“O que é imortal não morre no final” (Sandy & Júnior)
Vish… me arrepiei com a filosofia profunda do verso acima. E a rima, que primor! Agora, falando sério: chegará o dia em que os filhos de Deus serão imortais. Mas não pensem que será uma eternidade tediosa, com um monte de alminhas pulando de nuvem em nuvem. Não! Após a Ressurreição Final, os justos terão um corpo palpável, cheio de poderes maneiríssimos! É o que a Igreja chama de corpo glorioso.
Não, eu não tô falando do arquiteto Oscar Niemeyer – que chegou aos 104 anos bebendo vinho e fumou até os 103 – nem dos “imortais” da ABL. Da mesma forma que Cristo reviveu e levantou do túmulo ao terceiro dia, todos ressuscitarão no Juízo Final; os benditos, para a vida eterna, e os malditos, para a morte eterna. Os amigos do Senhor ganharão um corpitcho turbinado, com o qual desfrutarão as alegrias da eternidade, após o Apocalipse. Teremos tudo de bom e, o melhor: para sempre!
“‘Ele transformará o nosso corpo miserável, tornando-o conforme ao Seu corpo glorioso com o mesmo poder que Lhe permite sujeitar ao Seu domínio todas as coisas’ (Fl 3, 20-21).
“Assim como o Espírito Santo transfigurou o corpo de Jesus Cristo quando o Pai O ressuscitou dentre os mortos, também o mesmo Espírito revestirá da glória de Cristo os nossos corpos. Escreve São Paulo: ‘E se o espírito d’Aquele que ressuscitou a Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou a Jesus Cristo dos mortos, há-de dar igualmente a vida aos vossos corpos mortais por meio do Seu Espírito, que habita em vós’ (Rm 8, 11).”
Papa João Paulo II (1)
E você, que sempre sonhou em ter super-poderes: os seus anseios mais nerds serão realizados! O corpo glorioso será, a grosso modo, um mix do Neo (Matrix), da Mística (vilã dos X-Man que assume a forma de quem quiser), do Mestre dos Magos, do The Flash e do Highlander.
Com outras palavras, é isso que afirma o Catecismo Romano e o grande São Tomás de Aquino (2). O corpo glorioso será sensível – teremos o prazer do tato, do paladar etc. –, mas, ao mesmo tempo, será espiritual, e por isso será livre das barreiras físicas de tempo e espaço. Após a Sua Ressurreição, esta nova condição de Jesus ficou evidente: Ele aparecia e desaparecia “do nada” e se apresentava com rostos diferentes, de modo que nem sempre Seus discípulos o reconheciam.
Os corpos gloriosos dos justos terão quatro propriedades básicas:
a impassibilidade – o corpo não estará sujeito ao sofrimento nem à morte;
a agilidade – poderá deslocar-se num momento a lugares muito distantes (metrô/ônibus lotado NUNCA MAIS!);
a claridade – de acordo com o grau de santidade da alma, o corpo brilhará;
a sutileza – o corpo obedecerá às determinações da alma prontamente. Será o fim daquele velho drama: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26:41).
Aí sempre tem um maroto que se pergunta: “será que teremos visão de raio-x, igual ao SuperMan, pra admirar melhor a belezura das mina?”. Não, meu filho, isso não está previsto. E, além do mais, nessa nova vida ninguém vai funfar… até porque ninguém sentirá desejo ou falta disso!
Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu. (Mt 22,30)
E que idade terá este corpo? Haverá velhos e crianças na “Nova Jerusalém”? São Tomás de Aquino, baseado em uma passagem da Bíblia (Ef 4,13), diz que todos reviverão com a “idade perfeita”, 32 anos, idade próxima da de Cristo.
A doutrina da ressurreição da carne é mais uma evidência de que o cristianismo não é hostil ao corpo e à matéria, como muitos afirmam. Ao contrário: a Encarnação de Deus, a Sua Ressurreição e a promessa da ressurreição dos mortos glorificam o corpo, o valorizam, conferindo à nossa carne uma dignidade ímpar.
Imagem do site http://talentosamaodireita.blogspot.com.br
Após a leitura do nosso post sobre o consumo de birita, alguns leitores, por meio de comentários no blog e no Twitter, pediram que explicássemos melhor a questão do cigarro. A dúvida do pessoal é: “Como assim fumar não é pecado, se todos sabem que o cigarro é prejudicial à saúde?”.
Antes de tudo, que fique claro: o nosso objetivo aqui é comunicar a doutrina da Igreja, muito mais do que as nossas opiniões pessoais. Não devemos confundir uma coisa com a outra. Por mim, ninguém no mundo fumaria (com exceção do Clint Eastwood no cinema, que fica lindo!), mas não há nada no magistério da Igreja que nos dê base para afirmar que fumar cigarro, cachimbo ou charuto seja um mal em si.
O Catecismo da Igreja se restringe a condenar o ABUSO do fumo:
“A virtude da temperança manda evitar toda espécie de exceção, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos.” (CIC, 2290)
Viu? Fumar moderadamente não é pecado. Fuma essa manga! Conheço muita gente que consome alguns poucos cigarros (à base de tabaco, hein!) uma ou duas vezes por semana, ou que fuma um charuto eventualmente. E, até onde sei, não há estudos que provem que o fumo em tão poucas quantidades cause algum dano relevante à saúde. Aposto que isso é menos nocivo ao corpo do que muita porcaria que a gente come tranquilamente nos fast foods da vida, sem que nenhum moralista venha nos incomodar.
