento de fazer jejuns?

    2 – Tenho feito o jejum de carne todas as sextas, mas acabo substituindo por outras comidas saborosas, estou fazendo errado?

    3 – Evoluindo nestes aspectos que acredito que não tenho feito corretamente, posso trocar o dia do jejum? Na sexta-feira faço natação, e fica difícil controlar o apetite depois da aula.

    Obrigado.

    • Oi! Temos uma postagem sobre o jejum na Quaresma, creio que possa te ajudar em algo. Até porque, nesse post, há o link para um texto de São João Paulo II sobre jejum, seria bom você ler tb:
      http://ocatequista.com.br/archives/4545

      1- Mesmo para quem é muito santo, o jejum é sempre maravilhoso, é sempre bom para a edificação espiritual. Uma boa motivação para o jejum pode ser a OFERTA. Você pode pensar em alguém – amigo ou desconhecido – que esteja sofrendo ou que precise de conversão, e pode oferecer seu jejum por essa pessoa.

      Quanto à cerveja, te recomendo, com base no que já vi na vida de vários amigos: corte completamente. Faça abstinência total, ao menos por um ano. Se não for alcoólatra, mas apenas alguém que abusa com certa frequência da cerveja, volte a tomar depois de um ano, e veja se consegue fazer isso com moderação. Mas por hora, está claro que não consegue se moderar, então corte radicalmente.

      Quanto à luxúria, certamente o jejum vai te ajudar (bem como a oração confissão e comunhão, que você, na graça de Deus, tem buscado com frequência). Mas também a prática da caridade pode te fortalecer muito, pois há enorme prazer e alegria em servir gratuitamente às necessidades do próximo. Veja como pode ajudar, ainda que com gestos pequenos e simples, em alguma ação de caridade, que seja frequente e continuada. O prazer mais profundo e duradouro que a caridade te dará e o amor que vem do serviço gratuito certamente ajudarão a preencher o vazio que você busca preencher com coisas ilícitas, cujo prazer é fugaz, ilusório e deixa um sabor amargo na boca.

      2- Não sei responder. Seria bom você tirar essa dúvida com um bom diretor espiritual. Você tem um? Participa de algum movimento católico? Seria bom.

      3- Acredito que sim.

      Saiba que Jesus se alegra pelo fato de você não estar acomodado e estar buscando a santidade. Conte com ele nesse caminho, e jamais desista, a despeito de suas quedas. A quem bate, a porta será aberta. O médico veio para os doentes. Infeliz é aquele que se acha são, e assim se considera menos necessitado do médico. Abraço!

      • Paulo

        Obrigado pela resposta. Realmente é difícil controlar e deixar maus hábitos de anos, mas com a graça de Deus tenho aos poucos conseguido evoluir, ser mais moderado (até emagreci bastante nesse período).

        Não tenho diretor espiritual, onde conseguir? Uma vez li que na Opus Dei era fácil, mas fiz contato com eles e o questionário para iniciar contatos acabou me inibindo, não que fosse algo extraordinário, mas por que acabei no “deixa pra depois”.

        Eu não participo de nenhum movimento ainda, estou estudando primeiro, pois vejo que algumas pessoas tem boa vontade, mas não sabem muito bem o que estão fazendo. Fico com medo de mais atrapalhar do que ajudar.

        Tenho lido muito sobre a Igreja como um todo, mas as vezes parece que muito “conhecimento” começa a deixar a gente confuso, um peixe fora d’água. Já é difícil encontrar pessoas para conversar, pois a maioria parece não se interessar em assuntos mais profundos.

        Graças a Deus existem sites como este, pois online vou conseguindo esclarecer dúvidas e melhorar como católico.

        • Paulo, um bom diretor espiritual se consegue, em primeiro lugar, com oração. Peça a Deus que coloque em seu caminho um bom sacerdote, que possa facilitar seu caminho de santidade. Sim, tenho amigos que são orientados por sacerdotes da Opus Dei, eles possuem essa disponibilidade. Também em algumas paróquias há bons sacerdotes disponíveis para aconselhar as almas. Se não for o caso da sua paróquia, além da Opus Dei, há a opção de procurar o movimento Regnun Christi ou o Comunhão e Libertação, entre outros bons movimentos eclesiais.

          Sim, é bem verdade que há alguma confusão em certas comunidades católicas, mas é importante que você veja a essência da espiritualidade, se é uma proposta bem consolidada. Se assim for, os limites humanos dos membros da comunidade ficam em segundo plano, e aproveita-se muito o conteúdo.

