Idade Média, tempo de emancipação e promoção da mulher

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Nas assembleias urbanas ou rurais, as mulheres têm o mesmo direito de voto que os homens. As lideranças políticas e religiosas femininas são tão prestigiadas quanto as masculinas. As mulheres abrem e comandam estabelecimentos comerciais, sem precisar da autorização de seus maridos. Além de mães de família, religiosas e empregadas domésticas, as mulheres exercem diversas profissões. A que tempo estamos nos referindo? Acredite: estamos falando da Idade Média!

Pra quem deu uma risadinha cretina e descrente, adianto logo que a fonte de nosso post de hoje é Régine Pernoud, ilustre historiadora francesa, premiada em 1997 pela Academia Francesa, pelo conjunto de sua obra. Então, você precisa decidir a quem dar ouvidos: a uma medievalista sinistra, ou ao seu “fessô” da “facul”. Escolha difícil…

Nos registros de impostos da Idade Média da cidade de Paris, no fim do século XIII, pode-se verificar uma multidão de mulheres exercendo as mais variadas funções: professora, médica, boticária (atual farmacêutica), tintureira, copista, miniaturista, encadernadora etc.

Na Itália, em especial, há um considerável registro da contribuição de mulheres na Medicina. Poderíamos citar diversos nomes, mas só para ilustrar, lembramos Dorotea Bucca. Ela ocupou uma cadeira de Filosofia e Medicina na Universidade de Bolonha por mais de 40 anos, a partir de 1390.

abelardo_heloisaDo século XII, muitos conhecem o enrosco de Abelardo e Heloísa. Ele, filósofo muito popular, foi contratado pelo tio da moça para lhe dar aulas particulares (e depois de nove meses, ele viu o resultado…). Vejam que a educação dessa jovem foi valorizada a ponto de se colocar à sua disposição os serviços de um intelectual famoso.

Nos tempos feudais, as coroações de rainhas tinham o mesmo prestígio das coroações de reis. Já no campo religioso, certas abadessas (madres superioras) eram tão influentes que administravam vastos territórios, incluindo várias aldeias e paróquias. Muitas abadessas, inclusive, usavam báculo, tal como um bispo. Afinal, eram consideradas pela Igreja como pastoras supremas do território sobre o qual governavam.

No século XII, o célebre pregador Robert d’Arbrissel fundou um mosteiro feminino e um masculino em Fontevrault. Pois esse monge “opressor” e “machista” (como todo católico medieval devia ser, segundo a opinião mais difundida) colocou o mosteiro duplo sob a autoridade de uma abadessa: a nobre viúva Petronilla de Chemillé.

O caso do mosteiro de Fontevrault não foi único. Diversos conventos duplos – de monges e monjas – foram colocados sob a gestão de uma abadessa. Tal função foi exercida, por exemplo, por Santa Brígida da Irlanda (séc. V), em Kildare.

Repito: religiosas liderando comunidades monásticas masculinas e usando uma insígnia típica de um bispo! Isso só prova que Jacques le Goff mandou bem demais quando disse que devemos à Idade Média a emancipação da mulher (emancipação essa da qual, até hoje, muitas mulheres em países muçulmanos não gozam; portanto, pense duas vezes antes de dizer que o tratamento dado às mulheres muçulmanas é “medieval”).

Também foi na Idade Média (século XIII) que uma mulher, plebeia e ignorante, liderou o exército da França (sobre o julgamento e morte de Santa Joana d’Arc, leia aqui o nosso post).

A veneração à Virgem Maria, Mãe de Deus, levou o homem medieval a projetar tamanho respeito também à figura feminina em geral. Isso acontecia não somente no Ocidente, mas também na cristandade do Oriente.

É bem verdade que os pais eram quem escolhiam os noivos para suas filhas, mas notem que os rapazes também estavam sujeitos ao mesmo destino. Portanto, nesse sentido, ambos os sexos estavam igualmente lascados (olha a igualdade aí, gente!). A Igreja se opôs a essa cultura, declarando em seus documentos que o consentimento para o matrimônio deveria ser pleno.