Por outro lado, como a nicotina tem uma grande capacidade de causar dependência, a maioria dos fumantes acaba mesmo abusando das baforadas. Consequentemente, infringem o 5º Mandamento – Não Matar – que nos obriga a ter zelo pela nossa própria vida. “Sendo assim, o melhor é evitar o fumo!”, muitos vão dizer. Concordo 100%! Mas repito: isso fica a critério de cada um. Se o cara acha que pode fumar numa boa, sem meter o pé na jaca, não há uma linha nos documentos da Igreja que nos autorize a apontar o dedo pro sujeito e dizer que ele está pecando.
Pensem: se a Igreja considerasse que o ato de fumar fosse um mal em si, por que teria se limitado a proibir o seu abuso? Se assim fosse, teria simplesmente declarado que o uso de cigarro, charuto ou cachimbo é imoral, e ponto! Mas não o fez.
Então, se você detesta o hábito do fumo e procura fazer com que as pessoas que você ama fiquem longe dele, bacana. Só não venha distorcer e usar a doutrina católica para encher o saco de quem fuma moderadamente. Ah, e seja qual for o caso… deixe o Clint Eastwood fora disso!
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E aí, você sabe quem são os três cavalheiros da foto que está no topo do post? No meio, vemos Joseph RATZINGER, hoje Papa Bento XVI, tomando umas cervas ao lado de dois fumantes. O homem de óculos é Karl RAHNER, sacerdote jesuíta e um dos mais importantes teólogos do século XX; o outro é o Pe. Martin BIALAS, ex-aluno de Ratzinger e seu amigo de longa data.
E aí vai mais um dos livros obrigatórios para todos os católicos que querem fazer jus a esse nome. Trata-se de “Diário de um Pároco de Aldeia” deGeorge Bernanos.
Bernanos e Tolkien foram, na minha humilde opinião, os dois maiores escritores católicos do século XX. Sem desmerecer outros grandes mestres, como T. S. Elliot, Chesterton etc. Nesses tempos de homens de plástico, só um aparte para reforçar o caráter de nosso escritor, Bernanos é um exempo de algo em falta no mundo: um cabra muito macho. Foi soldado de trincheira na famigerada Primeira Grande Guerra (Viv´La France!) e ainda casou com uma descente dos Arc, família que conta como seu membro mais ilustre uma certa Joana. O Diário de Um Pároco de Aldeia é seu auge como escritor.
O único “senão” que faço a Bernanos é o seu mau gosto para escolher pátrias de retiro, já que, entre 1938 e 1945, ele residiu em Pindorama, município de São Paulo. Menos mal ter escolhido outras cidades agradáveis para viver, como Pirapora e Itaipava.
O pároco de que trata a obra é um jovem devotado a Cristo, à Igreja e a seus paroquianos, especialmente àqueles mais pobres, a maioria. Leva uma vida miserável muito por conta de problemas estomacais e usa uma batina ridícula. É uma vidinha de m… não acham?
A grande sacada do livro é o diário onde estão anotados pensamentos, reflexões e impressões do jovem pároco. São observações que faz sobre a sua vida, mas principalmente a dos outros. Poucos livros expõem tão claramente a miséria humana quanto este o que, concomitantemente, o faz muito, muito humano. Tanto que chega a incomodar. Eis um pequeno trecho:
“Minha paróquia é uma paróquia como todas as outras. Todas a paróquias se parecem. As paróquias de hoje, naturalmente. (…)
“Minha paróquia é devorada pelo tédio, essa é a palavra certa. Como todas as outras paróquias. O tédio a devora diante de nossos olhos e não há nada que possamos fazer. Talvez um dia destes sejamos contagiados, e descubramos em nós esse câncer. Pode-se viver muito tempo com isso.”
Portanto, largue aí de mão o seu Harry Potter e vamos ler algo mais edificante. Com certeza vocês não vão se arrepender.
(Este post é uma livre adaptação de um texto do escritor C.S. Lewis)*
A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: ou o casamento, com fidelidade completa, ou a abstinência total. Isso étão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou.
Muitos dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas más em si. Mas estão errados. O cristianismo épraticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo – que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso (após a Segunda Vinda de Cristo) e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos.
Porém, devido ao pecado original, herdamos organismos que, sob esse aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firme vontade de superá-las.
Para sermos curados, temos de querer ser curados. Todo aquele que pede socorro será atendido; porém, para os cristãos de hoje, até mesmo esse desejo sincero é difícil de ter. Um cristão famoso, de tempos antigos, disse que, quando era jovem, implorava constantemente pela castidade; anos depois, se deu conta de que, quando dizia “ó Senhor, fazei-me casto”, seu coração acrescentava secretamente as palavras: “Mas, por favor, que não seja agora.” Isso também pode acontecer nas preces em que pedimos outras virtudes; mas há dois motivos que tornam especialmente difícil desejar – quanto mais alcançar – a perfeita castidade:
a ideia de que todo desejo sexual que sentimos é “saudável” e “natural”;
a crença de que seguir a castidade cristã é impossível.
Vamos refletir sobre estes dois pontos a seguir.
Todo desejo sexual que sentimos é “saudável” e “natural”?
Os demônios que nos tentam, a mídia e a mentalidade dominante podem nos levar a pensar que os desejos aos quais resistimos são tão “naturais”, “saudáveis” e razoáveis, e que não faz sentido resistir a eles.
Cartaz após cartaz, filme após filme, romance após romance associam a ideia da libertinagem sexual com as ideias de saúde, normalidade, juventude e bom humor. Essa associação é uma mentira. Como toda mentira poderosa, é baseada numa verdade – a verdade reconhecida pela Igreja de que o sexo (à parte os excessos e as obsessões que cresceram ao seu redor) é algo positivo. A mentira consiste em sugerir que qualquer ato sexual que você se sinta tentado a desempenhar, a qualquer momento, seja saudável e normal.
