Placa de igreja não traz salvação – será?

É comum ouvirmos nossos irmãos evangélicos dizendo que “religião não salva, só Jesus salva” e que “placa de igreja não traz salvação”. Eles defendem que tanto faz a denominação cristã da qual o sujeito faça parte, o importante é crer em Jesus. Sim… Mas que Jesus? Escolha uma das opções evangélicas abaixo:

  • o Jesus que é a favor do aborto, pregado pelo bispo Macedo;
  • o Jesus que promete prosperidade material aos seus fiéis, pregado pelas igrejas pentecostais;
  • o Jesus que acha bonito que seus fiéis se ajoelhem diante de réplicas cafonérrimas da Arca da Aliança (idolatria num é pecado, gente?);
  • teologia_da_prosperidade_2

    Teologia da Prosperidade: Zizuiz garante muito dimdim no bolso!

    o Jesus que admite as práticas homossexuais, pregado pelas igrejas evangélicas LGBT.

Tenho certeza de que milhares de evangélicos ficam de cabelo em pé ao verem tais coisas sendo promovidas por certas denominações cristãs. Então, é hipocrisia dizer que tanto faz prum cristão participar de uma igreja ou de outra. Ou será que tanto faz para a alma de uma mulher achar que é legítimo ou não matar seu próprio filho no ventre?

A cada semana, em cada esquina, um sujeito se autoconsagra pastô di Zizuiz e inaugura uma nova igreja, com conteúdo similar ao das demais denominações cristãs, mas também com uma série de divergências. As doutrinas ensinadas pelas centenas de denominações cristãs apresentam entre si diferenças profundas e gravíssimas. Esses ensinamentos influem na formação da consciência religiosa e moral dos fiéis e em suas ações. No fim das contas, fazem sim uma imensa diferença para o destino de suas almas.

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O bispo ANGLICANO Gene Robinson e o seu parceiro homossexual

Portanto, dizer que “placa de igreja não traz salvação” no sentido de que tanto faz a igreja, é um argumento que não se sustenta. Afinal, Jesus Cristo não é uma ideia vaga, que cada um interpreta à sua maneira, mas sim uma Pessoa concreta que veio ao encontro dos homens e mulheres. Seu ensinamento foi único, em Sua palavra não havia ambiguidade ou multiplicidade.

Afora o relativismo leviano que expomos, a máxima “placa de igreja não traz salvação” traz em si um conceito verdadeiro: ainda que a igreja à qual pertençamos seja aquela que realmente contém a plenitude dos meios de salvação – sim, estou falando da Igreja Católica , isso não nos garante o Céu.

O então Cardeal Ratzinger explicou isso muito bem:

“Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objetivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação.

“Há que lembrar, todavia, ‘a todos os filhos da Igreja que a grandeza da sua condição não é para atribuir aos próprios méritos, mas a uma graça especial de Cristo; se não corresponderem a essa graça, por pensamentos, palavras e obras, em vez de se salvarem, incorrerão num juízo mais severo‘.”

- Declaração Dominus Iesus, ano 2000

Vamos comparar a situação dos católicos à dos estudantes de Harvard, considerada uma das melhores universidades do mundo. Na conta da universidade, há nada mais nada menos do que 57 bilhões de reais, cujos rendimentos vultosos são investidos em ensino e pesquisa. De seu quadro de alunos, saíram mais de 40 pesquisadores que receberam o Prêmio Nobel.

Ok… Aí um sujeito despeitado que estudou na faculdade de Cabrobó da Serra do Capim Roxo vira prum aluno de Harvard e manda o chavão: “Harvard, é? Grande coisa. Não é a universidade que faz o aluno, mas sim o aluno que faz a universidade!”. Aff…

Evidentemente, um estudante que ingressou em Harvard pode ser maluco a ponto de não aproveitar os recursos incompáráveis ali oferecidos, e se tornar um aluno ruim ou medíocre (este seria como um católico negligente). Mas isso não anula o fato de que essa instituição oferece uma das melhores condições do mundo para que os alunos desenvolvam seu pontecial acadêmico e profissional.

coca_igreja_catolicaÉ claro, alguns alunos extremamente aplicados e autoditatas da faculdade de Cabrobó da Serra do Capim Roxo podem até se tornar alunos e profissionais de grande relevância, mas, vamos combinar: não tem como comparar a formação que eles receberam com a formação dos alunos de Harvard!