          De qualquer forma, nos Evangelhos e nas cartas dos Apóstolos, fica evidente que o cristianismo é um caminho que passa pelo humano. É importante que os irmãos se reúnam, que possam contar um com o outro, que se aconselhem e se apoiem mutuamente. Claro, sempre haverá atritos e fofocas (como em toda família, vemos isso no Novo Testamento), mas não devemos abrir mão de uma rica vida em comunidade. Com a exceção de algumas vocações bem específicas – como a dos eremitas – é fundamental apertar os laços de amizade cristã e gastar tempo com esses irmãos.

          • Paulo

            Obrigado. Vou seguir as dicas e perseverar na oração, confissão e comunhão. Deus vai encaminhar as coisas, a participação em movimentos até já tem se encaminhado. Só preciso deixar um pouco de lado o comodismo e partir para ação.

            Que Deus abençoe este site.

        • Padre Orlando Henriques

          Se tem o propósito de se abster de carne, não deve substituir a carne por outro alimento que seja do seu especial agrado, pois assim a renúncia perde o seu carácter penitencial. Há um documento da Conferência Episcopal Portuguesa que fala destas coisas e distingue o jejum da abstinência: http://www.liturgia.pt/documentos/jejum.php
          Neste caso, o que você se propôs a fazer é ABSTINÊNCIA (de carne), acerca da qual o referido documento diz o seguinte:

          «A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. MAS poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, SOBRETUDO mais requintados e dispendiosos OU DA ESPECIAL PREFERÊNCIA de cada um.»

          Estas normas foram decretadas pela Conferência Episcopal Portuguesa; não sei como é no Brasil, mas não deve ser muito diferente.

          De qualquer maneira, e mesmo para além do que as normas digam, a verdade é que a penitência implica sempre crucificar o nosso egoísmo: é um treino duro em que aprendemos a morrer a nós próprios (isto é, ao nosso egoísmo) para sairmos de nós mesmos ao encontro de Deus e do próximo. Por isso é que implica fazer um pouco daquilo não nos agrada tanto; e por isso é que este tipo de práticas devem estar associadas a alguma forma de caridade para com o próximo (como bem lembra a Catequista e o documento da CEP).
          MUITO IMPORTANTE: o amor é que nos move! É por amor que se faz penitência, e não por estoicismo, nem por masoquismo, nem para cumprir apenas uma lei, nem para provar a ninguém (nem sequer a mim mesmo) que “sou capaz”…

          • Paulo

            Pe. Orlando, sua bênção! Obrigado pela resposta. Eu tenho essa sensação de “treinamento” durante os jejuns, mas também percebia que essa substituição da carne por outras alimentos que eu gosto, tirava o sentido do jejum.

            O texto de São João Paulo II, os artigos dA Catequista e as respostas aqui me confirmam o que eu imaginava. Não estava fazendo muito corretamente não.

            Preciso colocar um significado verdadeiro ao meu jejum, e creio que na oração e na caridade (como me recomendaram) tenho que buscar fazê-lo com amor, pois ainda não sinto que faço com amor.

            Me corrijam se cheguei em uma conclusão errada, mas então se, nas sextas normais (não da quaresma), eu fizer uma oração maior do que a minha habitual, e não jejuar de alimentos devido aos exercícios físicos, estou fazendo certo, correto? O jejum de alimentos pode ser feito em outros dias, correto?

            Eu sou muito indisciplinado, por isso, via o jejum como forma de progredir espiritualmente e como pessoa. O texto de São João Paulo II aborda este ponto, foi bom lê-lo.

            Tenho feito outras formas de jejum, por exemplo, nada de Facebook no finais de semana, mas da forma que eu estava fazendo meus jejuns estavam tornando-se meras formalidades vazias.

            Agradeço novamente Pe. Orlando e A Catequista, pois me ajudaram a enxergar que preciso um sentido maior, não só no jejum, mas em todas as minhas práticas espirituais.

  • wilson borges da silva

    Oi Alexandre. Obrigado belo trabalho à respeito da cerveja. Gostaria de saber a fonte de pesquisa. Forte abraço e continue nesta sua alegre e edificante matérias sobre a Santa Igreja. Paz e Bem.

  • O beber socialmente tem um problema,a bebida é a chave do pecado menti…

  • Tudo é questão de espiritualidade.
    Se uma pessoa não se relaciona com Deus, ela pode se desequilibrar em muitas ocasiões, por isso, os mundanos cedem facilmente ao vício. Afinal, o que é um copo de cerveja para uma pessoa dedicada a Deus a não ser deguste moderado e muitas vezes esporádico? Eu particularmente, repudio bebida alcoólica. Sobeja nojo! Experimentei um gole de vinho, me deu ânsia de vômito. Isso é questão de gosto. Mas, que Cristo Senhor, feitor de uma bebida alcoólica, sinal de seu primeiro milagre, inspire em Sua perfeita sobriedade àqueles que tomam álcool e derivados.

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