Isso é estapafúrdio sob qualquer ponto de vista concebível, mesmo sem levar em conta o cristianismo. Para qualquer tipo de felicidade, mesmo neste mundo, é necessário comedimento. Logo, a afirmação de que qualquer desejo é saudável e razoável só porque é forte não significa coisa alguma.
Seguir a castidade cristã é impossível?
Imagine que você está diante de uma prova muito importante. Então, aparece ali uma questão dissertativa muito difícil, e você sabe que está despreparado para respondê-la. O que você faz? Desiste de responder a questão, ou tenta fazer o melhor que puder?
Só uma pessoa muito imbecil deixaria de tentar. Afinal, você poderá somar alguns pontos mesmo com uma resposta imperfeita, mas não somará ponto algum caso deixe de responder. Da mesma forma, devemos agir com a proposta cristã de uma vida casta: mesmo sabendo de nossas limitações, não devemos desistir jamais; devemos fazer o melhor que pudermos.
Pense numa situação ainda mais crítica: você está no mato, quando surge uma onça enorme. Ok, é bem provável que ela te coma. Mas e daí? Vai ficar parado pensando: “sou fraco diante dela, nem adianta resistir”, ou tentará correr, subir numa árvore ou procurar um pau ou pedra pra se defender? Se você reagir, terá alguma chance de viver (há vários casos documentados).
Muitas pessoas se sentem desencorajadas de tentar seguir a castidade porque a consideram impossível (mesmo antes de tentar). Porém, quando uma coisa muito importante precisa ser tentada, não se deve pensar se ela é possível ou impossível; a pessoa deve fazer o melhor que puder. O homem é capaz de prodígios quando se vê obrigado a fazê-los.
A castidade perfeita – como a caridade perfeita – não será alcançada pelo mero esforço humano. Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo.
Por mais importante que seja a castidade, esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.
Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. (São Mateus 5,48)
Para encerrar, apesar de eu ter falado bastante a respeito de sexo, quero deixar tão claro que o centro da moralidade cristã não está aí. Se alguém pensa que a castidade é o vício supremo, essa pessoa está redondamente enganada. Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio.
Isso porque existem duas coisas dentro de mim que competem com o ser humano em que devo tentar me tornar. São elas o ser animal e o ser diabólico. O diabólico é o pior dos dois. E por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta. E claro, porém, que é melhor não ser nenhum dos dois.
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*Livre adaptação = mudamos o texto do autor ao nosso gosto, para melhor adaptá-lo ao blog. O texto original está no livro “Cristianismo Puro e Simples”, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2005
Em 2002, na Cidade do México, durante a Missa que celebrou a canonização de Juan Diego, índios realizaram danças diante do Papa João Paulo II. Deem uma olhada no vídeo, que pitoresco!
E aí, o que vocês acharam da dança e dos trajes do corpo de baile indígena? Eu achei o máximo, lindíssimos. Só me incomodei com um detalhe: os dançarinos estavam na hora e no lugar errados. O templo de Deus – no caso, a Basílica da Virgem de Guadalupe – não é lugar para esse tipo de coisa, muito menos durante uma Missa. Além do mais, a apresentação lembra muito mais um ritual pagão (se é que não o foi, de fato) do que um rito cristão.
Eventos como esse acabaram por abrir um precedente desastroso. Milhares de sacerdotes e leigos em todo o mundo se acharam no direito de inserir os mais variados e bizarros remelexos na liturgia. Já ouvi falar de gente fazendo dança do ventre na Missa e já vi jovens de mini-saia sambando em frente ao altar (ué, se os dançarinos mexicanos podem exibir coxas e barrigas na igreja, porque não elas?). Em um post sobre as “missas avacalhadas“, mostramos um vídeo em que um casal com pouca roupa requebra em uma Missa ao som de “Pérola Negra”, de Daniela Mercury.
Diante de tanta zona, é um alento ter acesso às orientações do Cardeal Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos entre 2002 e 2008. Em um evento, ele respondeu com muito bom-humor a perguntas sobre a “dança litúrgica”. No vídeo, que vimos no blog Missa aos Domingos, o Cardeal nigeriano enfatiza que “A dança é algo estranho ao rito latino da Missa”, e não deve ser realizada em nenhum momento da liturgia. Ele pondera, porém, que os povos de cultura asiática e africana podem realizar alguns movimentos refinados, típicos de sua cultura, no momento do ofertório, por exemplo.
MAS ATENÇÃO: o cardeal falou que os bispos – em especial aqueles dos países africanos e asiáticos – devem avaliar a possibilidade de autorizar movimentos REFINADOS na Missa, não danças. NÃO É PRA DANÇAR NUNCA!
O Papa Bento XVI, em seu livro “El espíritu de la liturgia – Una introdución”, já havia esclarecido esta questão (tradução e grifos nossos):
“A dança não é uma forma de expressão da liturgia cristã. Houve círculos docéticos-gnósticos que pretenderam introduzí-la na liturgia cristã, por volta do século III. Para eles, a crucificação era só aparência (…), de tal maneira que o baile podia ocupar o lugar da liturgia da cruz (…). As danças cultuais das diversas religiões têm finalidades diversas: encantamento, magia analógica, êxtase místico; nenhuma destas figuras corresponde à orientação interior da liturgia do ‘sacrifício da palavra’.
“O que é completamente absurdo é quando, com a intenção de fazer com que a liturgia que seja mais ‘atrativa’, se introduzem pantomimas [gestos teatrais] em forma de dança. Quando é possível, se realizam inclusive com grupos de dança profissionais que, frequentemente, terminam com aplausos (…). Quando se aplaude pela obra humana dentro da liturgia, nos encontramos diante de um sinal claro de que se perdeu totalmente a essência da liturgia, que foi susbstituída por uma espécie de entretenimento de inspiração religiosa.”