Da mesma forma, a Igreja Católica, edificada sobre Pedro, oferece as “melhores condições” e “recursos” para que os fiéis se santifiquem.

Igreja Católica Apostólica Romana: a única que tem a plenitude dos meios de salvação. Since 33 a.D.

Maçonaria: me engana que eu gosto – parte 2

maconaria_catolico_pobreAo serem questionados sobre o ingresso de católicos em suas Lojas, praticamente todos os maçons dizem que não tem grilo. Garantem que um católico não será levado a trair sua fé e, para reforçar a tese, citam o nome de uma penca de padres e bispos (de santidade altamente duvidosa) que foram maçons.

Alguns maçons mais honestos reconhecem que a Igreja proíbe que os católicos se envolvam com a maçonaria, mas sugerem que isso poderá mudar no futuro, de acordo com o que der na telha de um novo Papa.

Mas a verdade é que é tão possível que a Igreja um dia aprove que católicos sejam maçons, quanto que permita que católicos pratiquem o islamismo. É uma oposição insuperável, não importa quantos séculos se passem.

Um católico ser maçom faz tanto sentido quanto…

…um cara ser fã da banda System Of A Down e, ao mesmo tempo, curtir Restart e Justin Bieber;

…o incomparável bailarino Mikhail Baryshnikov criar e dirigir as coreografias do grupo É o Tchan;

…um judeu ingressar no partido do Ahmadinejad.

Católicos e maçons cultivam valores e crenças comuns? Sim: a existência de Deus, a imortalidade da alma e a necessidade de agir solidariamente. E PAROU POR AÍ. De resto, tudo o que a maçonaria professa é puro veneno para uma alma cristã.

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"O Ancião dos Dias". Obra de Willian Blake que representa o G.A.D.U.

Isso pode não ser percebido por um católico que conhece pouco a sua fé, e assim acaba acendendo uma vela pro Deus Uno e Trino e outra pro tal do G.A.D.U. (não, não é a Maria Gadú, mas sim o Grande Arquiteto do Universo, uma “força superior criadora”).

O G.A.D.U. é um deus genérico venerado pelos maçons, que pode ser qualquer coisa que cada maçom achar que ele é. E tudo o que é qualquer coisa, no fim das contas… acaba não sendo nada! Um maçom acha que G.A.D.U. é Alá? Beleza. Outro acha que ele é Oxalá? Maravilha. Outro maçom ateu imagina que ele é só um símbolo de um mundo melhor? Tá valendo.

Ainda que pouco se saiba sobre os rituais e símbolos maçônicos, é certo que eles são fortemente sincretistas e esotéricos, especialmente inspirados em crenças Orientais antigas (como a mitologia egípcia).

A maçonaria moderna se identificou plenamente com o Iluminismo e, na maçonaria francesa, isso chegou ao extremo. Em 1877, o Grande Oriente da França decidiu que a crença em Deus não era obrigatória para os seus membros, e por isso essa Loja não é reconhecida por outras Lojas influentes.

A maçonaria possui “degraus de iniciação”: quem está acima na hierarquia da ordem sabe mais do que quem está abaixo. Conforme o maçom evolui nos graus da organização, mais ele se aproxima de se apropriar dos segredos da maçonaria.

O espírito maçônico caracteriza-se por algumas ideias principais. Veja a seguir quais são elas, e como elas se chocam contra a fé católica.

Negação da salvação dependente da graça

Para a maçonaria, com esforço próprio, o homem pode progredir moralmente e espiritualmente, sem necessidade da graça de Deus. Ou seja, cada pessoa pode alcançar a pureza de alma pelos próprios esforços e salvar-se a si mesma (a charge abaixo traduz bem essa ideia).

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Indiferentismo religioso

Cada maçom pensa o que quiser de Deus. Nenhuma religião foi revelada (ensinada) por Deus, mas são todas (inclusive o cristianismo) somente tentativas humanas para refletir sobre a verdade. Todas as religiões podem ser igualmente boas.

