O Papa Francisco e a pergunta quase sem resposta

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“Muitas crianças foram abandonadas por seus pais. Muitas foram vítimas de coisas terríveis, como as drogas e a prostituição. Porque Deus permite que essas coisas aconteçam?”. Essa foi a pergunta que Glyzelle Palomar, uma menina de 12 anos, fez ao Papa Francisco, durante o encontro do pontífice com os jovens filipinos, em Manila.

Comovido, o Papa observou: “Ela fez hoje a única pergunta que não tem resposta. E não lhe vinham as palavras, teve de a dizer com as lágrimas” (Fonte: site do Vaticano).

A origem do mal nos foi revelada nas Escrituras: o primeiro casal, abusando da sua liberdade, cometeu o pecado original abriu as portas para o mal, para o sofrimento e para a morte. Porém, a razão de um sofrimento específico é sempre um mistério (e a doutrina do “karma” é ilógica, como já explicamos aqui).

Por isso, o Papa continuou a dizer à menina: “…o núcleo da tua pergunta quase não tem resposta. Somente quando formos capazes de chorar sobre as coisas que vós vivestes, é que podemos compreender qualquer coisa e dar alguma resposta”.

Sim, Papa Francisco! Quando temos piedade do próximo, damos o primeiro passo para nos colocarmos adequadamente diante do problema do sofrimento: COMPAIXÃO, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e se condoer pelo seu sofrimento.

O Papa Francisco também lembrou que Cristo compreendeu tão bem os dramas humanos que, muitas vezes, comoveu-se até a alma chorou diante deles. Portanto, o segundo passo é contemplar o fato de que Deus chora conosco. Um Deus que se compadece de nossos sofrimentos! Um Deus que se aflige e chora por nós!

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Foto: Edlane Mattos

O terceiro passo é deixar-se amar por Deus. Não é fácil, porque muitas vezes insistimos em focar no sofrimento. Revoltados – e muitas vezes blasfemando contra Deus, chamando-o de injusto e tirano – muitas pessoas deixam de fazer o mais importante: OLHAR PARA A CRUZ. Vemos ali a beleza e a “loucura” de um Deus que compartilha o sofrimento humano até o extremo da humilhação e da dor.

Quando Cristo diz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”, Ele se identifica profundamente com a pergunta aflita de todo inocente que sofre. E ao mesmo tempo que pergunta, responde da forma mais satisfatória possível, com Sua entrega de amor. E esse Amor é mais forte do que o sofrimento (sobre isso, leiam o ponto III da Carta Apostólica Salvicifi Doloris, de São João Paulo II, sobre o sentido do sofrimento humano).

Jesus, Deus feito Homem, tendo entregado o espírito nas mãos do Pai, levantou do túmulo no terceiro dia. Ele venceu o mal e a morte! Com Seu Corpo, Ele nos comunica a Sua doutrina: já não sofremos sozinhos, nem sofremos em vão. Sim, estamos em meio à guerra contra o mal e penamos por isso, mas a vitória é certa, pois Cristo está vivo e impera.

No Fim dos Tempos, Cristo virá não mais como humilde servidor, mas sim como Imperador e Juiz. E então veremos que já não haverá lugar para a maldade na Terra, e “toda lágrima será enxugada” (sobre o Apocalipse, saiba mais aqui).

O Catecismo da Igreja (item 412) diz que a razão pela qual Deus permite que Satanás continue a agir no mundo é um mistério. Mas o essencial nós sabemos: Deus nos ama e trabalha para o nosso bem.

O vídeo abaixo mostra o trecho que um dos episódios do desenho X-Man. Wolwerine é o típico ateu que, revoltado com tantas injustiças e maldades, renega a possibilidade da existência de um Deus bondoso. Porém, o testemunho de um religioso cristão o leva a ver as coisas com outros olhos. “Nossa habilidade de entender os propósitos de Deus é limitada, mas nos consolamos com o fato de que Seu amor é infinito”, diz o monge mutante.

A conversão de Wolverine me faz lembrar um episódio que o Pe. Luigi Giussani narrou em seu livro “O Senso Religioso”: um jovem, na confissão, lhe diz que para ele o ideal humano é o Capaneu de Dante (em “A Divina Comédia”): está acorrentado pelos deuses, mas os deuses não podem impedi-lo de blasfemar. Giussani, então, lhe pergunta: “Mas não é ainda maior amar o infinito?”.

A pergunta da jovem Glyzelle foi a mesma feita por Bento XVI, em sua visita ao campo de concentração de Auschwizt, em 2006, onde mais de um milhão de judeus foram exterminados pelos nazistas. Em sua genial reflexão, o Papa disse que os homens que pretendem ser juízes de Deus apenas contribuem ainda mais para a destruição do humano. A postura mais justa é aquele do homem que eleva um grito humilde e insistente para que Deus quebre o silêncio e se manifeste, “Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,10).

Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? (…)

Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história. Não defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destruição. Não em definitiva, devemos elevar um grito humilde mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! E o nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte em nós a presença escondida de Deus…

- Bento XVI, 28 de maio de 2006

Naquele dia, de forma suave, poética e gentil, o Pai de Bondade quebrou o silêncio e enviou o seu sinal: em meio a tanta feiúra, por trás daquele cenário todo cinza e tão triste, surgiu um belíssimo arco-íris, bem no momento em que Bento XVI rezava diante do memorial das vítimas Auschwizt (o arco-íris, na Bíblia é sinal da eterna aliança entre Deus e os homens).

Sim, Deus se manifesta de forma poderosa na vida de quem O invoca. Não é à toa que a esperança, mesmo em meio ao caos, é um dos traço mais fascinantes da humanidade.

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Livro do Levítico – Aprenda a refutar os trolls

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Virou modinha entre os anticatólicos e entre os cristãos relativistas citar certos preceitos do Levítico – que são vistos por eles como leis estúpidas – para zombar da Bíblia e daqueles que nela apoiam a sua fé. Os defensores da causa gay, em especial, questionam, com ironia: “O Levítico, que condena os atos homossexuais, também proíbe comer camarão e aparar a barba dos lados. Os cristãos não pecam contra essa lei?”. Monas militantes, vão interpretar a letra do último hit da Lady Gaga, porque de Bíblia vocês não sacam nada!

O Levítico – livro dos levitas (sacerdotes) – tinha o objetivo de expor para o povo de Israel quais as normas religiosas e sociais deveriam seguir. Como todos os demais livros da Bíblia, foi totalmente inspirado por Deus. Podemos dizer, a grosso modo, que era para os israelitas o equivalente do que são para nós o Catecismo, o Código de Direito Canônico e a Instrução Geral do Missal Romano, adicionando ainda instruções de higiene, agricultura e bons costumes.

Algumas regras levíticas são perfeitamente compreensíveis para nós, tais como: as condenações à vingança, ao incesto, ao sexo com animais e aos sacrifícios humanos. Porém, vários preceitos do Levítico soam estranhos à maioria das pessoas, entre eles:

  • a proibição de usar um tecido feito com dois tipos de fios;
  • a proibição de cortar o cabelo em redondo e aparar a barba dos lados;
  • a proibição de comer carne de porco, camarão, mariscos, coelho etc.;
  • a proibição de tocar em uma mulher menstruada;
  • a proibição de comer os frutos dos três primeiros anos de colheita.

Apesar de parecerem incompreensíveis à primeira vista, essas normas possuem uma lógica bastante acessível. Elas não são seguidas pelos cristãos, o povo da Nova Aliança, mas tiveram um papel muito importante na Antiga Aliança.

POVO DE ISRAEL, UM POVO SEPARADO

Ao redor do povo de Israel, viviam povos das mais diversas crenças, que poderiam exercer sobre ele uma forte influência. Deus, então, levou os hebreus a cultivarem costumes que evidenciavam a sua diferença dos demais povos, reduzindo assim o perigo de contaminação espiritual.

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: eu sou o Senhor, vosso Deus. Não procedereis conforme os costumes do Egito onde habitastes, ou de Canaã aonde vos conduzi: não seguireis seus costumes. (Lev 18,1-3)

Portanto, se entre os pagãos a moda era a barba aparada dos lados e o cabelo cortado em redondo, os israelitas jamais adotariam um visual parecido. Quem o fizesse, cometia crime de idolatria: é como se, com sua aparência, estivesse indicando que adorava o mesmo falso deus dos idólatras.

Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios. (Lev 19,19)

levitico_tecidoQuanto à proibição de misturar dois fios diferentes (como linho e lã), a intenção é clara: Deus simboliza aqui o seu desejo de separação entre o povo escolhido e os pagãos. Não se deve misturar duas coisas diferentes, pois haverá confusão e contaminação. Tomando o cuidado constante de não misturar os tipos diferentes de animais, grãos e fios de tecido, os israelitas reforçavam em sua consciência a importância de se manterem puros, distintos e separados.

As restrições alimentares (que foram abolidas depois, no Novo Testamento) seguem a mesma lógica. O capítulo 11 do Levítico estabelece a distinção entre os animais “puros” e os “impuros”; não podem ser comidos coelho, porco, camarão, avestruz, cisne e morcego (viu, Ozzy?), entre outros. Isso fez com que o povo fosse mais saudável, e funcionou como uma conveniente barreira para a interação entre os israelitas e os demais povos. Imaginem como era complicado para um israelita comparecer a uma festa ou a um jantar na casa de um pagão: na mesa, muitas vezes, quase tudo lhe era proibitivo.