Pra quem quiser se aprofundar no assunto, é só ler os livros de Régine Pernoud: “Idade Média ‒ o que não nos ensinaram” e “O mito da Idade Média”. O filósofo Francisco Razzo também recomenda o livro “The Fourth Estate: A History of Women in the Middle Ages” da historiadora Shulamith Shahar.

Mazelas intelectuais nascidas do Protestantismo – o Ateísmo

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Quais países possuem os maiores índices de cidadãos ateus ou sem religião? Sem contar os países dominados por ditaduras comunistas, no topo da lista figuram Suécia, Dinamarca, Noruega, República Tcheca, Finlândia, Alemanha e Inglaterra. O que motiva tanta descrença? A resposta está naquilo que todos esses países têm em comum: foram palco da primeira expansão da Reforma Protestante. Bingo!

O protestantismo é um primeiro e irreversível passo rumo ao ateísmo. Os países que primeiro foram engolidos pelo luteranismo e pelo calvinismo (e, no caso da Inglaterra, pelo Anglicanismo) são aqueles que, hoje, rejeitam os valores cristãos. Liberam antes de todos os demais países as drogas, equiparam uniões gay ao matrimônio, permitem a eutanásia e o aborto e possuem baixíssima natalidade.

A promoção do ateísmo pelo protestantismo foi intencional? Certamente que não. Mas foi uma consequência inevitável do esvaziamento da doutrina cristã ao bel prazer de cada teólogo e “paxtô” protestante. Dessa desgraça, só pode resultar relativismo e descrença. Disso Lutero deu um eloquente testemunho, com seu desespero e suicídio.

O ATEÍSMO EM TODAS AS SUAS FORMAS

Sempre, em todas as épocas e partes do mundo, existiram ateus. Mas o protestantismo, meio sem querer, incentivou e é, com certeza, o pai do ateísmo ocidental moderno, como ideologia, quaisquer que seja a forma que esse assuma. Como? Simples. Sola fide e Sola Scriptura (para entender o que é Sola Fide, clique aqui, e para entender a Sola Scriptura, clique aqui).

Veja, imaginem que eu sou um crente e creio que a minha fé e a interpretação que eu faço ou que eu aceito que seja a correta das Sagradas Escrituras são suficientes para eu receber a Graça de compartilhar o convívio dos eleitos. Eu não tenho uma Sã Doutrina a me guiar, como os católicos têm. Daí, basta algo não dar certo na minha vida para ter minha fé abalada. Se algo ocorre no mundo que não condiz com minha interpretação das Escrituras, basta para eu considerá-las como um livro de fábulas. Isso é uma simplificação, meus amigos, que para os mais eruditos parecerá muito bruta, mas em linhas gerais é o que ocorre.

Some-se a isso à doutrina de predestinação de Calvino, que diz que a salvação ou condenação de uma pessoa já é predefinida por Deus desde o nascimento, e que só podemos diferenciar o salvo do condenado pela sua prosperidade material. Tá bem de grana? Glória a Deus, esse é abençoado. É duro, lascado? Tá no colo do capiroto.

Então, o sujeito pensa: “Por que prestar adoração a um Deus que já me condenou? Se sou pobre e miserável vivo – e o serei ainda mais morto – por que devo me importar com o Evangelho?”. O passo seguinte é o lascado rejeitar esse Deus e procurar outra forma de garantir-se nessa vida. Dane-se o pós-vida, que por ser tão injusto, é mais provável que não passe de uma farsa.

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O RELATIVISMO

O protestantismo se baseia na alegação de que a Igreja de Roma se corrompeu a partir do momento em que recebeu a proteção política do Imperador Constantino. A Reforma Protestante teria, então, resgatado a pureza e os princípios do cristianismo primitivo, rejeitando todo o “paganismo” adicionado por Roma. Ok… Só falta essa gente explicar como é possível se dizerem continuadores da Igreja primitiva e, ao mesmo  tempo, cagar e andar solenemente para os escritos dos Padres primitivos, que afirmam solenemente a autoridade superior do Bispo de Roma sobre as demais igrejas (saiba mais aqui).

Até aqui, para os mais atentos, dá pra ver que a própria existência do protestantismo é um exercício hercúleo de relativização, de subversão da realidade. Outro grande mal que nos atinge tem sua origem óbvia nos alicerces do protestantismo: o relativismo cultural. O relativismo é a maior fábrica de idiotas do pensamento moderno.

