Maçonaria: me engana que eu gosto – parte 2

maconaria_catolico_pobreAo serem questionados sobre o ingresso de católicos em suas Lojas, praticamente todos os maçons dizem que não tem grilo. Garantem que um católico não será levado a trair sua fé e, para reforçar a tese, citam o nome de uma penca de padres e bispos (de santidade altamente duvidosa) que foram maçons.

Alguns maçons mais honestos reconhecem que a Igreja proíbe que os católicos se envolvam com a maçonaria, mas sugerem que isso poderá mudar no futuro, de acordo com o que der na telha de um novo Papa.

Mas a verdade é que é tão possível que a Igreja um dia aprove que católicos sejam maçons, quanto que permita que católicos pratiquem o islamismo. É uma oposição insuperável, não importa quantos séculos se passem.

Um católico ser maçom faz tanto sentido quanto…

…um cara ser fã da banda System Of A Down e, ao mesmo tempo, curtir Restart e Justin Bieber;

…o incomparável bailarino Mikhail Baryshnikov criar e dirigir as coreografias do grupo É o Tchan;

…um judeu ingressar no partido do Ahmadinejad.

Católicos e maçons cultivam valores e crenças comuns? Sim: a existência de Deus, a imortalidade da alma e a necessidade de agir solidariamente. E PAROU POR AÍ. De resto, tudo o que a maçonaria professa é puro veneno para uma alma cristã.

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"O Ancião dos Dias". Obra de Willian Blake que representa o G.A.D.U.

Isso pode não ser percebido por um católico que conhece pouco a sua fé, e assim acaba acendendo uma vela pro Deus Uno e Trino e outra pro tal do G.A.D.U. (não, não é a Maria Gadú, mas sim o Grande Arquiteto do Universo, uma “força superior criadora”).

O G.A.D.U. é um deus genérico venerado pelos maçons, que pode ser qualquer coisa que cada maçom achar que ele é. E tudo o que é qualquer coisa, no fim das contas… acaba não sendo nada! Um maçom acha que G.A.D.U. é Alá? Beleza. Outro acha que ele é Oxalá? Maravilha. Outro maçom ateu imagina que ele é só um símbolo de um mundo melhor? Tá valendo.

Ainda que pouco se saiba sobre os rituais e símbolos maçônicos, é certo que eles são fortemente sincretistas e esotéricos, especialmente inspirados em crenças Orientais antigas (como a mitologia egípcia).

A maçonaria moderna se identificou plenamente com o Iluminismo e, na maçonaria francesa, isso chegou ao extremo. Em 1877, o Grande Oriente da França decidiu que a crença em Deus não era obrigatória para os seus membros, e por isso essa Loja não é reconhecida por outras Lojas influentes.

A maçonaria possui “degraus de iniciação”: quem está acima na hierarquia da ordem sabe mais do que quem está abaixo. Conforme o maçom evolui nos graus da organização, mais ele se aproxima de se apropriar dos segredos da maçonaria.

O espírito maçônico caracteriza-se por algumas ideias principais. Veja a seguir quais são elas, e como elas se chocam contra a fé católica.

Negação da salvação dependente da graça

Para a maçonaria, com esforço próprio, o homem pode progredir moralmente e espiritualmente, sem necessidade da graça de Deus. Ou seja, cada pessoa pode alcançar a pureza de alma pelos próprios esforços e salvar-se a si mesma (a charge abaixo traduz bem essa ideia).

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Indiferentismo religioso

Cada maçom pensa o que quiser de Deus. Nenhuma religião foi revelada (ensinada) por Deus, mas são todas (inclusive o cristianismo) somente tentativas humanas para refletir sobre a verdade. Todas as religiões podem ser igualmente boas.

Relativismo

Na maçonaria, cada um pensa o que quiser da vida, em nome da “liberdade de fé e de consciência”. A verdade é relativa, e a moral “evolui” conforme o que a maioria as sociedade pensa. Não há dogmas, já que é impossível ao homem conhecer a plena verdade.

Naturalismo

A natureza e a razão humana estão acima de todas as coisas (a senhora Razão é o grande ídolo da maçonaria, na verdade). Não existem milagres, pois tudo o que a razão humana não explica não é digno de crença pelos maçons.

Laicismo

Os maçons não defendem a ideia de laicismo positivo, que garante que os membros de todas as crenças (e os não-crentes) possam atuar com igualdade e liberdade no campo político. O que eles querem é confinar os religiosos à esfera privada, negando-lhes o direito de influenciar com suas crenças e valores a vida pública. É a tirania dos não-crentes.

