Liga dos Blogueiros Católicos – Episódio 24 – 29/03/2015

Oi Povo Católico!!!!

Começou a terceira temporada da Liga dos Blogueiros Católicos! E já começou agitada… veja os comentários sobre o milagre da liquefação do sangue de São Januário nas mãos do Papa Francisco e descubra qual foi a piada que ele contou na ocasião. Avalie os primeiros meses do governo Dilma, entenda passo a passo, os principais problemas da Reforma Política proposta pelo PT e CNBB. Veja a nova lei pró-aborto e abra os olhos para o que realmente está por trás dela. Conheça “Romanos 12″ o novo projeto do canal #BoraPartilhar e além de tudo isso, aprenda como não se faz marketing, com  nossos blogueiros católicos de plantão.

Divirta-se! A Liga voltou!

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“Onde está escrito na Bíblia…?” – Eis uma pergunta essencialmente anti-bíblica

Dardilene (nossa personagem fictícia de hoje) arrumou um novo emprego: dançarina e stripper. Quando ela comentou sobre seu trabalho na igreja onde frequenta, o povo ficou chocado, e a repreendeu. Mas a moça ignorou a advertência de seus irmãos, já que ninguém conseguiu mostrar, na Bíblia, onde está escrito que fazer strip-tease é pecado.

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Bem, dentro da lógica mais restrita da doutrina fundada por Martinho Lutero, Dardilene tem razão. Não tem a palavra strip-tease na Bíblia, nem qualquer referência a essa atividade, então… Dardilene se recusa a acreditar em qualquer coisa que não esteja escrita de forma explícita nas Escrituras!

Usando esse mesmo princípio, os irmãos protestantes questionam os católicos:

  • “Onde está escrito na Bíblia que Pedro foi o primeiro Papa?”;
  • “Onde está escrito na Bíblia que Jesus fundou a Igreja Católica?”;
  • “Onde está escrito na Bíblia que Maria foi preservada do pecado original?”.

Alguns católicos mais inocentes caem na arapuca e tentam responder a esse tipo de pergunta de acordo com a lógica protestante. Ora, tais perguntas nascem de um princípio herético: a ideia de que a Palavra de Deus foi revelada a nós exclusivamente pela Bíblia. Não, não foi.

A pergunta “Qual o fundamento bíblico…?” é adequada, porque compreende que determinado artigo de fé pode estar implícito nas Escrituras, podendo ser explicitado pelas legítimas autoridades da Igreja. Por outro lado, a pergunta “Onde está escrito na Bíblia…?”, de modo geral, é essencialmente anti-bíblica, pois traz em si a ideia de que só a Bíblia basta para comunicar a Palavra de Deus. Porém, não há qualquer trecho das Escrituras que afirme que a Bíblia é suficiente por si mesma.

Pelo contrário: ao lado da necessidade de estudar e seguir as Escrituras, o povo de Deus recebe a ordem claríssima de seguir as orientações espirituais dadas ORALMENTE pelas autoridades estabelecidas por Deus – ou seja, a Tradição. Por isso, a fé cristã é capenga se não se firma sobre esses três pilares: Bíblia, Tradição e Magistério. Explicaremos isso melhor no próximo post (mataremos a heresia e mostraremos o pau!).

TODA DOUTRINA CATÓLICA POSSUI FUNDAMENTO BÍBLICO

pastorCada ponto da doutrina católica possui fundamento bíblico, mas não necessariamente explícito, e sim implícito. Por exemplo, não há qualquer passagem condenando o aborto de modo explícito, mas está implícito nas Escrituras que se trata de um pecado gravíssimo (saiba mais aqui). E justamente com base no argumento que não há nenhuma passagem explícita na bíblia sobre isso, o “bispo” Ma$$edo aprova o aborto.

Nem tudo está na Bíblia de modo explícito, até porque muitas das questões atuais que permeiam hoje a humanidade nem sequer existiam nos tempos de Cristo. Por isso, a doutrina se desenvolve ao longo dos séculos e evolui numa mesma linha (nunca se desviando da verdade revelada no Evangelho), para responder às questões de cada tempo, de cada geração.