Cito aqui o que disse sobre o tema o Professor Olavo de Carvalho:

Se há um esforço inútil, embora inevitável, é o de contestar o relativismo. É inevitável porque objeções relativistas são fáceis de aprender, fáceis de repetir e acessíveis gratuitamente a qualquer bobão interessado em debater o que ignora. Não importa o que você diga, elas começarão a saltar por todo lado como sapinhos histéricos, e você não terá remédio senão sair caçando uma a uma ou admitir que teria sido melhor ficar quieto desde o início.”

“O Império da Vontade”. Jornal do Brasil, 5 de janeiro de 2006

O relativismo é apenas uma combinação automática de juízos de acordo com o bel-prazer de quem os formula, sem que para isso seja preciso observar o ambiente ao redor. Em outras palavras: as coisas são como eu quero e pronto. Se você discorda de mim é feio, bobo com cara de melão. A máxima dos relativistas é: “Não existe verdade absoluta!”. Não mesmo, pascácio? Então me explica essa mesma afirmação imbecil.

Um relativista é um espírito preso em sua própria mente, já que por conta de seus juízos auto-impostos, a realidade para de fazer sentido a ponto de, quando supomos para ele que ela exista, ele fica ofendidinho.

Sobre o relativismo, certamente o maior teórico da Igreja sobre este tema é Bento XVI. Na denúncia a essa aberração filosófica, o Papa Francisco segue os passos de seu antecessor, dizendo:

“Todavia nem sempre se revela fácil esta tarefa de nos apropriarmos da nossa identidade e de a exprimirmos, pois, uma vez que somos pecadores, sempre nos sentiremos tentados pelo espírito do mundo, que se manifesta de variados modos. Queria assinalar aqui três. O primeiro deles é o deslumbramento enganador do relativismo, que obscurece o esplendor da verdade e, abalando a terra sob os nossos pés, impele-nos para areias movediças: as areias movediças da confusão e do desespero. É uma tentação que, no mundo actual, atinge também as comunidades cristãs, levando as pessoas a esquecerem-se de que, ‘subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre.”

- Encontro com os bispos da Ásia. 17/08/2014

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O KANTISMO 

Tem um pouco a ver com o tópico anterior. Veja um templo protestante. Paredes vazias, apenas um púlpito, sem nada ritualístico ou místico. AQUELA COISA É UMA SALA DE AULA. O protestante procura ligar-se ao criador pela razão direta.

Comecemos com Immanuel Kant. Nascido numa família luterana, teve uma educação austera numa escola pietista, que frequentou graças à intervenção de um pastor. Kant acreditava em Deus e foi um crente devoto por toda a sua vida.

A obra do filósofo escocês David Hume o impressionou e abalou muito, fazendo-o entrar em silêncio de 10 anos, após os quais escreveu sua obra mais conhecida “Crítica da Razão Pura”. Levando a termos a ideia protestante de entender o transcendente pela razão, e em vista da incapacidade humana de compreender em sua integridade a realidade, Kant criou, meio sem querer, um mundo esquizofrênico. Veja o que diz o professor Olavo a respeito:

“Foi ele [Kant] o primeiro que, negando a nossa capacidade de conhecer a realidade como tal, atribuiu ao mesmo tempo à inteligência humana o poder de inventar um mundo válido. Com isto ele substituiu involuntariamente, à legítima pretensão de conhecer, uma ambição ilimitada de poder.”

“O Pai da Porcaria”. Jornal da Tarde, março de 2008

Portanto, é graças a um filósofo luterano que a inteligência ocidental é mutilada. É infectada e bloqueada pela ideia de que e o ser humano nada pode conhecer com certeza, a não ser que seja algo provado cientificamente. É um entendimento de razão como algo que fecha e limita a um fator único, e não como algo que nos abre à realidade, buscando entendê-la de acordo com a totalidade de seus fatores.

A Paz de Deus esteja sempre convosco e até a próxima.

Catolicast 07 – Namoro: o início

Oi Povo Católicoooooo!!!!!

Olha aí uma novíssima edição do Catolicast! Essa turma que sempre interrompe nosso banho semanal, vai falar sobre NAMORO CATÓLICO!