Na contramão das orientações do Papa, sacerdotes e leigos, por orgulho, por vaidade ou por pura desinformação, continuam a promover essa porcaria chamada “dança litúrgica”, que só serve para transformar o templo de Deus num circo de bizarrices ou num arremedo de culto pagão. Pior ainda é quando o presbitério vira um cabaré de carolas, onde rapazes saradinhos aproveitam a desculpa da “arte” para fazer performances sem camisa e moças fazem movimentos sensuais com roupas colantes.
É preciso considerar que, muitas vezes, os realizadores desse tipo de abuso não o fazem por maldade; há entre eles cristãos sinceros e bem intecionados. Porém, isso não anula o fato de estarem incorrendo em um grave erro, que fere a dignidade do templo e a sacralidade da liturgia. É preciso mostrar a estas pessoas o seu engano, e ajudá-las a compreender mais a fundo o significado sacrificial da missa. É preciso fazê-las entender que a “liturgia da cruz” não suporta esse tipo de firulas. Muitos católicos estão com um pé no paganismo; se ninguém fizer nada, não tardarão a enfiar os dois pés.
Os grupo de dança paroquiais podem ser muito bons e úteis, desde que saibam o seu lugar. Podem atuar nos salões paroquiais, como disse o Cardeal Arinze, mas não devem continuar a fazer o presbitério de palco. O Senhor derrama Seu precioso Sangue sobre o altar a cada Missa… Será que é tão difícil de entender isso?
Os sacerdotes e leigos que desejam ser fiéis ao magistério da Igreja devem se perguntar com honestidade: essa dança ou teatro que estamos planejando é uma expressão autêntica da liturgia cristã, ou não passa de um “entretenimento de inspiração religiosa”, como disse Bento XVI? É preciso ter humildade e amor pela Verdade; assim, poderemos nos desapegar dos nossos gostos e opiniões pessoais sobre a liturgia e ser mais fiéis àquilo que a Santa Igreja determina.
Pra encerrar, #ficaadica do Cardeal Arinze pros sacerdotes e leigos membros de “ministérios da dança” espalhados pelo Brasil afora:
“As pessoas que estão discutindo dança litúrgica deveriam usar o seu tempo rezando o Rosário, ou (…) lendo um dos documentos do Papa sobre a Sagrada Eucaristia. Nós já temos problemas suficientes. Por que banalizar mais? Por que dessacralizar mais? Já não temos confusão suficiente?”
Úteros artificiais: no “Admirável Mundo Novo", ninguém gera filhos de forma natural.
E aí meu povo;
Se tem duas coisas que me apavoram: esteiras Ford (produção em série) e gente que ri ou acha engraçado quando se menciona próximo a elas as palavras “Big Brother”. Não consigo mensurar a burrice de quem não entende o significado intrínseco dessas coisas.
Bom, a segunda diz respeito, claro, ao romance sublime, uma ode antitotalitária, escrito porGeorge Orwell: “1984″. A primeira diz respeito ao outro romance “irmão-gêmeo-complementar-preciso-de-você-para-minha-vida-fazer-sentido-e- entender-o-mundo” “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Antes que alguém enlouqueça, eu sei bem que foi o avô de Huxley que forjou as ideias do grande mal do século; o agnosticismo. Bom, ninguém é perfeito.
Quando eu era jovem, era quase uma heresia não ter lido “Admirável Mundo Novo” – assim como “1984″, “Senhor dos Anéis’, “As Crônicas de Nárnia”, “O Lobo da Estepe”, “Dom Quixote” e “O Apanhador nos Campos de Centeio” – antes dos 18 anos. Hoje me surpreendo se um moleque dessa idade tiver entre suas leituras regulares Turma da Mônica e Tio Patinhas.
Mas vamos falar do livro que é o que mais interessa para gente aqui. Foi publicado pela primeira vez em 1932. Vejam, ao lerem o livro, se não é nesse rumo que vai a nossa civilização ocidental. No mundo doidão de Huxley as pessoas são pré-condicionadas biologicamente (te garanto que não há ali a menor possibilidade de um anencéfalo vir à luz) e condicionadas psicologicamente (politicamente correto perde).
Observem as características que Huxley dá a essa sociedade:
a primeira característica não poderia ser outra senão o amoralismo religioso;
ao povo são administradas doses maciças de drogas para compensar seu vazio moral e espiritual;
a educação sexual para crianças é dada a partir de 4 anos de idade. Olha a pedofilia aí gente!;
a cereja do bolo é a inexistência do conceito de família.
A pergunta que não quer calar: isso te parece algo?
Nada, absolutamente nada, acontece na sociedade sem que não tenha sido imaginado na literatura anos antes: vide nosso amigo Huxley e mesmo Tolkien, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Julio Verne.
Admirável mundo novo é, em muitos sentidos, muito mais impactante do que “1984″. Esse livro, durante muitos anos, fez-me ter vontade de isolar-me desse ser nefasto chamado homem. É um construto de um mundo no qual eu não gostaria de viver: sem famílias, democracias, cristianismo e arte. E eu nem falei que sexo aqui é realmente considerado ‘necessidade fisiológica”.
Amor de mãe? Pra quê? O estado proverá. Esse livro nada mais é do que um aviso do que pode acontecer graças a essa nossa maldita mania de colocar nosso destino na mão do Estado. Nada para esse Estado pode ser permanente, pelo simples fato de que a permanência fere seus interesses. Todo mundo nesse mundo imaginário sofre de “déficit de atenção”.