Não foi à toa que Jesus deu as chaves do Céu a Pedro: depois da subida do Senhor aos Céus, haveria certamente de surgir questões que não haviam sido abordadas diretamente por Ele, e que teriam que ser julgadas e definidas pela Igreja como morais ou imorais. Assim, era preciso deixar na Terra um pastor visível, chefe da única Igreja fundada por Cristo, legítimo representante do Pastor que está nos Céus.

Vamos tomar como exemplos a inseminação artificial e fertilização in vitro. Já vi muitas denominações evangélicas declarando que não é pecado um casal recorrer a essas técnicas de reprodução assistida. Ok… Mas onde está escrito isso, na Bíblia? Em lugar nenhum!

Os protestantes dizem que a Bíblia é a única autoridade – Sola Scriptura. Se é assim, por coerência com a sua própria doutrina herética, deveriam simplesmente se calar sobre questões que a Bíblia não aborda explicitamente. E assumir, sem hipocrisia, que essa doutrina produz um cristianismo engessado, incapaz de dar resposta aos dramas do homem moderno.

Tudo o que é implícito em um texto requer um esforço a mais de interpretação. Em quem, então, um cristão deve confiar, para ter a chave correta de interpretação da Bíblia? Em si mesmo? Sim, de acordo com a heresia protestante do “livre exame”. Bem, o paxtô pulador de cerca do município de Serra-ES, já mostrou que essa postura é a maior furada…

É a heresia da interpretação pessoal da Bíblia que motiva a fundação de novas seitas protestantes a cada dia. E, mesmo dentro das comunidades evangélicas mais antigas, os líderes vão cada vez mais alterando a doutrina para agradar o mundo, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA), que na semana passada aprovou o casamento gay (Fonte: O Globo e Gospel Prime).

Também é essa heresia que leva grande parte dos protestantes a renegarem ensinamentos bíblicos essenciais e explícitos, como:

  • o fato de que Cristo se faz REALMENTE alimento para nós (“Isto é o meu Corpo”, “Isto é o meu sangue”…);
  • a necessidade de confessar os pecados a um sacerdote (João 20,23);
  • e a condenação de Jesus ao divórcio.

Sendo os ensinamentos bíblicos explícitos ou implícitos, dá no mesmo: os protestantes sempre dão um jeito de deturpar a Palavra de Deus, conforme a sua ignorância ou conveniência.

UMA SÓ IGREJA, UM SÓ REBANHO

Católicos ou não, todos os cristãos sinceros hão de concordar que Jesus não quis ensinar mil verdades, e sim UMA só verdade. A existência de milhares de denominações cristãs, cada uma explicando o Evangelho de uma forma diferente da outra, atenta de modo escandaloso contra a vontade de Cristo, que desejou que todos fossem um (João 17,21). E a unidade do rebanho só é possível se um só é o pastor, e uma só é a doutrina.

Se é tolice e arrogância confiar na interpretação pessoal, como checar à certeza sobre o verdadeiro sentido das passagens mais difíceis ou controversas da Bíblia?

No próximo post, refletiremos sobre essas questões e explicaremos o que é a Sagrada Tradição. Também mostraremos as bases bíblicas – explícitas, não implícitas – para a crença de que a Palavra de Deus nos é revelada por meio da Bíblia e também da Tradição. Até lá!

sola_scriptura

A charge acima é da página Sword of Peter.

Clemente VII – O último Papa insensato da Renascença

judas_bonecoVoltamos meu povo!

Depois do breve papado de Adriano VI, que foi um sopro de esperança em tempos difíceis para nossa amada Igreja, voltamos à programação normal da Renascença – ou seja, tempo ruim à vista!

No dia 25 de setembro de 1534 a cidade de Roma foi palco de uma cena grotesca e insólita. Uma multidão irada avançou sobre o túmulo do Papa, arrancou o corpo dali, o pendurou em praça pública e o trucidou, tal como se faz a um boneco de Judas em Sábado de Aleluia. O defunto em questão era o Papa Clemente VII. O que levou o povo a tomar uma atitude tão ensandecida? É o que contaremos agora.

Escolhido em 19 de novembro de 1523, subiu ao trono de Pedro Giulio di Giuliano de Médici, Arcebispo de Florença, e recebeu o nome de Clemente VII. Era filho bastardo de Juliano de Médici, e também era amigão e primo do Papa Leão X.

