Especial Heresias – abobrinhas sobre a Santíssima Trindade

Como já explicamos no primeiro post desta série, as heresias ameaçam a alma dos fiéis desde os tempos das comunidades primitivas. Sua característica fundamental é a falsificação da doutrina católica: a mentira se fantasia de verdade evangélica, para enganar os católicos menos prevenidos.

Um dos maiores mistérios da nossa fé é a Santíssima Trindade: três Pessoas divinas, um só Deus. Sobre esse dogma, muitos orgulhosos levantaram a voz para divulgar tolices. Veremos hoje quais foram as “heresias trinitárias” que surgiram entre os séculos II e IV.

Monarquianismo

O monarquianismo dinamista ensinava que Jesus não era Deus desde o princípio, mas foi adotado por Deus Pai como Filho no momento de Seu Batismo, quando teria recebido o poder divino. Jesus seria, então, um homem comum que foi tornado divino, permanecendo, porém, inferior ao Pai.

jesus_adotado

O inventor dessa teoria foi Teódoto de Bizâncio, um mercador de couro, sujeito muito culto, que sacava tudo de cultura grega. Depois que Teódoto foi excomungado pelo Papa São Vítor (ano 190), seus discípulos renegaram o Papa, fundaram uma nova igreja e elegeram um antipapa, chamado Natal. O papa fajuto, porém, arrependeu-se de seus erros e voltou a fiel ao bispo de Roma.

Surgiu, posteriormente, outra variação dessa heresia: o monarquianismo modalista, cujo criador foi o padre Noeto de Esmirna. Ele dizia que o Filho não era uma pessoa distinta do Pai, mas sim uma das modalidades (daí o termo “modalismo”) com a qual Deus Pai se manifestava. Sendo assim, entendia-se que quem padeceu na cruz foi o próprio Pai, manifestado na forma do Filho. Noeto foi excomungado.

Em Roma, o pregador Sabélio foi além: disse que o Espírito Santo também não era uma das Pessoas da Santíssima Trindade, mas sim mais outra modalidade sob a qual Deus se revelava. As Três Pessoas, segundo Sabélio, seriam como uma “máscara” usada por um mesmo ator de teatro: Deus seria uma só pessoa desempenhando três papéis, ou seja, usando três “máscaras” diversas.

Arianismo

No século IV, um padre chamado Ário de Alexandria começou a ensinar que o Filho não era divino como o Pai; era tão somente uma criatura do Pai, a mais importante de todas. Coube ao bispo Alexandre de Alexandria, no ano 318, reunir 100 bispos locais e dar uma voadora teológica nos peitos de Ário: após discutirem, todos condenaram essa doutrina como herética.

Ário, porém, tinha muitos fãs, o que tornou mais difícil combatê-lo. Até mesmo um santo foi enviado para tentar iluminar o herege – o bispo Ósio de Córdoba –, mas nem assim sujeito tomou tento. O imperador Constantino, então, convocou o Concílio Ecumênico de Nicéia, na Ásia Menor. Compareceram mais de 300 bispos, vindos de todas as partes do mundo cristão.

Depois de muita discussão, os bispos conciliares concluíram que a tese ariana era mesmo herética, e que Ário era um otÁrio. Eis a doutrina correta:

  • o Filho não foi criado pelo Pai, mas sim gerado;
  • o Filho existe junto com o Pai desde toda a eternidade: jamais houve um tempo em que o Filho não tenha existido;
  • o Filho é da mesma natureza divina do Pai, ou seja, da mesma substância (consubstancial).

Para combater a heresia ariana, redigiu-se um “Credo” mais explicadinho – o Credo de Nicéia –, botando o preto no branco:

Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo,
o Filho de Deus,
unigênito do Pai,
da substância do Pai;
Luz de Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai; (…)

OtÁrio e quatro bispos bateram pézinho e não acataram os ensinamentos do Concílio de Nicéia. Foi então que tomaram um pedala do Imperador Constantino, que os mandou pro exílio. Após a morte de Constantino, porém, alguns bispos começaram a se rebelar contra o Concílio de Nicéia, como o apoio do novo imperador.