A IMPUREZA DA MENSTRUAÇÃO

A lei mosaica listava uma série de atos e ocasiões de tornavam uma pessoa “impura”: comer sem lavar as mãos, tocar no cadáver de um animal, tocar em um leproso ou tocar em uma mulher menstruada. Colocamos “impura” entre aspas, porque não se tratava de uma impureza interior, mas meramente uma impureza ritual, exterior.

Dom Estêvão Bettencourt explica que essas normas de higiene, seguidas também por vários povos pagãos da Mesopotâmia, foram devidamente revertidas de um significado superior. Elevadas à categoria de lei religiosa, elas eram aceitas e observadas de modo muito mais eficaz pelo povo, e assim se garantia a saúde pública (BETTENCOURT, “Para Entender o Antigo Testamento”). Os israelitas, portanto, deveriam zelar por sua pureza interior e exterior, de igual maneira.

Na tradição dos cananeus, observada antes mesmo da instituição da lei mosaica, era impura mulher por certo número de dias toda mulher que estivesse vertendo sangue, seja por causa da menstruação, do parto ou de uma hemorragia. De certa forma, esse costume contribuiu para o cumprimento da divina promessa: a descendência de Abraão seria mais numerosa do que os grãos de areia e do que as estrelas no Céu. Ora, se um homem fica impedido de tocar em sua mulher enquanto ela está menstruada, certamente isso aumenta as chances de que ele faça isso quando ela estiver fértil.

Alem disso, e acima de tudo, os ritos de purificação exterior na Antiga Aliança eram uma imagem da purificação interior (arrependimento e Confissão) que, na Nova Aliança, os cristãos devem fazer para poderem comungar. O Antigo Testamento, afinal, educa e prepara o povo de Deus para a Revelação da Boa Nova.

OS FRUTOS DA COLHEITA E A PROVIDÊNCIA DIVINA

Tudo é dom de Deus. Se comemos e se temos bens necessários à nossa sobrevivência e bem-estar, é acima de tudo graças à Providência Divina. Sim, os homens trabalham e colhem os frutos de seu empenho e criatividade. Mas, acima de tudo é o Senhor quem os provê. Tudo depende d’Ele.

Para ensinar essa verdade aos hebreus, Deus ordenou que, nos primeiros anos após se estabelecerem na Terra Prometida, eles renunciassem a se beneficiarem dos frutos da terra nascidos de seus esforços; colheriam somente os frutos das árvores já existentes no local. Assim, poderiam atestar que Deus os sustentava, sendo então vacinados da tentação de confiar em si mesmos mais do que no Pai.

Quando entrardes na terra e tiverdes plantado toda sorte de árvores frutíferas considerareis os seus primeiros frutos como incircuncisos; eles o serão durante três anos, e não se comerá deles. No quarto ano todos os seus frutos serão consagrados ao Senhor com ações de graças. No quinto ano comereis de seus frutos para que a árvore continue a produzi-los. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (Lev 19, 23-25)

Como vemos, o Levítico apresenta orientações de caráter local e provisório – que faziam sentido somente no tempo da Antiga Aliança – e também preceitos religiosos e morais imutáveis (como a condenação ao roubo, por exemplo). Como distinguir, então, o que deve vigorar eternamente e o que foi abolido com o advento da Nova Aliança? Simples: é só buscar a devida instrução na Tradição da Igreja.

Especificamente em relação aos atos homossexuais, estes não são condenados somente no Levítico, mas também no Novo Testamento (saiba mais aqui) e em toda a Tradição. E é sempre importante lembrar que aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo não devem ser estigmatizados nem condenados por essa condição. Eles devem ser acolhidos na Igreja com todo o respeito, sendo encorajados a prosseguir com alegria no caminho da santidade.

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Revista conta SuperCaô e diz que Igreja tolerava o aborto

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Algum web-coveiro desenterrou dos cafundós de 2011 uma matéria completamente equivocada na Revista Superinteressante. “Uma verdade inconveniente: a Igreja Católica já tolerou o aborto”, diz a manchete. Quem busca se informar sobre a Igreja Católica lendo essa revista é que nem um sujeito que entra numa padaria querendo comprar um automóvel: definitivamente, ele entrou no lugar errado!