A contrapartida é a realização material, todo mundo tem o que precisa. Pergunta: é isso que você quer? Se a resposta for sim, continue votando na Dilma e no PT. E comecem a contar o tempo usando o nascimento de Henry Ford como Anno Domini.
Relendo o livro tenho vontade de chorar. O que parecia ficção científica está se materializando diante dos meus olhos.
De David. Poema. Feliz aquele cuja ofensa é absolvida, cujo pecado é coberto.
Feliz o homem a quem Javé não aponta nenhum delito.
Enquanto me calei, os meus ossos consumiam-se, rugindo durante todo o dia, porque dia e noite a tua mão pesava sobre mim.
O meu coração tornou-se como feixe de palha em pleno calor de Verão.
Confessei-Te o meu pecado, não Te encobri o meu delito. Eu disse: «Vou ter com Javé e confessar a minha culpa!» E Tu absolveste o meu delito, perdoaste o meu pecado.
Por isso, que todo o fiel Te suplique no tempo da angústia: se as águas caudalosas transbordarem, jamais te atingirão.
Tu és o meu refúgio, Tu me libertas da angústia, e me envolves com cantos de libertação.
No post de ontem, falamos do silêncio que reina nas comunidades cristãs sobre a pornografia. Permanecer ignorando o problema é como querer tapar a bunda da Mulher Melancia com a peneira! Os evangelizadores devem ser capazes de mostrar aos fiéis, de forma objetiva e pragmática, quais são as consequências que a pornografia traz para as suas vidas, agora e na eternidade. É preciso dar razões, falar ao coração das pessoas e provocar uma reflexão mais profunda.
Há uns 15 ou 20 anos, uma pessoa que tivesse o hábito de ver filmes ou revistas de sacanagem tinha a clara noção de que estava sendo degenerada. Hoje, porém, a hipocrisia reina… Para tentar justificar sua prática perversa, alguns arrumam até motivos “nobres” para consumir pornografia; ela agora é vista como uma aliada dos maridos e esposas, e – pasmem! –, como um instrumento de educação sexual para os jovens.
A PORNOGRAFIA NOS ENSINA A FAZER SEXO?
Um peixe fácil que é fisgado aos montes pela pornografia são os jovens, ansiosos para “aprender como se faz”. Porém, eles precisam saber que as imagens obscenas não nos ensinam a fazer sexo: elas o deturpam, o esvaziam da sua beleza, do seu sentido. O sexo pornográfico é despido de sua original bondade, com a qual Deus o criou; é mecânico, doentio e desumano.
Pessoas que consomem pornografia correm o sério risco de desenvolverem uma sexualidade pervertida. O efeito da pornografia sobre o cérebro é como o da droga: quem começa vendo uma sacanagenzinha “leve”, logo não obterá mais satisfação com isso, e começará a buscar estímulos mais “pesados”, mais intensos. E assim, muitos começam a chafurdar na lama das imagens de sexo bizarro, de estupro, de sadomasoquismo, de homossexualismo, de zoofilia e de pedofilia.
A exposição intensa à pornografia leva a pessoa a ser sexualmente frustrada; ela obtém uma excitação temporária, mas que satisfaz cada vez menos. A razão disto é bem simples: no caso das pessoas casadas, o cérebro hiperestimulado pelo mundo do erotismo artificial já não é capaz de se contentar com o sexo natural, não ilusório; e para os celibatários, a castidade perde o sabor e o sentido. É neste ponto que muitos dão o trágico passo de transformar o sexo fantasioso em realidade; assim nascem muitos adúlteros, pedófilos, estupradores etc.
A PORNOGRAFIA PODE “ESQUENTAR” O CASAMENTO?
Em programas de TV e revistas femininas, vez ou outra aparece alguma fulana na maior cara dura dizendo que vê filmes eróticos com o marido para “esquentar a relação”. Que bonito! A observação da prostituição de outros seres humanos é a mais nova estratégia de promoção da felicidade conjugal. E desde quando é possível obter algo de bom por meio da degradação alheia?
Os casais que aderem a esse esquema, sem perceber, entram numa prisão: dificilmente conseguirão se sentir atraídos pelo outro de forma natural, sem o estímulo artificial dos filminhos de sacanagem. É o fim da afeição, da ternura, é a morte da sexualidade unitiva; não se veem mais como uma só carne, mas como duas carnes que se atracam. Só resta espaço para o sexo egoísta, humilhante, insatisfatório e desesperado.
A princípio, a pornografia pode até fornecer a ilusão de “apimentar a relação”, mas, em pouco tempo, terá o mesmo efeito que um chá brochante: acabará jogando um balde de água fria sobre o amor e a sexualidade. É o que afirmam muitos estudiosos do assunto:
“Laydon e outros psicólogos clínicos relataram que, ironicamente, a disfunção erétil é comumente associada ao constante uso da pornografia entre os homens. Um dos motivos para isso é que a constante busca de imagens sexuais e masturbação que muitas vezes acompanha isso levam à insatisfação com o próprio cônjuge. Afinal, a esposa de um homem não consegue manter uma imagem que compita com as mulheres no mundo de fantasia dos vídeos e imagens pornográficos. O consumidor normal de pornografia se prepara para desapontamentos e desintegração quase certa de seu casamento.”
Muitos veem o hábito de consumir pornografia como uma forma de “aliviar as tensões”, como uma sacanagenzinha que não faz mal a ninguém. Porém, o efeito de suas “espiadinhas” é devastador para a alma os atores prostituídos: cada vez que alguém vê seus vídeos ou fotos obscenas, aumenta a carga de seus pecados, e na mesma medida, é ampliada a pena que o ator ou atriz pornô terá que pagar (nesta ou na outra vida).