Contra os erros dos arianos, lutou bravamente o bispo Santo Atanásio (em ação na imagem abaixo). O Imperador passou o rodo nesse santo e nos demais bispos não-arianos, expulsando-os de Alexandria. Enquanto isso, perdidos em vaidades, confusões e disputas teológicas, os arianos se dividiram entre si.

atanasio_arianismo

Após o Concílio de Nicéia, foram mais de 50 anos de quebra-pau, até que o arianismo perdesse força. Essa vitória se deu pela força da pena de três doutores da Capadócia: São Basílio de Cesaréia (+379), São Gregório de Naziano (+390) e São Gregório de Nissa (+394). As palavras desses homens em defesa da correta doutrina ecoaram na cristandade, desmoralizando os hereges e dissolvendo os enganos.

Por fim, o Concílio Ecumênico de Constantinopla I (381) reafirmou os ensinamentos do Concílio de Nicéia sobre a natureza divina de Jesus Cristo e, além disso, reforçou a crença na divindade do Espírito Santo. Assim, a Igreja se opôs não só à heresia de Ário sobre o Filho, mas também à heresia de Macedônio sobre o Espírito Santo, que veremos a seguir.

Foi no Concílio Ecumênico de Constantinopla I que surgiu o Credo Niceno-Constantinopolitano, que rezamos na Missa em algumas celebrações mais solenes.

Macedonianismo

Em Constantinopla, um bispo ariano chamado Macedônio tomou chá-de-cogumelo estragado e começou a divulgar que o Espírito Santo não era Deus, mas sim um mero espírito servidor. Macedônio foi deposto no ano 330, mas reuniu muitos seguidores. Como já dissemos, tal heresia foi debatida e combatida no Concílio Ecumênico de Constantinopla I.

Se o papa, os bispos, os santos e doutores da Igreja não tivessem lutado bravamente contra tais heresias, estaria ameaçada a crença na divindade eterna do Filho, bem como na divindade do Espírito Santo. Vendo o duro combate travado por esses homens, muitos católicos-jujuba seriam capazes de dizer que eles eram malvados e estavam julgando o irmão… Aff!

A série continua. Acompanhem!

*****

Esse post se fundamenta no artigo de Dom Estêvão Bettencourt, OSB, sobre as Heresias Trinitárias.

33 comments to Especial Heresias – abobrinhas sobre a Santíssima Trindade

  • Robson Paz

    Pessoal, vocês poderiam me indicar um material bom sobre a santíssima trindade. Eu mesmo tenho muitas dúvidas, porque nos evangelhos, a leigos como eu, dá a entender que Jesus é menor que Deus. SEi que isso é uma absurdo total, e creio com todas as minhas forças o que nosso credo professa, mas queria entender mais essa questão.

  • Lucas Farias

    Magnífico post.
    Com certeza vai para a minha lista de posts a serem utilizados nas aulas de Crisma.
    Deus continue abençoando vocês e aguardando pelos demais posts da série, em especial com as heresias da atualidade.