Relativismo

Na maçonaria, cada um pensa o que quiser da vida, em nome da “liberdade de fé e de consciência”. A verdade é relativa, e a moral “evolui” conforme o que a maioria as sociedade pensa. Não há dogmas, já que é impossível ao homem conhecer a plena verdade.

Naturalismo

A natureza e a razão humana estão acima de todas as coisas (a senhora Razão é o grande ídolo da maçonaria, na verdade). Não existem milagres, pois tudo o que a razão humana não explica não é digno de crença pelos maçons.

Laicismo

Os maçons não defendem a ideia de laicismo positivo, que garante que os membros de todas as crenças (e os não-crentes) possam atuar com igualdade e liberdade no campo político. O que eles querem é confinar os religiosos à esfera privada, negando-lhes o direito de influenciar com suas crenças e valores a vida pública. É a tirania dos não-crentes.

Engraçado… Os ateus e os sem religião podem defender seus valores (ou sua falta de valores) na vida pública, mas os religiosos não podem? Que lógica é essa? Desde quando ter fé desqualifica uma pessoa para atuar politicamente? Já falamos sobre isso aqui no post “Igreja e Política. Pode, Arnaldo?”.

Fundamentada nesses princípios, pouco a pouco, a maçonaria leva os seus membros a questionarem e relativizarem os ensinamentos de suas religiões, pois o espírito maçônico, naturalmente, deve prevalecer. E, seduzidos pelas vantagens de ter uma rede de contatos com gente de prestígio na $ociedade, muitos católicos preferem ignorar essas questões, e permanecem na maçonaria.

Como se tudo o que já foi dito não bastasse, como poderia a Igreja, uma Mãe, aprovar que seus filhos prestem juramento a uma sociedade de intenções secretas, correndo o risco de se tornarem instrumentos de estratégias que eles mesmos desconhecem?

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A pirâmide com o “Olho que Tudo Vê” é um típico símbolo maçônico. O ditado “Novus Ordo Seclorum” (“Nova Ordem das Eras”) nos remete à intenção de estabelecer uma Nova Ordem Mundial. Como vemos, a inversão de valores e a hostilidade ao cristianismo crescem a passos largos. THANK YOU, FREEMASONS!

Os católicos devem estar abertos a dialogar com os maçons e estabelecer com eles laços de amizade e respeito. Mas diálogo não implica em ceder nos prontos centrais de nossa fé, realizando missas em comemoração ao aniversário de fundação de uma loja maçônica, por exemplo.

Em 1738, o Papa Clemente XII fez a primeira condenação pontifícia da maçonaria. Hoje, quase 200 anos depois, a posição não mudou muito. A diferença é que não há mais a pena de excomunhão (a não ser que o tal maçom, efetivamente, conspire contra a Igreja). De 1846 a 1903, os Papas publicaram 350 (!!!) intervenções contra a maçonaria.

“Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas, estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”

Cardeal Ratzinger, Congreg. para a Doutrina da Fé. 1983

Católico que se torna maçom é desinformado ou vacilão! A exceção é o meu Tio Xerxes, que é um maçom de responsa: constrói paredes, faz chapisco e aplica reboco como ninguém!

*****

Ainda há muita coisa interessante pra falar sobre esse tema – as conspirações e a perseguição maçônica à Igreja ao longo da história, os maçons famosos etc. Isso tudo ficará pra um futuro Catecast.

Obra de referência para pesquisa: Maçonaria e a Igreja Católica, de João Evangelista Martins Terra (bispo emérito de Brasília).

UPDATE com errata:

O Pe. Anderson Alves, da Diocese de Petrópolis, nos explicou que os católicos que ingressam na maçonaria e se recusam a deixar esta sociedade estão SIM excomungados, pois essa pena não foi suspensa pela Igreja. Afinal, além de estar em pecado grave, a pessoa está renegando implicitamente a fé católica.

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé de 1983, que não cita a excomunhão, não anula o documento anterior desta mesma Congregação, publicado em 1981 (ver aqui). Esse documento foi assinado por J. Ratzinger e João Paulo II, e deixa claro que a pena de excomunhão permanece. Para anular esse parecer, seria necessário a publicação de outro documento dizendo isso explicitamente, o que nunca foi feito pela Igreja.

