Bufunfa do Governo na JMJ: bom negócio para todos

Os espanhóis ficaram sorrindo de orelha a orelha após a realização da JMJ de Madrid, em 2011. E as razões não foram somente de ordem espiritual, mas também material. Confiram:

  • entrada de 354 MILHÕES DE EUROS na economia espanhola;
  • lucro de 13 MILHÕES DE EUROS somente em arrecadação de impostos;
  • aumento de 29% da ocupação hoteleira;
  • geração de 4589 empregos em toda a Espanha, sendo 2894 só em Madrid.

Então, vamos fazer a conta: se a JMJ custou 100 milhões para o governo espanhol, e houve uma entrada de 354 milhões de euros, temos aí um saldo positivo de… 254 milhões de Euros!!!

Segundo o jornal El País (maior jornal da Espanha), esses dados foram levantados por auditores independentes da Price Waterhouse Coopers.

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio prevê que a JMJ deverá injetar R$ 273,9 milhões no varejo carioca. Uma parcela disso vai direto para os cofres públicos, na forma de impostos. E estamos falando somente do varejo, sem falar dos lucros que serão gerados nos demais setores da economia! O fato é que os brasileiros e, em especial, os cariocas, têm muito a ganhar com isso.

jmj_seu_manoel

É bom notar que, além de ser um líder religioso, o Papa é um Chefe de Estado, que virá ao nosso país a convite do Governo:

“O papa é um líder religioso, mundial, e um chefe de Estado que recebeu convite oficial da presidenta da República, do governador do estado, do prefeito, em nome dos cariocas e dos brasileiros, para visitar a cidade. A Jornada não é um evento privado, não tem fins lucrativos, não vai vender ingresso. É uma celebração que vai trazer uma multidão e a prefeitura vai oferecer todos os serviços públicos para atender bem essa multidão: segurança, através da Guarda Municipal, limpeza e saúde”.

Eduardo Paes, Prefeito do Rio. Fonte: Site da Exame

Ficou claro? Não é um evento privado, mas sim PÚBLICO. E quem confirmou isso ontem foi a juíza Roseli Nalin, que negou o pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro contra a JMJ. O MPRJ alegava que não um estado laico não deve gastar dinheiro público com um evento privado, e queria bloquear a verba de R$ 7,8 milhões que a prefeitura destinará para os gastos com a saúde durante a JMJ. Mas o pedido de bloqueio foi negado!

Vejam um trecho da sentença:

“Dispor de estrutura mínima de atendimento médico nos locais de maior concentração dos eventos é obrigação do Sistema de Saúde Municipal, não podendo se conceber que evento de tal magnitude e visibilidade mundial tenha natureza privada.”

Roseli Nalin, juíza. Fonte: Site do Poder Judiciário do Estado do RJ

Já falamos sobre esse assunto (veja aqui): estado laico não é ateu… O estado laico simplesmente não privilegia nenhuma religião, mas dá suporte a todas, inclusive aos que não têm religião. Isso é democracia de verdade. E a sentença a favor da JMJ deixa isso claro:

“O afastamento do Estado em relação à religião (…) não tem o condão de impedir que o administrador público, fundado em razões de interesse público, decida por custear, com recursos do erário, determinados serviços que serão prestados aos participantes de evento desta natureza, ainda que haja, quanto ao mesmo, conotação religiosa. A referida conduta não caracteriza qualquer desvio de finalidade, nem tampouco confusão entre Estado e Igreja, eis que assim agindo não estará o Poder Público agindo com base em elementos religiosos, nem tampouco utilizando-se de recursos públicos para beneficiar esta ou aquela religião.”

Além disso, o texto da sentença observou o óbvio: se a verba para a saúde fosse bloqueada, isso poderia “gerar um cenário de absoluta insegurança e descrédito ao país, além de prejudicar milhares de pessoas que virão ao Rio de Janeiro para participar do evento com a certeza de que haverá serviços destinados a garantir sua saúde”.

O investimento do Estado para oferecer infraestrutura de segurança e saúde para a JMJ se baseia no princípio da necessidade de apoiar eventos de interesse público. Esse é o mesmo princípio que fundamenta o investimento de dinheiro público em eventos como o UFC, o Rock in Rio, Olimpíadas e Copa do Mundo, que pertencem a empresas privadas e possuem fins lucrativos (o que não é o caso da JMJ, que não tem fins lucrativos).