Clemente VII era considerado um bom político e administrador, tendo governado Florença entre 1519 e sua eleição em 1523. Mas como Papa foi um desastre de proporções faraônicas. Poucas vezes na história a Igreja de Deus passou por uma humilhação tão grande quanto a que vamos narrar. Preparem seus corações, que vai ser brabo.

A Reforma de Lutero ia bem, obrigado. E a todo vapor. Hesse, Brunswick, Saxônia e Brandemburgo (cidades importantes do Sacro Império Romano-Germãnico) assinaram a confissão de fé luterana, rompendo com Roma e cuspindo na cara do Imperador Carlos V. A Dinamarca deu bye-bye e a Suécia entrou na caravana infernal do mad monk.

Uma das poucas coisas certas que Clemente VII fez foi negar-se a declarar como nulo o casamento do Rei taradão da Inglaterra, Henrique “papo de anjo” VIII. Doido pra se livrar da austera e beata Rainha Catarina. Nada havia de justificável para concessão de tal pedido, além da famosa e incontrolável lascívia do rei. O Papa não cedeu às pressões do safado que estava sentado no trono do Rei Arthur. A Igreja perdeu a Inglaterra e o mundo ganhou a primeira igreja estatal fundada conforme a vontade do bilau de um Rei (para saber mais sobre a Igreja Anglicana, clique aqui).

Entre as más qualidades apresentadas por esse Papa no comando da Igreja, figuravam: timidez, perplexidade e uma incapacidade absurda de tomar decisões; um pesadelo administrativo por definição. Clemente VII só fez besteira no campo político, com consequências devastadoras para a Igreja. E a sua mais infeliz decisão foi formar a Santa Aliança de Cognac.

A SANTA ALIANÇA DE COGNAC

Clemente VII tinha o dedo podre para escolher seus aliados políticos: ele sempre escolhia o lado do perdedor.

papa_clemente

Em meio à disputa entre França e Espanha/Habsburgos pela pretensão sobre Gênova, Milão e Nápoles, a princípio, o Papa escolheu ficar do lado dos franceses e declarou seu “amor eterno” ao Rei Francisco I da França. Péssima escolha. Francisco I acabou entrando para a história como o saco de pancadas preferido de Carlos V, que – adivinhem – era o cabeça da aliança Espanha/Habsburgos.

Francisco I , Rei da França caiu refém dos Habsburgos e foi aprisionado, humilhado e obrigado a assinar um tratado aviltante para salvar seu real pescoço. Depois de liberto, o Rei da França retomou seu trono e rasgou o tratado de Madri, que havia sido obrigado a assinar pelo Imperador Carlos V.  Todo pimpão, Clemente chamou Francisco I para “fazer uns lance aê” e incluiu a França na Santa Aliança de Cognac (sinceramente, devia ser um cognac vagabundo, porque a dor de cabeça que adveio daí foi gigante), junto com Veneza e Florença, desde que o Rei prometesse apanh… quer dizer, lutar contra as forças do Imperador.

Tudo arrumadinho no tabuleiro, o Imperador Carlos V acabou com a bagunça e as alianças espúrias da pior forma possível.

Roma estava em vias de ser vítima do ataque mais selvagem que já foi registrado. Lansquenetes (soldados de infantaria alemães) e tropas espanholas, sob o comando de Carlos III de Bourbon, atravessaram os Alpes para combater os “conhaqueiros”, antecipando o lerdo do Francisco I, que ficou vendido (pra não usar palavra pior) na história. Junto com o rei da França, claro, o Papa estava entregue à própria sorte, sem o apoio prometido de tropas para combater os famigerados lansquenetes.

Pra piorar, os Colonna, sempre esperando uma oportunidade para aprontar, iniciaram um levante popular em Roma, liderados pelo Cardeal Pompeu Colonna, um inimigo declarado da família do Papa, os Médicis. Pompeu Colonna queria – nada mais, nada menos – assassinar o Bispo de Roma e se autoproclamar Papa.

Os sicários de Pompeu Collona saquearam a Roma, mataram concidadãos e devastaram tudo pelo caminho. A vida de Clemente só foi salva porque o Papa Alexandre VI era um vilão prevenido e mandou instalar saídas secretas que davam acesso ao Castelo de Sant’Angelo.

O Papa Clemente não tardou a buscar vingança e, reunindo tropas aliadas, deu o troco pra cima dos Colonna. Não ficou pedra sobre pedra. Mas isso tudo foi apenas um ensaio para o que estava por vir.