Uma pessoa que observa com malícia a nudez de outra – ainda que seja uma foto ou filmagem realizada há anos – está efetivamente pecando contra a castidade junto com ela. Por isso, quem consome pornografia peca gravemente contra a castidade, e não deve participar da Santa Comunhão até que tenha feito uma boa Confissão.
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.(Mt, 5:27-28)
Cristo foi muito duro ao dizer estas coisas? De modo algum! Ele nos ama e nos conhece como ninguém. Ele sabeque todos os pensamentos que alimentamos se refletem no nosso modo de agir, de nos relacionar com Deus e com as pessoas. Quem polui o cérebro com pornografia e se compraz com a desgraça de outra pessoa – no caso, a prostituição dos atores pornôs – torna-se incapaz de viver a sua sexualidade de forma sadia e alegre, seja por meio do celibato, do namoro casto ou do matrimônio.
COMO SE LIVRAR DESSE VÍCIO?
Você já viu algum drogado ou alcoólatra se livrar do vício exclusivamente por meio do Sacramento da Confissão? Pode até existir um ou mais casos desses, mas devem ser raros. Para quem é viciado em imagens obscenas, a contrição e a Confissão são essenciais, é claro, mas é preciso tomar outras medidas.
Resumimos aqui as orientações dadas por alguns sites especializados no assunto (todos em inglês, não conheço nenhum em português, infelizmente).
1. “Arranque o olho”
Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena. (Mt 5:29)
Livre-se de tudo o que possa levá-lo a uma recaída. Sem concessões, cancele os canais da sua TV a cabo ou satélite que exibem programas eróticos e limpe o seu computador de todos os materiais pornográficos. Ative o filtro “moderado” ou “estrito” do Google.
2. Quebre o silêncio e saia das sombras
Se uma pessoa está abusando do consumido de comida, de bebida, do cigarro, ou está fazendo uso de drogas, é quase impossível que seu problema fique oculto. É muito provável que amigos e parentes se mobilizem para reabilitá-lo, cercando-o de conselhos e cuidados. No caso do viciado em pornografia, o mesmo não ocorre, pois, em geral, ele consegue manter o seu vício em segredo.
Então, para quem está decidido a se libertar da pornografia, uma das primeiras medidas é eleger um amigo católico, namorado(a), esposo(a) ou diretor espiritual para expor o seu problema. Essa pessoa deverá ser bem próxima, e ter a liberdade de perguntar com certa frequência como vão as coisas, se o hábito persiste, se houve recaídas. É preciso ter alguém a quem dar satisfações. Com isso, você pensará duas vezes antes de fazer “m” de novo. Além de criar vergonha na cara, de quebra ainda contará com as orações e o incentivo do seu confidente.
E lembre-se: o demônio age na mentira. Quanto mais você traz as coisas à luz, quanto mais você é verdadeiro (ainda que seja com uma única pessoa), menos ele tem poder de lhe dominar.
3. Redobre a oração e as práticas de misericórdia
Quem dedica o seu tempo às coisas de Deus deixa pouco espaço em seu coração para as coisas vãs. A oração constante e fervorosa, aliada à prática da caridade, são as principais armas para libertar o homem de qualquer mal.
Estabeleça uma rotina de oração e seja rígido com o seu cumprimento. Além disso, procure servir aos mais necessitados por meio de uma ação regular (uma ou duas vezes por semana, por exemplo), que realmente faça diferença na sua rotina.
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Ok, o assunto é meio pesado, mas vocês sabem que a gente não resiste em dar uma zoada. A charge animada abaixo, do cartunista Maurício Ricardo, lembra a divulgação, há alguns meses, de um vídeo do Ronaldinho Gaúcho acessando pornografia e tocando… err… tocando clarineta.
Anos 1980. Um cara que desejasse ver uma revista ou filme de sacanagem teria que se deslocar até uma banca de jornais ou locadora e apresentar a sua cara de tarado diante do jornaleiro ou balconista. Também teria que dispor de algum dinheiro. Bem, não era nenhuma missão impossível, mas era necessário se mover, se expor, pagar.
Agora estamos no século 21. E então, como ter acesso a imagens pornográficas? É fácil: o sujeito não precisa levantar o traseiro do sofá, não precisa sair de casa, não precisa (se tiver alguma vergonha na cara) passar qualquer constrangimento diante de vendedores e, em muitos casos, não precisa nem pagar! As imagens obscenas vêm até ele, ainda que não tenha buscado por elas, como baratas que invadem uma cozinha.
Todos já devem ter passado mais de mil vezes pela experiência de, após lançar uma palavra ou expressão pra lá de inocente no Google, se deparar com cenas de nudez e sexo (apesar do Safe Search Moderate). Expostos inadvertidamente à luxúria não solicitada, muitos não resistem a dar uma clicadinha. O demônio hoje só precisa convencer o cara a fazer um único e reles movimento – um clique no mouse – para afastá-lo de Cristo.
Além da Internet, há também a TV a cabo ou satélite. Mesmo que o sujeito não tenha inserido canais “adultos” em seu pacote, alguns canais regulares exibem programas eróticos a partir de certo horário. O cara tá lá zapeando, sem a menor intenção de ver nada pecaminoso, e, em um segundo, é fisgado pela pornografia. O peixe morre pelo olho!
Para piorar o quadro, a mídia e os intelectuais em geral entraram numa onda de glamourizar a pornografia, colocando-a até mesmo na categoria de “arte”. No ano passado, a Folha de São Paulo publicou no caderno “Folha Ilustrada” desenhos de Carlos Zéfiro, expondo milhares de pais e mães de família, crianças e adolescentes a cenas de bacanal, sexo oral, sexo anal e penetração (para saber mais, clique aqui).