É com base nesse princípio também que o governo justifica o investimento de milhões dos nossos impostos nas paradas gays em todo o Brasil. Este ano, a cantora Daniela Mercury embolsou R$ 120 mil do governo da Bahia pra cantar na parada gay de São Paulo, evento que recebeu R$ 1,6 milhão da prefeitura da cidade. Além disso, a Petrobras e a Caixa Econômica, empresas estatais, também patrocinaram, doando mais R$ 220 mil. E não se viu chiadeira na mídia…

Já vi gente questionando: “será que se os seguidores do Candomblé resolverem fazer um evento, vão receber também esses milhões de investimento do Governo?”. Olha, nada impede. Desde que o número de pessoas atraídas e o retorno econômico esperado (interesse público) seja condizente. Será que um evento do Candomblé iria concentrar milhões de pessoas e atrairia milhares de jornalistas do mundo todo, a ponto de justificar tal investimento? Sorry…

Então, que fique claro: não se trata de favorecer uma religião, mas sim de dar suporte a um evento de interesse público. E vamos parar com a invejinha! Olha o despeito!

inveja

Termino com a excelente observação do leitor André Amaral:

“R$ 7,8 milhões para saúde em um evento que durará seis dias. Dando uma média de R$ 1,3 milhões por dia, sendo que a previsão mínima é de um milhão de peregrinos.

“Quer dizer, um real para cada peregrino. Investimento simplesmente na saúde. Nem é em estrutura que vai virar elefante-branco depois ou muito menos enriquecer um figurão da política. Pela amor de Deus.”

Os custos da JMJ estão sendo pagos com a inscrição dos voluntários e peregrinos, o dinheiro das empresas patrocinadoras e doações de católicos. O Governo só está assumindo a parte que lhe cabe: garantir saúde e segurança a uma multidão de visitantes, a maioria estrangeiros. Lembrando que 65% dos brasileiros são católicos, ou seja, o imposto dos católicos está sustentando esses investimentos.

Diante de tudo isso, nós católicos não podemos ficar parados!!! Existe um movimento forte pregando o boicote da JMJ. O que precisamos mesmo é ajudar a esclarecer as coisas os fatos junto aos nossos amigos. E a realidade aponta que o investimento do governo é justo, legal e necessário, e mais: a previsão é que haverá um grande retorno financeiro para o país e para a cidade, a exemplo de Madri.

Então, o que você está esperando???? Vamos lá!!! Vamos espalhar a verdade! Go Católicos, Go!!!!

20 comments to Bufunfa do Governo na JMJ: bom negócio para todos

  • Amigos,
    Vamos continuar rezando muito! O amigo Bruno Linhares nos mandou a notícia de que outra juíza mandou impedir o pregão com o uso da verba pública para os gastos com saúde na JMJ:

    http://g1.globo.com/jornada-mundial-da-juventude/2013/noticia/2013/07/justica-impede-pregao-com-uso-de-verba-publica-de-r-78-mi-na-jmj.html

    #RezepelaJMJ

  • a conta do André Amaral foi um excelente insight! Tem que virar nosso bordão!

    Ainda não há novidade sobre esse impasse do pregão, aparentemente. Estamos de olho.

  • Valeu galera, tamos juntos!

    Oremos pela nossa Jornada.

  • Amigos, e o que dizer do argumento de algumas pessoas que dizem que muitos comerciantes vão ter um grande prejuízo pois vão precisar fechar suas portas nos feriados?

    • João,
      Haverá dois dias de feriado total, e dois de feriado parcial (só uma parte do dia). A movimentação comercial perdida nesses feriados certamente será compensada pelos demais dias da Jornada, além dos dias anteriores e posteriores ao evento. Afinal, os peregrinos não ficam no Rio somente nos dias da Jornada, mas ficam alguns dias antes e depois.

      Isso sem contar que já faz dias que a cidade está mais cheia, com gente de toda a parte do mundo já chegando para a JMJ.

    • Danusa

      Galera,
      Só um esclarecimento: ficam excluídos do feriado comércio de rua, bares, restaurantes, shoppings centers, pontos turísticos e serviços públicos essenciais.
      Notícia daqui: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?id=4235531
      Mais um excelente post, Catequista (palmas, mais palmas, mais alto, sem paraaaar!)

  • Gêneto eugenio

    “Vem pra rua”…Aqui não!!!
    Bela resposta para aqueles que querem desprestigiar esse evento maravilhoso que percorre os quatro cantos do mundo levando O CRISTO a milhões de corações. #RezepelaJMJ sem parar.

    obs.Vem pra JMJ…

  • Thiago

    Confesso que o que é abordado pelo texto já está incutido em minha mente e todas as vezes que entro nesse debate, os argumentos já estão afiados. Mas ao ler esse texto e ver as palavras do nosso Prefeito e a motivação do MP, me vem uma pergunta: Será que o MP também irá investigar o Rock In Rio, que conta com verba pública e mesmo assim possui venda de ingressos e tantos outros?!
    Ou será que temos dois pesos e duas medidas?!