O SAQUE DE ROMA DE 1527

Clemente continuou desorganizado e descuidado. Não buscou melhorar as deficientes defesas romanas e viria a pagar muito caro por isso.

As tropas do Imperador que estavam para chegar (lembrem que eu falei ali atrás que elas já haviam cruzados os Alpes) não eram exatamente um exército organizadinho e bem treinado. Na verdade, mais pareciam um bando de selvagens sanguinários, que só queriam mesmo era o butim do assalto. Ademais, eram compostas de alemães e espanhóis, que não eram exatamente dois povos que se amavam pra caramba. Eram lobos famintos, e Carlos V os havia liberado da coleira.

Ciente do tamanho da besteira que fez, por considerar-se um bom católico, o Imperador propôs ao Papa um armistício (suspensão dos ataques) de oito meses, mediante o pagamento de 60 mil ducados para aquietar as tropas. Só que esqueceu de combinar isso COM as tropas que se amotinaram e marcharam para o Sul, a fim de pilhar Roma.

A crença maior do Papa era que ninguém ousaria atacar o coração da cristandade por medo da punição divina. Só que agora os cachorros incitados contra Roma eram em grande parte LUTERANOS. Já não nutriam mais o menor respeito pelo Vaticano e pelo que ele representa no coração dos cristãos. Esse foi o tipo de liberdade que Lutero lhes deu.

O que vou trazer a vocês agora é um relato triste e revoltante. A dor que esse relato traz é como uma lança na alma, mais do que nunca é preciso resgatar a história da Igreja para entender as promessas de Cristo. Se você é realmente católico, não pare agora.

No dia 6 de maio de 1527, os invasores hispanos-germânicos romperam os muros e entraram na cidade. A orgia de barbárie humana que se seguiu na sede de São Pedro, capital da cristandade por 1.200 anos, deu bem a medida de quanto a imagem de Roma tinha sido aviltada por seus dirigentes. Massacre, devastação, fogo, estupro – tudo isso ficou absolutamente fora de controle (…).

A ferocidade e a loucura sanguinária dos atacantes “teriam levado até uma rocha às lágrimas”, dizia um relatório encontrado nos arquivos de Mântua, “escrito com mão trêmula”. Os soldados assaltaram casa a casa, matando no ato quem esboçasse a menor resistência. As mulheres eram violentadas sem consideração à idade que tivessem. Gritos e gemidos se faziam escutar em todos os quarteirões e o Tibre ostentava um desfile de cadáveres. Papa, cardeais, cúria, oficiais laicos, amontoavam-se em Sant’Ângelo em verdadeiro pandemônio, a ponto de um cardeal ter sido levantado dentro de uma cesta após ter sido fechada a ponte levadiça. Fixados os resgates dos mais ricos, atrozes torturas forçavam-nos ao pagamento; os que não podiam pagar eram assassinados. Padres, monges, e outros religiosos foram liquidados com requintes de brutalidade; as freiras, arrastadas aos bordéis ou alugadas aos soldados nas ruas. Eles devastavam os palácios e depois incendiavam-nos. Igrejas e mosteiros foram saqueados em busca de tesouros; relíquias, depois de retiradas suas coberturas preciosas, eram jogadas fora, abriram-se túmulos à caça de mais tesouros, o Vaticano acabou sendo usado como estrebaria. Quando atacavam arquivos e bibliotecas, seu conteúdo espalhava-se ou passava a servir de colchão para os cavalos. Observando a cena, até um dos Colonna chorou. “O inferno nada possui capaz de ser comparado ao atual estado de Roma”, escreveu um veneziano.

Luteranos dos terríveis lansquinetes, deliciados com esse cenário, parodiavam os ritos pontifícios, andavam pelas ruas vestindo os ricos paramentos dos prelados, as vestes e barretes rubros dos cardeais; um deles, fazendo as vezes de Papa, exibia-se montado num asno. A primeira onda de carnificina durou oito dias. Durante semanas Roma queimou em meio ao fedor de corpos insepultos e destroçados pelos cães. A ocupação prolongou-se por nove meses, causando danos irreparáveis. Estimativas calculam que dois mil cadáveres foram jogados no Tibre, 9800 conseguiram sepultamento, com saques e resgates estimados entre três e quatro milhões de ducados. Somente quando a peste apareceu e a comida acabou, deixando uma população faminta, as hordas bêbadas e saciadas retiraram-se do “matadouro fedorento” em que haviam transformado Roma.