A grande tragédia disso tudo é que uma multidão de pessoas que não tinha o hábito de consumir pornografia deixou-se ser arrastada para este vício. E, infelizmente, aqueles que deveriam estar atentos e preparados para combater a praga não tomam qualquer atitude: nas paróquias e grupos católicos, o assunto é raramente abordado – salvo algumas admoestações moralistas esporádicas –, e perde-se assim a oportunidade de ajudar os fiéis a refletir sobre o problema. Nos confessionários, entretanto, esse tipo de pecado está no TOP list. Duvida? Pergunte a um padre.
Mas, fora o risco de ir parar no Inferno, qual é o problema de consumir pornografia, ainda que ocasionalmente? Que consequências imediatas isso traz para a nossa vida? Como um cristão que caiu neste vício pode se libertar? Trataremos disso amanhã, em um novo post. Acompanhem!
Estamos iniciando aqui mais um momento fantástico dessa história fascinante contada através das vida dos nossos pontífices.
O século XII da Nossa Era é-me especialmente caro porque estão aqui plantadas as sementes da Santa Inquisição, assunto que me fascina a 25 anos ou mais, e ao qual dediquei grande parte de meus estudos. Foi estudando a Santa Inquisição que deixei de ser um idiota ateu anticatólico e passei a ver com clareza a luz da Santa Igreja. Interessa-me, fique claro, a Santa Inquisição Medieval; nem adianta perguntar-me sobre Inquisição Espanhola, pois não sou especialista neste último assunto, muito embora tenha conhecimento suficiente para desqualificar esses professorezinhos boçais que andam por aí.
Deixando de lado a viagem egocêntrica, passemos a falar um pouco sobre os pontífices desse tempo interessante e um tanto quanto (para variar) turbulento.
Pascoal II - Sucedeu Urbano II. Este papa institui três das Ordens cavaleirescas mais famosas de todos os tempos: os Templários, de tão triste lembrança (saibam porque em breve, aqui nO Catequista), os Cavaleiros Teutônicos – dos quais fazia parte a famosa casa dinástica dos von Hohenzollern (calma, também falaremos mais dos Hohenzollern; adoro escrever esse nome; em futuro próximo) – e os Cavaleiros da Ordem de São João, mas conhecidos como Hospitalários.
Não associam o nome às pessoas? Observem, com certeza vocês já viram no cinema, num livro ou num museu uma representação de uma dessas três ordens. Vejam como é fácil distingui-las: Templários usam túnica branca com uma cruz vermelha; os teutônicos também usam uma túnica branca, mas a cruz é preta; já os hospitalários usam uma túnica negra com uma cruz branca, Fácil não? Mas chega de falar de personagens de RPG, seguimos falando do Papa Pascoal II.
O imperador Henrique V pressionando o Papa Pascoal II
Um dos documentos históricos mais interessantes dessa época é a carta direcionada ao Santo Padre por Godofredo de Bouillon descrevendo a tomada de Jerusalém ocorrida em 1099, ano que Pascoal ocupou o trono de Pedro. Enquanto isso, no Sacro Império, Henrique V passou a mão na coroa de seu pai e, a partir daí, começou uma campanha para revogar muitas das reformas feitas pelo Papa São Clemente VII.
Pascoal II fechou os olhos para muitas investiduras (ordenações de bispos) ilegais e acabou tendo o povo contra si. Numa jogada popularesca, no dia de sua coroação oficial, Henrique V, sob pressão dos populares “botou na conta do Papa” as investiduras fraudulentas que ele fizera, que acabou encarcerado. O que Henrique queria era ter o poder de investir sua rapaziada como bispos, coisa que só o Papa poderia fazer. Bom, ocorre que, depois de dois meses, o Papa cedeu a pressão de Henrique V, que poderia colocar como bispo quem ele quisesse, desde que o Papa aprovasse sua indicação, o que, na prática, era apenas uma formalidade, já que o Papa não queria ir pro xilindró de novo.
O Imperador Henrique V, se fosse hoje, seria o rei do bullying. Depois de dar o cuecaço em meio mundo, continuava em cima do Papa enchendo o saco. Exigiu que o Papa não o excomungasse (motivos tinha de sobra) . Na ocasião dos distúrbios em 1116 que obrigaram o Papa a sair da cidade e refugiar-se em Benevento, o Imperador ficou na dele. No ano seguinte, veio o Próprio Henrique V arrumar encrenca (veio e ficou, diga-se). Lá vai o Papa para Benevento de novo. Retornou para Roma apenas em 1118, pouco antes de sua morte. Faleceu silenciosamente em Castel Sant´Angelo. Foi enterrado na Basílica de Latrão, uma vez que a Basílica de São Pedro estava sobre poder das forças imperiais. Papa de 1099 a 1116,
Gelásio II – Pobre Papa foi esse senhor. Muita tormenta num papado curto. Eleito papa secretamente no Mosteiro de Santa Maria in Pallara, esse monge beneditino acabou logo depois preso e espancado pela família patrícia à qual tinha jurado lealdade.
Fora isso, quando o povo de Roma e as famílias aristocráticas conseguiram sua liberdade, o Papa acabou tendo que fugir, pois o Imperador “te pego lá fora” Henrique V estava a caminho para aplicar mais cuecaços. Resultado: quando o Imperador quis chamar o Papa para um “papinho” (eita trocadilho ruim), este se recusou, o que levou nosso amigo Henrique a colocar um português – com fado, bacalhau, toucinho do céu e tudo mais – como antipapa. Este assumiu o nome de Gregório VIII.