    A conferir.

  • Cristiano Estolano

    Boa noite a todos!

    Na mosca! Apesar de ainda discordar das questões relacionadas ao alojamento, essa perseguição de alguns membros do judiciário e da imprensa é ridícula! Não devemos temer, pois a Verdadeira Igreja, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre foi, é e será perseguida.

    Thiago, concordo contigo! Vamos ficar de olho e cobrar!

    #RezemospelaJMJ

  • André

    Catequistas, o que acharam do livro ofical de celebrações do Papa na jornada?? Porque a minha primeira reação ao correr o olho foi de ânsia de vômito!!! A jornada é mundial ou brasileira?? O.o Cadê a unidade lingüística da Igreja, o LATIM???? Vamos deixar os estrangeiros boiando, que hospitalidade é essa? Ainda mais com o cocô que é nossa traducao do Missal Romano, que vergonha!!!!! Vamos mostrar ao mundo o nosso “Ele está no meio de nós” em vez de “et cum spirito tuo”, além de dúzias de outros erros crassos, quase sacrílegos, fruto de uma “”””traducao”””” propositadamente ridicula doscomunistas~TLs~antropocentricos~anti-clericais, vulgo bispos do Brasil??????? Acho que o Rio nao seguiu o belíssimo exemplo de Madrid, infelizmente (veja vídeos da missa de envio na internet, é de fazer chorar!!)! Sem falar no “per mutti” na consagração, que tanto BXVI fez campanha, foi ignorado… DDDDDDD:

  • Sidnei

    Também fui contra a apresentação de alguns artistas nada católicos e a hospedagens de peregrinos em casas e templos de outras denominações religiosas durante o evento, mas o que os inimigos da Igreja estão fazendo para boicotar esta jornada não está no gibi. E isto é só o começo das dores, pois e se não concretizar isto tudo que vocês postaram aqui, esperem que virá chumbo grosso por aí, se não bastassem os maus exemplos citados no inicio deste comentário, que para mim é um desserviço à Jornada, um verdadeiro boicote por dentro, está havendo também boicote por fora que são estas ações judiciais malucas vindo do MPRJ, que se deveria levantar a religião ou nenhuma religião destes membros do MPRJ e deste juízes para averiguar se isto não é fruto de perseguição religiosa. Portanto, mesmo que eu não venho a participar diretamente da jornada, mesmo sendo contra a algumas coisas que foram programadas pela organização do evento e mesmo temendo o fracasso da Jornada, oro e torço para que dê tudo certo e tampe a boca dos inimigos da Igreja.

  • Gustavo

    Excelente texto, mas fiquei com uma dúvida só:

    “Os custos da JMJ estão sendo pagos com a inscrição dos voluntários e peregrino, …”

    Os peregrinos inscritos são aqueles que resolveram contar com apoio da JMJ pra se instalar e etc? Por isso a taxa? (O que faria com que os peregrinos que não pagassem iriam se hospedar e etc. por conta própria).

    • Gustavo,
      Os peregrinos que se inscreveram e pagaram a taxa têm hospedagem garantida, recebem uma mochila muito bacana com um kit, cartão alimentação, kits de lanche… Os que não se inscrevem como peregrinos também podem participar dos encontros com o Papa, é tudo gratuito. Porém, têm que dar conta da própria alimentação e hospedagem, e também não recebem o kit peregrino.

  • Pe. Dirceu

    Sobre os textos litúrgicos, ainda não tive contato. Porém, a crítica ao Missal Romano me parece um pouco descabida. Uma vez que a tradução de qualquer documento ou livro oficial da Igreja precisa de aprovação da Cúria Romana e passa por rigorosa avaliação. Assim como todos os documentos oficiais das Conferências Episcopais. Sobre o “per mutti”… está sendo traduzida a nova edição do Missal Romano com a modificação e a orientação é que antes do lançamento oficial da nova edição se faça uma “campanha” para explicar o porque da expressão “por muitos” em lugar de “por todos”. Tanto é verdade que nos cursos de teologia o tema já é tratado com mais enfase, pois já era um tema recorrente. Além do mais, se houvesse alguma dificuldade de tradução o missal não teria sido publicado. Abuso é abuso. Trabalho sério é trabalho sério. Percebo que, às vezes, exageramos no jeito de fazer a crítica e podemos cometer o erros tão graves quanto aqueles que criticamos.

  • Que nada, o melhor investimento foi o da copa do mundo. Kkkkkkkkk

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