As bases católicas da condenação ao aborto são bem anteriores a Cristo. Já no Antigo Testamento podemos ver que a vida do feto tinha o mesmo valor que a vida de uma pessoa nascida, a tal ponto que, se alguém causasse dano grave ao feto, seria mandando pra terra dos pés-juntos:

“Se homens brigarem, e acontecer que venham a ferir uma mulher grávida, e esta der à luz sem nenhum dano, eles serão passíveis de uma indenização imposta pelo marido da mulher, e que pagarão diante dos juízes. Mas, se houver outros danos, urge dar vida por vida…” (Êxodo 21,22-23)

Essa consciência sobre o valor da vida do ser humano em gestação não cessou com a suspensão da Lei Mosaica, mas continuou a ser afirmada claramente pelos cristãos primitivos. O primeiro catecismo da Igreja, escrito por volta de 90 d.C., diz:

 “Não farás morrer a criança no seio da mãe [o aborto], tampouco após o nascimento [o infanticídio]. (Didaquê. 2,2)

Uma lei da Igreja primitiva determinava que as mulheres que abortassem seus filhos deveriam permanecer excomungadas até o fim da vida. No século IV, porém, os bispos consideraram essa penalidade dura demais, e por misericórdia amenizaram a pena: o Concílio de Ancira, no Cânon 20, estabeleceu dez anos de penitência para o crime.

Tal condenação ao aborto foi repetida por outros Concílios:

  • o de Elvira (Espanha), em 313, cânon 63;
  • o de Lerida, em 524, cânon 2;
  • o de Trullos ou Constantinopla, em 629, cânon 91;
  • o de Worms em 869, cânon 35.

Em 1588, na Bula Effraenatam, o Papa Sixto V condenou qualquer tipo de aborto e impôs severas penas espirituais a quem o cometesse.

Então, recapitulando: até aqui, temos documentos oficiais da Igreja Católica, dos séculos I ao XVI, provando que o aborto era fortemente condenado pela doutrina. Mas vamos adiante…

As distorções históricas e a confusão armada por certas pessoas está no fato de que a Igreja nem sempre teve a noção clara sobre o momento em que o feto recebia uma alma racional (ainda assim, condenava o aborto EM QUALQUER FASE da gestação). Desta forma, teólogos tinham a liberdade para especular sobre o tema, já que não havia nenhuma doutrina estabelecida.

Santo Agostinho denunciava como pecado gravíssimo o aborto em qualquer fase da gestação, mas, não dispondo dos atuais recursos científicos, tinha dúvidas sobre o momento do início da vida. E Santo Tomás de Aquino chegou a pensar que a alma racional era infundida no feto somente 40 dias após a fecundação. Mas atenção: Santo Tomás não tinha a pretensão de ensinar qualquer verdade sobre o tema. Como grande intelectual, ele estava apenas “tricotando”. Santo Tomás, aliás, condenou de forma ampla e claríssima o aborto (para saber mais, clique aqui).

Em 1591, na Bula Sedes Apostolica, o Papa Gregório XIV condenou o aborto em qualquer fase da gestação; porém, a punição estabelecida para quem praticava o aborto de um feto “sem alma” era menos rigorosa do que a punição para quem realizava o aborto de um feto “com alma”. A despeito disso, o aborto continuou a ser condenado em ambos os casos como falta grave.

Vale ressaltar que essa errônea distinção de feto “sem alma” e feto “com alma” não era dogmática, mas apenas especulativa. E, no século XIX, graças ao avanço da Ciência, a Igreja chegou à certeza sobre o momento exato em que o ser humano já plenamente uma pessoa, dotada de dignidade e direitos: a partir de sua concepção (ficaremos devendo a vocês um post sobre as descobertas científicas que respaldam essa certeza; publicaremos o post em breve!).

Bem diferente do que afirmou a “Superinteressante”, a legislação sobre o aborto publicada pelo Papa Pio IX, em 1869, nada tinha a ver com os interesses de Napoleão (segundo a revista, o governante precisava de mais mão-de-obra para o seu plano de industrialização). Na verdade, a Igreja estava reagindo ao afrouxamento, por parte das autoridades civis, das penas aplicadas a quem praticasse o aborto.

É fantástico notar que, ainda que os limites do conhecimento humano da época não permitissem que os líderes da Igreja afirmassem a existência da alma racional desde a concepção, a Igreja sempre condenou o aborto, mesmo que provocado nos primeiros dias da gestação. Isso é mais uma evidência de que a Igreja Católica é guiada por um poder sobrenatural, que leva seus líderes visíveis a tomar decisões doutrinárias que vão mesmo além de sua limitada compreensão. Super-interessante, não?

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Agradeço a ajuda dos amigos Matheus Cajaíba (da página Contra o Aborto) e William Bottazzini (do blog Tu es Petrus) na elaboração deste post.

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