  • Sidnei

    Vale lembrar que o arianismo nos dias de hoje ainda sobre vive em algumas seitas pseudo cristãs como os testemunhas de Jeová que não acreditam na SANTÍSSIMA TRINDADE, alegam que JESUS é o anjo Miguel encarnado, um deus menor e o ESPÍRITO SANTO nem DEUS e nem pessoa É, mas a força que vem de DEUS. Parte da crença dos testemunha de Jeová vem das sua Bíblias mau traduzidas cuja tradução vai de acordo no que eles creem e não na tradução correta, pois raciocinamos, se somente a tradução da Bíblia deles esta correta todas as demais traduções (sejam de católicos, protestantes e até de ortodoxos sendo estes, a grande maioria, leem a Bíblia no seu original grego)estão errados, mas, não é muita pretensão de eles (os testemunhas de Jeová) acreditarem que somente eles estão corretos, e o restante do cristianismo errados?. Quer dizer que a verdadeira tradução, a correta só apareceu nos meados do fim do século XIX e inicio do século XX justamente quando se originou esta seita, e as demais traduções que foram feitas até estas datas estavam todas incorretas, desde as traduções feitas por São Jeronimo passado até mesmo pelas traduções de Lutero e Calvino, ou seja, até mesmo os tradutores que vieram da reforma protestante não viram os erros de traduções vindas dos católicos, somente os sábios e valorosos testemunha de Jeová é que enxergaram?, façam-me o favor!. Quanto a dúvida do Robson o qual cai nas passagens em que JESUS se diz menor que o PAI, ele poderá encontrar as respostas nos escritos citados pelo pessoal que aqui indicaram tais escritos, mas de antemão coloco que se JESUS se fez menor que o PAI foi do fato que ocorre que JESUS tendo duas naturezas, humana e divina, ELE será menor que o PAI como ser humano e também como enviado pelo PAI, o qual se esvaziando de toda sia glória divina (sem deixar de ser DEUS) se tornou como um de nós (menos no pecado) quando fora enviado pelo PAI, como atesta São Paulo em sua carta aos Filipenses 2, 6-11, mas mesmo JESUS se colocando menor que o PAI, ELE também se coloca muitas vezes igual ao PAI como demonstram as seguintes passagens bíblicas:
    “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (São Lucas 10, 22)
    “Desse modo, todos honrarão o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que o enviou. (São João 5, 23)”
    “Mas ele lhes disse: Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também.” (São João 5, 17
    “Por esta razão os judeus, com maior ardor, procuravam tirar-lhe a vida, porque não somente violava o repouso do sábado, mas afirmava ainda que Deus era seu Pai e se fazia igual a Deus.” (São João 5, 18)
    “Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho.” (São João 5, 19)
    “Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer.” (São João 5, 21)
    “Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai.” (São João 8, 19)
    “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras.” (João 14, 8-11)
    “Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará.” (São João 16, 15)
    “Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado.” (São João 17, 5)
    “22. Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno.
    23. Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.
    24. Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: Até quando nos deixarás na incerteza? Se tu és o Cristo, dize-nos claramente.
    25. Jesus respondeu-lhes : Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim.
    26. Entretanto, não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
    27. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
    28. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão.
    29. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai.
    30. Eu e o Pai somos um.
    31. Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedejar.
    32. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais?
    33. Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus.
    34. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)?
    35. Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada),
    36. como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus?
    37. Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais.” (João 10, 22-37)

  • LIA ARAUJO

    boas noticias, falarei sobre elas na catequese com adultos e crisma.

  • Amanda

    Olá, adorei o post, como sempre MUITO BOM.

    Só passei para desejar-lhes um maravilhoso 2014, a equipe catequistas e todos os visitantes desse excelente blog!!! a Paz de Cristo e o amor de Maria.

  • Muito bom os post , gostei demais, como e bom aprendermos mais e mais , sobre as coisas de DEUS.

  • Olá, sou catequista em minha comunidade e tenho muitas dúvidas e estes posts têm caído como bênçãos de Deus. Parabéns pelo trabalho!
    Mas gostaria de aprender mais sobre como saber diferenciar o que é igreja e o que é considerado seita, hoje em dia com a banalização cada vez maior do que se considera verdadeiramente igreja de Cristo fica cada vez mais difícil explicar não só na catequese mas também paras as pessoas que me perguntam o por que de tantas igrejas diferentes e se todas são válidas. Desde já agradeço pela ajuda.

    • Harun Salman

      Milene, etimologicamente, “seita” vem do substantivo feminino “secta”, caminho, como derivação do particípio passado do verbo “sequi”, seguir. Metonimicamente, significa algo como uma escola de pensamento. Devido à associação com a homônima “secta”, derivada do particípio passado do verbo “secare”, cortar, “seita” passou a ser definida somente negativamente, expressando um grupo que se separou de outro, implicitamente mais numeroso. Igreja é um nome especificamente cristão e que não tem correspondente exato fora da cultura cristã. Só podemos falar de “igreja” em outra cultura que não a cristã em sentido figurado. Dentro da cultura cristã, “igreja” é, em sentido estrito, o Corpo Místico de Cristo e só se aplica dessa forma onde há continuidade histórica, ou seja, na Igreja Católica. Em relação às outras “igrejas”, na realidade seitas protestantes, nós assim as chamamos em sentido lato, pois mesmo sendo a continuidade histórica imperfeita (para dizer o mínimo), há alguma continuidade: pelo batismo, por exemplo. Espero que seja isso o que você perguntou. Um feliz ano novo para você!

  • cristiano

    queria tirar uma duvida se o que penso seria a heresia da modalidade . Sendo Deus , Jesus e espirito Santos da mesma substância ,como água na forma liquida , solida e gasosa . Poderia trindade se junta no céu numa só pessoa com aparência de Jesus cristo

    • Cristiano, tentarei ser o mais claro e breve possível, mas isso dependerá também da sua capacidade de entender o que é um mistério inefável e quase intangível como o é o da S. Trindade, vamos lá.