Engraçado… Os ateus e os sem religião podem defender seus valores (ou sua falta de valores) na vida pública, mas os religiosos não podem? Que lógica é essa? Desde quando ter fé desqualifica uma pessoa para atuar politicamente? Já falamos sobre isso aqui no post “Igreja e Política. Pode, Arnaldo?”.

Fundamentada nesses princípios, pouco a pouco, a maçonaria leva os seus membros a questionarem e relativizarem os ensinamentos de suas religiões, pois o espírito maçônico, naturalmente, deve prevalecer. E, seduzidos pelas vantagens de ter uma rede de contatos com gente de prestígio na $ociedade, muitos católicos preferem ignorar essas questões, e permanecem na maçonaria.

Como se tudo o que já foi dito não bastasse, como poderia a Igreja, uma Mãe, aprovar que seus filhos prestem juramento a uma sociedade de intenções secretas, correndo o risco de se tornarem instrumentos de estratégias que eles mesmos desconhecem?

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A pirâmide com o “Olho que Tudo Vê” é um típico símbolo maçônico. O ditado “Novus Ordo Seclorum” (“Nova Ordem das Eras”) nos remete à intenção de estabelecer uma Nova Ordem Mundial. Como vemos, a inversão de valores e a hostilidade ao cristianismo crescem a passos largos. THANK YOU, FREEMASONS!

Os católicos devem estar abertos a dialogar com os maçons e estabelecer com eles laços de amizade e respeito. Mas diálogo não implica em ceder nos prontos centrais de nossa fé, realizando missas em comemoração ao aniversário de fundação de uma loja maçônica, por exemplo.

Em 1738, o Papa Clemente XII fez a primeira condenação pontifícia da maçonaria. Hoje, quase 200 anos depois, a posição não mudou muito. A diferença é que não há mais a pena de excomunhão (a não ser que o tal maçom, efetivamente, conspire contra a Igreja). De 1846 a 1903, os Papas publicaram 350 (!!!) intervenções contra a maçonaria.

“Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas, estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”

Cardeal Ratzinger, Congreg. para a Doutrina da Fé. 1983

Católico que se torna maçom é desinformado ou vacilão! A exceção é o meu Tio Xerxes, que é um maçom de responsa: constrói paredes, faz chapisco e aplica reboco como ninguém!

*****

Ainda muita coisa interessante pra falar sobre esse tema – as conspirações e a perseguição maçônica à Igreja ao longo da história, os maçons famosos etc. Isso tudo ficará pra um futuro Catecast.

Obra de referência para pesquisa: Maçonaria e a Igreja Católica, de João Evangelista Martins Terra (bispo emérito de Brasília).

UPDATE com errata:

O Pe. Anderson Alves, da Diocese de Petrópolis, nos explicou que os católicos que ingressam na maçonaria e se recusam a deixar esta sociedade estão SIM excomungados, pois essa pena não foi suspensa pela Igreja. Afinal, não se trata somente de “pecado grave”, mas de renegar implicitamente a fé católica.

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé de 1983, que não cita a excomunhão, não anula o documento anterior desta mesma Congregação, publicado em 1981 (ver aqui). Esse documento foi assinado por J. Ratzinger e João Paulo II, e deixa claro que a pena de excomunhão permanece. Para anular esse parecer, seria necessário a publicação de outro documento dizendo isso explicitamente, o que nunca foi feito pela Igreja.

Maçonaria: me engana que eu gosto – parte 1

De tempos em tempos, surge um grupo de pessoas que se acha melhor que os outros, acima de “tudo de mal que está por aí”. Esses grupos, com sua filosofia de vida, têm a pretensão de promover o bem e mudar o mundo. É claro, como todos eles desconsideram o pecado original e a Revelação Cristã, o resultado é sempre decepcionante. Sobre essa ilusão se difundiu, por exemplo, o movimento hyppie, o socialismo e a maçonaria.

construtores_idade_media_maconariaA maçonaria é uma das sociedades que mais despertaram a curiosidade do mundo. Apesar de muito se falar dela, poucos sabem do que se trata, e até mesmo muitos maçons não compreendem a fundo a essência da ideologia maçônica.

A influência da maçonaria não é a mesma do passado, e o número de maçons é cada vez menor. Como instituição, a maçonaria está em decadência. Por outro lado, os princípios maçônicos imperam hoje em todo o Ocidente, dentre eles, o laicismo político, o liberalismo, o naturalismo e o relativismo religioso (que são totalmente incompatíveis com o catolicismo).

Dentro da Igreja Católica, vemos também o resultado de séculos de propaganda maçônica: muitos católicos são liberais, ou seja, fazem pouco da Tradição da Igreja e relativizam os ensinamentos do Sagrado Magistério. E nem desconfiam de que estão tornando realidade os princípios maçônicos.

Vamos buscar esclarecer aqui o que é a maçonaria, quais seus objetivos e por que é impossível ser católico e maçom ao mesmo tempo.