Gelásio II, então, fez o que era sua obrigação: excomungou Henrique V e o antipapa Gregório VIII e espalhou a notícia por todos os reinos da cristandade. Aí o bicho pegou! Uma exército com base em Capua se formou e levou a guerra até as forças de Henrique em Roma, que tratou de escafeder-se. Mesmo sumindo, o Imperador deixou a cidade sobre o controle de seus exércitos. Para evitar um banho de sangue, o Gelásio II e seus bispos resolveram se retirar para Cluny, na França, local do qual o Papa não retornaria. Papa de 118 a 1119.
Calisto II – Esta é a era dos Papas “II”. Calisto II reafirmou a excomunhão de Henrique V. A coisa tava muito feia. Um imperador excomungado, naquele tempo, era considerado um grande m%¨&$%&%&%$&¨*&*(&*erda. Espiritualmente, podemos ver, o Imperador dependia muito do Papa. Os príncipes alemães, preocupados com esse estado de coisas, pediram que o Imperador começasse a negociar a situação melhor com o Papa.
Antes de continuarmos, vamos recapitular… Para não dizerem por aí que titio aqui não tá explicando direito, precisamos deixar claro o que foi a questão das investiduras. Então, abrimos aqui esse razoável parênteses:
Vem da época dos reinos visigodos a pretensão dos chefes temporais de nomear quem eles bem quisessem para ocupar os cargos eclesiais, controlar suas ações e, principalmente, colocar aí gente que dançasse de acordo com sua música, como tudo que vem do Estado (isso vale até hoje), onde a mãozinha podre de Reis, Duques e membros do PT pousa, apodrece. Só que Deus não abandona os seus: por volta de 900 surgiram ideais e centros de reforma católicos, cujo o mais famoso com certeza é a Abadia de Cluny (QG dos Cistercienses), de onde partem grupos renovadores para a Bélgica, Itália, Espanha, Inglaterra, etc.
A Abadia de Cluny foi fundada em 910 pelo P**** das Galáxias da época Guilherme, Duque da Aquitânia; foi doada para a Igreja durante o papado do monstrossauro Sérgio III, com a condição de que fosse administrada pelos monges. Isso era uma novidade já que, com essa base, em Cluny só tinha monge de primeiríssima linha. Seu exemplo pungente espalhou-se por todos a cristandade e seus monges eram convocados para mostrar como a coisa funcionava. Eles faziam mais ou menos uma espécie de workshop medieval de funcionamento de mosteiros.
Se observamos bem, a questão das investiduras (eleição de bispos), em que se levava em conta o interesse mais do Cappo local do que realmente a vocação da Igreja, é a base de muitos problemas, como simonia e “padres casadoiros”. Claro que os historiadores boçais que enchem nossas cátedras da época do iluminismo até os dias de hoje tiram o peso da culpa do seu amado “Estado” e o jogam pra cima da Igreja. Pesem e pensem: quantos bispos safados os papas nem tinham a menor ideia que foram investidos? Era com essa sacanagem que São Leão IX estava lutando e que levou à reforma de Clemente VII.
Agora, acho que vocês, caros leitores desse humilde blog, já têm um pouco mais de munição intelectual contra os sem-vergonha que querem atacar nossa Santa Igreja.
Voltando ao Papa Calisto II… Em 1122, o Papa assina a Concordata de Worms, que levava a uma definição essa questão das investiduras. Para tanto, Calisto assegurou ao “Imperador Bullying” a promessa de que não haveria investiduras sem a sua presença na Alemanha. No ano seguinte, durante o Concílio de Latrão, o Papa confirmou o postulado da Concordata de Worms e reafirmou a reforma promovida por São Clemente VII. Morreu em dezembro de 1124 e está sepultado ao lado de Pascoal II na Basília de Latrão. Papa de 1119 a 1124.
Honório II – Segura a onda gente, tem mais Papa “II” vindo por aí. Sobre Honório, pesa a acusação de que teria sido eleito através de suborno. Bem, isso não ficou muito claro para mim ainda, e prefiro não afirmar nem que sim nem que não. Fora isso, seu papado foi marcado pelas reformas. Foi um Papa bondoso e ajudou muito as ordens religiosas. Pregou também as virtudes morais e combateu o mal dentro da Igreja com todas as suas forças. Se todo Papa dessa época advindo de eleições ganhas com suborno fossem como ele…
Foi marcante no seu papado a concepção da ideia, vinda dos cônegos de Lyon, da Imaculada Conceição de Maria, ocorrida em 1125. Lamberto Scannabecchi (Honório II) foi um garoto pobre, um self-made man por assim dizer, estudou muito e conseguiu por mérito e esforço próprios as mais elevadas posições e funções da hierarquia durante os pontificados de Pascoal II e de Calisto II. Foi um dos signatário da Concordata de Worms e foi muito influente no Concílio de Latrão, que veio a ratificá-la (1123).
Foi eleito papa com o apoio da família Frangipane, após a morte (1125) do imperador Henrique V. Durante seu pontificado, o santo padre foi aos poucos reconquistando o terreno que o “Sr. Bullying” (pra quem não sacou – Henrique V) tentou abocanhar para si.
A tendência mafiosa dos italianos não deu sossego a Honório II. Os últimos meses de seu pontificado foram extremamente conturbados pelo acirramento das lutas entre os Frangipane, seus aliados, e os Pierleoni. Acuado, o papa de número 164 refugiou-se no convento de S. Gregorio al Celio, onde morreu em 13 de fevereiro (1130), e foi sucedido por Inocêncio II, (olha outro “II” aí, gente!). Foi durante seu pontificado que surgiram na Itália as seitas dos Guelfos, partidários do Papa, e a dos Gibelinos, partidários do Imperador, mas isso ainda é uma outra história, como diria o cronista do Conan. Papa de 1124 a 1130.
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