      Em primeiro lugar temos que entender o que é um mistério, o que poderia ser entendido assim: um mistério é algo que, independente do esforço que se faça, é impossível ser plenamente desvendado pela razão. O motivo pelo qual nenhuma outra religião crê que Deus seja Uno-Trino, é que é IMPOSSÍVEL pela simples razão entender essa realidade, sabemos que Deus é Uno-Trino só porque DEUS MESMO se Encarnou e nos disse que Ele é assim, ou seja: só sabemos do mistério trinitário por Revelação Divina.

      Em segundo lugar, é preciso compreender que tendo em vista os dados revelados (o a dogmas da unidade de Deus e trinitário), não há dúvida que surge uma tensão entre eles. “Como Deus pode ser Uno e ao mesmo tempo Trino?” – nos questiona a razão.

      Essa tensão não é algo ruim, mas parte integrante para a adesão à verdade da fé. Vamos juntos tentar responder a essa questão juntos, com o auxílio da graça.

      Façamos duas perguntas então para o Mistério: “quem e o que é Deus?”

      1º) Quem Ele é – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai é distinto do Filho e do Espírito; o Filho é distinto do Pai e do Espírito; e o Espírito é distinto do Pai e do Filho. As Pessoas divinas SÃO DE FATO DISTINTAS, e a prova disso é bem simples: o Pai gera o Filho, mas Ele não é gerado ou procede de ninguém; o Filho é gerado pelo Pai, mas não é Aquele que gera ou Aquele que procede; o Espírito procede do Pai pelo Filho e do Filho pessoalmente, mas não gerado nem muito menos gerador.

      2º) O que Ele é – Deus. Deus é, por definição, um Ser perfeitíssimo, Criador de tudo, fonte de toda a Vida, que não foi criado por nada e sempre existiu. Deus é Criador, ninguém o criou. Ora, as Três Pessoas Divinas se enquadram nessa definição, então, Deus é o Pai, o Filho e o Espírito. O Pai é tão Deus quanto o Filho e o Espírito. O Filho é tão Deus quanto o Pai e o Espírito. O Espírito é tão Deus quanto o Pai e o Filho.

      Sobre sua analogia com a água, digo o seguinte: não a utilize. Não há analogias para com o mistério trinitário. Vapor, líquido e sólido, não são Pessoas distintas, são estados físicos. Deus não tem isso.

  • Fernando Henrique

    Gostei da dúvida de Cristiano confesso que me deixou bastante intrigado.
    Sempre imaginei o Espírito Santo como uma força divina e não como Deus, para falar a verdade é difícil imaginar como deus. Nunca tive problema para acreditar em Jesus como divino, mais o Espírito Santo confesso que é difícil, se tiver como me ajudarem falando mais sobre o Espírito Santo seria ótimo obrigado.

    • Sidnei

      Com relação a esta dúvida devemos levar em conta a respeito do ESPIRITO SANTO:

      1º) ELE é relacionado com o PAI e o FILHO: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”(Mat. 28,19); “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” (II Cor. 13, 13).