O que é a maçonaria?

A maçonaria é um clube fechado, em que só entram pessoas com um determinado perfil (bom comportamento familiar e social, ter razoável influência ou poder na sociedade). Ela se apresenta como uma espécie de “escola de ética”, que forma líderes para tomar frente no progresso moral, espiritual e material da humanidade.

Não sendo uma religião, mas sim uma sociedade filosófica, ela admite pessoas de qualquer crença religiosa.

Os maçons devem manter em segredo absoluto os meios que usam para se reconhecerem entre si em qualquer parte do mundo, o significado de alguns de seus símbolos e o que acontece nos rituais maçônicos.

Como surgiu a maçonaria?

O termo “maçonaria” vem do francês maçon, pedreiro. É difícil afirmar ao certo como e quando surgiu a maçonaria. A teoria mais difundida é que ela descenderia de antigas associações de arquitetos, mestres-pedreiros e pedreiros da Idade Média, que eram construtores de igrejas e catedrais.

Esses caras constituíam uma espécie de “elite”, e gozavam de muitos privilégios. E pessoas privilegiadas tendem a reforçar a sua condição formando grupos fechados, exclusivos para membros de igual condição.

Ao que parece, o elitismo subiu à cabeça dos reis da cocada preta… Além de acharem os sinistros da construção com tijolinhos, eles também acharam que seriam os mais capazes para liderar a humanidade rumo à construção do ideal de um mundo melhor. E isso começaria pela construção do caráter de cada maçom, por meio do progresso ético, intelectual e moral.

Diz a lenda (que talvez seja fato, sei lá) que, com o tempo, essas associações começaram a aceitar membros de honra que não trabalhavam no ramo da construção. Eles era chamados de “pedreiros especultativos”. Com o tempo, estes se agruparam em associações (Lojas) independentes dos pedreiros profissionais. Assim teria nascido a organização maçônica escocesa, que se espalhou depois pelo Reino Unido e pela França e, depois, para o mundo todo. Nessa nova fase da maçonaria, conservaram-se em seus os símbolos relacionados à profissão de pedreiro.

Amanhã: o que os maçons pretendem? Quais os elementos centrais da ideologia maçônica? Por que alguém se torna maçom? Por que um católico não pode ser maçom?

Acompanhem!

Obra de referência para pesquisa: Maçonaria e a Igreja Católica, de João Evangelista Martins Terra (bispo emérito de Brasília).

Jovens, levem sua alegria aos abrigos de crianças!

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Vinícius Assis (no centro) comemorando seu aniversário junto às crianças abrigadas do Educandário Romão Duarte (Rio de Janeiro)

No meu tempo de universitária, o meu diretor espiritual levava os jovens todas as semanas para visitar um abrigo de crianças (antes chamados de “orfanatos”). Lá, podíamos entender que o prazer se encontra não só na diversão, mas também na caridade, na doação de nós mesmos aos que precisam.

Lembro bem que experimentávamos muitas vezes o sentimento de querer levar um pimpolho pra casa. Diante desse desejo, alguns se sentiam frustrados e impotentes; sendo ainda muito jovens, não tinham condições de adotar. E, assim, não voltavam mais ao abrigo. Outros percebiam que amar não significa necessariamente resolver os problemas de quem amamos, mas sim estar ao lado e ajudar como pudermos, ainda que seja com pouco.

Então, é muito importante que os sacerdotes e os líderes dos movimentos e pastorais organizem visitas regulares e estimulem os jovens a passar algum tempo com as crianças nos abrigos. É bom demais para todos: os jovens aprendem a compartilhar uma parte de seu tempo com quem precisa; e as crianças se alegram ao receber gente animada pra brincar.

Tenha certeza: visitando uma criança carente de afeto, você estará visitando Jesus.

E não precisa fazer parte de um grupo católico pra isso. Um amigo meu, por exemplo, já comemorou alguns de seus aniversários em um abrigo. Ele alugou brinquedos e os convidados ajudaram com doações de comidinhas e guloseimas. E o melhor: muitos dos amigos que comparecem à festinha, católicos ou não, acabam entrando em contato com crianças abrigadas pela primeira vez.

Olhar uma criança nos olhos e não amá-la é muito difícil. Por isso, tenho convicção de que, se todo casal com problemas de fertilidade tivesse o costume de visitar abrigos, os lucros das clínicas de inseminação artificial cairiam drasticamente. E o coração de Jesus estaria muito mais consolado.

A respeito disso, recomendo demais os artigos (links abaixo) do nosso amigo Bruno Linhares. Após um ano de casamento, ele e sua esposa iniciaram o caminho de busca pela adoção. Que Nossa Senhora os conduza!

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