(Bárbara Tuchmann, “A Marcha da Insensatez”, p. 162-163)

E você aí achando “terrível” qualquer coisinha que o Papa Francisco venha a falar, e que seja manipulado pela mídia. Conhecendo a história, vemos que o nosso senso de proporções moderno é uma grande piada de mau gosto. Sim, acredite: a Igreja já enfrentou tempos bem piores.

Todo esse horror, todo esse vilipêndio, foi visto como punição divina pelos pecados do Papa Clemente VII. Esse permaneceu prisioneiro em Castel Sant’Ângelo até juntar grana para pagar o resgate. Para piorar a situação, os florentinos, em face dessa vergonha, aproveitaram-se da fraqueza dos Médici e os expulsaram, proclamando a República.

Mas mesmo com isso tudo, Clemente não aprendeu a lição. Envergonhado, com a bênção do Imperador, partiu na calada da noite para um refúgio em Orvieto, levando consigo a esperança que o Rei Francisco, o vacilão, pudesse retomar seu avanço sobre a Itália. O que de fato aconteceu. No ano seguinte, lá vem o Rei Francisco… Tomar outra sova. Nada restou ao relutante Papa senão entrar em acordo com o senhor absoluto da Itália: Carlos V.

Padecendo de frio e fome, o papa foi até Bolonha e aceitou os termos apresentados pelo Imperador, coroando este último como Rei de Nápoles. Mais um território no tabuleiro de WAR do cara. A ilustração abaixo, de Giulio Clovio, reflete bem o estado em que as coisas ficaram: Charles V entronizado, com seus inimigos derrotados e acorrentados aos seus pés (a partir da esquerda): Suleiman – o Magnífico, Papa Clemente VII, Francisco I, Duque de Cleves, Duque da Saxônia e Hesse.

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Carlos V agora era o “chapa” do Papa, e este conseguiu a promessa junto ao Imperador de reaver Florença. foi então que aconteceu a maior das infâmias: os mesmos animais que destruíram Roma agora estavam ajudando o Papa a recuperar Florença, a única coisa que, afinal, importava para os Médici. Quanto à Roma? O Sr. Clemente mandou tudo às favas. Em vez de ocupar-se em deter os avanços da Reforma, preferiu o Papa vender-se aos lansquinetes de Carlos V para reaver a cidade de sua família. Esse cara era o Rei da escolha errada.

Se o Papa Leão X errou por subestimar Lutero e considerar a Reforma Protestante um movimento pequeno (o que, convenhamos, foi uma burrice, mas até certo ponto justificável), Clemente não tinha esse beneplácito. O monstro da Reforma já era, então, bem real e violento, e enfiou suas garras em Roma.

Passaram-se sete anos do cerco de Roma, a Deforma Protestante ia de vento em popa, e o Papa continuava no seu joguinho de comadres referente à Florença quando, muito provavelmente, o DEP – Departamento de Envenenamento Papal – foi reativado mais uma vez. Após uma refeição, Clemente VII passou mal e morreu.

veneno

O povo de Roma culpava o falecido pela desgraça da cidade, ocorrida sete anos antes. Violaram seu túmulo, enfiaram-lhe uma espada no peito e o despedaçaram completamente. Assim partiu o segundo dos Papas Médici (segurem a onda, tem mais dois), filho bastardo de um banqueiro, que nunca soube ser o líder necessário à frente da Igreja. Tinha 56 anos.

Termina aqui a série dos Papas Insensatos da Renascença. Dias melhores estavam por vir. Deixo-os com as palavras de Jacob Burckhardt:

” (…) o êxito da expedição contra Roma (…) obrigou novamente o papado a tornar-se  a expressão de um poder espiritual mundial, na medida que teve que se posicionar à testa de toda oposição à Reforma.

“A Cultura do Renascimento na Itália”, p. 143

Fontes:

Tuchmann, Bárbara. A Marcha da Insensatez. Bestbolso, 2003.

Burckhardt, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália.

Johnson, Paul. La História Del Cristianismo. Zeta, 2010(Argentina).

McBrien, Richard P. Os Papas. Loyola, 2004.

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