      2º) ELE não pode ser relacionado como algo abstrato como alegam certas seitas. Por haver certas passagens bíblica o qual o ESPIRITO SANTO se encontra em meio de citações de coisas abstratas como estas passagens por exemplo: “Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. (São Lucas 1, 35); “ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. (São Lucas 3, 16);“Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (Atos dos Apóstolos 2, 4); “Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. (Atos dos Apóstolos 2, 18); “Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. (Atos dos Apóstolos 6, 3); “Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. (Atos dos Apóstolos 6, 5),; “Então eu me lembrei do que o Senhor havia dito: ‘João batizou com água, mas vocês serão batizados no Espírito Santo’. (Atos dos Apóstolos 11, 16). O ESPIRITO SANTO ser relacionado com algo abstrato como: força; fé; sabedoria, isto não prova que ELE não seja pessoa e muito menos uma pessoa divina, JESUS mesmo disse de SÍ próprio: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (São João 14, 6), Verdade e Vida são coisas abstratas, não podemos depreender daqui que JESUS se dizia que era algo abstrato, e São Paulo também dirá a respeito de JESUS CRISTO: “nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, ele é o Messias, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (I Cor. 1, 23-24), Poder e Sabedoria são coisas abstratas, não podemos depreender daqui que São Paulo esta dizendo que JESUS se transformou em algo abstrato como Poder e Sabedoria, São João Evangelista escreveu a respeito de DEUS: “E nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.” (I São João 4, 16), amor é algo abstrato, se DEUS é amor, podemos depreender aqui que DEUS seja algo abstrato?. Quanto dizer que uma pessoa esta cheia do ESPIRITO SANTO é fato aqui dizer que tal pessoa esta sob a ação do ESPIRITO SANTO, e o fato de sermos batizados no ESPIRITO SANTO ou o ESPIRITO SANTO ter sido derramado sobre nós, isto não é nada estranho haja vista que de JESUS também se diz: “Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?” (Romanos 6, 3); “pois todos vocês, que foram batizados em Cristo, se revestiram de Cristo.” (Gálatas 3, 27).

      3º) Com relação a pessoalidade e a Divindade do ESPIRITO SANTO, devemos salientar três características para que um ser seja denominado como pessoa, que são: a Inteligência, a Vontade e a Liberdade, e estas três características acompanhadas pela divindade, podemos observar nas seguintes passagens bíblicas:

      Inteligência: “. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.” (João 16, 12-13), JESUS não só alega que o ESPIRITO SANTO é pessoa pois possui inteligência para ensinar como é DEUS, pois tem uma inteligência infinita, haja vista, que somente DEUS conhece toda a verdade, como atesta São Paulo também quando diz que o ESPIRITO SANTO conhece a DEUS por inteiro: “Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” (1º Cor. 2, 10-11), assim como o FILHO conhece o PAI por inteiro: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. (São Lucas 10, 22), assim se dá também com a pessoa do ESPIRITO SANTO, o qual tendo a mesma natureza divina da do PAI e do FILHO conhece ao PAI e ao FILHO por inteiro.

      Vontade: Quem tem vontade, faz ou manda fazer: “Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.” (Atos 13,2).

      Liberdade: “Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz.” (1º Cor. 12, 11). Se o ESPIRITO SANTO distribui dons espirituais aos membros da Igreja, isto demonstra que ELE tem liberdade que é uma das características que faz um ser vier a ser pessoa, e portanto, através destas passagens, se prova que o ESPIRITO SANTO, não somente é pessoa, como também pessoa Divina.

  • Dentre todas as heresias trinitárias, o donatismo é a mais viajada MESMO.

    • Sidnei

      Cadu, poderia me explicar sobre a heresia donatista, pois fui pesquisar sobre estes hereges e não encontrei nada contra a SANTÍSSIMA TRINDADE, apenas que eles não admitiam de volta, ao seio da Igreja aqueles que fracassaram durante as duras perseguições que houveram no inicio da Igreja (http://pt.wikipedia.org/wiki/Donatismo), você poderia nos esclarecer melhor sobre isto?. Obrigado.

  • yuri

    Fiquei um pouco confuso nessa parte aqui. Se Jesus foi gerado, como que sempre existiu junto com o pai? E qual seria a diferença entre gerado e criado? E sobre o Espírito Santo, como seria essa questão da processão?