Catolicast 07

 

INTERROMPENDO O SEU BANHO SE SÁBADO!!! Nesse Catolicast Vitor Quintes, Bruno Pinheiro e Christian Rité (Web Rádio Catolicast), Ivan Quaresma (Itinerário de preparação para o MatrimônioDaniel Machado(Destrave – Canção Nova) e Alexandre Varela(O Catequista) batem um papo maneiro e formativo sobre o começo de namoro.

Atenção: Esse Catolicast não tem restrições de status de facebook!

Nesse Catolicast: Saiba como começar um namoro através de “piadas”, aprenda que na vida não se pode perder tempo, aprenda que distancia nunca será um problema e que não existe uma receita de bolo, mas sim um bolo de receitas.

 

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR!

 

FEED PARA iTUNES (e outros leitores de Podcast):

Aquiete o coração… vai dar certo um dia. #Oremos

 

RECADOS IMPORTANTES:

 

LINKS IMPORTANTES OU CITADOS NO PROGRAMA:

Remédio medieval destrói superbactéria. Idade das Trevas, tem certeza?

Uma bactéria assustadora estava quebrando a cabeça dos cientistas. Resistente aos antibióticos até então conhecidos, a MRSA gera infecções na pele e no sangue. A solução para combater esse terrível mal veio de uma fórmula obtida em um livro medicinal da Idade Média – sim, aquele período que a Tia Teteca te ensinou a chamar de […]

Casamento gay civil – Por que o Padre Fábio de Melo está equivocado

Vocês certamente devem saber que é graças à influência da bancada evangélica e católica que o assassinato de bebês em gestação, financiado com dinheiro público, ainda não foi totalmente liberado no Brasil. Agora imagine um cristão que, ao receber essa informação, diga: “Ora, os religiosos não devem se meter nesses assuntos políticos, pois o Estado […]

Cinderela X Merida – A força feminina que reside na humildade, não na rebeldia

Reparem no modelo de mulher que vem dominando os comerciais de TV: insolente, impaciente, grossa, sempre quer ficar por cima da carne seca e, acima de tudo, não perde a oportunidade de ridicularizar e o seu marido/namorado como um completo idiota. Acham que tô exagerando? Então deem uma olhada nesses dois breves vídeos abaixo.

O […]

Se os santos não são oniscientes, como ouvem nossas orações?

Em tempos de crise financeira, aumenta – e muito – o trabalho celestial de Santa Edwiges, a padroeira dos lascad… ops… dos endividados! Neste exato momento, não é difícil imaginar a santa recebendo orações de várias cidades do país, e tudo ao mesmo tempo. Mas como uma simples serva de Deus, que não é onisciente, […]

Catecast 11 – Queimando as Lendas da Inquisição: PARTE 2!

Catecast11

Neste Catecast: Alexandre (O Catequista), Viviane (A Catequista), Paulo Ricardo (O Historiador), Bruno Linhares (O Andarilho) e Robby Santos detonam mais algumas lendas da inquisição, mostrando o que afinal foi a Inquisição Espanhola, revelando a face oculta da inquisição protestante e metendo o dedo na ferida dos casos Joana D’Arc, Giordano Burro Bruno e Galileu Galilei! E ao final, descubra o que fazer quando alguém vier lhe contar mentiras sobre a inquisição! […]

“A” Tradição e as tradições da Igreja – entenda a diferença

Qual meio Deus usou para nos revelar a sua Palavra, de modo infalível? Alguns dizem: somente por meio da Bíblia. Mas quem afirma isso está em contradição com a própria Escritura, que diz que a Tradição também é um meio de transmissão do Evangelho.

“Eu vos felicito por vos lembrardes de mim […]

Liga dos Blogueiros Católicos – Episódio 24 – 29/03/2015

Liga dos Blogueiros Catolicos

Oi Povo Católico!!!!

Começou a terceira temporada da Liga dos Blogueiros Católicos! E já começou agitada… veja os comentários sobre o milagre da liquefação do sangue de São Januário nas mãos do Papa Francisco e descubra qual foi a piada que ele contou na ocasião. Avalie os primeiros meses do governo Dilma, entenda passo a passo, os […]