Maçonaria: me engana que eu gosto – parte 1

De tempos em tempos, surge um grupo de pessoas que se acha melhor que os outros, acima de “tudo de mal que está por aí”. Esses grupos, com sua filosofia de vida, têm a pretensão de promover o bem e mudar o mundo. É claro, como todos eles desconsideram o pecado original e a Revelação Cristã, o resultado é sempre decepcionante. Sobre essa ilusão se difundiu, por exemplo, o movimento hyppie, o socialismo e a maçonaria.

construtores_idade_media_maconariaA maçonaria é uma das sociedades que mais despertaram a curiosidade do mundo. Apesar de muito se falar dela, poucos sabem do que se trata, e até mesmo muitos maçons não compreendem a fundo a essência da ideologia maçônica.

A influência da maçonaria não é a mesma do passado, e o número de maçons é cada vez menor. Como instituição, a maçonaria está em decadência. Por outro lado, os princípios maçônicos imperam hoje em todo o Ocidente, dentre eles, o laicismo político, o liberalismo, o naturalismo e o relativismo religioso (que são totalmente incompatíveis com o catolicismo).

Dentro da Igreja Católica, vemos também o resultado de séculos de propaganda maçônica: muitos católicos são liberais, ou seja, fazem pouco da Tradição da Igreja e relativizam os ensinamentos do Sagrado Magistério. E nem desconfiam de que estão tornando realidade os princípios maçônicos.

Vamos buscar esclarecer aqui o que é a maçonaria, quais seus objetivos e por que é impossível ser católico e maçom ao mesmo tempo.

O que é a maçonaria?

A maçonaria é um clube fechado, em que só entram pessoas com um determinado perfil (bom comportamento familiar e social, ter razoável influência ou poder na sociedade). Ela se apresenta como uma espécie de “escola de ética”, que forma líderes para tomar frente no progresso moral, espiritual e material da humanidade.

Não sendo uma religião, mas sim uma sociedade filosófica, ela admite pessoas de qualquer crença religiosa.

Os maçons devem manter em segredo absoluto os meios que usam para se reconhecerem entre si em qualquer parte do mundo, o significado de alguns de seus símbolos e o que acontece nos rituais maçônicos.

Como surgiu a maçonaria?

O termo “maçonaria” vem do francês maçon, pedreiro. É difícil afirmar ao certo como e quando surgiu a maçonaria. A teoria mais difundida é que ela descenderia de antigas associações de arquitetos, mestres-pedreiros e pedreiros da Idade Média, que eram construtores de igrejas e catedrais.

Esses caras constituíam uma espécie de “elite”, e gozavam de muitos privilégios. E pessoas privilegiadas tendem a reforçar a sua condição formando grupos fechados, exclusivos para membros de igual condição.

Ao que parece, o elitismo subiu à cabeça dos reis da cocada preta… Além de acharem os sinistros da construção com tijolinhos, eles também acharam que seriam os mais capazes para liderar a humanidade rumo à construção do ideal de um mundo melhor. E isso começaria pela construção do caráter de cada maçom, por meio do progresso ético, intelectual e moral.

Diz a lenda (que talvez seja fato, sei lá) que, com o tempo, essas associações começaram a aceitar membros de honra que não trabalhavam no ramo da construção. Eles era chamados de “pedreiros especultativos”. Com o tempo, estes se agruparam em associações (Lojas) independentes dos pedreiros profissionais. Assim teria nascido a organização maçônica escocesa, que se espalhou depois pelo Reino Unido e pela França e, depois, para o mundo todo. Nessa nova fase da maçonaria, conservaram-se em seus os símbolos relacionados à profissão de pedreiro.

Amanhã: o que os maçons pretendem? Quais os elementos centrais da ideologia maçônica? Por que alguém se torna maçom? Por que um católico não pode ser maçom?

Acompanhem!

Obra de referência para pesquisa: Maçonaria e a Igreja Católica, de João Evangelista Martins Terra (bispo emérito de Brasília).

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