    • Sidnei

      Yuri, vou tentar explicar isto a maneira como eu entendo, qualquer um aqui do blog pode vir a me corrigir se caso eu estiver errado. Dizer que JESUS foi gerado pelo PAI isto não quer dizer que JESUS passou a existir a partir de um determinado momento, mas vejamos, nós temos a natureza humana, fomos gerados pelos nossos pais que também são seres humanos e por isto temos a natureza humana, cuja natureza será repassada a nossos filhos se viermos os gerá-los. DEUS PAI gera o VERBO, se DEUS PAI, que não possui uma natureza humana, mas, divina, gera o FILHO, O VERBO, qual natureza o FILHO, O VERBO ETERNO DE DEUS, vai ter?, é claro que será a natureza divina, e tanto o PAI quanto o FILHO terem a mesma natureza é que fazem DELES um SÓ DEUS, juntamente com o ESPIRITO SANTO. O fato de o PAI gerar o FILHO isto não se dá em um determinado tempo na história e sim na eternidade, pois DEUS PAI que possui uma natureza divina é eterno, sempre existiu, assim acontece com o FILHO o qual fora gerado na eternidade, e portanto sempre existiu com o PAI. Parece um paradoxo, pois quando falamos em geração parece sempre haver um ato em um determinado momento no tempo e no espaço, mas em se tratando de DEUS isto não acontece porque ELE é atemporal, esta fora de nosso tempo, ELE existe desde sempre, e por isto a geração do FILHO se deve situar nesta eternidade, sua geração ocorreu desde sempre, já que ambos são possuidores da natureza divina, cuja natureza existiu desde sempre, desde a eternidade. Não sei se fui claro, este assunto é bem complexo, nenhuma mente humana jamais entenderá na integra pois é um mistério que envolve o próprio DEUS, e sabemos que nunca nem ninguém poderá conhecer a DEUS por inteiro, a não ser que possua a mesma natureza divina da do PAI e que portanto chegará a ser DEUS também com o PAI, e nas Sagradas Escrituras somente JESUS CRISTO pode assim dizer: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (São Lucas 10, 22), e a pessoa do ESPIRITO SANTO São Paulo também assim escreveu a respeito do conhecimento integral de DEUS PAI pelo ESPIRITO SANTO, demonstrando nisto que o ESPIRITO SANTO também é DEUS com o PAI e o FILHO: “Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” (1º Cor. 2, 10-11).

  • Marcio

    Sempre foi especulado que Jesus não é como a igreja o retrata – branco de olhos azuis -, afinal, por que existe tanta confusão a respeito da aparência física de Jesus?

    • Márcio, desconheço qualquer polêmica relevante sobre a aparência física de Jesus. As imagens mais antigas de Jesus, ao menos as conhecidas, mostram que possuía cabelos e olhos castanho-escuros. Os ícones antigos do Cristo Pantocrátor o apresentam assim, bem como as imagens de Cristo feitas pelas comunidades primitivas nas catacumbas.

      Agora, conforme o cristianismo foi se difundindo pela Europa Ocidental, é normal que os artistas dessa região retratassem o Senhor com características físicas similares à dos europeus ocidentais: cabelos louros, olhos azuis. É um processo de inculturação muito sadio e normal, que também ocorre com outras etnias. Agora, o fato é que Jesus era judeu, nascido na atual palestina, tinha os traços típicos dessa região.

  • Paulo

    Para quem deseja um livro que trata de forma abrangente sem ser cansativo todas as heresias dos primeiros séculos do Cristianimo (Séculos I a VII), recomendo o livro “História das Heresias” do Roque Frangiotti pela Paulus.

    Por tabela, para cada chamuscado de controvérsia herética, havia um Concílio para apagar as chamas. Assim, recomendo o livro “História dos Concílios Ecumênicos” de Giuseppe Alberigo, também pela Paulus.

    Só uma ponta na história de Ário…O Arianismo era muito forte na Igreja Oriental e não no Ocidente. De fato, após o Concílio de Nicéia, ele foi exilado, porém, partidários dele fizeram a cabeça de Constantino e o imperador pretendia reabilitá-lo marcando um encontro com Ário em Constantinopla…No caminho dessa viagem, Ário morre de forma inesperada.

    Fica a questão do “SE”…Se Ário não tivesse morrido e se encontrasse com Constantino (era um grande orador, leia-se, tinha uma baita lábia), certamente teria feito ainda mais a cabeça do imperador e o Cristianismo de hoje seria beeeem distinto doutrinariamente, afinal, o Credo Niceno deveu-se também ao fato de Constantino pender pela ortodoxia durante as discussões, tanto que, Eusébio, bispo de Cesareía, notório ariano (abrigou Ário quando de seu exílio) votou pelo Credo Niceno a contragosto apenas para não contrariar o Imperador (Eusébio se retratou com sua comunidade ariana na volta de Nicéia).

  • Paulo Macabeu

    Diz a lenda que quando chegou para participar do Concílio de Niceia, o bispo São Nicolau (o mesmo que chamamos carinhosamente de Papai Noel), ao ver o bispo Ário, foi imediatamente em sua direção e deu-lhe uma bofetada na cara.

    É irônico pensar que o presente do Papai Noel para o Ário foi uma porrada nos cornos. E ele nem esperou o natal chegar…

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